Escritas

A árvore da serra

Augusto dos Anjos
As árvores, meu filho, não tem alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma!...

- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra.
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Comentários (2)

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Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-08-13

Obrigado, corrigido

Hildebrando Bartolomeu de Lira.
Hildebrando Bartolomeu de Lira.
2022-08-13

No quarto verso do primeiro quarteto, não existe a palavra "mais"