Escritas

Mulher ao espelho

Cecília Meireles
Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

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Comentários (11)

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marcelo
marcelo
2017-01-05

demais

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2013-03-25

<strong><em>Lindo o poema de Cec&iacute;lia Meireles ela &eacute; incr&iacute;vel t&aacute; de parab&eacute;ns pelo seu trabalho...</em></strong>

geisa
geisa
2012-07-20

muito gracioso e verdadeiro! realmente n se faz mais poemas assim.<br /> &nbsp;palavras doces q nos encantam pelo simples fato de muitas&nbsp; vezes n sabersmos explicarmos oq sentimos.

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2012-06-06

<div style="text-align: center;">amei este poema dela cec&iacute;lia ela falava com a alma adoro mulher O ESPELHO COMO TAMBEM PESCADOR<br /> <br /> </div>

paula
paula
2012-01-12

<p style="text-align: center;"><span style="color: rgb(63, 49, 81); font-size: 20px;"><strong><em>N&atilde;o s e fazem + poemas cm os de Cecilia ela falava c/ a alma adoro Cecilia, lindo poema!!!!!</em></strong></span></p>