Escritas

Às seis da tarde

Marina Colasanti Ano: 20436
Às seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam de trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução.
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Comentários (1)

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Ana Forlevezi
Ana Forlevezi
2024-04-01

Amo muito esse poema, desde o dia em que o li em meu caderno escolar há tantos anos. Hoje, às seis da tarde, regressamos do trabalho e, até podemos, mas não queremos chorar na condução, porque corremos atrás dos nossos sonhos e de realizá-los, mesmo com uma dor no fundo do peito devido à essa estrutura opressora sobre nós.