À Morte
Florbela Espanca
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Ano: 1905
Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.
Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.
Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!
Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera,... quebra-me o encanto!
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.
Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.
Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!
Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera,... quebra-me o encanto!
Comentários (6)
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2022-07-22
Li este poema pela primeira vez aos 12 anos, depressivo e suicida, e encontrei conforto nestas palavras. Nunca me esqueço deste poema. Ei de tatua-lo um dia.
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2012-11-04
corrigindo de novo: florbela se escondeu na morte para SER eterna e permanente. a vida não lhe cabia
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2012-11-04
corrigindo: para SER bela e permanente
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2012-11-04
florbela se escondeu na morte para eterna e permanante. a vida não lhe cabia
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2012-04-25
Nunca tinha ouvido falar na florbela espanca mas adorei<br> </br>
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