Lista de Poemas
Resto
do sangue
e o rosto, espelho cego
onde se precipita o meio-dia.
Ficam as mãos, apenas,
suavemente desenhadas
nas costas negras do ar.
Ficam as palavras, não a música,
não o rumor equidistante do sol
quando faz noite, dor e medo.
Ficam os animaizinhos cansados
de golpear, cara e estio,
em sua jaula de ossos.
Habitante do Nada
sua forma se parece à minha.
Eu sou uma pedra,
um brinquedo no túmulo de uma criança,
uma medalha escurecida?
Sou antes um espelho gasto
uma superfície que não reflete,
um rosto estranho
um dia que termina.
Amor
à noite
como a escura serpente extraviada.
Hoje
do anjo-barro: o amor
selou
seus vasos comunicantes.
Guardemos o incenso
para os verões públicos.
Deus não funciona.
Aqui
em meu lado raivoso
e molha suas pupilas
por minha última morte.
Aqui o sangue,
aqui o beijo dissoluto,
aqui a torpe fúria de deus
florescendo em meus ossos.
Mediador Dei
o malabarista delirante em sua varanda vermelha
(com pequenos pés enferrujados)
lava as mãos no peito das nuvens
e se cobre de azul para não ver sangue.
A Sós
A seriedade de seu sorriso.
Imagina-se a sós
com tanto grito à sua volta?
O tempo caminha entre os perfumes,
destampa um frasco, perde minutos a deixar morrer
entre os trajes para meio vivos,
como recém afogados.
Compreendo:
os gritos silenciados,
os peixes, nascimento perpétuo.
Antes, uma vez...
Ninguém nunca saberá.
Imagina-se a sós
com tanto abismo à sua volta?
Habitante
de meus desejos proibidos.
teu ritmo se levanta
perto de meu lado mais tênue.
Tua credencial
é um gemido.
Não
por palavras, por jaulas
por geometrias abjetas.
Me nego a ser
rotulada
violentada
absorvida.
Só eu sei como me destruir
como bater minha cabeça
contra a cabeça do céu,
como cortar minhas mãos e senti-las à noite
crescendo para dentro.
Me nego a receber esta morte
esta dor
estes planos tramados, inconcebíveis
só eu conheço a dor
que leva meu nome
e só eu conheço a casa de minha morte.
Eu
recomponho velhos verbos destroçados
nos fornos do frio
e me invento uma palavra para cada lágrima.
Eu saio para passear
e me inclino sobre as fontes vazias
para beijar minha boca inexistente.
Eu tenho o olhar cheio de sal
e corpos como estrelas de areia
e flores vorazes
que me consomem lentamente.
Eu vivo e tremo,
ressuscito e me arrasto pelo ar quente
das florações
e pelo olho sempre aberto do dia.
Eu, lua tíbia
me amando e morrendo.
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ensaísta e fotógrafa artística. Sua poesia não se assemelha a de nenhum outro
conterrâneo. Senhora de uma voz irônica, de crítica pungente e mundos criados com a
ideia do Belo e da Arte, acionando como poeta o Real, mas a partir do maravilhoso. Faz
parte, junto com Alejandra Pizarnik e Juana Bignozzi, da chamada geração de 60, muito
embora não tenha feito parte de nenhum grupo ou movimento literário. Sua relação com
os poetas de sua geração é quase nula, salvo exceções como Maria Negroni, que mais
tarde compilou seus livros póstumos La Morada Imposible I y II, e Alejandra Pizarnik,
com quem publicou na Revista Literária Agua Viva, nos anos 60 e uma de suas poucas
amigas. Não publicou nada entre 1970-82, anos em que se dedicou ativamente à
fotografia, embora continuasse escrevendo.
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