Escritas

Lista de Poemas

Mamãe

É quase noite, Não encontro abrigo.
O mundo ri de meu penar sincero.
O sofrimento sempre traz consigo
travo, amargador, mas não me desespero.

Olhar sereno, meu caminho sigo,
a conduzir, nem sempre como quero
este viver de sonhos, que bendigo,
num mundo feito de sabor austero.

O mundo é falho. A humanidade, ingrata.
Tem a mulher caprichos bem diversos.
Até num riso, às vezes, nos maltrata.

Entre nós dois, Mamãe, o amor não finda.
Teu coração não cabe nestes versos.
Minha saudade é bem maior ainda...

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Remembranças

Domingo. Noite calma. Um piston em surdina
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.

Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.

Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.

Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.

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Destinos Iguais

Eu leio em teu semblante desenhada
na sua plenitude a própria vida
de quem se sente em vida desolada,
sem sol e sem calor, desiludida.

Decerto, contrafeita, amargurada,
por vezes, entre amigas, esquecida,
tu ficas em silêncio, ó bem-amada,
e eu fico a contemplar-te, assim, querida.

E Deus nos fala pela voz dos sinos.
Ao lusco-fusco, sinto em tua prece
fervor e contrição. A noite desce.

Perdidos no tumulto dos destinos
traçados para todos os mortais,
parece que nós dois somos iguais.

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Outono

Quando a velhice chega, a vida perde a graça.
Vêm o tédio, o silêncio, o queixume, o abandono.
Sempre há de ser assim. Pelo tempo o homem passa,
na luta pela vida, a mergulhar no outono.

E (se não fosse Deus!) que dizer da carcaça
(sem alma) dos mortais, possíveis cães sem dono?
Materialista e ateu, o ancião se desengraça
de todos e de tudo, e, inda mais, perde o sono.

Como é bom ser cristão! A gente continua
a viver sempre bem, otimista, feliz,
sem queixumes, ao sol, sem pedradas na lua.

Sem Eva para Adão, que seria do mundo?
Da argila para a vida (a História no-lo diz),
houve o sopro divino, infinito, fecundo.

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Introspecção II

A vida, neste mundo, é mesmo passageira.
Certeza ninguém tem de estar vivo, amanhã.
O ímpio endeusa a matéria, ao encher a algibeira.
Longe o Povo de Deus de qualquer coisa vã.

A alma — sopro divino. O corpo, esfeito em poeira,
sob outra forma, um dia... A doutrina cristã,
dentro da BOA NOVA — a fonte verdadeira —
diz sobre o Bem e o Mal — no maior talismã.

Nesta minha rotina, há pesados encargos.
E, se não fosse Deus, como suportaria
ver-te a sofrer, também, momentos tão amargos!

Mas me ajudas, meu bem, na luta, noite e dia,
a carregar a cruz, em gestos sempre largos
e a trazer nosso lar em constante harmonia.

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