Silva Avarenga

Silva Avarenga

Silva Avarenga foi um poeta brasileiro cuja obra se insere no contexto do Romantismo, especialmente na vertente indianista e nacionalista. Sua poesia é marcada por um lirismo elevado, pela exaltação da natureza e pela tentativa de construir uma identidade literária nacional. Com versos que buscam a grandiosidade e a beleza, Silva Avarenga contribuiu para a consolidação de um imaginário poético brasileiro, explorando temas como o amor idealizado e a paisagem do país. Sua obra reflete o espírito de época e a busca por uma expressão literária autêntica para o Brasil.

n. , Ouro Preto · m. , Rio de Janeiro

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A Roseira

Rondó LII

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

Quando Glaura me dizia
Que era sua esta roseira,
De esperança lisonjeira
Me senda consolar.
Mas a sorte, que invejosa
Este alívio não consente,
Não há mal que não invente
Rigorosa em maltratar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

Da risonha primavera
Esperei os dias belos:
Glaura... oh dor! os teus cabelos
Quem Pudera coroar.
Já não vives oh que mágoa!
E a roseira que foi tua,
Eu a vejo estéril, nua,
Junto d’água desmaiar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

Parca iníqua, atroz, funesta,
Era teu o infausto agouro;
Já levaste o meu tesouro,
Mais não resta que roubar.

Nem às flores permitiste...
Oh! que bárbara impiedade!
Fica só cruel saudade,
Fica o triste suspirar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

De teus ramos a beleza
Era o mimo destes prados;
Move agora, ó ímpios fados!
De tristeza a lamentar.
Horrorosos são meus males;
Tudo encontro em névoa escura;
Vem comigo a desventura
Estes vales assombrar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

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Biografia

Identificação e contexto básico

Silva Avarenga foi um poeta brasileiro. Informações sobre pseudónimos ou heterónimos não são proeminentes. Sua nacionalidade era brasileira e a língua de escrita principal era o português. Viveu em um período de consolidação da identidade nacional brasileira.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e formação de Silva Avarenga são escassos em fontes públicas. Sabe-se que, como muitos de seus contemporâneos românticos, absorveu influências literárias da Europa, especialmente de poetas que exaltavam a natureza e o sentimento nacional, adaptando-as ao contexto brasileiro.

Percurso literário

O percurso literário de Silva Avarenga está intrinsecamente ligado ao movimento romântico no Brasil. Sua poesia emergiu como parte de um esforço para criar uma literatura nacional, livre das amarras do classicismo e voltada para a exaltação da terra e de seus valores. Sua obra se consolidou dentro desse contexto, com ênfase em temas que celebravam o Brasil.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Silva Avarenga é predominantemente lírica e se alinha com as características do Romantismo brasileiro. Os temas centrais incluem a exaltação da natureza, o amor idealizado, o indianismo (a figura do indígena como herói nacional) e a construção de uma identidade literária brasileira. Seu estilo busca a grandiosidade, a elevação do sentimento e a musicalidade nos versos. A forma poética tende a seguir os modelos clássicos, mas com temas e sensibilidade genuinamente brasileiros.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Silva Avarenga produziu em um período crucial para a formação da identidade cultural brasileira, o século XIX. O Romantismo, como movimento artístico e literário, foi fundamental para a busca de uma expressão nacional autônoma. A sua obra dialoga com o anseio por independência cultural e com a valorização do que era considerado genuinamente brasileiro, como a paisagem e os elementos históricos e mitológicos.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Silva Avarenga, como relações familiares, profissionais ou crenças, não são amplamente divulgadas em fontes públicas. É provável que tenha tido envolvimento com círculos literários e intelectuais da época.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Dentro do contexto do Romantismo brasileiro, Silva Avarenga foi reconhecido como um dos poetas que contribuíram para a consolidação do movimento. Sua obra fazia parte do cânone romântico, embora possa não ter alcançado o mesmo destaque de nomes como Gonçalves Dias ou Álvares de Azevedo em termos de notoriedade póstuma.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Silva Avarenga foi influenciado pela poesia romântica europeia e pela necessidade de criar uma voz poética para o Brasil. Seu legado reside na contribuição para a consolidação do Romantismo no país e na sua participação na construção de um imaginário literário nacional. Sua obra, embora menos lembrada hoje, é parte integrante da história da literatura brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Silva Avarenga pode ser analisada sob a ótica do projeto romântico de construção nacional, da idealização da natureza e da figura do indígena. As críticas à sua poesia frequentemente apontam para a imitação de modelos estrangeiros em detrimento de uma originalidade mais profunda, mas também reconhecem a sua importância histórica e lírica.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos da vida e obra de Silva Avarenga, bem como episódios curiosos, não são amplamente documentados em fontes acessíveis ao público geral.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Detalhes sobre as circunstâncias da morte de Silva Avarenga e possíveis publicações póstumas não são amplamente documentados em fontes acessíveis.

Poemas

6

Madrigal VII

Ó sombra deleitosa,
Onde Glaura se abriga pela sesta,
Enquanto o ardor do Sol os prados cresta,
Ah! defende estes lírios e esta rosa.
E se a Ninfa mimosa
Perguntar quem colheu as lindas flores,
Ó sombra deleitosa,
Dize-lhe que os amores
E a tímida ternura
Do Pastor namorado e sem ventura.

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A Roseira

Rondó LII

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

Quando Glaura me dizia
Que era sua esta roseira,
De esperança lisonjeira
Me senda consolar.
Mas a sorte, que invejosa
Este alívio não consente,
Não há mal que não invente
Rigorosa em maltratar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

Da risonha primavera
Esperei os dias belos:
Glaura... oh dor! os teus cabelos
Quem Pudera coroar.
Já não vives oh que mágoa!
E a roseira que foi tua,
Eu a vejo estéril, nua,
Junto d’água desmaiar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

Parca iníqua, atroz, funesta,
Era teu o infausto agouro;
Já levaste o meu tesouro,
Mais não resta que roubar.

Nem às flores permitiste...
Oh! que bárbara impiedade!
Fica só cruel saudade,
Fica o triste suspirar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

De teus ramos a beleza
Era o mimo destes prados;
Move agora, ó ímpios fados!
De tristeza a lamentar.
Horrorosos são meus males;
Tudo encontro em névoa escura;
Vem comigo a desventura
Estes vales assombrar.

Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!

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Madrigal XXXIV

Ditoso e brando vento, por piedade
Entrega à linda Glaura os meus suspiros;
E voltado os teus giros,
Vem depois consolar minha saudade.
Não queiras imitar a crueldade
Do injusto amor, da triste desventura,
Que empenhada procura o meu tormento.
Ditoso e brando vento,
Voa destes retiros,
E entrega à linda Glaura os meus suspiros.

985

Madrigal III

Voai, suspiros tristes;
Dizei à bela Glaura o que eu padeço,
Dizei o que em mim vistes,
Que choro, que me abraso, que esmoreço.

Levai em roxas flores convertidos
Lagrimosos gemidos, que me ouvistes:
Voai, suspiros tristes;
Levai minha saudade;
E, se amor ou piedade vos mereço,
Dizei à bela Glaura o que eu padeço.

1 388

Madrigal XXIX

Não desprezes, ó Glaura, entre estas flores,
Com que os prados matiza a bela Flora,
O jambo, que os Amores
Colheram ao surgir a branca Aurora.
A Dríade suspira, geme e chora
Aflita e desgraçada.
Ela foi despojada... os ais lhe escuto...
Verás neste tributo,
Que por sorte feliz nasceu primeiro,
Ou fruto, que roubou da rosa o cheiro,
Ou rosa transformada em doce fruto.

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O Jasmineiro

Rondó XI

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.

Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.

Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.

Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.

Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.

Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.

Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.

Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.

Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.

Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.

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