Sidney Frattini

Sidney Frattini

Sidney Frattini é um poeta contemporâneo conhecido por sua obra que explora as nuances da experiência humana, a efemeridade do tempo e a busca por significado em um mundo em constante mudança. Sua poesia se destaca pela sensibilidade lírica e pela capacidade de evocar imagens poéticas marcantes, convidando o leitor a uma reflexão profunda sobre a vida e suas complexidades.

n. , São Paulo, SP, Brasil

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A Pessoa - Carta

Ah, meu bom Fernando.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Sidney Frattini é um poeta contemporâneo cuja obra se insere no panorama da poesia moderna. Sua nacionalidade e língua principal de escrita são o português.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Sidney Frattini são escassas na literatura pública. Presume-se que, como muitos poetas, sua formação tenha sido marcada por um interesse precoce pela leitura e pela escrita, possivelmente influenciada por outras obras literárias e artísticas.

Percurso literário

O percurso literário de Sidney Frattini é caracterizado por uma produção poética que tem vindo a ser reconhecida pela sua qualidade lírica e profundidade temática. Embora detalhes sobre colaborações específicas em revistas ou antologias sejam limitados, a sua obra tem circulado em círculos literários e pode ter sido incluída em publicações relevantes.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Frattini tende a abordar temas universais como a passagem do tempo, a memória, a identidade, a natureza e as relações humanas. O seu estilo é frequentemente descrito como lírico e introspectivo, com um uso cuidado da linguagem para criar imagens evocativas e atmosferas sensíveis. Utiliza recursos poéticos para transmitir emoções e reflexões sobre a condição humana. Sua poesia pode ser associada a movimentos literários contemporâneos que valorizam a subjetividade e a exploração da interioridade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Como poeta contemporâneo, Sidney Frattini está inserido em um contexto cultural marcado pela diversidade e pela rápida evolução das formas de comunicação e expressão artística. A sua obra dialoga com as preocupações e os questionamentos da sociedade atual, refletindo, de alguma forma, as tensões e os anseios do mundo em que vive.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal A vida pessoal de Sidney Frattini, como a de muitos artistas, é mantida em um relativo discrição. As suas experiências e observações do cotidiano, no entanto, são indubitavelmente fontes de inspiração para a sua obra poética, moldando a sua perspetiva lírica.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Sidney Frattini tende a crescer à medida que a sua poesia é publicada e divulgada. A receção crítica, quando disponível, foca-se na sua sensibilidade lírica, na originalidade das suas imagens e na capacidade de tocar o leitor.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências específicas de Sidney Frattini podem variar, mas é provável que tenha sido inspirado por poetas que exploram a profundidade emocional e a beleza da linguagem. O seu legado, ainda em construção, reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e reflexiva.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Frattini oferece múltiplas camadas de interpretação, convidando o leitor a encontrar ressonância pessoal nos seus versos. As análises críticas podem focar-se na exploração de temas existenciais e na qualidade estética da sua escrita.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspetos menos conhecidos da sua personalidade ou hábitos de escrita podem existir, mas não são amplamente divulgados. O seu trabalho é um convite à descoberta, tanto para o leitor quanto para a crítica.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Por ser um autor contemporâneo, a questão da morte e memória ainda não se configura como um tópico relevante para Sidney Frattini. Sua obra continua em desenvolvimento.

Poemas

7

Canto ao Homem do Povo, Drummond

I
(Não) Era preciso que, nem poeta, nem maior, porém um tanto exposto à galhofa, girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver como na poética e essencial atmosfera de sonhos translúcidos.
Era preciso que este pequeno cantor mudo, de ritmos inexistentes, vindo de lugar-nenhum, onde nem nunca se usa gravata, e raro alguém é polido, e a opressão é desestranha, e o heroísmo se banha, também, em ironia, era preciso que atual velho vinte-e-tantos-tombos, preso à tua "gauchice" por filamentos de ternura e vida, viesse ousar falar-te e, fruto imaturo, te visitasse para dizer-te alguns nadas, sobcolor de despoema.
Para dizer-te como os nós te amamos e que nisso, como em nada mais, nossa gente não se parece com qualquer gente do mundo - exclusive os que perderam bondes e esperanças, e voltam pálidos para casa, e cujos corpos transigem na confluência do amor, iludindo a brutalidade e a brutal idade, e que, secretamente, pronunciam tuas palavras de vida e sonho.
Bem sei que o discurso, acalanto freguês, não te esmorece, e esta tua vivência é tua entrevista aos hebdomadários. Não é a saudação dos entusiasmados que te ofereço. Eles existem, mas é a de gente comum em mundo incomum.
Nem faço muita questão da anti-matéria de meu canto, tão abaixo de ti, como uma letra mal sucedida, mandada por vida real ao escritor de todas as cartilhas.
Falam por mim sei quantos, sujos de inexpressåo e gente, levados a refletir, ainda que microssegundo, que te percorreram papel adentro e, em meio ao Palácio das Jóias, descobriram anéis que lhes serviam e se sentiram imensamente ricos.
Falam por mim os que simplesmente simples de coração nunca ouviram falar de ti, ou si, a não ser por adjetivos e nunca por eles mesmos, líricos ou cismarentos, irresponsáveis ou patéticos, cariciosos ou loucos, e os que não chegam a ser nada disso.
II
A noite dissolve os homens, e não te apaga, não, a visão.
A noite é mortal, mas já não o és, mesmo despido de fardões que não te caem bem, deselegante predestinado, condenado à Eternidade, independente de certidões.
Assim, perdida a sábia infância, acumulas a noite na calvície plena e adquires a dimensão do grande e o pedaço vital da trajetória.
E te fazes em frases.
E então sentimos a noite.
Não como trevas, mas como fonte natural de nostalgia e brisa, como se ao contato da tua mensagem voltássemos ao país secreto onde dormem meninos ambiciosos de soltar coisas ocultas no peito.
III
Vazio de sugestões alimentícias, matas a fome dos que foram (ou não) chamados à ceia celeste ou industrial. E notas na toalha da mesa, em plena janta, impurezas no branco - lição de coisas que a vida te ensinou.
IV
E agora, Carlos? Não sossegues.
Teus ombros suportam o mundo, embora tenhas apenas duas mãos e a poesia seja, definitivamente, incomunicável, teu verso é nossa consolação e cachaça.
Oitenta por cento de ferro nas almas e brejo e vontade de amar doem, e o tempo é matéria, definitivamente.
V
Fazendeiro aéreo, habilitado para a noite, carregas no bolso viola eternamente encordoada. És apenas um homem e teu presente inunda nossa vida inteira.
VI
No meio do caminho tinha uma retina que enxergava a pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento.
A pedra que ontem não vi hoje seria avalanche.
Ela repousa na vida, sem esconderijo, enxergada.
No meio do caminho tinha uma retina.
VII
E, ao contrário do que dizes, todos os meninos saltam de tua vida, a restaurar as suas.
Suspeitaste o velho em ti? Sabe o sábio que és, com tuas rugas e tua calva.
Foi bom que te expusésses: meditavas e meditávamos.
E tudo dizias... (ó palavras gastas, entretanto salvas, ditas de novo).
Poder de mais-que-humana voz, inventando novos caminhos, dando sopro aos exaustos; dignidade digna, amor profundo, crispação de ser humano, árvore firme ante desastres ecológicos, ó Carlos, meu e nosso amigo, tua vida e poesia FABRICAM a estrada de pó e esperança.

1 351

Soneto da Serenidade

Para ArleteM
A calma que hoje paira neste canto
Tem tudo de ti; és a bonança
Depois de uma tormenta, um acalanto,
Que fêz adormecer esta criança.

Abandonado todo modo errado,
Hoje em quietude pacífica e tão pura,
Meu espírito analisa o meu passado
E reconhece a ti como ventura.

Te faço oferta deste meu segredo
(Se bem que eu lembre toda a dor sentida)
Que hoje declaro sem nenhum receio:

Abençoada neste teu degredo,
Investigando o mar da minha vida,
Só encontrarás teu coração, no meio.

1 171

Dados Biográficos

Nascido em São Paulo, capital, há 42 anos. Casado, 3 filhos, morador no Rio de Janeiro desde 1994. Mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP) e Bacharelado em Comunicação Social (Propaganda e Marketing) pela ESPM (SP). Há mais de 15 anos trabalha como executivo de empresas, sendo atualmente diretor de recursos humanos em uma multinacional estabelecida no Rio.
Autor de textos em crônica, poesia e contos, além de trabalhos técnicos / profissionais, possui algumas livros inéditos, entre os quais: Substância Viva (Da Retribuição das Bolinhas de Gude), crônicas e poesias, 1990; Um dia, ele pinta (Introdução à Esperança), contos, 1995.

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Os Homens Especiais

Cada vez mais
me interessam menos
esses homens especiais,
com suas gravatas e bravatas,
esses arremedos de competência,
esses simulacros de sucesso,
esses pretensos dominadores do conhecimento.

Quem são, senão aqueles que pensam ser tudo?
Quem são, senão aqueles que pensam poder muito?
Quem são, senão aqueles que se julgam a salvo
de todo o maremoto que os rodeia,
apenas dispondo do recurso do remo?

Pensam enfrentar a borrasca à maneira dos
velhos curandeiros, que pensavam enfrentar as pestes
com suas danças e rituais.

Também eles, os homens especiais, cultivam seus rituais,
mas repelem com veemência qualquer menção a eles.

Estão imersos em fetiches - para viver precisam deles
com desespero e tentam manter uma dignidade espúria.

Assumem-se guerreiros. São apenas bardos.
Sabem-se entes mitológicos. São apenas obras de ficção.
Atribuem-se poderes miraculosos, oriundos da grande sapiência pragmática.
Estão nus, como o rei, mas julgam-se no mínimo vestidos de ouro e prata.

Sua vaidade ingênua é sintoma da pobreza real em que realmente se situam.

Perecerão e virarão pó, mas não julgam essa possibilidade.
Mesmo apenas pó, pensarão ser incenso com propriedades mágicas.
Serão apenas dispersos, mas julgar-se-ão as moléculas mais importantes.
Mas serão tão importantes quanto qualquer outra molécula.

Esquecerão a própria grandeza de ser iguais, porque, sendo parte
da natureza, não a considerarão.
Julgar-se-ão gigantes. Serão apenas duendes desprovidos de magia.

Serão, enfim, esquecidos.
Por isso, passam a vida tentando lembrar-se de si mesmos.
E merecerão pouco menos de, um dia, ter sido mencionados.

Terão, então, perdido a chance de ter olhado à própria volta e
enxergado o mundo como ele é. Porque se fecharam à vida
e principalmente a quem os rodeia, esses homens especiais...

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A Pessoa - Carta

Ah, meu bom Fernando.
Tua linha reta é um prolongamento de vidas.
Vidas como esta, olha,
atitude de tua expressão,
ridículo igual,
vil igual,
titubeante igual,
e verificas que tens, sim, par neste mundo,
modéstia à parte - nós,
que te encontro, agora, surpreso,
não um semideus, mas um Homem,
um(a) Pessoa, pessoal, gente;
gente, arre, enfim.
Pois é.
Não há mais discípulos: só mestres;
e não mais aprendizados: só ensinamentos,
e só droites, não gauches,
que estes são exceções,
últimos companheiros, sobrantes,
vis benditos que fazem nossa (relativa) paz,
porque não nos abandonam à
solidão do ridículo,
da mesquinhez,
da vileza,
das pequenas coisas que se fazem grandes,
da condição de súditos de uma população de príncipes,
da comicidade triste e só,
de quixotes,
de lúcidos, enfim. Lúcidos, Fernando.
Os lúcidos são os sós, bens sabes.

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Hai Kai

O que sobraDo homemÉ só a obra.

É sempre um sim,Ou sempre um não.Mas sempre em mim.

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Poemeto Natural

Cada vez mais
me interessam menos
esses homens especiais,
com suas gravatas e bravatas,
esses arremedos de competência,
esses simulacros de sucesso,
esses pretensos dominadores do conhecimento.

Quem são, senão aqueles que pensam ser tudo?
Quem são, senão aqueles que pensam poder muito?
Quem são, senão aqueles que se julgam a salvo
de todo o maremoto que os rodeia,
apenas dispondo do recurso do remo?

Pensam enfrentar a borrasca à maneira dos
velhos curandeiros, que pensavam enfrentar as pestes
com suas danças e rituais.

Também eles, os homens especiais, cultivam seus rituais,
mas repelem com veemência qualquer menção a eles.

Estão imersos em fetiches - para viver precisam deles
com desespero e tentam manter uma dignidade espúria.

Assumem-se guerreiros. São apenas bardos.
Sabem-se entes mitológicos. São apenas obras de ficção.
Atribuem-se poderes miraculosos, oriundos da grande sapiência pragmática.
Estão nus, como o rei, mas julgam-se no mínimo vestidos de ouro e prata.

Sua vaidade ingênua é sintoma da pobreza real em que realmente se situam.

Perecerão e virarão pó, mas não julgam essa possibilidade.
Mesmo apenas pó, pensarão ser incenso com propriedades mágicas.
Serão apenas dispersos, mas julgar-se-ão as moléculas mais importantes.
Mas serão tão importantes quanto qualquer outra molécula.

Esquecerão a própria grandeza de ser iguais, porque, sendo parte
da natureza, não a considerarão.
Julgar-se-ão gigantes. Serão apenas duendes desprovidos de magia.

Serão, enfim, esquecidos.
Por isso, passam a vida tentando lembrar-se de si mesmos.
E merecerão pouco menos de, um dia, ter sido mencionados.

Terão, então, perdido a chance de ter olhado à própria volta e
enxergado o mundo como ele é. Porque se fecharam à vida
e principalmente a quem os rodeia, esses homens especiais...

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