Ruy Belo

Ruy Belo

1933–1978 · viveu 45 anos PT PT

Ruy Belo foi um dos mais importantes poetas portugueses do século XX. Sua obra é marcada por uma profunda reflexão sobre a existência, a fé, a solidão e o tempo, com uma linguagem ao mesmo tempo coloquial e erudita. Ele transitava entre o sagrado e o profano, o cotidiano e o transcendental, explorando as contradições da condição humana com humor, melancolia e uma ironia subtil. Sua poesia, acessível e ao mesmo tempo complexa, continua a tocar leitores pela sua honestidade e pela beleza das suas imagens.

n. 1933-02-27, Freguesia de São João da Ribeira · m. 1978-08-08, Queluz

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Nomeei-te no meio dos meus sonhos

Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
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Poemas

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Nomeei-te no meio dos meus sonhos

Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
25 998

e um olhar perdido é tão difícil de encontrar

e um olhar perdido é tão difícil de encontrar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar
16 489

É triste ir pela vida

É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro
17 268

Contigo aprendi coisas tão simples

Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente
26 417

Mesmo que não conheças

Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão
15 661

Tem o amor a arte de tornar eterno

Tem o amor a arte de tornar eterno
aquele que por amor tem de morrer
e até de morrer jovem amiúde pois os deuses amam
aquele que perece em plena juventude
e assim se fixa petrifica e permanece
14 816

Amei a mulher amei a terra amei o mar

Amei a mulher amei a terra amei o mar
amei muitas coisas que hoje me é difícil enumerar
De muitas delas de resto falei
13 722

Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo

Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
14 018

Digam que foi mentira

Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum
13 454

Mas que sei eu

Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?

Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono

Nenhum súbito súbdito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha

qualquer. Mas eu que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

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Lourenço Mutarelli
Lourenço Mutarelli

Muito obrigado. Muito obrigado

Cigana
Cigana

Amei darling

adad
adad

tambem