Lista de Poemas
Fragilidade
sou tão frágil como um instante,
uma onda que se quebra no ninho de ostras.
Tuas mãos não repousam sobre meu ventre,
sou tão pequena como um segundo.
Tuas mãos não aquecem meu coração,
sou tão fria quanto a neve.
Sou uma camponesa colhendo
tâmaras, pistache, misk e snôbar.
Não sinto frio, teu corpo me aquece.
És sementes florescendo nos campos.
Passáro-Concorde
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.
Lembranças
das ruas do Boulevar,
dos bares, dos cafés,
das ruas e alamedas
por onde passamos.
Lembro-me de todos os lugares
onde estivemos,
dos momentos que sorrimos,
das palavras que soletramos,
dos teus olhos me fitando,
das tuas mãos me afagando
com cheiro de licor de café.
Lembro-me dos teus cabelos
repousando no meu ombro,
da tua pele que me hidratava,
do teu suor com gosto
de morangos silvestres.
Lembro-me do teu beijo calado
com vontade de quero mais.
Lembro-me de ti
sentado no banco do jardim
despindo-me com teu olhar.
Templo de Zeus
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
Alma Gêmea
rodeada de estrelas.
O céu está nublado,
nenhum habitante me acompanha.
Sou luar sem multidão,
raio-de-luz no azul.
Não escuto vozes e não vejo sombras.
Sou indivisível no universo,
tão pequena diante da terra,
tão grande frente aos homens.
Sou luz que brilha e não se apaga,
um corpo perdido no espaço.
Ninguém me percebe no planeta.
Grito frases de silêncio,
ninguém me escuta.
Murmuro pausas,
ninguém me ouve.
Sou tão pequena e frágil
quanto um milésimo de segundo.
Sou tão forte quanto as Muralhas da China,
ninguém descobre meus segredos,
ninguém sabe a minha história.
Sou pastora das galáxias,
caminho sobre pedras,
procuro sonhos e castelos.
Minha alma gêmea está a quilômetros de distância.
Não tenho nave nem foguete.
Hei de encontrá-la num futuro próximo.
Brahma
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Dont Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.
Mistérios da Intimidade
quanto as confidências de um soberano.
Nosso amor, cinto de castidade,
ninguém descobre nossas mãos proibidas.
Comemos maçãs e semeamos segredos
distantes do mundo e da vida.
Fugimos das pessoas como crianças carentes
em busca de carinho e afeto.
Ninguém nos percebe cercados de quatro paredes,
ninguém desvenda nossos mistérios.
Somos Édipo e Jocasta da era tecnológica.
Num pequeno vaso grego lapidamos
nossos sonhos, fantasias, medos,
verdades, mentiras,
fragilidades e sentimentos.
Vivemos o medo de ser descobertos
como meninos que roubam frutas
dos quintais e correm dos cachorros bravos.
Não sabemos quem somos,
não sei quem tu és.
Meu presente e meu passado?
Do futuro nada sei.
Quem és tu que me fazes fugir de mim mesma?
Aquário
Teu corpo ausente dos meus braços,
o colchão vazio e distante.
Repouso a cabeça no travesseiro de pedra,
sonho contigo de olhos abertos.
Voas como um gavião para o desconhecido.
O quarto escuro e triste.
O peixe no aquário solitário
sente meus sinais e movimentos.
Nada, mergulha e me observa
com seus olhinhos miúdos.
Somos dois, cercados de quadros e livros,
em harmonia como dois eremitas.
Na cama, meu corpo nu.
No aquário, o peixinho carente
pede com suas guelras
uma companheira para repartir
seu espaço e pequenino coração.
Entendo a mensagem e psicografo
pelo vidro com um toque sereno.
Ele dorme aliviado ao sentir
carinho e afeto através das fibras mortas.
O silêncio toma conta da noite,
as obras de arte perdem a cor,
os livros, sem títulos e autoria,
as páginas em branco emudecem.
Dentro de minhalma uma tempestade de neve
esquenta meu corpo,
um inverno latente me acolhe.
O peixe estático dorme
tranqüilo e esperançoso.
Em sua cor de fogo, uma infinita paz.
Contemplação
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceiro,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.
Código Morse
código morse da espécie Beta
comunicando que é adulto
e precisa uma fêmea para acasalar.
Olhos tristes e pequenos
protestam a solidão aquática.
No fundo do aquário, sem mover nadadeiras,
sonha com a azulzinha, a vermelhinha
para compartilhar carinho e afeto.
Seu coração vazio e infeliz.
Fala português e portunhol
com suas guelras.
Ninguém entende a mensagem.
Tenta outra vez,
o código sem tradução.
O Beta codifica a solidão oculta
- a companheira invisível
surge do outro lado do aquário.
Comentários (0)
NoComments
De Corpo e Verde: Rosani Abou Adal
Natal Remoto do livro Sonho Ilusório de Rosani Abou Adal
Rosani Abou Adal
Rosani Abou Adal - Sarau Jorrnal Centro em Foco
Terceira Dimensão de Rosani Abou Adal
Tupinikins poema de Rosani Abou Adal
Em Retalhos de Rosani Abou Adal
imagens da Cidade de Rosani Abou Adal
Hinos de Rosani Abou Adal
Violeta, poema de Rosani Abou Adal.
Futuro Neon de Rosani Abou Adal
08) Rosani Abou Adal - Sarau do Jornal do Centro em Foco - Coreto da Praça da República/SP
Rosani Abou Adal é poetisa, jornalista e escritora. Ela produz o jornal Linguagem Viva a 33 anos.
Natal Remoto de Rosani Abou Adal
40º Edição do CasArte Marginal com Rosani Abou Adal
Rosani Abou Adal - Homenagem à Paulo Colina
Sombras desabitadas poema de Rosani Abou Adal
Rosani Abou Adal: Escritora - Papo de Cultura #008
Pirâmides Imaginárias de Rosani Abou Adal
Hino Sindical: Letra de Rosani Abou Adal e música de Carlos Mahlungo.
Geraldo Pereira e Jairo Fará. Por Rosani Abou Adal.
TV Jornal da Mulher Brasileira - 2019-08-15 - Rosani Abou Adal
Bate papo com a Jornalista/Poetisa, Rosani Abou Adal - Jornal Literário Linguagem Viva.
Hino Sindical de Rosani Abou Adal na Bienal do Livro, estande do CRB8, dia 8 de julho de 2022.
🅰🅾VIVO 10/05/23-20:15/ROSANI ABOU ADAL-Jornalista Publicitária🎬ENCANTOS CULTURAIS/TV&RÁDIO REPENSAR
Contaêêê - A poesia e o Jornalismo Literário" com Rosani Abu Adal
Sem brumas - Rosani Abou Adal
Carta de agradecimento de Amaryllis Schloenbach para Rosani Abou Adal
Bate-papo com Geraldo Pereira e Jairo Fará. Gravação de Rosani Abou Adal.
Maria Thereza Cavalheiro partiu como uma flor - Rosani Abou Adal
Festival Psiu Poético
9 de julho de 2022
20221204 120132
25 de janeiro de 2022
98 anos Dr. Genésio Pereira Filho
#soscasasdecultura
apresentação festival
8 de dezembro de 2020
Bodega do Brasil
6) 13 anos do Sarau Bodega do Brasil - Hino Sindical
33° Psiu Cinema 2019
Linguagem Viva, junho 2021.
apresentação poeta
Pirâmides Imaginárias
20 de outubro de 2020
N) Rosani fala de sua luta em prol do Jornal e declama poesias.
26 de abril de 2020
Rosani vice do SESP Audiência Câmara Municipal Parceirização da Gestão das Casas de Cultura 9-3-2023
Canto do Alaúde
Parque da Água Branca