Escritas

Lista de Poemas

De amor depois eu te falo

De amor depois eu te falo
depois eu te falo de tudo
mas em outro momento.
Na rua, num quarto.
Agora eu me guardo
agora tudo é cinzento.

De amor depois eu te cubro
depois eu te cubro com um mundo
mas em outro instante.
Na Terra, em Marte.
Agora te dou só uma parte
agora adio o restante.

Com amor depois te procuro
depois te procuro e me entrego
mas em outra hora.
Aonde você possa estar.
Agora tenho que andar
agora eu vou embora.

Com teu amor,
embora.
Ainda que agora...

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Abstração

Há determinados momentos
em que penso em você.
Passo o tempo, divago,
montando os teus pedaços.

Recorto lembranças,
brinco com peças
de fácil encaixe
que se misturam e se separam.

Logo que te resgato
perco o foco da visão.
Busco o teu cheiro
no canto das minhas unhas.

Uso teus beijos, apelos, mensagens
teus ditos, segredos, olhares.
Uso tua boca, teus olhos
num sorriso.

Em determinados momentos
há um pensamento em você.
O tempo passa, monto teu retrato
com este material abstrato.

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Eu estou aqui

Eu estou aqui

sentado, pensando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu ficava, eu pensava.

Do jeito que você deixou
mas com uma coisa diferente
a certeza de não estar doente
foi só isto que mudou.

Eu estou aqui

te amando, te observando
do mesmo jeito que antes
nas mesmas coisas que antes
eu te amava, eu te observava.

Da forma que você largou
nada nasce de repente
há muita coisa entre a gente
o meu amor aumentou.

Eu estou aqui

sentado, te amando,
pensando, te observando.
Esperando.

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Nossas bocas

Nossas bocas são portas
onde há fluxo e refluxo
por onde passa tudo.

Passa paixão
passa amor
passam sentimentos e carinhos.

Por elas passa o mar
passam os rios
passam todos os caminhos.

Por elas só não passa o tempo.

Elas têm a mesma temperatura,
mesmo calor, mesma ternura.
São de mesma estrutura.

Nossas bocas, neste beijo, são portas
portas abertas
por onde passam nossas descobertas.

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Uma cena

Uma cena.
Não sei se tinha cenário
não me lembro de cenário.
Não sei se tinha música ao fundo
não me lembro de música alguma.
Não era um ato, era uma cena
sem tempo.

Uma cena que se imprimiu
na minha memória para sempre.
Como um retrato, uma pintura
um instante que parou no espaço.
Eu a olhava, ela me olhava.
A nossa imagem dentro do nosso olhar.

E os dois ângulos desta cena,
em retinas diferentes,
eu pude ter de repente
juntos num só lugar,
numa cena que se imprimiu
na minha memória para sempre,
a cena do nosso olhar.

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Amar

que impõe
à alma o desarmar
e ao coração, para vida
o despertar,

que dispõe
o amante a se despojar
e na direção do amado
caminhar,

que expõe
todos os nervos sem pensar
e uma força para o máximo
arriscar,

é o infinitivo
do infinitamente dar.

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