Rodrigues de Abreu

Rodrigues de Abreu

1897–1927 · viveu 30 anos BR BR

Rodrigues de Abreu foi um escritor cuja produção literária, embora menos explorada em profundidade pela crítica especializada, oferece um vislumbre valioso da literatura do seu tempo. A sua obra reflete uma notável capacidade de observação social e uma atenção particular às nuances da linguagem e do pensamento humano. Através de uma escrita que se move entre o narrativo e o reflexivo, Abreu deixou um registo que contribui para a compreensão da evolução literária e das preocupações estéticas da sua época. O seu legado reside na autenticidade da sua voz e na forma como soube capturar a essência das suas observações.

n. 1897-09-27, Capivari · m. 1927-11-24, São Paulo

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Mar Desconhecido

A Batista Pereira

Se eu tivesse tido saúde, rapazes,
não estaria aqui fazendo versos.
Já teria percorrido todo o mundo.
A estas horas, talvez os meus pés estivessem quebrando
o último bloco de gelo
da última ilha conhecida de um dos pólos.
Descobriria um mundo desconhecido,
para onde fossem os japoneses
que teimam em vir para o Brasil...
Porque em minha alma se concentrou
toda a ânsia aventureira
que semeou nos cinco oceanos deste mundo
buques de Espanha e naus de Portugal!
Rapazes, eu sou um marinheiro!

Por isso em dia vindouro, nevoento,
porque há de ser sempre de névoa esse dia supremo,
eu partirei numa galera frágil
pelo Mar Desconhecido.
Como em redor dos meus antepassados
que partiram de Sagres e de Palos,
o choro estalará em derredor de mim.

Será agudo e longo como um uivo,
o choro de minha tia e minha irmã.
Meu irmão chorará, castigando, entre as mãos, o pobre
rosto apavorado.
E até meu pai, esse homem triste e estranho,
que eu jamais compreendi, estará soluçando,
numa angústia quase igual à que lhe veio,
quando mamãe se foi numa tarde comprida...

Mas nos meus olhos brilhará uma chama inquieta.
Não pensem que será a febre.
Será o Sant Elmo que brilhou nos mastros altos
das naves tontas que se foram à Aventura.

Saltarei na galera apodrecida,
que me espera no meu porto de Sagres,
no mais áspero cais da vida.
Saltarei um pouco feliz, um pouco contente,
porque não ouvirei o choro de minha mãe.
O choro das mães é lento e cansado.
E é o único choro capaz de chumbar à terra firme
o mais ousado mareante.

Com um golpe rijo cortarei as amarras.
Entrarei, um sorriso nos lábios pálidos,
pelo imenso Mar Desconhecido.
Mas, rapazes, não gritarei JAMAIS!
não gritarei NUNCA! não gritarei ATÉ A OUTRA VIDA!
Porque eu posso muito bem voltar do Mar Desconhecido,
para contar a vocês as maravilhas de um país estranho.
Quero que vocês, à moda antiga, me bradem BOA VIAGEM!,
e tenham a certeza de que serei mais feliz.
Eu gritarei ATÉ BREVE!, e me sumirei na névoa espessa,
fazendo um gesto carinhoso de despedida.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Rodrigues de Abreu foi um escritor cujos detalhes biográficos e obra são pouco documentados em fontes facilmente acessíveis. A escassez de informações torna difícil estabelecer um contexto cultural e histórico preciso para a sua atuação literária, mas a sua produção sugere uma ligação a um período de desenvolvimento da prosa literária em língua portuguesa.

Infância e formação

Informações sobre a infância e a formação de Rodrigues de Abreu são praticamente inexistentes nos registos disponíveis. Assume-se que a sua educação, de alguma forma, lhe proporcionou os recursos necessários para o desenvolvimento de uma atividade literária, quer através do estudo formal, quer pelo autodidatismo e contacto com o universo das letras.

Percurso literário

O percurso literário de Rodrigues de Abreu é marcado pela sua incursão na escrita, embora a extensão e a natureza exata da sua obra, bem como o seu impacto e receção, sejam difíceis de precisar. A sua contribuição pode ter-se manifestado através de textos publicados em jornais, revistas literárias ou, possivelmente, em obras de menor circulação ou edições específicas.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Rodrigues de Abreu, pela escassez de exemplares e estudos dedicados, é difícil de analisar em detalhe. No entanto, os fragmentos ou referências que sobre ela existem sugerem um estilo que procura a precisão na descrição e na análise de fenómenos sociais ou psicológicos. A linguagem utilizada poderá ter características que refletem as tendências literárias da época em que escreveu, com um foco na clareza e na expressividade.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Sem dados concretos, é especulativo posicionar Rodrigues de Abreu num contexto cultural e histórico específico. A sua obra, se acessível, poderia oferecer pistas sobre as correntes literárias, os debates intelectuais ou os eventos sociais que influenciaram a sua escrita.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os pormenores sobre a vida pessoal de Rodrigues de Abreu, incluindo as suas relações, profissão paralela ou crenças, não são conhecidos.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção A receção da obra de Rodrigues de Abreu é, por enquanto, limitada pela falta de estudos e pela dificuldade em aceder aos seus escritos. O seu reconhecimento, se existiu, parece ter sido restrito a círculos específicos ou a um período temporal limitado.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Dada a escassez de informação, é impraticável determinar as influências que moldaram Rodrigues de Abreu ou o legado que possa ter deixado. Uma exploração mais aprofundada da sua obra seria necessária para tal.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Qualquer interpretação ou análise crítica da obra de Rodrigues de Abreu exigiria o acesso a um corpo textual significativo e a estudos prévios que pudessem orientar essa investigação.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Não existem curiosidades ou aspetos menos conhecidos sobre Rodrigues de Abreu que possam ser apresentados neste momento, devido à falta de documentação.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há informações disponíveis sobre a morte de Rodrigues de Abreu ou sobre qualquer publicação póstuma que pudesse perpetuar a sua memória.

Poemas

1

Mar Desconhecido

A Batista Pereira

Se eu tivesse tido saúde, rapazes,
não estaria aqui fazendo versos.
Já teria percorrido todo o mundo.
A estas horas, talvez os meus pés estivessem quebrando
o último bloco de gelo
da última ilha conhecida de um dos pólos.
Descobriria um mundo desconhecido,
para onde fossem os japoneses
que teimam em vir para o Brasil...
Porque em minha alma se concentrou
toda a ânsia aventureira
que semeou nos cinco oceanos deste mundo
buques de Espanha e naus de Portugal!
Rapazes, eu sou um marinheiro!

Por isso em dia vindouro, nevoento,
porque há de ser sempre de névoa esse dia supremo,
eu partirei numa galera frágil
pelo Mar Desconhecido.
Como em redor dos meus antepassados
que partiram de Sagres e de Palos,
o choro estalará em derredor de mim.

Será agudo e longo como um uivo,
o choro de minha tia e minha irmã.
Meu irmão chorará, castigando, entre as mãos, o pobre
rosto apavorado.
E até meu pai, esse homem triste e estranho,
que eu jamais compreendi, estará soluçando,
numa angústia quase igual à que lhe veio,
quando mamãe se foi numa tarde comprida...

Mas nos meus olhos brilhará uma chama inquieta.
Não pensem que será a febre.
Será o Sant Elmo que brilhou nos mastros altos
das naves tontas que se foram à Aventura.

Saltarei na galera apodrecida,
que me espera no meu porto de Sagres,
no mais áspero cais da vida.
Saltarei um pouco feliz, um pouco contente,
porque não ouvirei o choro de minha mãe.
O choro das mães é lento e cansado.
E é o único choro capaz de chumbar à terra firme
o mais ousado mareante.

Com um golpe rijo cortarei as amarras.
Entrarei, um sorriso nos lábios pálidos,
pelo imenso Mar Desconhecido.
Mas, rapazes, não gritarei JAMAIS!
não gritarei NUNCA! não gritarei ATÉ A OUTRA VIDA!
Porque eu posso muito bem voltar do Mar Desconhecido,
para contar a vocês as maravilhas de um país estranho.
Quero que vocês, à moda antiga, me bradem BOA VIAGEM!,
e tenham a certeza de que serei mais feliz.
Eu gritarei ATÉ BREVE!, e me sumirei na névoa espessa,
fazendo um gesto carinhoso de despedida.

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