Hoje faz 186 anos do nascimento de Rita Barém de Melo
Rita Barém de Melo

Rita Barém de Melo

1840–1868 · viveu 27 anos BR BR

Rita Barém de Melo é uma voz poética que se destaca pela sua sensibilidade e pela exploração profunda de temas como a identidade, a memória e a relação entre o ser humano e o seu entorno. A sua poesia, frequentemente marcada por uma linguagem precisa e imagética, convida à reflexão sobre as experiências quotidianas e as suas ressonâncias existenciais. Barém de Melo constrói um universo lírico particular, onde a introspeção se cruza com uma observação atenta do mundo.

n. 1840-04-30, Porto Alegre · m. 1868-02-27, Rio Grande

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Minha lira a suspirar

Minha lira a suspirar,
Que dizes nesta canção?
São saudades são amores
Dessa flor - recordação! -

Minha lira a suspirar,
Que cantas com tanto ardor?
- Mais prantos do que sorrisos,
Mais tristezas que amor! -

Minha lira a suspirar,
Que tanges nesse amargor?
Não tens nas cordas sensíveis
Nem uma singela flor?

Lira minha que suspiras,
Não tens na vida (que dor)
Uma voz que fale ardente,
Ardentes falas damor?!

Lira minha que suspiras,
Como tu meiga quem é?
Mas triste lira não podes
Na ventura teres fé!

Lira minha que suspiras,
Na ventura tu não crês?
Mau condão fadou-te, lira,
Tão jovem, por que descrês?...

Minha lira a suspirar
Continua já não tens crença,
Na dita quem infiltrou-te
Essa profunda descrença?

Minha lira a suspirar
Só tens hinos damargor,
Só cantos de sofrimento,
Endeixas de muita dor!

(Março de 1856)

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Poemas

3

Minha lira a suspirar

Minha lira a suspirar,
Que dizes nesta canção?
São saudades são amores
Dessa flor - recordação! -

Minha lira a suspirar,
Que cantas com tanto ardor?
- Mais prantos do que sorrisos,
Mais tristezas que amor! -

Minha lira a suspirar,
Que tanges nesse amargor?
Não tens nas cordas sensíveis
Nem uma singela flor?

Lira minha que suspiras,
Não tens na vida (que dor)
Uma voz que fale ardente,
Ardentes falas damor?!

Lira minha que suspiras,
Como tu meiga quem é?
Mas triste lira não podes
Na ventura teres fé!

Lira minha que suspiras,
Na ventura tu não crês?
Mau condão fadou-te, lira,
Tão jovem, por que descrês?...

Minha lira a suspirar
Continua já não tens crença,
Na dita quem infiltrou-te
Essa profunda descrença?

Minha lira a suspirar
Só tens hinos damargor,
Só cantos de sofrimento,
Endeixas de muita dor!

(Março de 1856)

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Vem!

Vem! Que t importa que maldiga o mundo
O amor profundo que nos liga? vem;
Vem, que nos vales de cheirosas flores,
Nossos amores viçarão também.

Vem! de joelhos nos tapiz de nardo
Há de te o brado suspirar idílios,
Cantar-te a face rosejada em pranto,
O orvalho santo do frouxel dos cílios.

Pensa na sombra da floresta virgem...
Nesta vertigem ... nestamor ali!...
Aves felizes no sendal dos ramos
Seremos: vamos, que o serei por ti!

Vamos unidos como a luz ao astro
O amor da Castro na soidão lembrá-lo,
Nas longas plumas que a palmeira agita
A alma palpita de Virgínia e Paulo.

Que mais tu queres, anjo e flor? Escuta:
Quem ama luta? Não lutemos, vem!
Vamos aos vales de cheirosas flores,
Que é flor damores meu amor também.

Olha, de tarde quando o sol se esconde
Diz-me tu onde mais poesia viste?
Calam-se os ventos - só a brisa arrula -
O céu se azula - mas o céu é triste.

Pois bem, o bardo na soidão exprime
Na voz sublime dum arcanjo a voz:
Hei de dos seios arrancar os lírios
Dos meus delírios, pra tos dar - a sós. -

Perdidos ambos no deserto infinito
Que sonho lindo, que visões também!
E o éter puro como véu destrelas...
E a chama delas a tremer além!...

"Mas quando um dia desbotar-se o prado?
Quando o valado se cobrir de gelos?
Ai! tu só vives - beija-flor - de orvalhos
Em verdes galhos de sonhares belos!

Qu importa o prado de cheirosas flores
Se teus amores morrerão também!"
Quando morrerem, morrerão comigo
E ao céu contigo voarei - Oh! vem!

"Oh! não! Minhalma se coroa em flores;
Nos esplendores de celeste aurora;
Deus abençoa só amores santos
Cala teus cantos: morrerás agora?"

(Rio Grande, julho de 1867)



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Que pensas?

Que pensas agora, que dor tão profunda
As fibras do peito me vem estalar?
Talvez de saudades tualma se inunda,
Que a vida passada te faz recordar!

Também esta mente saudosa delira,
Que flor da tristeza só vem oscular,
Em pranto dorido minh alma suspira
Sonhando contigo num doce lembrar.

As juras sagradas que em tão meigo enleio
Juraste é o a fala convulsa damor,
Ainda palpitam aqui neste seio,
Qu enluta amargoso, pungente tristor!

E sempre a lembrança da louca ternura
Abrasa a minhalma de longa paixão,
Que desse passado, rosal de ventura,
Eu tenho o perfume no meu coração!

Ai doces momentos em férvido pranto,
Te digo chorando bem trêmulo - adeus...
Ai doces momentos, d enlevo tão santo,
Ai vida d amores tão puros, meu Deus!

(Porto Alegre, 8 de outubro de 1856)



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