Escritas

Lista de Poemas

Particularmente eu prefiro quiabo cru

Há quem não goste de criança
Há quem adore ensinar
Há quem os olhos não levante
E há quem garanta só olhar

Há quem procure o ponto G
Há quem pule na hora H
Há quem não goste se doer
Mas há quem vá se viciar

Há quem abafe o prazer
Há quem se permita um palavrão
Há quem não exija que haja amor
E há quem se negue à precisão
Há quem não esqueça o vinho branco
Há quem vá de leite condensado
Há quem seja atento sempre e tanto
Mas há quem grite o nome errado

Há quem pra isso não tenha gula
Há quem engula só de ver
Há quem não perca uma parada
E há quem nem saiba o que fazer
Há quem não dispense um inferninho
Há quem já aderiu a um tal à-trois
Há quem não goste de tal gosto
Mas há quem ande louco pra gostar

Cada um tem sua tara
Não me venha dizer que não
Assuma a sua e meta a cara
Pois quem não tem, tem precisão
Alimente-a com carinho
Não deixe nada lhe faltar
Vergonha é que é proibido
Mais esquisito é não gozar

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Remanso

Espreguiçar meus olhos lentos
Pelo teu jeito manso
E se deixar assim sossegando de repente
Sem ranço a gente se chegando
Feito gato dengoso nas pernas da gente

Bocejar meus olhos sonolentos
Pelo teu corpo manso
E adormecer de descanso o meu corpo dormente
Feito remanso na gente se aninhando
Feito gato dengoso no teu colo quente

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Demais

E nós que acordamos tarde
E rimos das manchetes matinais
O mundo é tão sério
O mundo lá fora tanto faz
E nós que nos gozamos demais

E nós que não cremos na felicidade
Dessas pessoas tão normais
A vizinha todo dia assiste
Nossas cenas principais
Pane no elevador nos satisfaz

E nós que não sabemos
Do preço das salas comerciais
Mas alugamos nossos corpos
Pro amor que a noite traz
E não nos deixamos em paz

E nós que amamos nos telhados
Das crises internacionais
Nossos hálitos na vidraça
Ainda se beijam demais
E nós que nos bastamos demais

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Licor

O teu corpo é um bombom em minha boca
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual

Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina

Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo

Final.

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Poemas de saliva

Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais

Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução

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Desatinos

São tantos bares em teu desejo
Tantos beijos em teu se dar
Eu te procuro e só me perco
À luz neon do teu olhar

Mas hoje o meu hálito é cor de vinho
E me alinho aos deuses do que vier
Um decote ousado, um ar mordido
Você não conhece uma mulher

Me leva contigo ao mundo teu
Ensina os desatinos do mundo teu
Quero me deitar com quem te ama
Na cama do deus que me abençoar

Divide comigo a minha loucura
De te amar assim sem me atinar
A insanidade é uma criança
Sozinha, querendo brincar

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Quanto você paga?

Você me olha desse jeito, pensa que eu não sei
Que você quer me comprar
Mas eu não estou à venda, meu bem
O que está à venda é o seu sonho de ter
O que você pode pagar

Quanto você paga, meu amor, pra eu nunca dizer não?
Quanto você paga pra eu roubar seu coração?
Quanto você paga pra eu dizer coisas que sua mulher não diz?
Quanto você paga, meu amor, pra eu te fazer feliz?

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