Regina Souza Vieira

Regina Souza Vieira

n. 1942 PT PT

Regina Souza Vieira é uma poetisa e escritora brasileira cuja obra se caracteriza por uma abordagem lírica e introspectiva da experiência humana. Sua poesia frequentemente explora temas como a memória, a identidade e as emoções, com uma linguagem delicada e imagens evocativas que convidam à reflexão sobre a vida e os sentimentos.

n. 1942-08-23, São Paulo

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A Abóbora Menina

Tão gentil
de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa

acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Regina Souza Vieira é uma escritora e poeta brasileira. Sua produção literária se insere no panorama da literatura contemporânea em língua portuguesa, com ênfase na poesia.

Infância e formação

Detalhes específicos sobre a infância e formação de Regina Souza Vieira não são amplamente documentados em fontes públicas acessíveis. Presume-se que sua formação tenha sido marcada pelo acesso à leitura e pela imersão em ambientes que valorizam a expressão artística e literária.

Percurso literário

O percurso literário de Regina Souza Vieira é caracterizado por uma produção poética que gradualmente se consolidou no cenário literário. Sua escrita evoluiu em busca de uma voz autoral cada vez mais definida, explorando diferentes nuances do lirismo.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Regina Souza Vieira é predominantemente poética, explorando temas universais como o amor, a passagem do tempo, a natureza e a introspecção. Seu estilo é marcado por uma linguagem lírica, delicada e por vezes melancólica, com uma forte capacidade de evocar imagens sensoriais e emocionais. Utiliza recursos como a metáfora e a musicalidade para construir seus versos, que frequentemente se movem entre o pessoal e o universal. O tom de sua poesia pode variar do confessional ao reflexivo, convidando o leitor a uma jornada interior. Sua obra se relaciona com a tradição lírica, mas com uma sensibilidade contemporânea.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserida na literatura contemporânea brasileira, Regina Souza Vieira dialoga, implicitamente ou explicitamente, com as tendências literárias e os debates culturais de sua época. Sua obra reflete, de maneira sutil, as preocupações e as sensibilidades do mundo atual, em especial no que tange às relações humanas e à experiência individual.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Regina Souza Vieira são escassas em registros públicos. No entanto, a intimidade e a profundidade emocional presentes em sua poesia sugerem uma pessoa sensível e voltada para a reflexão sobre as complexidades da existência.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Regina Souza Vieira se dá principalmente em círculos literários e entre leitores que apreciam a poesia lírica e introspectiva. Sua obra tem sido divulgada através de publicações em antologias e plataformas literárias, construindo gradualmente seu público e sua reputação.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas possam variar, a poesia de Regina Souza Vieira dialoga com a grande tradição lírica da literatura em língua portuguesa. Seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma voz autêntica e sensível, capaz de tocar o leitor em um nível emocional profundo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Regina Souza Vieira pode ser interpretada como uma exploração da fragilidade e da beleza da experiência humana. A crítica tende a destacar a sua habilidade em traduzir sentimentos complexos em versos delicados e significativos, convidando a uma contemplação sobre a vida e as emoções.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Detalhamento sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos de sua vida e obra não estão disponíveis em fontes públicas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Regina Souza Vieira está viva e continua sua produção literária.

Poemas

18

O Desconhecido, esse Gigante

O prazer
da descoberta
vai além da inteligência
prega peças de espanto
ocupa nosso pensamento

É um prazer gostoso
faz que me sinta grande
penetra neste universo
em que o ego se expande
querendo se conhecer.

Nele ficando imerso
esquecido de seu viver
descobrir é aprender
no novo se conhecer
Nele, se tornando maior
Levado pelo mundo
enigma do desconhecido
O homem se torna gênio
Com o grande parecido.

Tudo pela descoberta
ânsia de ao outro chegar
caminho de se descobrir
Vontade de vivenciar
nessa trilha do encantado
Outros mundos desbravar.
788

Árvore de Frutos

Cheiras
ao caju da minha infância
e tens a cor do barro vermelho molhado
de antigamente;
há sabor a manga a escorrer-te na boca
e dureza de maboque a saltar-te nos seios.

Misturo-te com a terra vermelha
e com as noites
de histórias antigas
ouvidas há muito.

No teu corpo
sons antigos dos batuques à minha porta,
com que me provocas,
enchem-me o cérebro de fogo incontido.

Amor, és o sonho feito carne
do meu bairro antigo do musseque!
854

Vôo com pouso certo

O sono
venceu a vigília
Também ele quebrou a dor
O silêncio que o pensamento
Ocupava por distração

Breve os olhos se fecharam
por trás das pálpebras cerradas
Os sentidos esvaneceram
As idéias, no quarto, pereceram
Deram sua vez à solidão.

O sono caiu beneplácito
Vindo como bom agasalho
a um real entristecido
quebrando na luz apagada
o dia que já tinha morrido.

Eu nunca pensara no sono
como um bem tão inocente
como um toldo que à dor, à ânsia
encobre essa tristeza que
da noite só quer o seu fim.

E ainda como simples prêmio
Vêm os sonhos nos superar
Uma fantasia que intercepta
a nossa vontade de acordar.
712

Dádiva

Sou mais
forte que o silêncio dos muxitos
mas sou igual ao silêncio dos muxitos
nas noites de luar e sem trovões.

Tenho o segredo dos capinzais
soltando ais
ao fogo das queimadas de setembro
tenho a carícia das folhas novas
cantando novas
que antecedem as chuvadas
tenho a sede das plantas e dos rios
quando frios
crestam o ramos das mulembas.

...e quando chega o canto das perdizes
e nas anharas revive a terra em cor
sinto em cada flor
nos seus matizes
que és tudo o que a vida me ofereceu.

715

A Abóbora Menina

Tão gentil
de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa

acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.

1 081

Autocrítica

Aqui,
a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...

Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)

A certeza da vitória
Nesta rota...

Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!

Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
ah! minhas palavras minhas!
936

Luanda

Aqui reside tudo
E todos
Germinam as raízes todas

Aqui está cada um dos braços e dos rostos
Dum só corpo que anda sobre o vento
Navega os céus e toda a geografia
Desde a minha aldeia e do meu povo

Desce o campo refugia-se na cidade
Das ruínas às pontes de margens ansiosas

Tarda o abraço
Demora o dia das horas sucessivas
Sem paragem

No tempo de memórias tristes
Aqui estamos e estaremos
Porque somos
Mais do que pó e húmus
Unida essência dum jardim de vida
Morremos várias vezes no percurso
Mas seremos sempre
Capazes de chegar
à vida

Porque somos todos, somos um
Em cada um
Dos pontos cardeais
Deste país.

754

Memória

Memória
Como se um dia injustamente
Tivesse partido á frente
Para deixar-nos somente a noite

Como se o mar sozinho
Tivesse decidido
Deixar-nos secas areias moribundas

Só porque vergaste o sol, camarada
Para levá-lo contigo
Na tipóia

Não há memória, querido amigo
De Setembro
Ter arrefecido tanto
844

NJINGA

Com três palavras granito
Componho o teu poema

Força de penedo
Vontade do silex
Diplomacia rochosa

Do teu reinado
Entre o sólido magma
Defendias sem sabê-lo

Um quadrado imenso
De águas diamantinas
Areias vivas dispersas
Abismos de petróleo ensolarado
E povos
Povos verdes de futuro

Um só azul o berço
Em teu robusto colo
Veludo negro
Mulher de pedra eterna.
813

Para Quando

Para quando o fim desta mania
De acreditar em sonhos acordados
Impossíveis?

Para quando a manhã de sol
Para quando o nunca
Seja ontem?

Para quando o amanhã
O despertar
Do sempre?
879

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