Escritas

Lista de Poemas

Décimo-Sétimo Poema

O tempo do mau tempo está entre nós
Tempo corcunda age em caretas e tudo em garras e longos urros
O inverno ao grande carniçal que nos engole
Bola idiota em buraco
Que fazer no estômago do inverno
Onde não florescem os canteiros de heliotrópios
Tu meu claro outro eu que não te deixas engolir
Envia um pouco de verão no inverno
A fim de anunciar-me a primavera
Deita-me
Nina-me sobre o passado mole em veludo
Onde eu acreditarei ouvir ver e tomar
Tudo o que me prometeste
Ou talvez tudo o que me prometi
Ou tudo o que me deste
Ou tudo o que tomei
No tempo loiro quando acreditamos
Tudo o que dizia
Decalcomania
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
Dix-Septième Poème
Pierre Albert-Birot
Le temps du mauvais temps est avec nous
Temps bossu fait en grimaces et tout à griffes et longues hurles
L´hiver à grande goule qui nous avale
Stupide boule au troup
Que faire dans l´estomac de l´hiver
Où ne fleurissent pas les massifs d´héliotropes
Toi mon clair autre moi qui ne te laisses pas avaler
Envoie un peu d´été dans l´hiver
Afin de m´annoncer le printemps
Couche-moi
Berce-moi sur le passé mou velouté
Où je croirai entendre voir et prendre
Tout ce que tu m´as promis
Ou tout ce que tu m´as donné
Ou tout ce que j´ai pris
Dans les temps blond où l´on croit
Tout ce que l´on dit
Décalcomanie
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Fox Film

Ele vem a cavalo dos primórdios do mundo e enfim chega até nós
Seu sorriso brilhante como uma prata nova aparece antes de tudo
Abril antecede maio logo dois sorrisos que se olham formam uma ogiva
Zimmm... ele cruza as cidades atravessa a vida como um golpe de címbalos
Quatro sóis o iluminam por isso não há sombra que o persiga por detrás
Tudo se torna transparente o diabo é triste e gostaria de se matar
Todas as pequenas idéias se tornaram monumentos depois ele as esquece
O Mundo é grátis para os Poetas esses pais do Espaço e do Tempo
A gente deixa pra lá essa figura animal esse uniforme fashion que nos disfarça
E nos tornamos puros como um O os outros os outros estão fazendo fotos
Em nome do Pai eles que se entendam os que não têm nada a perder
Oh oh oh oh oh oh não se meta entre meus versos se você tem medo do fogo
Eles não servem para os que precisam que os dias se interliguem pelas noites
Os nomes que vestem as coisas ficaram no dicionário e tudo surgiu
As coisas então eram apenas nomes é inútil aprender a geografia
Antigamente havia cidades que se chamavam Moscou Melbourne ou Paris
(tradução de Marília Garcia, publicada no número impresso de estreia daModo de Usar & Co.)
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Décimo-Terceiro Poema

Huh huh huh ha e então as palavras com seu ar de ser alguém
O verbo ele tudo e todos
Ama e presta-se à pessoa
Ela ama
Ruas casas cidades céu o verbo doou tudo
A pessoa caminha pelas cidades e olha o céu
Minha casa meu rosto as árvores ele e vós
O primeiro dia e o último
A pessoa trancada em pequenos quadrados de tempo
Presta atenção nos carros cura suas mãos e faz bebês
Paula ama sua mãe
Meu pai está em São Paulo
Ele retornará amanhã
Sem a bondade do verbo ficávamos no infinitivo
Este maravilhoso tudo e todos
Que a ninguém conhece
Mesmo assim melhor o tédio de nascer e morrer
Como fazemos o sol erguer-se ao dizer é dia
(tradução de Ricardo Domeneck, publicada no número impresso de estréia daModo de Usar & Co.)
:
Treizième Poème
Pierre Albert-Birot
Heu heu heu ha et puis des mots qui ont l´air d´être quelqu´un
Le verbe lui le tout et le toujours
Aime et se prête à la personne
Elle aime
Rues maisons villes ciel le verbe a tout donné
La personne marche dans les villes et regarde le ciel
Ma maison mon visage les arbres lui et vous
Le premier jour et le dernier
La personne enfermée dans les petits carrés du temps
Prend garde aux voitures soigne ses mains et fait des enfants
Paul aime sa mère
Mon père est à Paris
Il reviendra demain
Sans la bonté du verbe nous restions à l´infinitif
Ce merveilleux tout et toujours
Qui ne connaît personne
Pourtant mieux vaut l´ennui de naître et de mourir
Puisqu´on fait lever le soleil en disant it fait jour
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Nada

Ai perdoe as quatro letras a mais
Nem mesmo nada
E já é demais
Haveria que começar a História
Antes de seu começo
Creiamos que ela de fato começou
No branco a preceder este nada
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
Rien
Pierre Albert-Birot
Oh pardon c´est quatre lettres de trop
Pas même rien
Et c´est encore trop
Il faudrait commencer l´Histoire
Avant son commencement
Qu´on veuille bien croire qu´elle commence en effet
Dans le blanc qui precède ce rien
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