Amor
Poemas neste tema
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que não veio
Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
812
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Dos rios
Os rios nascem. É um filete, antes, revel,
ou provenha de fonte, ou mesmo de geleira:
mas, alongando o curso, emerge undoso mel
que, agora, largo, investe...e o trajeto aligeira...
Eles vivem. Por isso, a existêencia a tropel
de emoções se reduz, através da carreira:
vezes, são areias que os tragam - lei cruel:
vezes, um lago os prende a afeição derradeira.
Mas, se alcançam delir, com todo o zêlo insano,
os riscos do percurso, ei-los fortes, bravios,
premendo, delirando os seios nus do oceano !
- Homem, ama ! a paixão te exalte sem cessar !
Pois é só por amor que as águas destes rios
vão correndo...correndo...em busca do mar !
ou provenha de fonte, ou mesmo de geleira:
mas, alongando o curso, emerge undoso mel
que, agora, largo, investe...e o trajeto aligeira...
Eles vivem. Por isso, a existêencia a tropel
de emoções se reduz, através da carreira:
vezes, são areias que os tragam - lei cruel:
vezes, um lago os prende a afeição derradeira.
Mas, se alcançam delir, com todo o zêlo insano,
os riscos do percurso, ei-los fortes, bravios,
premendo, delirando os seios nus do oceano !
- Homem, ama ! a paixão te exalte sem cessar !
Pois é só por amor que as águas destes rios
vão correndo...correndo...em busca do mar !
879
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que revive
Não me culpes. Amor, nos teus pesares,
nem aumentes, por mim, as tuas dores.
Acamponham-te sempre os meus cismares
e o espírito solícito, aonde fores.
Se ouvires cantilenas pelos ares,
em dias claros e reveladores,
imagina-as quais ondas singulares
de carícias, que envio como flores.
E se vires, em noites silenciosas
- e olhos fechados, como adormecida -
entrar alguém de formas vaporosas,
aconchega-o, amor, na soledade,
e prolonga, no sonho, a tua vida,
revivendo nos beijos de saudade.
nem aumentes, por mim, as tuas dores.
Acamponham-te sempre os meus cismares
e o espírito solícito, aonde fores.
Se ouvires cantilenas pelos ares,
em dias claros e reveladores,
imagina-as quais ondas singulares
de carícias, que envio como flores.
E se vires, em noites silenciosas
- e olhos fechados, como adormecida -
entrar alguém de formas vaporosas,
aconchega-o, amor, na soledade,
e prolonga, no sonho, a tua vida,
revivendo nos beijos de saudade.
741
José Carlos Souza Santos
A tarde que me cabe
Eram quatro, as horas da manhã
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
856
Tânia Regina
Momentos
Flores esvoaçando,
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
782
Tatiana Ramminger
Oferenda
Oferenda
Nos meus momentos de inconsciência
Nos meus momentos de inconsistência
Em um acaso muito bem planejado
Meu beija-flor inconseqüente
Me leva
Ao teu escorpião de asas azuis
E quanto estrago não fazem
Impregnados
Embriagados
Da vida
Pintada relaxadamente com cores fortes
Ofuscando olhares
Desfazendo contornos
Jogando de sombras
Que trazem a realidade
Em oferenda
Nos meus momentos de inconsciência
Nos meus momentos de inconsistência
Em um acaso muito bem planejado
Meu beija-flor inconseqüente
Me leva
Ao teu escorpião de asas azuis
E quanto estrago não fazem
Impregnados
Embriagados
Da vida
Pintada relaxadamente com cores fortes
Ofuscando olhares
Desfazendo contornos
Jogando de sombras
Que trazem a realidade
Em oferenda
1 176
Maria Thereza Noronha
Ontem
Ontem, partiu-se a lua em duas foices
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
965
Sílvio Péllico
O Suspiro
(Tradução de Luís Vicente Simoni)
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
1 334
Tasso Azevedo da Silveira
Poema 17
Esquece o tempo. O tempo não existe.
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.
Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural.A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...
Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,
foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esparar...
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.
Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural.A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...
Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,
foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esparar...
1 002
Teófilo Dias
A Matilha
Pendente a língua rubra, os sentidos atentos,
Inquieta, rastejando os vestígios sangrentos,
A matilha feroz persegue enfurecida,
Alucinadamente, a presa malferida.
Um, afitando o olhar, sonda a escura folhagem;
Outro consulta o vento; outro sorve a bafagem,
O fresco, vivo odor, cálido, penetrante,
Que, na rápida fuga, a vítima arquejante
Vai deixando no ar, pérfido e traiçoeiro;
Todos, num turbilhão fantástico, ligeiro,
Ora, em vórtice, aqui se agrupam, rodam, giram,
E, cheios de furor frenético, respiram,
Ora, cegos de raiva, afastados, disperses,
Arrojam-se a correr. Vão por trilhos diversos,
Esbraseando o olhar, dilatando as narinas.
Transpõem num momento os vales e as colinas,
Sobem aos alcantis, descem pelas encostas,
Recruzam-se febris em direções opostas,
Té que da presa, enfim, nos músculos cansados
Cravam com avidez os dentes afiados.
Não de outro modo, assim meus sôfregos desejos,
Em matilha voraz de alucinados beijos
Percorrem-te o primor às langorosas linhas,
As curvas juvenis, onde a volúpia aninhas,
Frescas ondulações de formas florescentes
Que o teu contorno imprime às roupas eloqüentes:
O dorso aveludado, elétrico, felino,
Que poreja um vapor aromático e fino;
O cabelo revolto em anéis perfumados,
Em fofos turbilhões, elásticos, pesados;
As fibrilhas sutis dos lindos braços brancos,
Feitos para apertar em nervosos arrancos;
A exata correção das azuladas veias,
Que palpitam, de fogo entumescidas, cheias,
— Tudo a matilha audaz perlustra, corre, aspira,
Sonda, esquadrinha, explora, e anelante respira,
Até que, finalmente, embriagada, louca,
Vai encontrar a presa — o gozo — em tua boca.
Inquieta, rastejando os vestígios sangrentos,
A matilha feroz persegue enfurecida,
Alucinadamente, a presa malferida.
Um, afitando o olhar, sonda a escura folhagem;
Outro consulta o vento; outro sorve a bafagem,
O fresco, vivo odor, cálido, penetrante,
Que, na rápida fuga, a vítima arquejante
Vai deixando no ar, pérfido e traiçoeiro;
Todos, num turbilhão fantástico, ligeiro,
Ora, em vórtice, aqui se agrupam, rodam, giram,
E, cheios de furor frenético, respiram,
Ora, cegos de raiva, afastados, disperses,
Arrojam-se a correr. Vão por trilhos diversos,
Esbraseando o olhar, dilatando as narinas.
Transpõem num momento os vales e as colinas,
Sobem aos alcantis, descem pelas encostas,
Recruzam-se febris em direções opostas,
Té que da presa, enfim, nos músculos cansados
Cravam com avidez os dentes afiados.
Não de outro modo, assim meus sôfregos desejos,
Em matilha voraz de alucinados beijos
Percorrem-te o primor às langorosas linhas,
As curvas juvenis, onde a volúpia aninhas,
Frescas ondulações de formas florescentes
Que o teu contorno imprime às roupas eloqüentes:
O dorso aveludado, elétrico, felino,
Que poreja um vapor aromático e fino;
O cabelo revolto em anéis perfumados,
Em fofos turbilhões, elásticos, pesados;
As fibrilhas sutis dos lindos braços brancos,
Feitos para apertar em nervosos arrancos;
A exata correção das azuladas veias,
Que palpitam, de fogo entumescidas, cheias,
— Tudo a matilha audaz perlustra, corre, aspira,
Sonda, esquadrinha, explora, e anelante respira,
Até que, finalmente, embriagada, louca,
Vai encontrar a presa — o gozo — em tua boca.
1 737
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Do eterno motivo
Quando nasceu o amor na humanidade,
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
770
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Nuvem cor de rosa
Passaste como nuvem cor de rosa
no firmamento azul, em horas mansas.
Da graça, comovida e luminosa,
retrataste a doçura das lembranças.
E conduziste os sonhos meus, formosa,
e acentelha de afeto, em que descansas.
Talvez sejas feliz, ou inditosa,
tu que levaste as minhas esperanças.
Fico-me só. Sozinho, e suave, e triste...
Mas, neste peito, há vibrações sadias
do que foi, e será, e agora existe...
Cardos e flores, com que o ser se junca,
resultam, pela vida, em harmonias,
se o amor, no coração, não morre nunca.
no firmamento azul, em horas mansas.
Da graça, comovida e luminosa,
retrataste a doçura das lembranças.
E conduziste os sonhos meus, formosa,
e acentelha de afeto, em que descansas.
Talvez sejas feliz, ou inditosa,
tu que levaste as minhas esperanças.
Fico-me só. Sozinho, e suave, e triste...
Mas, neste peito, há vibrações sadias
do que foi, e será, e agora existe...
Cardos e flores, com que o ser se junca,
resultam, pela vida, em harmonias,
se o amor, no coração, não morre nunca.
763
Sidney Frattini
Soneto da Serenidade
Para ArleteM
A calma que hoje paira neste canto
Tem tudo de ti; és a bonança
Depois de uma tormenta, um acalanto,
Que fêz adormecer esta criança.
Abandonado todo modo errado,
Hoje em quietude pacífica e tão pura,
Meu espírito analisa o meu passado
E reconhece a ti como ventura.
Te faço oferta deste meu segredo
(Se bem que eu lembre toda a dor sentida)
Que hoje declaro sem nenhum receio:
Abençoada neste teu degredo,
Investigando o mar da minha vida,
Só encontrarás teu coração, no meio.
A calma que hoje paira neste canto
Tem tudo de ti; és a bonança
Depois de uma tormenta, um acalanto,
Que fêz adormecer esta criança.
Abandonado todo modo errado,
Hoje em quietude pacífica e tão pura,
Meu espírito analisa o meu passado
E reconhece a ti como ventura.
Te faço oferta deste meu segredo
(Se bem que eu lembre toda a dor sentida)
Que hoje declaro sem nenhum receio:
Abençoada neste teu degredo,
Investigando o mar da minha vida,
Só encontrarás teu coração, no meio.
1 116
Scarlett Maciel
Variações
De novo,
Me vem à alma essa fome de palavras
Que não existe em mim.
Essa busca envolvida na tão companheira insônia.
Vazio repleto de ânsia.
Pelo quê?
Mundo?
Vida?
E é sempre o amor que vem de mim.
Por mim,
Pela minha alma.
Não existe outra base.
Acabo de ver Rimbaud.
Todos os escritores deveriam nascer mortos!
Será a felicidade,
Exatamente escondida,
À espera do bote,
Atrás da loucura, insanidade d’alma?
Me vejo em tantas coisas, lugares.
Principalmente palavras e sentimentos alheios.
Dentro de loucura, depressão, tristeza...
Sempre isso.
Não muda.
E é sempre a mesma fome por o desconhecido.
Vontade de falar o que não sinto.
Mostrar e fazer brilhar no coração do mundo
A minha ever confusa pessoa.
Tão cheia de teorias
Que nunca acham o caminho da prática.
E o desespero não vem!
Será você o meu anjo,
que dorme agora?
Essa fúria de pensar...
Mas não me sai nada
E o coração já não agüenta.
Precisa de ar.
O frio lá de fora não me atinge a alma nesse segundo.
Parado no tempo
Sei que não resiste.
É muito!
E com toda esta fome o medo não vem.
Estou só (sem ele)
Pela mesma sentença de sempre.
Carregar a fome das palavras nas costas
E devorá-las sem tomar.
Nem eu vejo.
É ato superior.
Me vem à alma essa fome de palavras
Que não existe em mim.
Essa busca envolvida na tão companheira insônia.
Vazio repleto de ânsia.
Pelo quê?
Mundo?
Vida?
E é sempre o amor que vem de mim.
Por mim,
Pela minha alma.
Não existe outra base.
Acabo de ver Rimbaud.
Todos os escritores deveriam nascer mortos!
Será a felicidade,
Exatamente escondida,
À espera do bote,
Atrás da loucura, insanidade d’alma?
Me vejo em tantas coisas, lugares.
Principalmente palavras e sentimentos alheios.
Dentro de loucura, depressão, tristeza...
Sempre isso.
Não muda.
E é sempre a mesma fome por o desconhecido.
Vontade de falar o que não sinto.
Mostrar e fazer brilhar no coração do mundo
A minha ever confusa pessoa.
Tão cheia de teorias
Que nunca acham o caminho da prática.
E o desespero não vem!
Será você o meu anjo,
que dorme agora?
Essa fúria de pensar...
Mas não me sai nada
E o coração já não agüenta.
Precisa de ar.
O frio lá de fora não me atinge a alma nesse segundo.
Parado no tempo
Sei que não resiste.
É muito!
E com toda esta fome o medo não vem.
Estou só (sem ele)
Pela mesma sentença de sempre.
Carregar a fome das palavras nas costas
E devorá-las sem tomar.
Nem eu vejo.
É ato superior.
785
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Definição amor amar
Amor ternura, amor exaltação
Envolve, domina, entusiasma
Fogueira acesa que se não apaga
E pode terminar numa paixão
Mas para definir o que é amar
Direi que é dar do coração
Dar tudo sem reserva ou opção
Como só com amor se pode dar.
Envolve, domina, entusiasma
Fogueira acesa que se não apaga
E pode terminar numa paixão
Mas para definir o que é amar
Direi que é dar do coração
Dar tudo sem reserva ou opção
Como só com amor se pode dar.
1 165
Ruy Pereira e Alvim
Novíssimas Catacumbas
No fundo da vida
há vida diferente.
Há gente que sente
carência de amor.
Há gente que mente
para não se humilhar.
Há gente perdida
para não se encontrar.
Há gente que pede
para ser esquecida.
Há gente em silêncio
por ser oprimida.
Há gente que sofre
por ser esquecida.
Há gente sem nome
há gente escondida.
No fundo da vida
há vida ... também!...
há vida diferente.
Há gente que sente
carência de amor.
Há gente que mente
para não se humilhar.
Há gente perdida
para não se encontrar.
Há gente que pede
para ser esquecida.
Há gente em silêncio
por ser oprimida.
Há gente que sofre
por ser esquecida.
Há gente sem nome
há gente escondida.
No fundo da vida
há vida ... também!...
594
Renato Russo
Feedback song for a dying friend
Soothe the young mans sweating forehead
Touch the naked stem held hidden there
Safe in such dark hayssed wired nest
Then his light brown eyes are quick
Once touch is what he thought was grip
Tis not his hands those there but mine
And safe, my hands seek to gain
All knowledge of my masters manly rain
The scented taste that stills my tongue
Is wrong that is set but not undone
His fiery eyes can slash savage skin
And force all seriousness away
He wades in close waters
Deep sleep alters his senses
I must obey my only rival
- He will command our twin revival:
The same
Insane
Sustain
Again (the two of us so close to our own hearts)
I silenced and wrote
This is awe
Of the coincidence
Touch the naked stem held hidden there
Safe in such dark hayssed wired nest
Then his light brown eyes are quick
Once touch is what he thought was grip
Tis not his hands those there but mine
And safe, my hands seek to gain
All knowledge of my masters manly rain
The scented taste that stills my tongue
Is wrong that is set but not undone
His fiery eyes can slash savage skin
And force all seriousness away
He wades in close waters
Deep sleep alters his senses
I must obey my only rival
- He will command our twin revival:
The same
Insane
Sustain
Again (the two of us so close to our own hearts)
I silenced and wrote
This is awe
Of the coincidence
1 268
Renato Russo
A Dança
Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Prá acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então uma espécie rara
Só a você pertence
Ou então uma espécie rara
Que é só um objeto
Prá usar e jogar fora
Depois de ter prazer
Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você com suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Prá comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Se está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Prá acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então uma espécie rara
Só a você pertence
Ou então uma espécie rara
Que é só um objeto
Prá usar e jogar fora
Depois de ter prazer
Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você com suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Prá comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira
Você é tão esperto
Se está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar
1 409
Renato Russo
Pais e Filhos
Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora:
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês ?
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há
Me diz porque é que o céu é azul
Me explica a grande f£ria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com meus pais
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há
Sou uma gota dágua
Sou um grão de areia
Você diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo:
São crianças como você
O que você vai ser quando você crescer ?
E paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora:
É só o vento lá fora
Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês ?
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há
Me diz porque é que o céu é azul
Me explica a grande f£ria do mundo
São meus filhos que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais
Eu moro com meus pais
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar para pensar, na verdade não há
Sou uma gota dágua
Sou um grão de areia
Você diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo:
São crianças como você
O que você vai ser quando você crescer ?
2 029
Renato Russo
Maurício
Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece que agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Para algum país distante e
Voltar a ser feliz
Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois
Prá onde é que eu vou ?
Eu vi você voltar prá mim
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece que agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Para algum país distante e
Voltar a ser feliz
Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois
Prá onde é que eu vou ?
Eu vi você voltar prá mim
1 379
Renato Russo
Fábrica
Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez,
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço -
Eu quero trabalho honesto
Em vez de escravidão.
Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance.
De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo ?
Quem guarda os portões da fábrica ?
O céu já foi azul, mas agora é cinza
E o que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada de tanto brincar com fogo.
Que venha o fogo então
Esse ar deixou minha vista cansada,
Nada demais.
Teremos nossa vez,
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço -
Eu quero trabalho honesto
Em vez de escravidão.
Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance.
De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo ?
Quem guarda os portões da fábrica ?
O céu já foi azul, mas agora é cinza
E o que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada de tanto brincar com fogo.
Que venha o fogo então
Esse ar deixou minha vista cansada,
Nada demais.
1 255
Renato Russo
Tempo perdido
Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia:
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
Então me abraça forte e me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens.
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo:
Temos todo o tempo do mundo.
Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia:
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".
Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem.
Veja o sol dessa manhã tão cinza:
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
Então me abraça forte e me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:
Temos nosso próprio tempo.
Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido;
Somos tão jovens.
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Renato Russo
Música Ambiente
Se um dia fores embora
Te amarei bem mais do que esta hora
Me lembrarei de tudo que eu não disse
E de quando havia tudo que existe
Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado
Por favor amor me acredite
Não há palavras para explicar o que eu sinto
Mesmo que tenhamos planejado
Um caminho diferente
Tenho mais do que eu preciso
Estar contigo é o bastante.
Certas coisas de todo dia
Nos trazem a alegria
De caminharmos juntos lado a lado por amor.
E quando eu for embora
Não, não chore por mim.
Te amarei bem mais do que esta hora
Me lembrarei de tudo que eu não disse
E de quando havia tudo que existe
Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado
Por favor amor me acredite
Não há palavras para explicar o que eu sinto
Mesmo que tenhamos planejado
Um caminho diferente
Tenho mais do que eu preciso
Estar contigo é o bastante.
Certas coisas de todo dia
Nos trazem a alegria
De caminharmos juntos lado a lado por amor.
E quando eu for embora
Não, não chore por mim.
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Renato Russo
Angra dos Reis
Deixa, se fosse sempre assim quente
Deita aqui perto de mim
Tem dias em que tudo está em paz
E agora todos os dias são iguais
Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Vamos brincar perto da usina
Deixa prá lá, a angra é dos reis
Por que se explicar se não existe perigo ?
Senti seu coração perfeito batendo à toa
E isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
mas não venha me roubar
Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi
Mesmo se as estrelas começassem a cair
E a luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
E você visse nosso corpo em chamas
Deixa prá lá.
Quando as estrelas começarem a cair
Me diz, me diz prá onde a gente vai fugir ?
Deita aqui perto de mim
Tem dias em que tudo está em paz
E agora todos os dias são iguais
Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Vamos brincar perto da usina
Deixa prá lá, a angra é dos reis
Por que se explicar se não existe perigo ?
Senti seu coração perfeito batendo à toa
E isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho
mas não venha me roubar
Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi
Mesmo se as estrelas começassem a cair
E a luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
E você visse nosso corpo em chamas
Deixa prá lá.
Quando as estrelas começarem a cair
Me diz, me diz prá onde a gente vai fugir ?
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