Amor
Poemas neste tema
Weydson Barros Leal
E Deusas não Aravam Rosas
conto fantopoético ou
noturno em 6 movimentos
I. sonho
há hipnoses que podemos estudar
Para o entendimento do mundo, —
a paixão é uma delas.
haver os sentimentos
como relíquia do homem de sempre
e desnudá-los ao fogo para anotar as reações...
pintá-las nas pedras
que perseguem as ruas
e não haverá mais pedras —
a música dos olhos
é a única prisão
que mantemos em nós
II. madrugada da tarde
Conhecera uma mulher que criara teorias...
Doce mulher de olhos de amêndoa magoada e pele
noturna, que sobressegredos recriara o amor, o mal e o perdão.
Era um tempo antigo como os segredos...
Em seus olhos conhecera outra mulher. Era ouvi-la dizer de
um verde em que era a vida, que podia avistá-las na luz
consumida...
(talvez seja o equilíbrio — como a beleza ou uma amêndoa
— e precise tempo ao criá-las e destruí-las todas)
Duramente nua sua língua alimentava a palavra
que lentamente morria —
a morte como uma aula de rios ou
uma queda —
a alma e milhões de teorias —
a alma
e sua língua de sonhos...
III. note elementar
Todo mistério humano repousara em suas mãos quando
encontraram suas almas aprisionadas como pássaros.
Ficaram cegos.
O terceiro dia nos devora como um cárcere ou uma fome.
Sob suas unhas nasciam violetas: todas as conquistas de
seu pecado foram erguidas como uma água sobre a terra.
Havia um peito a semear outra vez.
A sua espada era uma planta renascida.
Há numa mulher algo que sufoca a eternidade
fazendo-a dormente.
Doce mulher, dizia, em que os lábios eram a cor
de sua alma,
passara rebelde em seu sorriso...
IV. noite fundamental
imaginarem sua noite
uma estrela que se desprenda
como uma confissão, e traze-la para perto
onde eu possa beber de suas mãos.
Há incertezas de trilhas como um trem na hora noturna; um
trem que despedaça a luz ou um beijo — mas eu serei entendido
como uma água que imanta os olhos.
Sua fala de lúcida beleza trago em mim como um retrato.
Fiz o seu corpo encoberto de cores como bandeiras que
houvesse tomado em batalhas — sua roupa é o despojo de
derrotados.
Partirei ainda por descrevê-la em sua pátria de pássara e
mulher — há tantos mortos sob cada trincheira que veste sua
intimidade, que é aqui onde deposito todos os algozes para
combatê-la.
O seu nome aprendi com uma rosa roubada e guardei em
meu melhor lugar.
Sinto-a perto corra uma coisa roubada.
Sinto-a roubada por mim.
V. noite
Docemente o tempo soava, ela contou, como a noite que
habitara seu corpo.
(as meninas choram quando perdem teorias.
os meninos também criam teorias.
as meninas e os meninos choram.)
Não sei se agora é acordada a menina,
pareceu mulher.
Doce mulher de pele noturna e olhos de amêndoa madura,
não voltará a vê-la o beijo que imaginei...
Pintamos o outro com o que chamamos afinidade — ela
falou — e há pessoas em que vivemos, em quem sabemos a cumplicida
de — lhe falei.
(há os olhos e os dentes ) por se tocar.
— a música dos gestos é sempre incerta como os corpos — esta
sinfonia de sons e de líquidos...)
É assim que lhe desperta sua fragilidade de deusa ou
amêndoa colhida.
É assim sua teoria.
VI. manhã
Dormirei uma noite
aos pés de Medusa
e pedirei seu perdão.
Sobre seus braços deitarei o meu sono
de arma esquecida,
e não usarei nem um sonho.
Cometi o pior dos amores. Cometi a paixão.
E todas as deusas em seu tribunal foram seus olhos.
Fora acusado por Euríale de adorar os segredos
que alimentam o negro: o verde, dissera, será tua pena, e o azul,
teu perdão.
Contará que foi pouco a todas as cores que serviu sob
exércitos de mares e noites, e que por fim, foi levado.
Soube Medusa as armas do Amor em seu reino de espadas,
e recordou as batalhas que se lançara sem seu ermo de deusa.
— Tantas vezes tivesse encontrado o teu sangue outorgado
sob a esfinge de um nome — ela disse — seriam mil pedras
teus olhos de homem!
Esteno sorria de seu último sonho...
Acordara num jardim de canteiros de górgones, e deusas
não aravam rosas como um dia pensou...
noturno em 6 movimentos
I. sonho
há hipnoses que podemos estudar
Para o entendimento do mundo, —
a paixão é uma delas.
haver os sentimentos
como relíquia do homem de sempre
e desnudá-los ao fogo para anotar as reações...
pintá-las nas pedras
que perseguem as ruas
e não haverá mais pedras —
a música dos olhos
é a única prisão
que mantemos em nós
II. madrugada da tarde
Conhecera uma mulher que criara teorias...
Doce mulher de olhos de amêndoa magoada e pele
noturna, que sobressegredos recriara o amor, o mal e o perdão.
Era um tempo antigo como os segredos...
Em seus olhos conhecera outra mulher. Era ouvi-la dizer de
um verde em que era a vida, que podia avistá-las na luz
consumida...
(talvez seja o equilíbrio — como a beleza ou uma amêndoa
— e precise tempo ao criá-las e destruí-las todas)
Duramente nua sua língua alimentava a palavra
que lentamente morria —
a morte como uma aula de rios ou
uma queda —
a alma e milhões de teorias —
a alma
e sua língua de sonhos...
III. note elementar
Todo mistério humano repousara em suas mãos quando
encontraram suas almas aprisionadas como pássaros.
Ficaram cegos.
O terceiro dia nos devora como um cárcere ou uma fome.
Sob suas unhas nasciam violetas: todas as conquistas de
seu pecado foram erguidas como uma água sobre a terra.
Havia um peito a semear outra vez.
A sua espada era uma planta renascida.
Há numa mulher algo que sufoca a eternidade
fazendo-a dormente.
Doce mulher, dizia, em que os lábios eram a cor
de sua alma,
passara rebelde em seu sorriso...
IV. noite fundamental
imaginarem sua noite
uma estrela que se desprenda
como uma confissão, e traze-la para perto
onde eu possa beber de suas mãos.
Há incertezas de trilhas como um trem na hora noturna; um
trem que despedaça a luz ou um beijo — mas eu serei entendido
como uma água que imanta os olhos.
Sua fala de lúcida beleza trago em mim como um retrato.
Fiz o seu corpo encoberto de cores como bandeiras que
houvesse tomado em batalhas — sua roupa é o despojo de
derrotados.
Partirei ainda por descrevê-la em sua pátria de pássara e
mulher — há tantos mortos sob cada trincheira que veste sua
intimidade, que é aqui onde deposito todos os algozes para
combatê-la.
O seu nome aprendi com uma rosa roubada e guardei em
meu melhor lugar.
Sinto-a perto corra uma coisa roubada.
Sinto-a roubada por mim.
V. noite
Docemente o tempo soava, ela contou, como a noite que
habitara seu corpo.
(as meninas choram quando perdem teorias.
os meninos também criam teorias.
as meninas e os meninos choram.)
Não sei se agora é acordada a menina,
pareceu mulher.
Doce mulher de pele noturna e olhos de amêndoa madura,
não voltará a vê-la o beijo que imaginei...
Pintamos o outro com o que chamamos afinidade — ela
falou — e há pessoas em que vivemos, em quem sabemos a cumplicida
de — lhe falei.
(há os olhos e os dentes ) por se tocar.
— a música dos gestos é sempre incerta como os corpos — esta
sinfonia de sons e de líquidos...)
É assim que lhe desperta sua fragilidade de deusa ou
amêndoa colhida.
É assim sua teoria.
VI. manhã
Dormirei uma noite
aos pés de Medusa
e pedirei seu perdão.
Sobre seus braços deitarei o meu sono
de arma esquecida,
e não usarei nem um sonho.
Cometi o pior dos amores. Cometi a paixão.
E todas as deusas em seu tribunal foram seus olhos.
Fora acusado por Euríale de adorar os segredos
que alimentam o negro: o verde, dissera, será tua pena, e o azul,
teu perdão.
Contará que foi pouco a todas as cores que serviu sob
exércitos de mares e noites, e que por fim, foi levado.
Soube Medusa as armas do Amor em seu reino de espadas,
e recordou as batalhas que se lançara sem seu ermo de deusa.
— Tantas vezes tivesse encontrado o teu sangue outorgado
sob a esfinge de um nome — ela disse — seriam mil pedras
teus olhos de homem!
Esteno sorria de seu último sonho...
Acordara num jardim de canteiros de górgones, e deusas
não aravam rosas como um dia pensou...
903
Cláudio Alex
Não, amor
Não, amor
eu não quero roubar você de você.
Eu quero é te amar sem limites
quero é chegar ao fundo do teu coração.
Me ame como você o sente. Pode vir se entregar
sem medo de errar. Deixa eu ser como sou
eu também não tenho duvidas que te amo.
Eu amo você do jeito que é
continue sendo assim.
Nada é a toa.
Quero, sim desejá-la
quero lutar por ti.
Quero ser o que sou
e muito mais prá você.
Sou assim mesmo.
Meio maluco e de repente
quero tudo. Quero muito.
E quero mais, muito mais
eu entrei em contato
com teu coração.
Eu amo você.
foi o mesmo que
se nos tivéssemos feito amor.
Alias, nos fizemos.
Gostei do teu beijo. Da tua pele.
Da tua boca. Do teu corpo.
De passar as mãos nas tuas coxas.
Gostei de te amar.
Quero fartar você de desejo.
Quero fartar o teu desejo.
Não, eu te respeito, muito.
Não, sou egoísta não.
Pelo contrario.
às vezes exercito o desejo de sê-lo.
Por achar que deva me amar.
Mas, não, no fundo eu sou só compreensão.
Eu te amo como você é
e nossa relação é uma relação
baseada na verdade.
Seja como você é, fala o que
sente e como sente.
Não quero muda-la
Amo-te demais para isso.
Mas por favor, deixa-me te amar.
E não me restrinja dentro de ti.
Quando sentir amor por mim
venha para mim.
Quando me quiser, me tenha.
Não importa o que eu fale
as palavras são tolas
para explicar o que eu sinto.
Me tenha sempre.
Eu sou teu namorado,
não terminamos nada.
O amor é eterno
e ele é que existe.
eu não quero roubar você de você.
Eu quero é te amar sem limites
quero é chegar ao fundo do teu coração.
Me ame como você o sente. Pode vir se entregar
sem medo de errar. Deixa eu ser como sou
eu também não tenho duvidas que te amo.
Eu amo você do jeito que é
continue sendo assim.
Nada é a toa.
Quero, sim desejá-la
quero lutar por ti.
Quero ser o que sou
e muito mais prá você.
Sou assim mesmo.
Meio maluco e de repente
quero tudo. Quero muito.
E quero mais, muito mais
eu entrei em contato
com teu coração.
Eu amo você.
foi o mesmo que
se nos tivéssemos feito amor.
Alias, nos fizemos.
Gostei do teu beijo. Da tua pele.
Da tua boca. Do teu corpo.
De passar as mãos nas tuas coxas.
Gostei de te amar.
Quero fartar você de desejo.
Quero fartar o teu desejo.
Não, eu te respeito, muito.
Não, sou egoísta não.
Pelo contrario.
às vezes exercito o desejo de sê-lo.
Por achar que deva me amar.
Mas, não, no fundo eu sou só compreensão.
Eu te amo como você é
e nossa relação é uma relação
baseada na verdade.
Seja como você é, fala o que
sente e como sente.
Não quero muda-la
Amo-te demais para isso.
Mas por favor, deixa-me te amar.
E não me restrinja dentro de ti.
Quando sentir amor por mim
venha para mim.
Quando me quiser, me tenha.
Não importa o que eu fale
as palavras são tolas
para explicar o que eu sinto.
Me tenha sempre.
Eu sou teu namorado,
não terminamos nada.
O amor é eterno
e ele é que existe.
903
Weydson Barros Leal
O Que
o que nos vem
e o que deixamos;
o que nunca encontra
o que eternamente
é par,
o lar;
a comunhão;
o que nos é pedido
e o que nos leva;
o que damos;
o que precisamos;
o que é busca;
o que somente
nos procura;
o que ninguém concede;
o caminho;
o laço;
a cama;
o que lutamos
pelas mãos;
o que desperdiçamos;
o que nos é dado escrever;
o sonho
e o acontecimento;
o homem que ama;
os danos e o benfazejo;
o lucro;
a perda;
a falta;
o jogo;
o amor;
a flecha
e o conto;
a ficção;
os pés;
(a solidão);
o relógio;
a morte;
a música e a vela;
o ventre;o vão;a paixão;
o que queremos;
o que quer;
o que vivemos;
o que vive;
o orgasmo;
a espera;
a água;
a esperança ...
e o que deixamos;
o que nunca encontra
o que eternamente
é par,
o lar;
a comunhão;
o que nos é pedido
e o que nos leva;
o que damos;
o que precisamos;
o que é busca;
o que somente
nos procura;
o que ninguém concede;
o caminho;
o laço;
a cama;
o que lutamos
pelas mãos;
o que desperdiçamos;
o que nos é dado escrever;
o sonho
e o acontecimento;
o homem que ama;
os danos e o benfazejo;
o lucro;
a perda;
a falta;
o jogo;
o amor;
a flecha
e o conto;
a ficção;
os pés;
(a solidão);
o relógio;
a morte;
a música e a vela;
o ventre;o vão;a paixão;
o que queremos;
o que quer;
o que vivemos;
o que vive;
o orgasmo;
a espera;
a água;
a esperança ...
806
Antônio Chaves
Descendo o Parnaíba
Nas águas, vê que límpidas bonanças...
Que verde o destas árvores florindo!
Parece o verde dessas esperanças
Que em nossos corações brotam sorrindo.
Como as almas sonâmbulas e mansas
Dos lírios virginais que estão dormindo,
Quantas almas de cândidas crianças
Há nas estrelas que já vêm surgindo!
Tu és um quadro desta Natureza!
Minha alma, ao ver em ti tanta beleza,
De ti somente se tornou cativa...
Sem sol a flor sucumbe, morre a planta...
Dá que eu sinta, portanto, ó minha Santa,
O sol do teu amor! Faze que eu viva!
Que verde o destas árvores florindo!
Parece o verde dessas esperanças
Que em nossos corações brotam sorrindo.
Como as almas sonâmbulas e mansas
Dos lírios virginais que estão dormindo,
Quantas almas de cândidas crianças
Há nas estrelas que já vêm surgindo!
Tu és um quadro desta Natureza!
Minha alma, ao ver em ti tanta beleza,
De ti somente se tornou cativa...
Sem sol a flor sucumbe, morre a planta...
Dá que eu sinta, portanto, ó minha Santa,
O sol do teu amor! Faze que eu viva!
936
Weydson Barros Leal
O Teu Sorriso é uma Dança
O teu sorriso é uma dança
tua boca nasce a cada dia
como a faca e a fruta.
há nos teus dentes uma cor
que não há noutra forma de tempo —
a brancura dos teus olhos é irmã e cai
em teu brilho de ursa
e em cada anel.
o teu sorriso é uma forma de vencer as guerras
e as tuas mãos sobre os joelhos
uma arquitetura de gregos.
dei to sobre tudo que desperto
em tua aura de prataria cega
e o meu deleite e a minha dor
copulam numa fogueira pública.
penso que caiu alguma lua no jardim que andaste aqui
e a própria queda dos impérios
é uma predição de ti —
o teu passado é uma praia
onde nasceram as conchas
e o teu presente uma eternidade de luz e de ondas
onde as conchas cantam
teu dom e tua luz.
II
— até quando seremos felizes?
até quando seremos a mira
que o espelho espera?
o duplo multiplicado?
— lembra quando rasgamos o peito e o tempo escoou?
eram moedas e flores
e um hálito de pedras ...
— hoje a flauta doce foi buscada;
o amargo do vinho; a noite;
e uma barca de espelhos
que navega cegamente para guerra...
III
há um poeta rindo no portal da tua casa
que não sou eu mas o eu que te acompanha
e eu estar em ti é lembrar de mim
quando penso que és minha casa.
permaneço em sonho
enquanto tu me navegas,
e existir em ti é realizar os planos
de quando existires
saberes como sofrem os sonhos —
amor é mar
que sempre subexiste
e quando queremos navegar
a vela nos devora
e o vento é sempre triste.
IV - MANHÃ NA LUA
haverás, amada,
de recordar a hora em que éramos felizes:
há poesia no passado
mas não há tempo —
há a dor
a praia e a pedra
onde ancorar o dia
e acordar sobre o teu lado
sem saber
que o sonho é um círculo finito
que sem meios de tecer
tu fias
e colhes a noite
como um manto sobre os braços
uma nau descomunal
ou um verbo que cria.
V - PORTRAIT
sonhávamos tanto que éramos doces
e nosso último disfarce
foi tornarmo-nos amigos
sob a fé de toda balaustrada
de lustres e alaúdes lúgubres
que terminam
quando nua e com flores
cantas
e transbordas os açudes...
acordamos e corremos aos jornais
em busca de poemas
limpamos toda casa onde o sonho é moradia
o sonho que buscamos, o sonho que nos cria
apenas uma trégua
quando a guerra
é a única maneira de se conquistar
e a bandeira só por cada jogo se jogar
porque só é o cadafalso
e falso o laço
do ar.
VI - AUGEN
verde a luzidia forma que encontrares no poema
que verde é seu encanto
enquanto canto sua pena
que a vida nunca estabelece
rara, sem sua medida de tristeza.
talvez a fala
que emudece espaços
a ausência pressentida ou as horas
medirão o tempo da distância...
talvez o olhar
que umedece os passos
o brilho docemente agudo
das pérolas
o jogo
ou as conchas
serão em mim a tua proteção.
as mãos
como os limites de um deus
ou urna pomba absurdamente nua ou despetalada
sobre minha cabeça pousas
nesta sombra que enriquece a luz.
VII - SAL
quando esqueces o meu nome
é poesia a minha dor que se constrói...
— tanta tristeza em sabermos o que seríamos...
e se não fosse a poesia ? — o sonho da noite
é o medo do dia
e o teu sonho é um barco que irá chegar
e o seu vento a minha esperança
que também é sua praia.
vê esta pedra — sim, a que guarda sob o tempo
o pulso das vidas; —
ergue tua mão agora,
sorve o lampejo
que esqueci de esconder sob a pedra:
nesta praia só há um lugar onde o amor sobrevive,
e a fé e a fidelidade
caminham utopicamente
banhando os pés.
VIII
somos fundamente tristes quando amamos em segredo...
— o que buscamos em nossa lida?...
todas as ilhas sofrem de ser só
e sempre amar por último o penúltimo engano...
adulo duelos no ancoradouro que há em mim...
há mulheres debruçadas sobre a lua
e o tempo e o traço, se hão,
são partes da mão
e o poeta um pedaço
do espaço e do chão...
o sonho é apenas a espera a vida inteira...
num canto em mim todos os homens agonizam
e o deus e a voz
é o eu em nós...
ri, para que eu pense que o mundo acabou!...
teremos que cantar enquanto fundas
as avenidas foscas todas toscas fenecem,
jardins se amontoam sobre os muros
e crianças criam mundos...
canto enquanto sabes que podemos amar...
o amor é um costela que sangra...
o amor é um cortejo sobre o mar...
IX - JORNADA
haverá de nos suportar o tempo da lida,
tudo quanto de tristeza e alegria não cabem no poema —
o verso deve ser comedido
para não comprometer a irmandade
dos solitários poetas.
e haverá a força para não amar e
a tarde para recriar os sapatos — os pés
representam asseados a alma do poeta,
quando sujos, sua coragem e abnegação.
haverá todo tempo para construir o verso
limpar a casa e escrever
literatura —
haverá música e pêssegos
quando o espaço entre o chão e a alma
for um preenchimento apenas de coisas velhas
e com nós
for surdamente esquecido
entre as estações.
tua boca nasce a cada dia
como a faca e a fruta.
há nos teus dentes uma cor
que não há noutra forma de tempo —
a brancura dos teus olhos é irmã e cai
em teu brilho de ursa
e em cada anel.
o teu sorriso é uma forma de vencer as guerras
e as tuas mãos sobre os joelhos
uma arquitetura de gregos.
dei to sobre tudo que desperto
em tua aura de prataria cega
e o meu deleite e a minha dor
copulam numa fogueira pública.
penso que caiu alguma lua no jardim que andaste aqui
e a própria queda dos impérios
é uma predição de ti —
o teu passado é uma praia
onde nasceram as conchas
e o teu presente uma eternidade de luz e de ondas
onde as conchas cantam
teu dom e tua luz.
II
— até quando seremos felizes?
até quando seremos a mira
que o espelho espera?
o duplo multiplicado?
— lembra quando rasgamos o peito e o tempo escoou?
eram moedas e flores
e um hálito de pedras ...
— hoje a flauta doce foi buscada;
o amargo do vinho; a noite;
e uma barca de espelhos
que navega cegamente para guerra...
III
há um poeta rindo no portal da tua casa
que não sou eu mas o eu que te acompanha
e eu estar em ti é lembrar de mim
quando penso que és minha casa.
permaneço em sonho
enquanto tu me navegas,
e existir em ti é realizar os planos
de quando existires
saberes como sofrem os sonhos —
amor é mar
que sempre subexiste
e quando queremos navegar
a vela nos devora
e o vento é sempre triste.
IV - MANHÃ NA LUA
haverás, amada,
de recordar a hora em que éramos felizes:
há poesia no passado
mas não há tempo —
há a dor
a praia e a pedra
onde ancorar o dia
e acordar sobre o teu lado
sem saber
que o sonho é um círculo finito
que sem meios de tecer
tu fias
e colhes a noite
como um manto sobre os braços
uma nau descomunal
ou um verbo que cria.
V - PORTRAIT
sonhávamos tanto que éramos doces
e nosso último disfarce
foi tornarmo-nos amigos
sob a fé de toda balaustrada
de lustres e alaúdes lúgubres
que terminam
quando nua e com flores
cantas
e transbordas os açudes...
acordamos e corremos aos jornais
em busca de poemas
limpamos toda casa onde o sonho é moradia
o sonho que buscamos, o sonho que nos cria
apenas uma trégua
quando a guerra
é a única maneira de se conquistar
e a bandeira só por cada jogo se jogar
porque só é o cadafalso
e falso o laço
do ar.
VI - AUGEN
verde a luzidia forma que encontrares no poema
que verde é seu encanto
enquanto canto sua pena
que a vida nunca estabelece
rara, sem sua medida de tristeza.
talvez a fala
que emudece espaços
a ausência pressentida ou as horas
medirão o tempo da distância...
talvez o olhar
que umedece os passos
o brilho docemente agudo
das pérolas
o jogo
ou as conchas
serão em mim a tua proteção.
as mãos
como os limites de um deus
ou urna pomba absurdamente nua ou despetalada
sobre minha cabeça pousas
nesta sombra que enriquece a luz.
VII - SAL
quando esqueces o meu nome
é poesia a minha dor que se constrói...
— tanta tristeza em sabermos o que seríamos...
e se não fosse a poesia ? — o sonho da noite
é o medo do dia
e o teu sonho é um barco que irá chegar
e o seu vento a minha esperança
que também é sua praia.
vê esta pedra — sim, a que guarda sob o tempo
o pulso das vidas; —
ergue tua mão agora,
sorve o lampejo
que esqueci de esconder sob a pedra:
nesta praia só há um lugar onde o amor sobrevive,
e a fé e a fidelidade
caminham utopicamente
banhando os pés.
VIII
somos fundamente tristes quando amamos em segredo...
— o que buscamos em nossa lida?...
todas as ilhas sofrem de ser só
e sempre amar por último o penúltimo engano...
adulo duelos no ancoradouro que há em mim...
há mulheres debruçadas sobre a lua
e o tempo e o traço, se hão,
são partes da mão
e o poeta um pedaço
do espaço e do chão...
o sonho é apenas a espera a vida inteira...
num canto em mim todos os homens agonizam
e o deus e a voz
é o eu em nós...
ri, para que eu pense que o mundo acabou!...
teremos que cantar enquanto fundas
as avenidas foscas todas toscas fenecem,
jardins se amontoam sobre os muros
e crianças criam mundos...
canto enquanto sabes que podemos amar...
o amor é um costela que sangra...
o amor é um cortejo sobre o mar...
IX - JORNADA
haverá de nos suportar o tempo da lida,
tudo quanto de tristeza e alegria não cabem no poema —
o verso deve ser comedido
para não comprometer a irmandade
dos solitários poetas.
e haverá a força para não amar e
a tarde para recriar os sapatos — os pés
representam asseados a alma do poeta,
quando sujos, sua coragem e abnegação.
haverá todo tempo para construir o verso
limpar a casa e escrever
literatura —
haverá música e pêssegos
quando o espaço entre o chão e a alma
for um preenchimento apenas de coisas velhas
e com nós
for surdamente esquecido
entre as estações.
1 076
Antônio de Godói
Místico
Lua, noiva do azul, Verônica sombria,
Sobe à igreja do Céu para o eterno noivado...
Amplo e curvo cintila o espaço iluminado
Como um pálio de luz em funeral ao dia.
Tem volúpias o luar que roça à noite a fria
Face... Profano ser, feito para o Pecado,
Eu não posso beijar o teu rosto sagrado,
Santo, como, talvez, o rosto de Maria...
Deus as pálpebras fecha e fica a noite escura;
Sombras descem à terra e a noite doce e calma
Enche o peito de amor e põe sossego na alma.
Ah! se deres um beijo em minha boca impura,
Por glórias contarei os beijos que me deres,
Bela Nossa Senhora entre as outras mulheres...
Sobe à igreja do Céu para o eterno noivado...
Amplo e curvo cintila o espaço iluminado
Como um pálio de luz em funeral ao dia.
Tem volúpias o luar que roça à noite a fria
Face... Profano ser, feito para o Pecado,
Eu não posso beijar o teu rosto sagrado,
Santo, como, talvez, o rosto de Maria...
Deus as pálpebras fecha e fica a noite escura;
Sombras descem à terra e a noite doce e calma
Enche o peito de amor e põe sossego na alma.
Ah! se deres um beijo em minha boca impura,
Por glórias contarei os beijos que me deres,
Bela Nossa Senhora entre as outras mulheres...
765
Cláudio Alex
Te Espero
Todo amor tem que ser livre
Quem sou eu para dizer o certo,
quem sou eu para dizer o errado.
Todo amor acontece porque é perfeito
da forma que se apresenta.
Expresso meu amor
da forma e do jeito que ele é.
Expresso com as formas de sedução
que sei fazer e que a vida ensinou.
Faço-o livre porque livre ele o é.
Deixar de assim manifesta-lo
significa transforma-lo
em algo em que já não é.
Sou teu por uma opção de entrega,
porque esta entrega vem de dentro
e decorre de uma sensação plena.
é natural que ele se expresse
para alguém que preenche
completamente as emoções no peito.
E poderia haver alguém ao lado
que não haveria espaço dentro
para ser compartilhado.
O amor preenche-me por inteiro.
Estou triste
porque não tenho você ao meu lado.
Mas é uma tristeza completa
que é melhor que uma alegria
incompleta e cheia de vazios.
Se estou triste,
é porque às vezes o amor é triste,
é uma forma de sua manifestação.
Se, às vezes, sozinho solto um sorriso,
é porque se manifesta em mim
uma parte alegre de você.
Coisas que me fazem teu,
porque verdadeiramente te amo.
Se, às vezes, sozinho, eu choro
é porque se manifesta em mim
uma parte melancólica de ti,
nem por isso menos bela.
Coisas que me fazem teu.
Porque a verdade não esta só na alegria,
e o melancólico convive com o alegre.
Se às vezes fico com raiva
é porque o amor se manifesta
com a incompreensão.
Coisas que eu não compreendo.
Coisas que não sou compreendido.
Mas se existe a raiva
é sinal que existe o desejo:
um desejo incompreendido
mas que existe e é forte demais
para ser colocado de lado
junto das pequenices diárias.
Todas essas manifestações
são manifestações de amor.
Foste em busca do paraíso terrestre.
Te odiei.
Agora já não sinto, mas senti.
Essas coisas acontecem e fazem parte.
Longe de deixar-me tomar pela autopiedade,
isso serviu de aprendizado.
Aprendizado sobre você.
Não é aprendizado sobre nosso amor.
Nosso amor é como é
e assim é pleno.
É um aprendizado sobre você
porque é a tua verdade
que se manifestou.
E cada vez que isso acontece
aparece mais a verdade
daquilo que existe em nos.
Não sou perfeito, não és perfeita,
somos como somos,
e assim nos amamos.
Cada vez percebo mais
como nossos mecanismos de vida
começam a se integrar
cada vez mais e melhor.
Sei que te dar garantia
dessa compreensão,
dessa busca do entendimento,
te da segurança de ser
aquilo que realmente você é.
Você percebe que ai se expressa
a tua liberdade de ser
dentro de um relacionamento?
Vim para a sua vida
não de forma passageira.
Vim para a tua vida
para ficar contigo.
Temos tempo e não temos tempo.
Na verdade o tempo
é o que menos interessa.
Vim exercer em ti
a minha forma de sedução
e que te faz sentir mulher
perfeita e completa.
Vim para mexer com tua química
para transformar os teus hormônios
para mudar o teu desejo.
Vim para mudar a tua vida
e te trazer um mundo
que na verdade apenas pressentes.
Vim para te tomar por mulher
quando todos a tratam por menina.
Vim para te dar saber
da plenitude do desejo
e da arte de flui-lo.
Vim para você me ver
todos os e dias e afirmar baixinho:
- Este é meu homem!
Vim para te fazer inteira,
para integrar teus sentimentos,
para criar sinergia
e te fazer crescer em ti.
Vim para te mostrar que esta trancafiada
e não consegues viver,
que estas sufocada
de tanto a fazer
e nada fazer.
Quero que saiba que te amo
e que nada existe no mundo
que me desalente.
Que vencerei teu medo,
que te levarei comigo
para fazer amor.
E, então, saberás de tudo
e terás confiança maior
em teu próprio ser.
Eu vim aqui, desse mesmo jeito
para te levar ao encontro
do que existe em ti.
E só o amor, um grande amor,
é capaz de fazer coisas tão simples
e tão difíceis de serem feitas.
Estou aqui, sou teu,
venha definitivamente
para o meu encontro.
Te espero.
Quem sou eu para dizer o certo,
quem sou eu para dizer o errado.
Todo amor acontece porque é perfeito
da forma que se apresenta.
Expresso meu amor
da forma e do jeito que ele é.
Expresso com as formas de sedução
que sei fazer e que a vida ensinou.
Faço-o livre porque livre ele o é.
Deixar de assim manifesta-lo
significa transforma-lo
em algo em que já não é.
Sou teu por uma opção de entrega,
porque esta entrega vem de dentro
e decorre de uma sensação plena.
é natural que ele se expresse
para alguém que preenche
completamente as emoções no peito.
E poderia haver alguém ao lado
que não haveria espaço dentro
para ser compartilhado.
O amor preenche-me por inteiro.
Estou triste
porque não tenho você ao meu lado.
Mas é uma tristeza completa
que é melhor que uma alegria
incompleta e cheia de vazios.
Se estou triste,
é porque às vezes o amor é triste,
é uma forma de sua manifestação.
Se, às vezes, sozinho solto um sorriso,
é porque se manifesta em mim
uma parte alegre de você.
Coisas que me fazem teu,
porque verdadeiramente te amo.
Se, às vezes, sozinho, eu choro
é porque se manifesta em mim
uma parte melancólica de ti,
nem por isso menos bela.
Coisas que me fazem teu.
Porque a verdade não esta só na alegria,
e o melancólico convive com o alegre.
Se às vezes fico com raiva
é porque o amor se manifesta
com a incompreensão.
Coisas que eu não compreendo.
Coisas que não sou compreendido.
Mas se existe a raiva
é sinal que existe o desejo:
um desejo incompreendido
mas que existe e é forte demais
para ser colocado de lado
junto das pequenices diárias.
Todas essas manifestações
são manifestações de amor.
Foste em busca do paraíso terrestre.
Te odiei.
Agora já não sinto, mas senti.
Essas coisas acontecem e fazem parte.
Longe de deixar-me tomar pela autopiedade,
isso serviu de aprendizado.
Aprendizado sobre você.
Não é aprendizado sobre nosso amor.
Nosso amor é como é
e assim é pleno.
É um aprendizado sobre você
porque é a tua verdade
que se manifestou.
E cada vez que isso acontece
aparece mais a verdade
daquilo que existe em nos.
Não sou perfeito, não és perfeita,
somos como somos,
e assim nos amamos.
Cada vez percebo mais
como nossos mecanismos de vida
começam a se integrar
cada vez mais e melhor.
Sei que te dar garantia
dessa compreensão,
dessa busca do entendimento,
te da segurança de ser
aquilo que realmente você é.
Você percebe que ai se expressa
a tua liberdade de ser
dentro de um relacionamento?
Vim para a sua vida
não de forma passageira.
Vim para a tua vida
para ficar contigo.
Temos tempo e não temos tempo.
Na verdade o tempo
é o que menos interessa.
Vim exercer em ti
a minha forma de sedução
e que te faz sentir mulher
perfeita e completa.
Vim para mexer com tua química
para transformar os teus hormônios
para mudar o teu desejo.
Vim para mudar a tua vida
e te trazer um mundo
que na verdade apenas pressentes.
Vim para te tomar por mulher
quando todos a tratam por menina.
Vim para te dar saber
da plenitude do desejo
e da arte de flui-lo.
Vim para você me ver
todos os e dias e afirmar baixinho:
- Este é meu homem!
Vim para te fazer inteira,
para integrar teus sentimentos,
para criar sinergia
e te fazer crescer em ti.
Vim para te mostrar que esta trancafiada
e não consegues viver,
que estas sufocada
de tanto a fazer
e nada fazer.
Quero que saiba que te amo
e que nada existe no mundo
que me desalente.
Que vencerei teu medo,
que te levarei comigo
para fazer amor.
E, então, saberás de tudo
e terás confiança maior
em teu próprio ser.
Eu vim aqui, desse mesmo jeito
para te levar ao encontro
do que existe em ti.
E só o amor, um grande amor,
é capaz de fazer coisas tão simples
e tão difíceis de serem feitas.
Estou aqui, sou teu,
venha definitivamente
para o meu encontro.
Te espero.
964
Zacarias Martins
Cala-te Boca
Se minha boca calasse,
falariam por mim, os olhos.
Se meus olhos não dissessem nada,
os meus atos colocariam a boca no trombone.
Ainda restarias as mãos,
que tentariam um diálogo mudo.
O coração, que bateria mais forte.
O pensamento, que iria mais longe.
A imaginação, que voaria mais alto.
A esperança, que é a última que morre.
E minha poesia, para falar de amor.
falariam por mim, os olhos.
Se meus olhos não dissessem nada,
os meus atos colocariam a boca no trombone.
Ainda restarias as mãos,
que tentariam um diálogo mudo.
O coração, que bateria mais forte.
O pensamento, que iria mais longe.
A imaginação, que voaria mais alto.
A esperança, que é a última que morre.
E minha poesia, para falar de amor.
1 617
Ymah Théres
Estudos
I
Vosso o ventre, vossa a mesa,
vossa a escolha e o meu amor.
Vossos todos os perfumes
que vos dei - bandeja em flor.
Vosso o riso e vossa a hora
de meu gosto e meu penhor.
Vossas, neves que já tive,
vossos, beijos, meu senhor.
Que andarilhos sonhos gastos
vos visitam, de onde vou:
minha busca, meu silêncio,
meu olhar de solidão,
minha sede de água pura,
minha mão em vossa mão.
II
Escorre do meu ventre a lassidão do viver. (não foi ontem nem hoje: é de sempre o cansaço de estar ausente do rumo dos faróis). Escorre, como uma lava, e faz sulcos no rosto e nas mãos: migalhas mortas de uma fome velha, de brinquedos esfarinhados no fundo do baú. No entanto, como acender as lanternas, na noite soturna, que alimentem, de secreto abismo, rosas temporãs?
Vosso o ventre, vossa a mesa,
vossa a escolha e o meu amor.
Vossos todos os perfumes
que vos dei - bandeja em flor.
Vosso o riso e vossa a hora
de meu gosto e meu penhor.
Vossas, neves que já tive,
vossos, beijos, meu senhor.
Que andarilhos sonhos gastos
vos visitam, de onde vou:
minha busca, meu silêncio,
meu olhar de solidão,
minha sede de água pura,
minha mão em vossa mão.
II
Escorre do meu ventre a lassidão do viver. (não foi ontem nem hoje: é de sempre o cansaço de estar ausente do rumo dos faróis). Escorre, como uma lava, e faz sulcos no rosto e nas mãos: migalhas mortas de uma fome velha, de brinquedos esfarinhados no fundo do baú. No entanto, como acender as lanternas, na noite soturna, que alimentem, de secreto abismo, rosas temporãs?
913
Viviane Gehlen
Olhares se cruzam
Olhares se cruzam
Olhares se cruzam,Olhares de medo, pavorolhares ansiosos. Angustiadosolhares que buscamcertezaspaztranqüilidade
Um Novo Ano Começa
Que o nosso olhartransmitaSegurançapazcompaixão
Que o nosso seja umOLHAR DE AMOR
Olhares se cruzam,Olhares de medo, pavorolhares ansiosos. Angustiadosolhares que buscamcertezaspaztranqüilidade
Um Novo Ano Começa
Que o nosso olhartransmitaSegurançapazcompaixão
Que o nosso seja umOLHAR DE AMOR
861
Carlos Augusto Viana
A Báscula do Desejo
1O mar inventa canteiros nos cílios das areias,
multiplica-se no marulhar do ar nos grãos de milho
move-se em murmúrios nas conchas múltiplas do alpendre.
Estilhaços da chuva na memória:
um mapa embrulhado nas pálpebras,
um cavalo singrando o arco-íris,
um girassol se contorcendo num jarro.
2Teus peitos em chamas cobrem de espumas as ilhas,
as franjas do vento inauguram temporais.
Teu corpo se derrama, enorme, sobre as dunas
que a mão dos vendavais tece no litoral de novembro.
O amor são as patas do cavalo
sobre os espelhos das campinas,
o sol incendiando a penugem do canavial,
o mapa dos olhos no escuro,
uma cidade que se despe como um calendário.
O amor é um roçado de enigmas,
claros como o silêncio dos retratos,
iniludíveis como o olhar dos bois,
ávidos
como as mãos que cavam a terra
ou os pés que namoram caminhos.
Amar é escrever teu nome
no ventre de uma inacessível praia
onde adormecem um deus e as cordas de uma guitarra.
Amar é escrever teu nome
como se escreve um poema sem palavras,
assim como a noite se inscreve na solidão de um homem.
3O amor
se
pétala
sempre
exala
por isso
amar
não conserva arames
em suas léguas
4De teus olhos em água
saltam inscrições em fogo,
assim como existe um outro mar
que se desdobra além das ondas,
um calendário nas sombras
que se diluem nas paredes.
De teus olhos em água,
as inscrições em fogo
tingem de nova cor a paisagem
e dão às horas o enigma dos minerais.
Das inscrições em fogo,
o amor e sua linguagem de água,
o amor e suas sombras nas areias da memória.
o amor
e a escritura de seu abandono,
as tenebrosas buscas, as urtigas da dúvida,
o trigo interrompido, o gesto não pendoado,
o grão das horas a arder sob o sol das esperas.
O amor
e suas mãos que palmilham palavras,
o inatingível, o inumerável,
o que não se conhece, o que não se aprende jamais.
multiplica-se no marulhar do ar nos grãos de milho
move-se em murmúrios nas conchas múltiplas do alpendre.
Estilhaços da chuva na memória:
um mapa embrulhado nas pálpebras,
um cavalo singrando o arco-íris,
um girassol se contorcendo num jarro.
2Teus peitos em chamas cobrem de espumas as ilhas,
as franjas do vento inauguram temporais.
Teu corpo se derrama, enorme, sobre as dunas
que a mão dos vendavais tece no litoral de novembro.
O amor são as patas do cavalo
sobre os espelhos das campinas,
o sol incendiando a penugem do canavial,
o mapa dos olhos no escuro,
uma cidade que se despe como um calendário.
O amor é um roçado de enigmas,
claros como o silêncio dos retratos,
iniludíveis como o olhar dos bois,
ávidos
como as mãos que cavam a terra
ou os pés que namoram caminhos.
Amar é escrever teu nome
no ventre de uma inacessível praia
onde adormecem um deus e as cordas de uma guitarra.
Amar é escrever teu nome
como se escreve um poema sem palavras,
assim como a noite se inscreve na solidão de um homem.
3O amor
se
pétala
sempre
exala
por isso
amar
não conserva arames
em suas léguas
4De teus olhos em água
saltam inscrições em fogo,
assim como existe um outro mar
que se desdobra além das ondas,
um calendário nas sombras
que se diluem nas paredes.
De teus olhos em água,
as inscrições em fogo
tingem de nova cor a paisagem
e dão às horas o enigma dos minerais.
Das inscrições em fogo,
o amor e sua linguagem de água,
o amor e suas sombras nas areias da memória.
o amor
e a escritura de seu abandono,
as tenebrosas buscas, as urtigas da dúvida,
o trigo interrompido, o gesto não pendoado,
o grão das horas a arder sob o sol das esperas.
O amor
e suas mãos que palmilham palavras,
o inatingível, o inumerável,
o que não se conhece, o que não se aprende jamais.
1 559
Eduardo Dominguez Trindade
O Sonho
Eu sigo a sombra fugaz de um sonho,
Eu sigo um lindo sonho que morreu…
Toda a força do meu corpo ponho
Na busca infinita do sonho meu!
Este fúlgido sonho que sigo
É o sonho do nosso amor passado;
É o sonho que sonhei contigo,
quando tu estavas ao meu lado…
No meu sonho, a vida era alegria:
Era poder ver-te todo dia;
Ver teu olhar límpido e risonho.
Mas hoje, só resta a saudade.
Minha única felicidade
É acreditar neste meu sonho!
3 de janeiro de 1996.
Eu sigo um lindo sonho que morreu…
Toda a força do meu corpo ponho
Na busca infinita do sonho meu!
Este fúlgido sonho que sigo
É o sonho do nosso amor passado;
É o sonho que sonhei contigo,
quando tu estavas ao meu lado…
No meu sonho, a vida era alegria:
Era poder ver-te todo dia;
Ver teu olhar límpido e risonho.
Mas hoje, só resta a saudade.
Minha única felicidade
É acreditar neste meu sonho!
3 de janeiro de 1996.
1 018
Valdir L. Queiroz
Dissertação
Tenho medo
medo de flor do deserto
que teme o olhar do jardineiro
e ama os olhos do abutre.
tenho amor
amor de flor que "nasce"
no asfalto;
amor de peixe que "vive"
em aquário;
amor de pássaro que "morre"
em gaiola;
amor de gente que espera
outrora.
medo de flor do deserto
que teme o olhar do jardineiro
e ama os olhos do abutre.
tenho amor
amor de flor que "nasce"
no asfalto;
amor de peixe que "vive"
em aquário;
amor de pássaro que "morre"
em gaiola;
amor de gente que espera
outrora.
710
Valentim Magalhães
Íntimo
Esta alegria loura, corajosa,
Que é como um grande escudo, de ouro feito,
E faz que à Vida a escada pedregosa
Eu suba sem pavor, calmo e direito,
Me vem da tua boca perfumosa,
Arqueada, como um céu, sobre o meu peito:
Constelando-o de beijos cor de rosa,
Ungindo-o de um sorriso satisfeito...
A imaculada pomba da Ventura
Espreita-nos, o verde olhar abrindo,
Aninhada em teu cesto de costura;
Trina um canário na gaiola, inquieto;
A cambraia sutil feres, sorrindo,
E eu, sorrindo, desenho este soneto.
Que é como um grande escudo, de ouro feito,
E faz que à Vida a escada pedregosa
Eu suba sem pavor, calmo e direito,
Me vem da tua boca perfumosa,
Arqueada, como um céu, sobre o meu peito:
Constelando-o de beijos cor de rosa,
Ungindo-o de um sorriso satisfeito...
A imaculada pomba da Ventura
Espreita-nos, o verde olhar abrindo,
Aninhada em teu cesto de costura;
Trina um canário na gaiola, inquieto;
A cambraia sutil feres, sorrindo,
E eu, sorrindo, desenho este soneto.
925
Teresa Tenório
Medida
a medida do amor é ser deserto
e retomar a ausência inicial
de parte da memória devorada
do inconsciente profundo
axial
porque o real do amor é fragmentar-se
No decorrer do ciclo indefinido
em espirais do tempo diluído
à lembrança inconsútil
desvelar-se
e retomar a ausência inicial
de parte da memória devorada
do inconsciente profundo
axial
porque o real do amor é fragmentar-se
No decorrer do ciclo indefinido
em espirais do tempo diluído
à lembrança inconsútil
desvelar-se
295
Vitor Casimiro
Despista-se
Mulher da minha vida
Por que se esconde
Sei que existe
Mas onde?
Dê-me um sinal
Qualquer pista
Antes que, de tão
cansado, desista.
Por que se esconde
Sei que existe
Mas onde?
Dê-me um sinal
Qualquer pista
Antes que, de tão
cansado, desista.
681
Vespasiano Ramos
Samaritana
Piedosa gentil Samaritana:
Venho, de longe, trêmulo, bater
À vossa humilde e plácida cabana,
Pedindo alívio para o meu viver!
Sou perseguido pela sede insana
Do amor que anima e que nos faz sofrer:
Tenho sede demais, Samaritana
Tenho sede demais: quero beber!
Fugis, então, ao mísero que implora
o saciar da sede que o consome,
o saciar da sede que o devora?
Pecais, assim, Samaritana! Vede:
— Filhos, dai de comer a quem tem fome,
Filhos, dai de beber a quem tem sede.
Venho, de longe, trêmulo, bater
À vossa humilde e plácida cabana,
Pedindo alívio para o meu viver!
Sou perseguido pela sede insana
Do amor que anima e que nos faz sofrer:
Tenho sede demais, Samaritana
Tenho sede demais: quero beber!
Fugis, então, ao mísero que implora
o saciar da sede que o consome,
o saciar da sede que o devora?
Pecais, assim, Samaritana! Vede:
— Filhos, dai de comer a quem tem fome,
Filhos, dai de beber a quem tem sede.
1 961
Viviane Gehlen
Amor
Amor
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
No vazio da solidão,
a busca de uma palavra,
qualquer palavra....
No meio de tantas palavras
uma soa mais forte....
No meio de tantas vozes
uma ressoa no coração....
palavras que descrevem sentimentos
emoções
sonhos
Palavras, tantas
se cruzando
se encontrando
se confundindo
Depois uma voz
dizendo palavras
doces
suaves
amargas
tristes
sentimentais
emocionais
Sonhos compartilhados
dores divididas
solidão preenchida
Depois um corpo
olhos
boca
mãos
O toque
o beijo
a sensação
o sabor
o cheiro
a realização
Planos para o futuro
o futuro ao alcance da mão
Felicidade....
729
Eduardo Dominguez Trindade
A Rua
"Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos."
Carlos Drummond de Andrade
Quando sonho, imagino uma rua,
Uma rua simples, deserta, morta,
Iluminada ao clarão da lua,
Onde não há aberta nenhuma porta.
Essa rua não passa em nenhum lugar,
Ela passa apenas no meu sonho…
Ela passa onde quero vagar,
Ela passa por um país tristonho…
Essa rua passa em Londres ou Paris,
E por Porto Alegre passa sempre:
Essa rua é a que eu sempre quis!
Nessa rua nasceram meus amores,
Também nela morreram para sempre…
Chamo essa rua de Doutor das Dores…
P. Alegre, 22 de janeiro de 1996.
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos."
Carlos Drummond de Andrade
Quando sonho, imagino uma rua,
Uma rua simples, deserta, morta,
Iluminada ao clarão da lua,
Onde não há aberta nenhuma porta.
Essa rua não passa em nenhum lugar,
Ela passa apenas no meu sonho…
Ela passa onde quero vagar,
Ela passa por um país tristonho…
Essa rua passa em Londres ou Paris,
E por Porto Alegre passa sempre:
Essa rua é a que eu sempre quis!
Nessa rua nasceram meus amores,
Também nela morreram para sempre…
Chamo essa rua de Doutor das Dores…
P. Alegre, 22 de janeiro de 1996.
906
Eduardo Dominguez Trindade
Declaração
Quando vejo o teu rosto,
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
860
Vespasiano Ramos
Ânsia Maldita
Ninguém mais do que tu saberá quanto
Padeço, agora! e, em lágrima, advinha
A minhaalma apagar-se, neste pranto,
Beatriz! Alma em flor! Suave encanto,
Que me salvar, pensei, dos altos, vinha:
O quanto peno, o quanto sofro, enquanto
Imagino que nunca serás minha!
Foram, por ti, as lágrimas que os olhos
Meus derramaram! só por ti, somente
Que minhalma, do Amor contra os escolhos,
Há de, convulsa, soluçar, um dia,
A derradeira lágrima pungente
E o derradeiro grito de agonia!
Padeço, agora! e, em lágrima, advinha
A minhaalma apagar-se, neste pranto,
Beatriz! Alma em flor! Suave encanto,
Que me salvar, pensei, dos altos, vinha:
O quanto peno, o quanto sofro, enquanto
Imagino que nunca serás minha!
Foram, por ti, as lágrimas que os olhos
Meus derramaram! só por ti, somente
Que minhalma, do Amor contra os escolhos,
Há de, convulsa, soluçar, um dia,
A derradeira lágrima pungente
E o derradeiro grito de agonia!
1 370
Valdir L. Queiroz
Dissertação III
Também te vi sobre a colisão
dos desejos;
te vi com aspecto de
amor imoral
te vi corroendo o orgulho
e alcançando a incógnita
te vi de sol pintada
de penumbra coberta e
de orgasmo sofrido
te vi de vontade imperfeita
e de amor engolida
também te vi, no meu espelho
inacabado naquela noite de sol
sem pincel e luar qual gaivota
sem mar.
te vi.
dos desejos;
te vi com aspecto de
amor imoral
te vi corroendo o orgulho
e alcançando a incógnita
te vi de sol pintada
de penumbra coberta e
de orgasmo sofrido
te vi de vontade imperfeita
e de amor engolida
também te vi, no meu espelho
inacabado naquela noite de sol
sem pincel e luar qual gaivota
sem mar.
te vi.
851
Vitor L. Mendes
Poemas ao Vento
A poesia cavalga no sopro do vento.
Nada existe em seu caminho, que possa se esconder.
Nada escapa ao toque gélido do Minuano,
Para que o vento norte venha, logo após, aquecer.
O poema encontra voz no murmúrio do mar,
No canto dos grilos nas noites de luar
E na orquestra de pássaros ao alvorecer,
Que a natureza sempre teima em reger.
Os versos se vestem de luz na paisagem,
Na lourice alegre dos raios do sol,
Que bricam de bordar sonho e imagem
Em leves filigranas tecendo o arrebol.
Tento em vão descrever em palavras
Tudo aquilo que sinto e quero te contar,
Mas teus ouvidos se negam
E teus olhos desviam o olhar.
Quem sabe teu coração venha algum dia saber,
Que o galope do poema não pode parar...
Nada existe em seu caminho, que possa se esconder.
Nada escapa ao toque gélido do Minuano,
Para que o vento norte venha, logo após, aquecer.
O poema encontra voz no murmúrio do mar,
No canto dos grilos nas noites de luar
E na orquestra de pássaros ao alvorecer,
Que a natureza sempre teima em reger.
Os versos se vestem de luz na paisagem,
Na lourice alegre dos raios do sol,
Que bricam de bordar sonho e imagem
Em leves filigranas tecendo o arrebol.
Tento em vão descrever em palavras
Tudo aquilo que sinto e quero te contar,
Mas teus ouvidos se negam
E teus olhos desviam o olhar.
Quem sabe teu coração venha algum dia saber,
Que o galope do poema não pode parar...
1 025
Salette Tavares
Amor Silêncio
Amor silêncio amargo a roçar-me a morte
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
1 525
Português
English
Español