Desejo

Poemas neste tema

Leila Mícollis

Leila Mícollis

Poema para os teus seios

Cerro olhos pra não ver,
e mãos pra não apalpar,
e bocas pra não chupar
teus seios.
Desejo beber teu leite,
azeite de oliva branca,
e provar com minha língua
o macio do teu peito.
E se em inútil trabalho
te afasta a blusa de mim,
eu, por inúmeros meios,
cerro olhos para ver
e bocas para chupar
teus seios.

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Friederich von Logau

Friederich von Logau

A boa dieta

Carlota dissera ao seu doutor
Que lhe agradava, de manhã, fazer amor,
Embora à noite a coisa fosse mais sadia.
Sendo ela prudente, resolveu
Fazê-lo duas vezes ao dia:
De manhã, por prazer
De noite, por dever.

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Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta

Gozo IV

Que tenhas de mim
o contorno incerto
acertado nas linhas do
teu corpo

os dentes nos lóbulos e no pescoço
os lábios
a língua a cobrirem os ombros

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Liz Christine

Liz Christine

Trufas

Amanhecendo Clareando

E eu aqui vagando
Trufas devorando
Em você pensando

Se escolher
possível fosse
Não seria exatamente

Trufa a ser devorada
Seria claro
Você a ser beijada

Agarrada Mastigada
Amassada
Coitada!

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Liz Christine

Liz Christine

Hímem

Era uma vez um hímem...
Que não sangrou
Ao ser rompido
Inocência perdida
Adorei ser corrompida
Era uma vez um hímem...
Um hímem rompido
Seu desejo atendido
Em mim nada mudou
Meu hímem que se foi
E nada levou
Foi uma dorzinha desagradável
(mas não insuportável)
Fortalecendo a relação
Ficando intacta nossa paixão

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Henry Corrêa de Araújo

Henry Corrêa de Araújo

Olho a olho

procuro
onde teu corpo
no escuro

frente a frente
concentro
onde melhor
te adentro

palmo a palmo
penetro
onde animal
te adestro

corpo a corpo
te sugo
onde mulher
o teu suco

pouco a pouco
retorno
à condição
vegetal.

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Sergio Hartenberg

Sergio Hartenberg

Gazela

O que desejo
quando entro em tua carne,
é te rasgar TODA
(pra acalmar
a imensa ANGÚSTIA
de você não ser minha).
Gemer de excitação,
com essas caras, línguas e bocas,
apenas aguça minha RAIVA.
INFINITA
desse gozo
tão efêmero...

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José Honório

José Honório

Comer cu, chupar bocetatem homem que aprecia

Glosa:

No campo da sacanagem
enquanto uns dão outros comem
entre a mulher e o homem
quem mais goza tem vantagem
o prazer é uma viagem
que não precisa de guia
a mulher que não é fria
chupa, dá, toca punheta
COMER CU, CHUPAR BUCETA
TEM HOMEM QUE APRECIA.

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Marilena Gomes Ribeiro

Marilena Gomes Ribeiro

Acaso

Teus lábios sem querer
roçaram os meus
na hora da despedida.
Não houve o beijo;
apenas o rubor
das nossas faces,
o coração
pulando como um louco
por tão pouco

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Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta

Gozo III

Põe meu amor
teu preceito

teu pénis
meu pão tão cedo
de vestir e de enfeitar
espasmos tomados por dentro

e guarnecer o deitar
daquilo que vou gemendo

Meu amor
por me habitares
com jeito de teu
invento

ou com raiva
de gritares
quando te monto e me fendo

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Age de Carvalho

Age de Carvalho

Vermelho

Tua,
de seda e feno
no transe da metáfora
a fenda soletrada-sol,
vala de luz, vocabulário

Tua, folhagem. O
olho
alcança o Olho,
desce aos infernos:

sonha o cabelo da urna,
o vermelho
da cifra, a ferida
no centro da fogueira

Tua, tua

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Astrid Cabral

Astrid Cabral

Bainha aberta

Crava em meu corpo essa espada crua.
Quero o ardor e o êxtase da luta
em que me rendo voluntária e nua.
Meu temor é a paz pós-união:
desenlace derrota solidão.

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José Honório

José Honório

Uma boceta molhadae uma pica bem dura

Glosa:

Tem coisas que só da certo
quando encontra companhia
um cego sem ter seu guia
só anda por rumo incerto
um camelo ser deserto
é uma fraca figura
pra vida ter mais doçura
a dupla mais indicada
É UMA BOCETA MOLHADA
E UMA PICA BEM DURA.

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Janice Caiafa

Janice Caiafa

Luz-sem luz

Meia-lua escura
na unha é anel
de musa, ao céu
é ranhura de luz
no sexo marca difusa
vala ventosa que suga
com ar rarefeito

Palma acidental só vulto
varia vertente convulsa
versátil em ondas em outra
de uma estrela
ausente veluda
o rastro de pontas.

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Stela Fonseca

Stela Fonseca

Prazer e êxtase

O prazer se
faz em êxtase:
quando o
meu corpo,
feito água,
descobre
todos os
caminhos
do seu.
E deixa-se
ficar
onde você
mergulha em
mim.

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Regina de Fontenelle

Regina de Fontenelle

A cor da paixão

Em desejo possuída
se joga,
se rasga,
se estraga
contra os móveis,
sobre as plantas,
entremuros,
se vê fera,
se faz cadela,
se morde serpente,
ferida em seu desvario
no mais escondido recanto do seu bem-querer,
no seu coração perple o e ávido
que ela desfibra devagar.

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Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Deixa a mão

Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.

Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.

Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.

A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.

De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.

Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.

A boca sobre a boca nevava.

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Amparo Jimenez

Amparo Jimenez

Entrega

Una ola rompe violenta
en la playa de nuestros cuerpos
nos inunda un rugido de mar
contra las rocas.
Al retirarse,
lenta,
nos deja una brisa erótica
que nos envuelve
uniéndonos
para siempre
en un beso.

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Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Desde a aurora

Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,
entre os veios do sono
e da memória procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:
vai entrar o vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:
é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago a bago:vais surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro.

Sou eu, desde a aurora,
eu-a terra-que te procuro.

de Obscuro Domínio
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Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Ignoro o que seja a flor da água

mas conheço o seu aroma:
depois das primeiras chuvas
sobe ao terraço,
entra nu pela varanda,
o corpo inda molhado
procura o nosso corpo e começa a tremer:
então é como se na sua boca
um resto de imortalidade
nos fosse dado a beber,
e toda a música da terra,
toda a música do céu fosse nossa,
até ao fim do mundo,
até amanhecer.

de Branco No Branco
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Marcial

Marcial

Tu depilas o peito

II,62

Tu depilas o peito, as pernas e os braços,
à volta do caralho cortas o pêlo curto,
para agradar, Labieno (quem o ignora?) à tua amante.
Mas a quem queres tu agradar, Labieno, ao depilar o cu?

III,71

Dói o caralho ao teu escravo
E a ti, Névolo, o cu.
Mesmo sem ser adivinho
sei bem de que raça és tu!

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Almeida Garrett

Almeida Garrett

com a polpa dos dedos

com
a polpa
dos dedos
abro
o teu sorriso
gota
a
gota

até desmoronar
as vigas
dos meus olhos

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Carlos Fino

Carlos Fino

a teia do olhar

as duas mãos no rosto

descrevo-te o silêncio sob os lábios
juntos
agora celebrando as delicadas sedes
e rindo sobre a haste
onde a saliva tarda

o tacto é uma arma onde o esplendor devora
os sinuosos dedos
e paira sobre o ardor
onde incendeio os pulsos

o amor é uma dança
a demolir-me o peito

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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A tua carne calma

A tua carne calma
Presente não tem ser,
Os meus desejos são cansaços.
Quem querem ter nos braços
É a ideia de te ter.


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