Memória
Poemas neste tema
Angela Santos
Entre Mundos
Que afago virá
sossegar-me o coração
e que luz por entre as brumas
me fará, por fim, saber
o sentido inaudito
do que me ata aos dias.....
eu que nada sei
eu que acordei com o sopro
e me disse com o primeiro grito
eu que resisti ao mundo,
antes de o saber azul e bordado de fragas
e entranhado de lume
não sei o que virá acordar-me
do sossego se vier ...
e que caminho acharei depois de ter caminhado
por entre urzes e gritos e o desatino do mundo.
E depois o que virá ?Sabe-lo de que me serve
se hoje é o tempo todo e isto que sou e sinto
o que devo sentir e ser.
sossegar-me o coração
e que luz por entre as brumas
me fará, por fim, saber
o sentido inaudito
do que me ata aos dias.....
eu que nada sei
eu que acordei com o sopro
e me disse com o primeiro grito
eu que resisti ao mundo,
antes de o saber azul e bordado de fragas
e entranhado de lume
não sei o que virá acordar-me
do sossego se vier ...
e que caminho acharei depois de ter caminhado
por entre urzes e gritos e o desatino do mundo.
E depois o que virá ?Sabe-lo de que me serve
se hoje é o tempo todo e isto que sou e sinto
o que devo sentir e ser.
998
Angela Santos
Jardim das Delícias
Convido-te
a entrar no meu jardim,
devagarinho, primeiro
como quem chega pé ante pé...
dou-te a provar, a cheirar, a tocar
os frutos, as flores
laranjas, a orquídea , perfeitos amores
Levo-te aos recantos onde serenos
correm leves fios de água
e é aí que lavamos lembranças, memórias
e até nossas mágoas.
Lavados e nus, o corpo e a alma
se entregam depois a uma dança antiga
de antes dos tempos
e antes da vida
Aqui não sentimos
o tempo da demora, o espaço, ou a distância
este é lugar onde Deus
juntou almas prometidas
e que aguardam o adiado enlace
que una e sele suas vidas
Juntas e enamoradas nesse jardim das delicias,
não falamos, não é preciso
nossos olhos em si descobrem
o fio que nos traz unidas.
a entrar no meu jardim,
devagarinho, primeiro
como quem chega pé ante pé...
dou-te a provar, a cheirar, a tocar
os frutos, as flores
laranjas, a orquídea , perfeitos amores
Levo-te aos recantos onde serenos
correm leves fios de água
e é aí que lavamos lembranças, memórias
e até nossas mágoas.
Lavados e nus, o corpo e a alma
se entregam depois a uma dança antiga
de antes dos tempos
e antes da vida
Aqui não sentimos
o tempo da demora, o espaço, ou a distância
este é lugar onde Deus
juntou almas prometidas
e que aguardam o adiado enlace
que una e sele suas vidas
Juntas e enamoradas nesse jardim das delicias,
não falamos, não é preciso
nossos olhos em si descobrem
o fio que nos traz unidas.
1 005
Angela Santos
Ânima
Ânima
Podem estirar-me na pedra fria
deixar-me ao relento dos dias vácuos
podem esvair-me de sonhos,
pendurar minha alma ferida
para que a escarneçam
podem saquear-me a memória
fazer-me deambular contra o destino
na total amnésia
para que de mim me esqueça
podem saquear-me a alma
mas nunca a forma que tomou
podem estilhaçar-me a vida
mas os sinais da carne viva,
não!
Aconchegada pelo mistério
mais obscuro e profundo,
eu seguirei.
Podem estirar-me na pedra fria
deixar-me ao relento dos dias vácuos
podem esvair-me de sonhos,
pendurar minha alma ferida
para que a escarneçam
podem saquear-me a memória
fazer-me deambular contra o destino
na total amnésia
para que de mim me esqueça
podem saquear-me a alma
mas nunca a forma que tomou
podem estilhaçar-me a vida
mas os sinais da carne viva,
não!
Aconchegada pelo mistério
mais obscuro e profundo,
eu seguirei.
619
Angela Santos
Estrada de Luz
Depois do assombro daqueles dias
sobre um mar de punhais feito caminho
cuidando não saber aonde iria,
secretos meus passos em busca foram
do porto onde fundear se achassem
despida dos grilhões que ao medo assomam
foi na nudez da alma reflectida
que desvendei de mim escuros cantos
onde acolhi, às vezes a alma ferida....
na estrada de luar que então se abria
por sobre um mar nocturno embarcava
toda a esperança que a aurora anuncia
depois do breu que veio sem esperar
não soube eu no instante em que ardia
a alma feita lava consumida
que dos porões cavados nesses dias
haveria de erguer-se a voz antiga
arauta do que havia de chegar....
Foi naquela hora precisa em que vieste
que os sonhos antigos se reverteram
aos olhos mergulhados na luz branca
do mistério anunciado onde jaziam
e agora são teus os passos que oiço
nos sonhos novos que em meus dias teço
e é tua a voz que vem
acordar o tempo que esperei.
sobre um mar de punhais feito caminho
cuidando não saber aonde iria,
secretos meus passos em busca foram
do porto onde fundear se achassem
despida dos grilhões que ao medo assomam
foi na nudez da alma reflectida
que desvendei de mim escuros cantos
onde acolhi, às vezes a alma ferida....
na estrada de luar que então se abria
por sobre um mar nocturno embarcava
toda a esperança que a aurora anuncia
depois do breu que veio sem esperar
não soube eu no instante em que ardia
a alma feita lava consumida
que dos porões cavados nesses dias
haveria de erguer-se a voz antiga
arauta do que havia de chegar....
Foi naquela hora precisa em que vieste
que os sonhos antigos se reverteram
aos olhos mergulhados na luz branca
do mistério anunciado onde jaziam
e agora são teus os passos que oiço
nos sonhos novos que em meus dias teço
e é tua a voz que vem
acordar o tempo que esperei.
1 051
Angela Santos
Indeléveis
Sinais
Olho
as minhas mãos,
como as mãos que em ti pousaram
nelas busco a textura,
e a vibração do corpo que tocaram...
Olho dentro dos meus olhos
e no fundo deles busco
um outro olhar que em mim vive
preso ao que vejo e ao que sinto...
Olho o meu corpo onde leio sinais
de um sol que o queimou
o mesmo sol que nos viu
de mãos dadas e olhos fitos
num belo horizonte azul
fundindo-se com o infinito
E tento chegar à alma com os olhos que ela tem
aí não vejo....só sinto
as marcas inconfundíveis
que lapidaste em mim.
Olho
as minhas mãos,
como as mãos que em ti pousaram
nelas busco a textura,
e a vibração do corpo que tocaram...
Olho dentro dos meus olhos
e no fundo deles busco
um outro olhar que em mim vive
preso ao que vejo e ao que sinto...
Olho o meu corpo onde leio sinais
de um sol que o queimou
o mesmo sol que nos viu
de mãos dadas e olhos fitos
num belo horizonte azul
fundindo-se com o infinito
E tento chegar à alma com os olhos que ela tem
aí não vejo....só sinto
as marcas inconfundíveis
que lapidaste em mim.
1 006
Angela Santos
Intacto
Ao largo estendem-se caminhos
e os sonhos que por lá andam
vêm, uma e outra vez, lembrar o tempo
preso nas fotografias, igual sempre
mas não o tempo que desfaz e ergue
esse mesmos sonhos
Adentro as memórias, intacto o coração
agita-se no lugar que digo passado
escuto o seu sopro, percorro o caminho do antes
e acordo, meus olhos são do tamanho do mundo
mas não o podem conter
Abro dentro de mim todas as janelas
a luz irrompe pelo avesso
e o coração desprende-se alheio a rumos
não posso senão buscar
o que não está aqui
o que não é ainda
o que germina no escuro
isso que brota do caos
intacto
como a primeira claridade
alguma vez.
e os sonhos que por lá andam
vêm, uma e outra vez, lembrar o tempo
preso nas fotografias, igual sempre
mas não o tempo que desfaz e ergue
esse mesmos sonhos
Adentro as memórias, intacto o coração
agita-se no lugar que digo passado
escuto o seu sopro, percorro o caminho do antes
e acordo, meus olhos são do tamanho do mundo
mas não o podem conter
Abro dentro de mim todas as janelas
a luz irrompe pelo avesso
e o coração desprende-se alheio a rumos
não posso senão buscar
o que não está aqui
o que não é ainda
o que germina no escuro
isso que brota do caos
intacto
como a primeira claridade
alguma vez.
936
Angela Santos
Ilha dos Amores
Se
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
616
Angela Santos
Adivinhação
Sei
que esse dia virá
dia em que aconteça tudo
riso, beijo, afago, amor, prazer...
e saudade, se houver ..só do futuro
sei que o dia virá
e em silencio eu vou olhar
o que era sonho dormindo
e era sonho ao acordar.....
o dia já vem
eu sei...
e um sussurro de mulher
vai-me dizer porque a quis
porque a trouxe em mim guardada
esse tempo de espera
sem medida.
que esse dia virá
dia em que aconteça tudo
riso, beijo, afago, amor, prazer...
e saudade, se houver ..só do futuro
sei que o dia virá
e em silencio eu vou olhar
o que era sonho dormindo
e era sonho ao acordar.....
o dia já vem
eu sei...
e um sussurro de mulher
vai-me dizer porque a quis
porque a trouxe em mim guardada
esse tempo de espera
sem medida.
1 011
Angela Santos
Ao Teu Alcance
Estender-te
os meus braços
para que me enlaces, num longo e doce afago…
olhar nos teus olhos para que vislumbre
aquilo que sei e o que desconheço ainda....
Estender-te o meu corpo
sobre areias finas, para me tomares
e então fazeres tua
sob um pôr de sol, ou à luz da lua
possa eu perder-me
para assim de novo me encontrar
em ti…..
Abrir-te a minha alma
para que a toques com dedos de renda,
olhos de luar
e possas , por fim ,saber, das noites em que eras sonho,
dos dias suspensos na espera
sem tempo para esperar…
E nesse momento sagrado
evoco a alma e os sentidos
olhar, sentir, e provar…o sabor de eternidade
na minúscula fracção de segundos
Perder-me para me encontrar
no turbilhão do que eu sinta
buscando depois do êxtase essa outra razão
mais funda
que me leva a atravessar a alma de um outro ser
para de novo me olhar
para de novo me Ter
os meus braços
para que me enlaces, num longo e doce afago…
olhar nos teus olhos para que vislumbre
aquilo que sei e o que desconheço ainda....
Estender-te o meu corpo
sobre areias finas, para me tomares
e então fazeres tua
sob um pôr de sol, ou à luz da lua
possa eu perder-me
para assim de novo me encontrar
em ti…..
Abrir-te a minha alma
para que a toques com dedos de renda,
olhos de luar
e possas , por fim ,saber, das noites em que eras sonho,
dos dias suspensos na espera
sem tempo para esperar…
E nesse momento sagrado
evoco a alma e os sentidos
olhar, sentir, e provar…o sabor de eternidade
na minúscula fracção de segundos
Perder-me para me encontrar
no turbilhão do que eu sinta
buscando depois do êxtase essa outra razão
mais funda
que me leva a atravessar a alma de um outro ser
para de novo me olhar
para de novo me Ter
941
Angela Santos
Ancoragem
É à noite,
a noite de latidos e silêncios,
que me chega a paz possível...
A noite de estrelas que vigiam
os olhos semi-cerrados
onde repousam os sonhos
de agora e os que hei sonhado
É á noite
que me aconchego ao tempo
flutuante da memória
e ensaio o futuro
num lanço ousado
de acrobata...
É à noite,
que o navio ancorado
aos meus dias
rompe as amarras e ao largo,
pelo vento que vem do Sul,
enfuna as velas e ruma
ao lugar de onde partiu
À noite
emerge a voz que me traz
o nome de um porto antigo
onde há-de fundear a alma
e finalmente cumprir
a rota que em si traçou.
a noite de latidos e silêncios,
que me chega a paz possível...
A noite de estrelas que vigiam
os olhos semi-cerrados
onde repousam os sonhos
de agora e os que hei sonhado
É á noite
que me aconchego ao tempo
flutuante da memória
e ensaio o futuro
num lanço ousado
de acrobata...
É à noite,
que o navio ancorado
aos meus dias
rompe as amarras e ao largo,
pelo vento que vem do Sul,
enfuna as velas e ruma
ao lugar de onde partiu
À noite
emerge a voz que me traz
o nome de um porto antigo
onde há-de fundear a alma
e finalmente cumprir
a rota que em si traçou.
1 013
Angela Santos
Clave de Sol
Naqueles dias, havia um mágico som de flauta no ar, e só nós os escutávamos,
e era de arpa o som da chuva que nos adormecia
Naqueles
dias, havia sempre sol dentro da gente e nada podia quebrar a beleza dos
momentos de simplesmente estar juntas
Aqueles
dias serão os dias de um amanhã ressurgido, os dias que guardamos no fundo
da memória, os dias tatuados em nossa pele, os dias de saciar nossa sede.
Os nossos dias serão sempre assim:
Plenos, famintos de vida, embebidos da inocente alegria das coisas grandes,
porque simples
e era de arpa o som da chuva que nos adormecia
Naqueles
dias, havia sempre sol dentro da gente e nada podia quebrar a beleza dos
momentos de simplesmente estar juntas
Aqueles
dias serão os dias de um amanhã ressurgido, os dias que guardamos no fundo
da memória, os dias tatuados em nossa pele, os dias de saciar nossa sede.
Os nossos dias serão sempre assim:
Plenos, famintos de vida, embebidos da inocente alegria das coisas grandes,
porque simples
1 207
Angela Santos
Corpo e Alma
Procuramos
ser corpo de uma outra forma
mas o corpo é feroz e felino,
e vive do toque da presa,
do calor e do sangue que lhe bebe
no corpo que se rasga em oferendas.
O corpo tem leis…
Eu quis ser corpo e alma
para um outro corpo e uma outra alma…
mas só pude ser alma
no tempo possível…
e a alma transfigurada
foi sangue, vísceras, músculo, estertor
pulsão, êxtase
para aquele corpo e aquela alma
e aquele corpo e alma
não pôde ser alma,
no tempo em que só almas transfigurando-se
podíamos ser.
ser corpo de uma outra forma
mas o corpo é feroz e felino,
e vive do toque da presa,
do calor e do sangue que lhe bebe
no corpo que se rasga em oferendas.
O corpo tem leis…
Eu quis ser corpo e alma
para um outro corpo e uma outra alma…
mas só pude ser alma
no tempo possível…
e a alma transfigurada
foi sangue, vísceras, músculo, estertor
pulsão, êxtase
para aquele corpo e aquela alma
e aquele corpo e alma
não pôde ser alma,
no tempo em que só almas transfigurando-se
podíamos ser.
1 001
Angela Santos
Sinais
Nas
dobras dos lençois
gravadas as marcas
do amor que fizemos
No ar, inaudíveis, agora
suspiros e o cheiro a nós
rondando os lugares
onde nos amamos
No corpo, sentida a ausência
de uma na outra
partes unas que se buscam
à força de uma razão
que não se sabe
Nos olhos, nos nossos
Que se irmanam
o muito que dissemos
sem uma palavra ousar
E no coração,
no meu coração inquieto
Voga imensa, a saudade
barca que de novo sente
o ímpeto que a lança
em busca do teu mar.
dobras dos lençois
gravadas as marcas
do amor que fizemos
No ar, inaudíveis, agora
suspiros e o cheiro a nós
rondando os lugares
onde nos amamos
No corpo, sentida a ausência
de uma na outra
partes unas que se buscam
à força de uma razão
que não se sabe
Nos olhos, nos nossos
Que se irmanam
o muito que dissemos
sem uma palavra ousar
E no coração,
no meu coração inquieto
Voga imensa, a saudade
barca que de novo sente
o ímpeto que a lança
em busca do teu mar.
1 143
Angela Santos
Os Olhos do Tempo
Espraiam-se
meus gestos
insinuando desejos que se calam à passagem
do tempo em mim,
mas teimo ainda ser e acreditar
Desfio esperas e no meu regaço
silencio suspiros,
e é na brancura de um certo vazio
que ensaio abraços
perdidos na noite
que se deita a meu lado
E fico pensando
num pássaro que risca
breve o imenso espaço,
quisera eu planar
e voar assim também…
Mas meu coração,
hoje agrilhoado
prende-me a este instante…
quero o que me enche,
quero o que me falta
tenho o que não quero
tenho o que me farta
Olho o tempo e sinto-me
ser a fiandeira do irrepetível
momento que passa
e sinto crescer dentro do meu peito
como prenhe ventre
a imensa a saudade
que não sei se mata
ou aviva a alma
meus gestos
insinuando desejos que se calam à passagem
do tempo em mim,
mas teimo ainda ser e acreditar
Desfio esperas e no meu regaço
silencio suspiros,
e é na brancura de um certo vazio
que ensaio abraços
perdidos na noite
que se deita a meu lado
E fico pensando
num pássaro que risca
breve o imenso espaço,
quisera eu planar
e voar assim também…
Mas meu coração,
hoje agrilhoado
prende-me a este instante…
quero o que me enche,
quero o que me falta
tenho o que não quero
tenho o que me farta
Olho o tempo e sinto-me
ser a fiandeira do irrepetível
momento que passa
e sinto crescer dentro do meu peito
como prenhe ventre
a imensa a saudade
que não sei se mata
ou aviva a alma
950
Angela Santos
A Contas com Deus
Há dias
em que à conversa com Deus
O chamo para o ajuste de contas....
E ainda que o Verbo seja,
Deus, não me responde!
Há dias
em que quebrando os remos
contra as vagas
cansa-me remar...
E pergunto:
quando aportarei?
E o que seja o Verbo
não me responde!
Há dias
em que não suporto as horas
e pergunto....
Até quando?
E o que seja o Verbo
o insustentável silencio me devolve
Há dias
em que o silencio aceito
e não pergunto
espero só de outro modo
saber ....
Porquê
o que seja o Verbo
o mais que perfeito
amor consentiu,
sem me doar o tempo
da sua infinita forma
conjugar?
em que à conversa com Deus
O chamo para o ajuste de contas....
E ainda que o Verbo seja,
Deus, não me responde!
Há dias
em que quebrando os remos
contra as vagas
cansa-me remar...
E pergunto:
quando aportarei?
E o que seja o Verbo
não me responde!
Há dias
em que não suporto as horas
e pergunto....
Até quando?
E o que seja o Verbo
o insustentável silencio me devolve
Há dias
em que o silencio aceito
e não pergunto
espero só de outro modo
saber ....
Porquê
o que seja o Verbo
o mais que perfeito
amor consentiu,
sem me doar o tempo
da sua infinita forma
conjugar?
1 067
Angela Santos
Tecedeira
Redes
de pescadora, eu teço
quem sabe, pescadora de palavras e sentido
Caminho, não sobre as águas
mas por dentro das palavras, e do sentir
por dentro das gentes
que abrem um sulco
e por dentro de si me deixam entretecer mais um fio
um subtil fio compondo o inegualável desenho da vida.
As palavras chegam
como? de onde? porque?
chegam...como som de riacho entre rochedos
como linho colhido para tecer brancos lençóis
onde o presente se deita
desfiando memórias...
e lançar a ponte entre os irrepetíveis
momentos do ser.
de pescadora, eu teço
quem sabe, pescadora de palavras e sentido
Caminho, não sobre as águas
mas por dentro das palavras, e do sentir
por dentro das gentes
que abrem um sulco
e por dentro de si me deixam entretecer mais um fio
um subtil fio compondo o inegualável desenho da vida.
As palavras chegam
como? de onde? porque?
chegam...como som de riacho entre rochedos
como linho colhido para tecer brancos lençóis
onde o presente se deita
desfiando memórias...
e lançar a ponte entre os irrepetíveis
momentos do ser.
1 094
Angela Santos
Depois do Amor
Cai
sobre os amantes
como diáfano manto
uma doce serenidade
depois do amor…
É como se tudo parasse
e nada mais existisse
no momento em que suspensos
ficam o mundo, as dores
e o tempo
Serenidade…
só a serenidade emana
dos corpos amantes
depois do amor
depois da explosão
que tudo aquietou.
sobre os amantes
como diáfano manto
uma doce serenidade
depois do amor…
É como se tudo parasse
e nada mais existisse
no momento em que suspensos
ficam o mundo, as dores
e o tempo
Serenidade…
só a serenidade emana
dos corpos amantes
depois do amor
depois da explosão
que tudo aquietou.
1 007
Angela Santos
Transmutação
Deixo-me
ficar na quietude
que invade o dia
e abandono-me à corrente dos sons
que assomam à flor de mim
No seio do silencio que chega
escuto teus passos,
tua voz , teu rir
tua presença inteira
suavemente me invadindo
Eu não estou só....
Eu não sou apenas eu,
todos os lugares em mim
corpo, memória alma
abrigam os teus sinais,
te amo como respiro
E vivo
ao compasso do meu eu
transfigurado em nós
ficar na quietude
que invade o dia
e abandono-me à corrente dos sons
que assomam à flor de mim
No seio do silencio que chega
escuto teus passos,
tua voz , teu rir
tua presença inteira
suavemente me invadindo
Eu não estou só....
Eu não sou apenas eu,
todos os lugares em mim
corpo, memória alma
abrigam os teus sinais,
te amo como respiro
E vivo
ao compasso do meu eu
transfigurado em nós
926
Angela Santos
Eu Não Sei
Dizer Adeus
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
1 215
Angela Santos
Rumores
Sentem-se os rumores
os gestos que anunciam
a liberdade que chega
e se faz anunciar
no tempo em que tudo irrompe
e renasce à flor da terra
E do corpo ressalta a chama
a vivacidade que sai
pelos poros, pelo coração
e uma serenidade fluida se improvisa
nos gestos em tom de azul…
Lembram - se os dias de sol
agosto vivo no meu tempo,
quando só a Primavera
emerge na sagração
E há odes de luz e som
que se derramam dos olhos
que bebem já do futuro
pressentido a cada passo
que leva mais adiante
O teu sonho em mim guardado
como corpo em gestação
este sentir já um só
este cruzar de destino
o mesmo sonho, o mesmo caminho.
os gestos que anunciam
a liberdade que chega
e se faz anunciar
no tempo em que tudo irrompe
e renasce à flor da terra
E do corpo ressalta a chama
a vivacidade que sai
pelos poros, pelo coração
e uma serenidade fluida se improvisa
nos gestos em tom de azul…
Lembram - se os dias de sol
agosto vivo no meu tempo,
quando só a Primavera
emerge na sagração
E há odes de luz e som
que se derramam dos olhos
que bebem já do futuro
pressentido a cada passo
que leva mais adiante
O teu sonho em mim guardado
como corpo em gestação
este sentir já um só
este cruzar de destino
o mesmo sonho, o mesmo caminho.
1 084
Angela Santos
Faltas-me!
Faltas-me
ainda que saciada
pelos dias plenos
da tua presença
Faltas-me
mais ainda
se não estou só
e outros acordam
a distancia em mim
Faltas-me
no tempo que desfio
em calendários
Faltas-me!..
e ainda assim te guardo
na força do meu querer
na paz que chega
se te lembro
no riso, na voz
nas marcas,
no lugar
que o sonho traça
e a que regresso!
se me faltas.
ainda que saciada
pelos dias plenos
da tua presença
Faltas-me
mais ainda
se não estou só
e outros acordam
a distancia em mim
Faltas-me
no tempo que desfio
em calendários
Faltas-me!..
e ainda assim te guardo
na força do meu querer
na paz que chega
se te lembro
no riso, na voz
nas marcas,
no lugar
que o sonho traça
e a que regresso!
se me faltas.
929
Angela Santos
Puros Sangue
Desgarra-se
do meu peito
sem freio o potro selvagem
e galopa ao compasso
do que em mim te quer e pensa...
Que de sentir e saber
é seu galope, seu trote
e à vista do puro sangue,
que em teu peito saltita
se desgarra mais ainda.
Esses dois potros selvagens,
se reconhecem no cheiro,
no galope que os parelha,
no fogo, na crina ao vento...
Selvagens potros de fogo
exaltam na liberdade
centelhas de uma outra vida....
Pégasos da nossa memória
centauros foram um dia
Livres e soltos
no teu e no meu peito desgarram,
potros de fogo, selvagens
do nosso ser a medida.
do meu peito
sem freio o potro selvagem
e galopa ao compasso
do que em mim te quer e pensa...
Que de sentir e saber
é seu galope, seu trote
e à vista do puro sangue,
que em teu peito saltita
se desgarra mais ainda.
Esses dois potros selvagens,
se reconhecem no cheiro,
no galope que os parelha,
no fogo, na crina ao vento...
Selvagens potros de fogo
exaltam na liberdade
centelhas de uma outra vida....
Pégasos da nossa memória
centauros foram um dia
Livres e soltos
no teu e no meu peito desgarram,
potros de fogo, selvagens
do nosso ser a medida.
1 044
Angela Santos
Sintonia
Na superfície do meu corpo
palmilhada pelos teus dedos
reluzem cristalinos ainda
os sinais de tuas mãos
que são de sal e suor
Das paredes e dos móveis
e até dos espaços vazios,
nos lugares por onde andamos,
na retina, e na memória
ressurge a tua presença.
E esse estares em mim
tempo de colheita
o tempo de tudo ter,
é o banquete da vida
que nos devolve ao principio
de sentir que tudo volta
a ser na sua inteireza.
E nesse estado de graça
não busco fundo nem longe
o nirvana dos ascetas,
me basta a luz que emanas
e sentir que a batida
no meu peito é igual
à pulsão que te anima.
palmilhada pelos teus dedos
reluzem cristalinos ainda
os sinais de tuas mãos
que são de sal e suor
Das paredes e dos móveis
e até dos espaços vazios,
nos lugares por onde andamos,
na retina, e na memória
ressurge a tua presença.
E esse estares em mim
tempo de colheita
o tempo de tudo ter,
é o banquete da vida
que nos devolve ao principio
de sentir que tudo volta
a ser na sua inteireza.
E nesse estado de graça
não busco fundo nem longe
o nirvana dos ascetas,
me basta a luz que emanas
e sentir que a batida
no meu peito é igual
à pulsão que te anima.
942
Fernando Tavares Rodrigues
Construção
Construir-te
verso a verso
Tijolo a tijolo de saudade.
Palácio que supuz noutra cidade,
Conquista que sofreu um vento adverso.
Cristal que me cegou quando te quis,
Luxúria do teu corpo onde não estive.
E só faltou que tu fosses feliz
Nesse intervalo breve em que te tive....
verso a verso
Tijolo a tijolo de saudade.
Palácio que supuz noutra cidade,
Conquista que sofreu um vento adverso.
Cristal que me cegou quando te quis,
Luxúria do teu corpo onde não estive.
E só faltou que tu fosses feliz
Nesse intervalo breve em que te tive....
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