Saudade e Ausência
Poemas neste tema
Halldór Laxness
Assoma, ó Lua
Assoma, ó Lua,
Por trás das nuvens!
Brilhem no céu
estrelas nocturnas!
Luzes guiadoras,
levem-me junto do meu amor
para onde ele repousa, dormindo e só.
Silenciem um pouco
ventos rugidores,
silenciem torrentes velozes,
para que meus cantos
se oiçam nas colinas das tormentas
e me tragam o meu amado.
Gente Independente, edição Cavalo de Ferro
Por trás das nuvens!
Brilhem no céu
estrelas nocturnas!
Luzes guiadoras,
levem-me junto do meu amor
para onde ele repousa, dormindo e só.
Silenciem um pouco
ventos rugidores,
silenciem torrentes velozes,
para que meus cantos
se oiçam nas colinas das tormentas
e me tragam o meu amado.
Gente Independente, edição Cavalo de Ferro
705
José Paulo Paes
CANÇÃO DO EXÍLIO FACILITADA
lá?
ah!
sabiá…
papá…
maná…
sofá…
sinhá…
cá?
bah!
ah!
sabiá…
papá…
maná…
sofá…
sinhá…
cá?
bah!
2 461
Salgado Maranhão
Desamanhecer
Agora,
na cidade da tua ausência
outro dia
desamanhece. E súplice
um grito escorre na paisagem.
Todos os lugares
são feitos do teu antes.
Da janela,
a noite chega
com as mãos vazias. E
tudo ao fim se esvai
em volta
como um tecido de ventos.
Só meu coração insiste
em erigir teu nome...
para além do esquecimento.
na cidade da tua ausência
outro dia
desamanhece. E súplice
um grito escorre na paisagem.
Todos os lugares
são feitos do teu antes.
Da janela,
a noite chega
com as mãos vazias. E
tudo ao fim se esvai
em volta
como um tecido de ventos.
Só meu coração insiste
em erigir teu nome...
para além do esquecimento.
811
Charles Bukowski
Nenhuma Sorte Nisso
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo durante os
melhores momentos
e
as maiores
épocas
nós saberemos disso
nós saberemos disso
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo durante os
melhores momentos
e
as maiores
épocas
nós saberemos disso
nós saberemos disso
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
1 223
Charles Bukowski
Não Tem Remédio Pra Isso
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
2 277
Manuel Bandeira
Visita
Fui procurar-te à última morada,
Não te encontrei. Apenas encontrei
Lousas brancas e pássaros cantando...
Teu espírito, longe, onde não sei,
Da obra na eternidade assegurada,
Sorri aos amigos, que te estão chorando.
Não te encontrei. Apenas encontrei
Lousas brancas e pássaros cantando...
Teu espírito, longe, onde não sei,
Da obra na eternidade assegurada,
Sorri aos amigos, que te estão chorando.
1 277
Manuel Bandeira
Poema para Tuquinha
Você chamou Maria Helena "o anjo lindo de Tuquinha".
Na realidade você é que é o anjo lindo de Maria Helena,
O anjo lindo de Branca,
O anjo lindo de Branquinha,
O anjo lindo de Isabel,
O anjo lindo de Manuel,
O anjo lindo de nós todos.
Reze a Deus por nós, anjo lindo: aos anjos ele atende.
Na realidade você é que é o anjo lindo de Maria Helena,
O anjo lindo de Branca,
O anjo lindo de Branquinha,
O anjo lindo de Isabel,
O anjo lindo de Manuel,
O anjo lindo de nós todos.
Reze a Deus por nós, anjo lindo: aos anjos ele atende.
1 185
Manuel Bandeira
Votos de Ano-bom
A Murilo e Saudade
Que a Murilo e Saudade vás
Levar, cartão, num grande abraço,
Meus votos de saúde e paz.
(Paz sem a pomba de Picasso.)
Que a Murilo e Saudade vás
Levar, cartão, num grande abraço,
Meus votos de saúde e paz.
(Paz sem a pomba de Picasso.)
1 122
Manuel Bandeira
Sônia Maria
Sônia, filha de Gilberto
E filha de Madalena,
Cumprirá em moça, decerto,
O que promete em pequena.
Não verei isso de perto,
Serei bem longe... Que pena!
E filha de Madalena,
Cumprirá em moça, decerto,
O que promete em pequena.
Não verei isso de perto,
Serei bem longe... Que pena!
935
Manuel Bandeira
Esparsa Triste
Jaime Ovalle, poeta, homem triste,
Faz treze anos que tu partiste
Para Londres imensa e triste.
las triste: voltaste mais triste.
Ora partes de novo. Existe
Um motivo a que não resiste
Tua tristeza, poeta, homem triste?
Queira Deus não voltes mais triste...
13 de janeiro de 1946
Faz treze anos que tu partiste
Para Londres imensa e triste.
las triste: voltaste mais triste.
Ora partes de novo. Existe
Um motivo a que não resiste
Tua tristeza, poeta, homem triste?
Queira Deus não voltes mais triste...
13 de janeiro de 1946
1 131
Marina Colasanti
ACQUA MARCIA
Em todo lugar sou estrangeira
menos na minha casa.
E mesmo na minha casa
nenhum habitante sabe
que o gosto justo da água
é aquele daquela água
que em minha terra se bebe.
menos na minha casa.
E mesmo na minha casa
nenhum habitante sabe
que o gosto justo da água
é aquele daquela água
que em minha terra se bebe.
1 520
Affonso Romano de Sant'Anna
Quando Viajas
Viajas, e desespero.
E peno.
Despassarado
vou ficando murcho
num canto, mudo.
Viajas
e me sequestras
equestre amada
onde o coração galopa galopa galopa
no meu ser paralisado
exposto
na publicada praça dos meus versos.
E peno.
Despassarado
vou ficando murcho
num canto, mudo.
Viajas
e me sequestras
equestre amada
onde o coração galopa galopa galopa
no meu ser paralisado
exposto
na publicada praça dos meus versos.
925
Pablo Neruda
XXII - A ilha
Amor, amor, oh separada minha
por tantas vezes mar como neve e distância,
mínima e misteriosa, rodeada
de eternidade, agradeço
não só teu olhar de donzela,
tua brancura oculta, rosa secreta, mas
o esplendor moral de teus estátuas,
a paz abandonada que me confiasse nas mãos:
o dia detido em tua garganta.
por tantas vezes mar como neve e distância,
mínima e misteriosa, rodeada
de eternidade, agradeço
não só teu olhar de donzela,
tua brancura oculta, rosa secreta, mas
o esplendor moral de teus estátuas,
a paz abandonada que me confiasse nas mãos:
o dia detido em tua garganta.
1 027
Pablo Neruda
IX
É o mesmo o sol de ontem
ou é outro o seu fogo?
Como agradecer às nuvens
essa abundância fugitiva?
De onde vem a nuvem densa?
com seus negros sacos de pranto?
Onde estão aqueles nomes
doces como tortas de outrora?
Para onde foram as Donaldas,
as Clorindas, as Edwigis?
ou é outro o seu fogo?
Como agradecer às nuvens
essa abundância fugitiva?
De onde vem a nuvem densa?
com seus negros sacos de pranto?
Onde estão aqueles nomes
doces como tortas de outrora?
Para onde foram as Donaldas,
as Clorindas, as Edwigis?
1 082
Pablo Neruda
XXII
Amor, amor aquele e aquela,
se já não são, para onde foram?
Ontem, ontem disse a meus olhos
quando voltaremos a ver-nos?
E quando se muda a paisagem
são tuas mãos ou tuas luvas?
Quando canta o azul da água
como foge o rumor do céu?
se já não são, para onde foram?
Ontem, ontem disse a meus olhos
quando voltaremos a ver-nos?
E quando se muda a paisagem
são tuas mãos ou tuas luvas?
Quando canta o azul da água
como foge o rumor do céu?
580
Ana Martins Marques
guarda-roupa
seu vestido de verão
sem você dentro
não é um vestido de verão
porque no vestido o verão
era você
Da série “Arquitetura de interiores”
sem você dentro
não é um vestido de verão
porque no vestido o verão
era você
Da série “Arquitetura de interiores”
1 114
José Saramago
Aniversário
Pai, que não conheci (pois conhecer não é
Este engano de dias paralelos,
Este tocar de corpos distraídos,
Estas palavras vagas que disfarçam
O intransponível muro):
Já nada me dirás, e eu não pergunto.
Olho, calado, a sombra que chamei
E aceito o futuro.
Este engano de dias paralelos,
Este tocar de corpos distraídos,
Estas palavras vagas que disfarçam
O intransponível muro):
Já nada me dirás, e eu não pergunto.
Olho, calado, a sombra que chamei
E aceito o futuro.
1 198
José Saramago
Romeu a Julieta
Eu vou amor, mas deixo cá a vida,
No calor desta cama que abandono,
Areia dispersada que foi duna.
Se a noite se fez dia, e com a luz
O negro afastamento se interpõe,
A escuridão da morte nos reúna.
No calor desta cama que abandono,
Areia dispersada que foi duna.
Se a noite se fez dia, e com a luz
O negro afastamento se interpõe,
A escuridão da morte nos reúna.
1 165
José Saramago
Lembrança de João Roiz de Castel’Branco
Não os meus olhos, senhora, mas os vossos,
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.
Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.
Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.
1 462
Vinicius de Moraes
Lápide de Sinhazinha Ferreira
A vida sossega
Lírios em repouso
Adormecestes cega
Na visão do esposo.
A paixão é pouso
Que a treva não nega
A morte carrega
E o sono dá gozo.
Não vos vejo em paz
Nem vos penso bem
Na minha saudade.
Sinto que vagais
Ao lado de alguém
Pela eternidade.
Lírios em repouso
Adormecestes cega
Na visão do esposo.
A paixão é pouso
Que a treva não nega
A morte carrega
E o sono dá gozo.
Não vos vejo em paz
Nem vos penso bem
Na minha saudade.
Sinto que vagais
Ao lado de alguém
Pela eternidade.
1 092
Martha Medeiros
no mesmo vagão, eu e alguém
no mesmo vagão, eu e alguém
conversa vai, conversa vem
chega a estação
lembrança vai, lembrança vem
meu coração
até hoje não desceu do trem
conversa vai, conversa vem
chega a estação
lembrança vai, lembrança vem
meu coração
até hoje não desceu do trem
1 262
Martha Medeiros
era verão ou qualquer troço assim
era verão ou qualquer troço assim
lua cheia ou algo parecido
uma saudade ou quase a mesma coisa
era amor ou mais ou menos isso
lua cheia ou algo parecido
uma saudade ou quase a mesma coisa
era amor ou mais ou menos isso
1 072
Martha Medeiros
ficas mais distante, cada dia
ficas mais distante, cada dia
cada noite, mais ausente
mais idoso, cada mês
cada instante, mais alheio
cada beijo, mais decente
mais fumante, cada ano
cada encontro, mais estranho
mais sofrido, cada vez
mais dolorido, mais parente
menos meu
cada noite, mais ausente
mais idoso, cada mês
cada instante, mais alheio
cada beijo, mais decente
mais fumante, cada ano
cada encontro, mais estranho
mais sofrido, cada vez
mais dolorido, mais parente
menos meu
1 180
Martha Medeiros
tenho náuseas
tenho náuseas
e nostalgia
tomei uma aspirina
e a febre não passou
reli a tua carta
e quase morri de dor
e nostalgia
tomei uma aspirina
e a febre não passou
reli a tua carta
e quase morri de dor
1 009
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