Serenidade e Paz Interior
Poemas neste tema
António Ramos Rosa
Mediadora da Presença
E continua o fogo aqui
o fogo tácito
no seu som de espaço abrindo.
Aqui tão só aqui
o prodígio verde de um início
inesperado. Que frágil
a folhagem
e como abriga a veemência
da vigília. O simples
estar aqui
deixa livre a ausência.
A presença confunde-se com o vazio exacto.
o fogo tácito
no seu som de espaço abrindo.
Aqui tão só aqui
o prodígio verde de um início
inesperado. Que frágil
a folhagem
e como abriga a veemência
da vigília. O simples
estar aqui
deixa livre a ausência.
A presença confunde-se com o vazio exacto.
963
António Ramos Rosa
Sem Desígnios Sem Pedir Transparências
Sem desígnios sem pedir transparências
procurar a estância nula.
Onde a afirmação sem fundo
onde secreta continua a linha
cuja vibração se esvai
até ao princípio onde se respira sem desígnios.
procurar a estância nula.
Onde a afirmação sem fundo
onde secreta continua a linha
cuja vibração se esvai
até ao princípio onde se respira sem desígnios.
1 004
António Ramos Rosa
No Côncavo da Sombra Sem Domínio
No côncavo da sombra sem domínio
aderindo ao integral inominado
a inocência flui apagando o seu fluxo
na igualdade do incontido fundo.
aderindo ao integral inominado
a inocência flui apagando o seu fluxo
na igualdade do incontido fundo.
987
António Ramos Rosa
Na Cavidade da Simplicidade
Na cavidade da simplicidade
deslizando no imóvel
somos animais marinhos de uma delícia verde.
deslizando no imóvel
somos animais marinhos de uma delícia verde.
515
António Ramos Rosa
O Que Desperta E É Um Reino Suave
O que desperta e é um reino suave
já sem máscaras vazio sombrio ainda
não há escolha para ser ali há a leveza
do que não existe a semelhança nasce.
já sem máscaras vazio sombrio ainda
não há escolha para ser ali há a leveza
do que não existe a semelhança nasce.
1 073
António Ramos Rosa
Na Nudez do Labirinto
Na nudez do labirinto
ouvimos
o simples estar aqui.
ouvimos
o simples estar aqui.
1 081
António Ramos Rosa
Impenetrável Gérmen Que Adormece
Impenetrável gérmen que adormece
no livre abandono de uma pálpebra.
Lento equilíbrio que suporta
o súbito vagar do ar.
no livre abandono de uma pálpebra.
Lento equilíbrio que suporta
o súbito vagar do ar.
1 110
António Ramos Rosa
Já Não Há Desespero Onde Desperta
Já não há desespero onde desperta
o sabor da atenção. A vigília
abre a estância à cabeleira clara.
Suave é a sombra do intacto arcano.
o sabor da atenção. A vigília
abre a estância à cabeleira clara.
Suave é a sombra do intacto arcano.
976
António Ramos Rosa
Sedentos de Repouso E do Início
Sedentos de repouso e do início
buscando a esperança nas vogais
outro sentido sentindo ao nível do ar
saboreando o simples na densidade límpida.
buscando a esperança nas vogais
outro sentido sentindo ao nível do ar
saboreando o simples na densidade límpida.
1 038
António Ramos Rosa
Meditar a Pausa do Acaso Feliz
Meditar a pausa do acaso feliz.
Uma ordem dócil, subterrânea, fiel.
As formas ondulam na morada simples.
Uma efusão nasce do emergir de um mundo.
Uma ordem dócil, subterrânea, fiel.
As formas ondulam na morada simples.
Uma efusão nasce do emergir de um mundo.
918
António Ramos Rosa
Sentindo o Liso da Madeira, o Bosque
Sentindo o liso da madeira, o bosque
submerso, tranquilamente acesos,
continuando na corrente verde e côncava
outra forma do silêncio na morada
com o silêncio denso sobre as pálpebras.
submerso, tranquilamente acesos,
continuando na corrente verde e côncava
outra forma do silêncio na morada
com o silêncio denso sobre as pálpebras.
1 086
António Ramos Rosa
Entre Mar E Sombra a Delícia
Entre mar e sombra a delícia
de um vento que abre um espaço original.
de um vento que abre um espaço original.
461
António Ramos Rosa
Habitando a Paciência da Ondulada
Habitando a paciência da ondulada
sombra vibramos numa rede
de veemências suaves de sabores secretos
e sentimos a terra deslizando connosco.
sombra vibramos numa rede
de veemências suaves de sabores secretos
e sentimos a terra deslizando connosco.
927
António Ramos Rosa
Gravitação Total Em Torno
Gravitação total em torno
de um contorno adormecido, forma ausente
de uma dança germinal que se retrai,
carícia de um sono imaculado.
de um contorno adormecido, forma ausente
de uma dança germinal que se retrai,
carícia de um sono imaculado.
948
António Ramos Rosa
É o Lugar. As Cores Rodam
É o lugar. As cores rodam
no silêncio, um leque branco.
Não mais nomes que não se reinventem,
sentindo a delicadeza do ar,
o dorso fascinante tão próximo e longínquo.
no silêncio, um leque branco.
Não mais nomes que não se reinventem,
sentindo a delicadeza do ar,
o dorso fascinante tão próximo e longínquo.
987
António Ramos Rosa
Generosa É a Lentidão Que Rasga
Generosa é a lentidão que rasga
o gesto que suporta de frente
a dimensão propícia do vazio.
O fundo pronuncia um animal de ternura.
o gesto que suporta de frente
a dimensão propícia do vazio.
O fundo pronuncia um animal de ternura.
894
António Ramos Rosa
Ao Sabor do Mundo, Na Deriva
Ao sabor do mundo, na deriva
que conduz aos confins do advir
o que inicia em suaves surpresas
até que o silêncio seja um puro acorde
de estar no sustentáculo ilimitado.
que conduz aos confins do advir
o que inicia em suaves surpresas
até que o silêncio seja um puro acorde
de estar no sustentáculo ilimitado.
883
António Ramos Rosa
Num Repouso de Fundura Agreste
Num repouso de fundura agreste
na ressonância suave da folhagem
encontrar as mais simples palavras
entreabrir as portas mais serenas.
na ressonância suave da folhagem
encontrar as mais simples palavras
entreabrir as portas mais serenas.
1 084
António Ramos Rosa
Generosidade Nos Flancos Lisos
Generosidade nos flancos lisos
do que dura num voo firme.
Sinuosidades de um insondável estar
na contínua corrente iniciando
o sabor de um abrigo imponderável.
do que dura num voo firme.
Sinuosidades de um insondável estar
na contínua corrente iniciando
o sabor de um abrigo imponderável.
1 017
António Ramos Rosa
A Mão Silenciosa Percorre o Dorso Cálido
A mão silenciosa percorre o dorso cálido
que é um adormecer contínuo nos limites.
Nada mais que terra e solidão solar.
Nada treme e tudo está suspenso no vazio.
Nada se diz. É o silêncio da palavra.
que é um adormecer contínuo nos limites.
Nada mais que terra e solidão solar.
Nada treme e tudo está suspenso no vazio.
Nada se diz. É o silêncio da palavra.
1 053
António Ramos Rosa
Uma Felicidade Nos Dedos
Uma felicidade nos dedos
um fluir cálido o sol
captado no repouso sobre a mesa
e escrito aqui um sol tão rápido
Nada se separa sob os dedos
ignorantes da divisão do vidro
E se o pássaro fica
sem o canto
não o sabem os dedos
Eles deslizam sobre a superfície
na absoluta densidade indesvendável
um fluir cálido o sol
captado no repouso sobre a mesa
e escrito aqui um sol tão rápido
Nada se separa sob os dedos
ignorantes da divisão do vidro
E se o pássaro fica
sem o canto
não o sabem os dedos
Eles deslizam sobre a superfície
na absoluta densidade indesvendável
1 061
António Ramos Rosa
O Movimento do Repouso
O movimento do repouso
a trama do sol sem figura
o vento ou o sol
ou talvez
o sopro do sol
um sopro quente perdido
tão rápido no silêncio sob as árvores
a trama do sol sem figura
o vento ou o sol
ou talvez
o sopro do sol
um sopro quente perdido
tão rápido no silêncio sob as árvores
1 106
António Ramos Rosa
A Sombra do Vento
A sombra do vento
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
513
António Ramos Rosa
As Palavras Brancas do Ar
As palavras brancas do ar
aqui
no cimo plano
aqui
no cimo plano
974
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