Separação e fim de relação
Poemas neste tema
Antero Coelho Neto
Agora Tenho que Partir
Agora tenho de partir
para longe e sempre
sem nunca mais voltar.
Eu devo novamente fugir
como tantas vezes durante a vida
indo embora sem chorar
depois de outra luta perdida.
Parto mas hoje eu sei
que jamais voltarei
aqui ou a qualquer lugar.
para longe e sempre
sem nunca mais voltar.
Eu devo novamente fugir
como tantas vezes durante a vida
indo embora sem chorar
depois de outra luta perdida.
Parto mas hoje eu sei
que jamais voltarei
aqui ou a qualquer lugar.
1 206
Lord Byron
SO, WELL GO NO MORE A-ROVING
Não mais prazer nos daremos
até a noite acabar,
se bem que inda nos amemos
e como antes brilhe o luar.
A espada à bainha gasta,
as almas cansam o seio.
Coração que não se afasta
pode até ficar em meio.
Para o amor a noite é feita,
e depressa chega o dia.
Mas o prazer nos enjeita
à luz da lua sombria.
até a noite acabar,
se bem que inda nos amemos
e como antes brilhe o luar.
A espada à bainha gasta,
as almas cansam o seio.
Coração que não se afasta
pode até ficar em meio.
Para o amor a noite é feita,
e depressa chega o dia.
Mas o prazer nos enjeita
à luz da lua sombria.
1 152
Paul Celan
DO AZUL
DO AZUL,que ainda busca o seu olho,bebo eu em primeiro lugar.
Da marca do teu pé bebo eu e vejo:
rolas-me entre os dedos,pérola,e cresces!
Cresces como todos os que foram esquecidos.
Rolas:o granizo preto da melancolia
cai num lenço,todo branco de dizer adeus.
(tradução
de João Barrento e y.k.Centeno)
Da marca do teu pé bebo eu e vejo:
rolas-me entre os dedos,pérola,e cresces!
Cresces como todos os que foram esquecidos.
Rolas:o granizo preto da melancolia
cai num lenço,todo branco de dizer adeus.
(tradução
de João Barrento e y.k.Centeno)
1 151
Aldir Blanc
Desencontro Marcado
Da série "Árias para folha de fícus" - I
É, não vem,
não vou.
Deixa pra lá,
depois se vê.
Você queima
e eu não ponho
a mão no fogo por você.
É, não vem,
não vou.
Deixa pra lá,
depois se vê.
Você queima
e eu não ponho
a mão no fogo por você.
1 526
Aldir Blanc
Lamas
Da série "Árias para folha de fícus" - II
Ter coragem de olhar
pela última vez
e mentir calmamente:
quem sabe?... Talvez...
como se a última vez
ficasse pra outra vez
Ter coragem de olhar
pela última vez
e mentir calmamente:
quem sabe?... Talvez...
como se a última vez
ficasse pra outra vez
1 334
Jaumir Valença da Silveira
Fluminense FM
O sol, o céu e o sal;
onda cobrindo a areia.
Calçada, porrada, breu,
cerveja noite adentro.
Segredo tanto eu tenho,
só você que escutava,
acho que agora eu morro
um pouco sem tua voz
ouvido, garganta, língua,
sobra um pouco de nada.
Saudade de quem te acredita.
Adeus,
maldita.
onda cobrindo a areia.
Calçada, porrada, breu,
cerveja noite adentro.
Segredo tanto eu tenho,
só você que escutava,
acho que agora eu morro
um pouco sem tua voz
ouvido, garganta, língua,
sobra um pouco de nada.
Saudade de quem te acredita.
Adeus,
maldita.
918
Paulo Leminski
ALÉM ALMA (UMA GRAMA DEPOIS)
Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?
2 132
Fernando Pessoa
Era isso mesmo
Era isso mesmo –
O que tu dizias,
E já nem falo
Do que tu fazias...
Era isso mesmo...
Eras outra já,
Eras má deveras,
A quem chamei má...
Eu não era o mesmo
Para ti, bem sei.
Eu não mudaria,
Não – nem mudarei...
Julgas que outro é outro.
Não: somos iguais.
06/10/1934
O que tu dizias,
E já nem falo
Do que tu fazias...
Era isso mesmo...
Eras outra já,
Eras má deveras,
A quem chamei má...
Eu não era o mesmo
Para ti, bem sei.
Eu não mudaria,
Não – nem mudarei...
Julgas que outro é outro.
Não: somos iguais.
06/10/1934
4 776
Fernando Pessoa
Ó sorte de olhar mesquinho
Ó sorte de olhar mesquinho
E gestos de despedida,
Apanha-me do caminho
Como a uma coisa caída...
Resvalei à via velha
Do colo de quem sonhava.
Leva-me como na celha
O sabão de quem lavava...
Quem quer saber de quem fora
Quem eu fora se outro fosse...
Olha-me e deita-me fora
Como quem farta de doce.
24/06/1930
E gestos de despedida,
Apanha-me do caminho
Como a uma coisa caída...
Resvalei à via velha
Do colo de quem sonhava.
Leva-me como na celha
O sabão de quem lavava...
Quem quer saber de quem fora
Quem eu fora se outro fosse...
Olha-me e deita-me fora
Como quem farta de doce.
24/06/1930
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