Recomeço e Renascimento
Poemas neste tema
Maria Rita Kehl
corte de cabelos para ficar triste
Tipo faça-você-mesma. Trabalho incansável.
Pode durar uma noite -- ou mais -- fio por fio --
a memória na ponta da tesoura,
obcecada,
Medo crescente. Medo até a paixão.
Ou até conferir pelo espelho:
aquela lá morreu mesmo.
Pode durar uma noite -- ou mais -- fio por fio --
a memória na ponta da tesoura,
obcecada,
Medo crescente. Medo até a paixão.
Ou até conferir pelo espelho:
aquela lá morreu mesmo.
1 430
Marcelo Almeida de Oliveira
Chuva
Chuva lava
leva tudo
toda lama
chove mundo
sujo ama
leva tudo
todo ódio
toda mente
chove gente.
leva tudo
toda lama
chove mundo
sujo ama
leva tudo
todo ódio
toda mente
chove gente.
1 048
José Eduardo Mendes Camargo
Ouça
Quem silenciosamente
Provou o fel da dúvida,
Derramou lágrimas de tristeza,
Amargou longas esperas,
Sentiu-se só e abandonado,
Teve o descrédito de quase todos
E a tudo superou,
Hoje, nada assombra,
Tudo encanta,
Até mesmo os desencantos.
Provou o fel da dúvida,
Derramou lágrimas de tristeza,
Amargou longas esperas,
Sentiu-se só e abandonado,
Teve o descrédito de quase todos
E a tudo superou,
Hoje, nada assombra,
Tudo encanta,
Até mesmo os desencantos.
904
Fernando José dos Santos Oliveira
Florismundo
Florismundo
Mundo,imundoe mudo,muda!Muda e,em muda,te faz flor.
Mundo,imundoe mudo,muda!Muda e,em muda,te faz flor.
1 038
Fernanda Benevides
A Flor das Ruínas
Eis que uma flor despontou nas ruínas
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
820
Fernanda Benevides
Luzes do Silêncio
Tateava na escuridão do silêncio,
quando esbarrei em alguém.
Ah, és tu?!
As luzes ascenderam...
quando esbarrei em alguém.
Ah, és tu?!
As luzes ascenderam...
696
Fernando Batinga de Mendonça
Infância
(fragmento)
e rompo de repente
o tenso véu e denso
emerjo à flor do lixo:
e luto com os mendigos
na luta envelhecida
das coisas esquecidas
ferrugem pó e vidro.
e assim pelos monturos
recolho e participo
pedaços de objetos
brinquedos que fabrico
reinando neste reino
que faço e me detrito.
e rompo de repente
o tenso véu e denso
emerjo à flor do lixo:
e luto com os mendigos
na luta envelhecida
das coisas esquecidas
ferrugem pó e vidro.
e assim pelos monturos
recolho e participo
pedaços de objetos
brinquedos que fabrico
reinando neste reino
que faço e me detrito.
920
Esther Moura
Piedosa Mutação
Pedi aos Deuses do fogo,
do Inferno e do Trovão,
queimassem os sonhos passados,
que estavam no coração.
Os Deuses tiveram dó,
e, vendo meu sofrimento,
queimaram os sonhos doridos,
no fogo mais violento!
As chamas subiram aos céus,
nas asas fortes do Vento!
São hoje rosas vermelhas,
brilhando no firmamento!
do Inferno e do Trovão,
queimassem os sonhos passados,
que estavam no coração.
Os Deuses tiveram dó,
e, vendo meu sofrimento,
queimaram os sonhos doridos,
no fogo mais violento!
As chamas subiram aos céus,
nas asas fortes do Vento!
São hoje rosas vermelhas,
brilhando no firmamento!
649
Elielson Rodrigues
Clâmide Sepulcral
Não te atreles ao passado,
Ilumina teu céptico futuro,
e caminha ao meu lado,
sucumbindo em lugar seguro.
Dentre a bruma que cobre teu túmulo,
vi voar um anjo que me disse o quanto,
aquele lugar é santo,
queimando o velário que te torna nulo.
O Areópago me condena
à vida cenobial...
que outra gangrena,
me vestiria a clâmide sepulcral?
Ilumina teu céptico futuro,
e caminha ao meu lado,
sucumbindo em lugar seguro.
Dentre a bruma que cobre teu túmulo,
vi voar um anjo que me disse o quanto,
aquele lugar é santo,
queimando o velário que te torna nulo.
O Areópago me condena
à vida cenobial...
que outra gangrena,
me vestiria a clâmide sepulcral?
831
Eunice Arruda
Erro
Edifiquei minha vida
casa sobre a
areia
Todo dia recomeço.
casa sobre a
areia
Todo dia recomeço.
836
Cláudio Feldman
Joana D’Arc
incensoque perfumadepois de queimado
1 107
Carlos Nóbrega
A Esperança do Deserto
Se procurares
encontrarás no deserto
um botão
encontrarás no deserto
um botão
658
Geraldo Carneiro
bilacmania
livre espaço a ave aurora
as asas cantando climas céus
nuvens agora o sol o vôo
a vida o olhar (re)volta
tempo alegria de novo
as asas cantando climas céus
nuvens agora o sol o vôo
a vida o olhar (re)volta
tempo alegria de novo
934
Birão Santana
Em minhas Cinzas
A fênix
renasceu
das própias cinzas.
Tu
em mim
renasceste das cinzas.
Eu,
diante do sentimento por ti,
renasci
das cinzas.
Me vislumbrando
crescendo
te vislumbrei
como fênix
renascendo
em minhas cinzas.
renasceu
das própias cinzas.
Tu
em mim
renasceste das cinzas.
Eu,
diante do sentimento por ti,
renasci
das cinzas.
Me vislumbrando
crescendo
te vislumbrei
como fênix
renascendo
em minhas cinzas.
1 039
João Maimona
Memória
Baloiçando nos escombros de teu itinerário
saberás que os gados constroem estradas.
E quando a mão deslizar pela margem
das cicatrizes que se afundam na noite
saberás que a tua mão viaja para a
colina dos dias sem escombros
e saberás que no berço da noite jaz a luz
drogada e ouvida pela cruz sobre quem viajaste.
saberás que os gados constroem estradas.
E quando a mão deslizar pela margem
das cicatrizes que se afundam na noite
saberás que a tua mão viaja para a
colina dos dias sem escombros
e saberás que no berço da noite jaz a luz
drogada e ouvida pela cruz sobre quem viajaste.
1 225
Albano Dias Martins
Preciso de
arrumar a casa, rever o sistema, brunir
os móveis e o tacto.
Preciso de opor o tempo ao tempo.
O espaço ao espaço.
os móveis e o tacto.
Preciso de opor o tempo ao tempo.
O espaço ao espaço.
1 467
Ruy Cinatti
Praia presa
Praia presa, adiantada
no mar, no longe, no círculo
de coral que o mar represa.
Praia futura invocada.
Timor ressurge das águas,
praia futura invocada.
no mar, no longe, no círculo
de coral que o mar represa.
Praia futura invocada.
Timor ressurge das águas,
praia futura invocada.
2 610
Fernando Pessoa
A lâmpada nova
A lâmpada nova
No fim de apagar
Volta a dar a prova
De estar a brilhar.
Assim a alma sua
Deveras desperta
Quando a noite é nua
E se acha deserta.
Vestígio que ergueu
Sem ser no lugar
De onde se perdeu...
Nasce devagar!
03/08/1934
No fim de apagar
Volta a dar a prova
De estar a brilhar.
Assim a alma sua
Deveras desperta
Quando a noite é nua
E se acha deserta.
Vestígio que ergueu
Sem ser no lugar
De onde se perdeu...
Nasce devagar!
03/08/1934
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