Flores e Jardins
Poemas neste tema
Fernando Cereja
Cheiros de Flores
os cheiros de flores
confundem meu nariz
e boca
queria comer a
primavera
mastigar flor por flor
e ver se o verão
nasceria em mim.
confundem meu nariz
e boca
queria comer a
primavera
mastigar flor por flor
e ver se o verão
nasceria em mim.
888
Fernanda Benevides
A Flor das Ruínas
Eis que uma flor despontou nas ruínas
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
de um templo desmoronado
e te enterneceu.
Era uma rosa pálida
que não queria fenecer
e tímida
gritava para sobreviver...
Transportaste-a ao solo fértil
do teu coração
e ela renasceu rubra
em tuas mãos...
820
Fanny Luíza Dupré
Primavera
De asas multicores
pousam nas flores do campo
frágeis borboletas.
Raios de luar.
Bolhas nas águas do lago.
Saltam rãs e sapos.
pousam nas flores do campo
frágeis borboletas.
Raios de luar.
Bolhas nas águas do lago.
Saltam rãs e sapos.
1 052
Douglas Eden Brotto
Verão
Noite quente... pela
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
manhã, junto à lanterna
asas de cupim...
Zum-zum dos moscardos...
Ah... as flores amarelas
do maracujá!
925
Eleonora Marsiaj
Haicai
agitação da mente
Na água turva
movimento incessante
Limpidez enfim
primavera
Pingos cantantes
Tapete azulado
Flor d’ipê-roxo
Na água turva
movimento incessante
Limpidez enfim
primavera
Pingos cantantes
Tapete azulado
Flor d’ipê-roxo
1 122
Edércio Fanasca
Haicai
Espreitando o orvalho
entre corolas e cálices
uma aranha tece.
Na paz do cerrado
a cigarra estridula
quebrando o silêncio.
entre corolas e cálices
uma aranha tece.
Na paz do cerrado
a cigarra estridula
quebrando o silêncio.
869
Deborah Brennand
Declaração de Amor
Ontem disseste
sisudo, como todo saber
— Esta flor é da família das violáceas
o nome correto é — violeta tricolor.
Eu disse — é amor perfeito...
Amarelo e roxo
salpicado de negror
severamente reclamando
gotas de terra nas folhas.
Pensei — será isto perfeito?
sisudo, como todo saber
— Esta flor é da família das violáceas
o nome correto é — violeta tricolor.
Eu disse — é amor perfeito...
Amarelo e roxo
salpicado de negror
severamente reclamando
gotas de terra nas folhas.
Pensei — será isto perfeito?
1 106
Clicie Pontes
Verão
Vestida de azul
Desaparece a menina...
Um jardim de hortênsias
Desaparece a menina...
Um jardim de hortênsias
1 035
Chico Noronha
Jacumã
antes que o orvalho lave teu rosto
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
colherei
flores do campo
e com elas prenderei
a rebeldia
de teus cabelos
886
Cleonice Rainho
ABC da Flor
Flor-abelha
Flor-alegria
Flor-alimento
Flor-amor
Flor-beleza
Flor-borboleta
Flor-colibri
Flor-orvalho
Flor-perfume
Flor-silêncio
Flor-sonho
Flor-vida,
Vida de flor.
Flor-alegria
Flor-alimento
Flor-amor
Flor-beleza
Flor-borboleta
Flor-colibri
Flor-orvalho
Flor-perfume
Flor-silêncio
Flor-sonho
Flor-vida,
Vida de flor.
1 760
Barroso Gomes
Primavera
Lua. Flor. Desmaio.
No vale da noite a pálida
lua, flor de maio.
No vale da noite a pálida
lua, flor de maio.
1 037
Ricardo Akira Kokado
Verão
Dama-da-noite
sob o céu sem lume
argh, que perfume!
Mariposa entra
pousa perto da candeia
triângulo gris.
sob o céu sem lume
argh, que perfume!
Mariposa entra
pousa perto da candeia
triângulo gris.
1 068
Amadeu Fontana
Haicai
Despetala a rosa
o vento... Que desalento
na tarde chuvosa
Rosa, a rosa flor,
caída ao chão, esquecida,
lembra um pobre amor
o vento... Que desalento
na tarde chuvosa
Rosa, a rosa flor,
caída ao chão, esquecida,
lembra um pobre amor
903
Carlos Figueiredo
Flores de Paraguay
Begonias
Y, en Paraguay,
Crisantemos.
No Brasil, o mato.
Plateños
lírios
en tumbas
porteñas.
Y, en Paraguay,
Crisantemos.
No Brasil, o mato.
Plateños
lírios
en tumbas
porteñas.
778
Áurea de Arruda Féres
Verão
Parece tarrafa
o teto do pescador
com a chuva de pedra!
Num vaso solitário
perfuma toda a sala
um único jasmin.
o teto do pescador
com a chuva de pedra!
Num vaso solitário
perfuma toda a sala
um único jasmin.
1 008
Áurea de Arruda Féres
Outono
Plena floração.
Paineira ondula faceira
rosada de emoção!
Paineira ondula faceira
rosada de emoção!
879
Cláudio Ferro
O Vento Leve
O vento breve,
assim tão leve,
carregou a flor.
Ai! Que dor!
Sem detê-lo,
ou tê-la ao zelo,
penso:
O amor é grande besteira.
De todas, a maior asneira,
que os meus olhos vêem.
Que os meus olhos vêem?
Que será aquilo?
Que doce cor!
Que belo perfume!
Que Flor!
E se for?
Será o fim deste azedume?
05 de Junho de 1997 01:36
assim tão leve,
carregou a flor.
Ai! Que dor!
Sem detê-lo,
ou tê-la ao zelo,
penso:
O amor é grande besteira.
De todas, a maior asneira,
que os meus olhos vêem.
Que os meus olhos vêem?
Que será aquilo?
Que doce cor!
Que belo perfume!
Que Flor!
E se for?
Será o fim deste azedume?
05 de Junho de 1997 01:36
857
William Carlos Williams
FLORES AO PÉ DO MAR
Quando sobre a florida nítida beira
do pasto, o oceano de sal
ergue a sua forma - chicória e margaridas
presas, soltas, mal parecem só flores
mas cor e movimento - ou a forma
talvez - da inquietude, enquanto
o mar é limitado e balouça
calmamente em sua haste como de planta.
do pasto, o oceano de sal
ergue a sua forma - chicória e margaridas
presas, soltas, mal parecem só flores
mas cor e movimento - ou a forma
talvez - da inquietude, enquanto
o mar é limitado e balouça
calmamente em sua haste como de planta.
1 020
Fernando Pessoa
É boa! Se fossem malmequeres!
É boa! Se fossem malmequeres!
E é uma papoula
Sozinha, com esse ar de «queres?»
Veludo da natureza tola.
Coitada!
Por ela
Saí da marcha pela estrada.
Não a ponho na lapela.
Oscila ao leve vento, muito
Encarnada a arroxear.
Deixei no chão o meu intuito.
Caminharei sem regressar.
31/08/1930
E é uma papoula
Sozinha, com esse ar de «queres?»
Veludo da natureza tola.
Coitada!
Por ela
Saí da marcha pela estrada.
Não a ponho na lapela.
Oscila ao leve vento, muito
Encarnada a arroxear.
Deixei no chão o meu intuito.
Caminharei sem regressar.
31/08/1930
4 276
Fernando Pessoa
Flor que não dura
Flor que não dura
Mais do que a sombra dum momento
Tua frescura
Persiste no meu pensamento.
Não te perdi
No que sou eu,
Só nunca mais, ó flor, te vi
Onde não sou senão a terra e o céu.
1924
Mais do que a sombra dum momento
Tua frescura
Persiste no meu pensamento.
Não te perdi
No que sou eu,
Só nunca mais, ó flor, te vi
Onde não sou senão a terra e o céu.
1924
3 874
Anterior
Página 6
Português
English
Español