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Poemas neste tema

Herberto Helder

Herberto Helder

As Palavras 6

Ficarão para sempre abertas as minhas salas negras.
Amarrado à noite, eu canto com um lírio negro sobre a boca.
Com a lepra na boca, com a lepra nas mãos.
Este mamífero tem sal à volta, este mineral transpira, a primavera precipita-se.
Com a lepra no coração.
Mais de repente, só chegar à janela e ver uma paisagem tremendo de medo.
E uma vida mais lenta só com uma estrela às costas, uma tonelada de luz inquieta, uma estrela respirando como um carneiro vivo.
Igual a esta espécie de festa dolorosa, apenas um ramo de cabelos violentos e o seu odor a pimenta, no lado escuro como se canta que as salas vão levantar o seu voo.
Ficarão para sempre abertas estas mãos exageradas em dez dedos com sono, como uma rosa acima do pénis.
Ao cimo do caule de sangue, essa flor confusa.
Um equilíbrio igual, só a estrela ao cimo do êxtase.
Só alguma coisa parada no cimo de uma visão tremente.
A primavera, que eu saiba, tem o sal como cor imóvel.
Por um lado entra a noite, assim de súbito negra.
De uma ponta à outra enche-se o espaço aplainando tábuas.
Rasga-se seda para aprender o ritmo.
Abraço um corpo com as camélias a arder.
Abertas para sempre as negras partes de mais uma estação.
Semelhante a isto as mulheres andam pelas galerias transparentes, e o palácio queima a noite onde estou cantando.
É possível ainda cortar ao meio o ofício de ver — e num lado há espelhos bêbedos, no outro um cardume ilegível de sons obscuros.
Sabe-se então pelo silêncio em volta, sabe-se em volta que são lírios sonoros.
Passando as mulheres colhem estes sons irrompentes, e as mãos ficam negras junto à beleza insensata.
Elas sorriem depois com um talento terrível.
Levamos às costas um carneiro palpitante.
Pesa tanto uma estrela quando se acorda nas salas negras abertas de par em par, e as mãos agarram um ramo de cabelos dolorosos, e sobre a boca um lírio em brasa, branco, branco, que não nos deixa respirar.
A lepra na boca, que não nos deixa respirar.
Um ramo de lepra contra o corpo, como isto então só o movimento de águas obscuras pelos canais de um canto, como um palácio de salas negras abertas para sempre.
Este animal respira como um espelho de pé, no ar, no ar.
15 357 8
Jorge de Sena

Jorge de Sena

Na Mão, Em Dedos Leves

Na mão, em dedos leves e suspensos,
Sentir o fluido peso que se esquiva.

Ou, com dedos recurvos que se tocam,
Cingir musculaturas delicadas.

Ou, prolongando em dedos a mão toda,
Medir quanto de carne ali se amplia.

A mão conhece o que mal olhos vêem
5 604 8
Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Poema XVIII

Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.

7 111 9
Luís de Camões

Luís de Camões

O dia em que eu nasci, moura e pereça

O dia em que eu nasci, moura e pereça
Não o queira jamais o tempo dar,
não torne mais ao mundo e, se tornar,
eclipse nesse passo o sol padeça.

A luz lhe falte, o sol se escureça,
mostre o mundo sinais de se acabar,
nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
a mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
as lágrimas no rosto, a côr perdida,
cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
que este dia deitou ao mundo a vida
mais desgraçada que jamais se viu.

24 282 8
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Se Todo o Ser Ao Vento Abandonamos

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus, em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma beberá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
7 310 8
Al Berto

Al Berto

Uma Paixão

Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado

tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores

vem ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos

vem antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro

perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água

vem com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
9 380 8
Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

Os Pêssegos

Lembram adolescentes nus:
a doirada pele das nádegas
com marcas de carmim, a penugem
leve, mais encrespada e fulva
em torno do sexo distendido
e fácil, vulnerável aos desejos
de quem só o contempla e não ousa
aproximar dos flancos matinais
a crepuscular lentidão dos dedos.

8 798 8
Bandeira Tribuzi

Bandeira Tribuzi

Poema

Um cão ladrou
na noite obscura
tremores frios
de inanição
A mulher magra
esperou cansada
que a carne exausta
fosse chamariz
Poucos sexos jovens
se investigaram
muitos não conseguiram
fugir à frustração
Alguns descansaram
outros se diluíram
o caixote de lixo
esperou esperou
Depois rompeu
a madrugada.

3 190 8
Herberto Helder

Herberto Helder

1A

Com uma rosa no fundo da cabeça, que maneira obscura
de morte. O perfume a sangue à volta da camisa
fria, a boca cheia de ar, a memória
ecoando com as vozes
de agora. Onde está sentada brilha de tantas
moléculas
vivas, tanto hidrogénio, tanta seda escorregadia dos ombros
para baixo. Toca em
de onde rompe a rosa. Uma criança
luciferina. A mãe fechava,
abria em torno a torrente dos átomos
sobre a cara. Aquilo que a estrangula dos pulmões
à garganta
é a rosa infundida. Leva um braço às costas,
suando, raiando
pelo sono fora. Está queimada onde lhe toca. Falaria alto
se o peso a enterrasse à altura das vozes.
Via a matéria radiosa de que é feito o mundo.
A língua doce de leite,
a mão direita na massa agre, o sexo banhado
no manancial secreto.
O dom que transtorna a criança ardente é leve como
a respiração, leve como
a agonia.
Uma rosa no fundo da cabeça.
8 756 8
Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta

Desperta

desperta-me
de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

é rede a tua língua
em sua teia
é vicio as palavras
com que falas

a trégua
a entrega
o disfarce

e lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes

desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.

5 342 8
José Saramago

José Saramago

Dulcineia

Quem tu és não importa, nem conheces
O sonho em que nasceu a tua face:
Cristal vazio e mudo.
Do sangue de Quixote te alimentas,
Da alma que nele morre é que recebes
A força de seres tudo.
3 768 8
Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

O Quarto em Desordem

Na curva perigosa dos cinqüenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não se sabe como é feita: amor,
na quintessência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais defeso, corpo! corpo, corpo,

verdade tão final, sede tão vária,
e esse cavalo solto pela cama,
a passear o peito de quem ama.
8 919 8
Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso Romano de Sant'Anna

O amor e o outro

Não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.

Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.

Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.

5 947 8
Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta

Gozo II

Desvia o mar a rota
do calor
e cede a areia ao peso
desta rocha

Que ao corpo grosso
do sol
do meu corpo
abro-lhe baixo a fenda de uma porta

e logo o ventre se curva
e adormece

e logo as mãos se fecham
e encaminham

e logo a boca rasga
e entontece

nos meus flancos
a faca e a frescura
daquilo que se abre e desfalece
enquanto tece o espasmo o seu disfarce

e uso do gozo
a sua melhor parte
5 250 7
Charles Baudelaire

Charles Baudelaire

O Heautontimoroumenos

Sem cólera te espancarei,
Como o açougueiro abate a rês,
Como Moisés à rocha fez!
De tuas pálpebras farei,

Para meu Saara inundar,
Correr as águas do tormento.
O meu desejo ébrio de alento
Sobre o teu pranto irá flutuar

Como um navio no mar alto,
E em meu saciado coração
Os teus soluços ressoarão
Como um tambor que toca o assalto!

Não sou acaso um falso acorde
Nessa divina sinfonia,
Graças à voraz Ironia
Que me sacode e que me morde?

Em minha voz ela é quem grita!
E anda em meu sangue envenenado!
Eu sou o espelho amaldiçoado
Onde a megera se olha aflita.

Eu sou a faca e o talho atroz!
Eu sou o rosto e a bofetada!
Eu sou a roda e a mão crispada,
Eu sou a vítima e o algoz!

Sou um vampiro a me esvair
- Um desses tais abandonados
Ao riso eterno condenados,
E que não podem mais sorrir.
11 840 8
João Miguel Fernandes Jorge

João Miguel Fernandes Jorge

Vivemos sobre a terra

Vivemos sobre a terra. Apresento-te
a nossa casa, os nomes que damos ás coisas,
as honras que nos são destinadas,
este corpo de sangue e nervos.
Sobre ele que julgamos vivo
dizes minha razão. A da vida
e a de outras coisas que se percebem.

Os barcos retomam lentos o seu lugar
em volta de um coração marinho.
Como se morre aqui?
9 552 8
Charles Baudelaire

Charles Baudelaire

REMORSO PÓSTUMO

Quando fores dormir, ó bela tenebrosa,
Em teu negro e mamóreo mausoléu, e não
Tiveres por alcova e refúgio senão
Uma cova deserta e uma tumba chuvosa;

Quando a pedra, a oprimir tua carne medrosa
E teus flancos sensuais de lânguida exaustão,
Impedir de querer e arfar teu coração,
E teu pés de correr por trilha aventurosa,

O túmulo, no qual em sonho me abandono
- Porque o túmulo sempre há de entender o poeta -,
Nessas noites sem fim em que nos foge o sono,

Dir-te-á: "De que valeu, cortesã indiscreta,
Ao pé dos mortos ignorar o seu lamento?"
- E o verme te roerá como um remorso lento.


7 115 7
Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

As maçãs

Da alma só sei o que sabe o corpo:
onde a esperança e a graça
aspiram ao ardor
da chama é a morada do homem.
Vê como ardem as maçãs
na frágil luz de inverno
uma casa devia ser
assim: brilhar ao crepúsculo
sem usura nem vileza
com as maçãs por companhia.
Assim: limpa, madura.

 

9 449 7
Federico García Lorca

Federico García Lorca

Surpresa

Morto ficou na rua
com um punhal no peito.
Não o conhecia ninguém.
Como tremia o farol,
mãe!
Como tremia o pequeno farol
da rua!

Era madrugada. Ninguém
pôde assomar-se a seus olhos
abertos ao duro ar.

Que morto ficou na rua,
que com um punhal no peito
e que não o conhecia ninguém.

4 402 7
David Mourão-Ferreira

David Mourão-Ferreira

Praia do Paraíso

Era a primeira
vez que nus os nossos corpos
Apesar da penumbra á vontade se olhavam
Surpresos de saber que tinham tantos olhos
Que podiam ser luz de tantos candelabros
Era a primeira vez cerrados os estores
Só o rumor do mar permanecera em casa
E sabias a sal, e cheiravas a limos
Que tivesses ouvido o canto das cigarras
Havia mais que céu no céu do teu sorriso
Madrugada de tudo em tudo que sonhavas
Em teus braços tocar era tocar os ramos
Que estremecem ao sol desde que o mundo é mundo
É preciso afinal chegar aos cinquenta anos
Para se ver que aos vinte é que se teve tudo.
5 860 7
Marina Colasanti

Marina Colasanti

Quarto de Pensão

Sou pensionista da vida.
Na mesma tábua em que durmo
escrevo meu trabalho
e ela farfalha, embora já sem folhas,
só da lembrança de ter sido tronco.
Tenho uma pia no canto,
que goteja.
e é meu lago, meu rio, meu
fundo mar.
Tenho um rijo cabide
à cabeceira
para dependurar a pele
a cada noite.
Me dão café com pão, e às vezes
algum vinho.
Dizem que só paguei meia pensão.

Há uma fome indistinta que me habita
enquanto o medo
com felpudos passos
percorre o labirinto das entranhas.
Mas agradeço essas quatro paredes
e que me tenham dado uma janela
Pois sei que a qualquer hora
sem possibilidade de recurso
e talvez mesmo sem aviso prévio
serei intimada
a devolver o quarto.
6 984 7
António Gedeão

António Gedeão

Trovas Para Serem Vendidas

na Travessa de S. Domingos

[O repórter fotográfico
[foi ver a fuzilaria.
[Ganhou o prêmio do ano
[da melhor fotografia.

[Notícias não confirmadas
[informam, de origens várias,
[que as tropas revolucionárias
[recentemente cercadas
[acabam de ser esmagadas
[com perdas extraordinárias.

[Na redação do jornal
[corre tudo em sobressalto.
[A hora é sensacional.
[Toda a gente dormiu mal,
[gesticula e fala alto.

[Passageiros recém-chegados
[do lugar da revolução
[viram dúzias de soldados
[prontos a ser fuzilados
[e muitos já arrumados
[e amontoados ao chão.

[Agora que se anuncia
[já estar regulado o tráfico,
[inda mal rompera o dia
[foi ver a fuzilaria
[o repórter fotográfico.

[Vá lá, vá lá, felizmente,
[felizmente que ao chegar
[inda havia muita gente
[que estava por fuzilar.

[Numa ridente campina
[de papoulas salpicada,
[um sol de lâmina fina
[cortava a densa neblina
[da metralha disparada.

[Berrando como vitelos
[a malta dos condenados
[avançava aos atropelos
[e arrepanhava os cabelos
[com gestos alucinados.

[O repórter já suava,
[não tinha mãos a medir;
[ora a máquina carregava,
[apontava e disparava,
[ora no chão se agachava,
[pulava e gesticulava
[com afanosa presteza.
[Há empregos, com franqueza,
[nem haviam de existir.

[A um tipo de mãos nojentas
[que aos berros sobressaía
[gritando frases violentas,
[focou-o mesmo nas ventas
[no momento em que caía.

[Mas o melhor não foi isso.
[O melhor foi uma velhota
[que pôs tudo em rebuliço.
[Rápida como um rastilho,
[em convulsivos soluços,
[foi estatelar-se de bruços
[sobre o corpo do seu filho.

[— Meu menino, meu menino!
[Valha-me a Virgem Maria!
[Que vai ser o meu destino
[sem a tua companhia?!
[Mataram-me o meu menino!
[Filho do meu coração!
[Que vai ser o meu destino
[sem a tua proteção?!

[Nunca uma cena de horror,
[uma tragédia tão viva,
[tão grande expressiva dor,
[alguém teve ao seu dispor
[defronte duma objetiva.

[Era uma face crispada,
[um olhar perdido e louco,
[uma boca de xarroco
[em lágrimas ensopada.

[Foi uma sorte, realmente.
[Um desses casos notáveis,
[bestiais e formidáveis
[que acontecem raramente.

[Aquelas faces crispadas
[correram pelo mundo inteiro
[nas revistas ilustradas,
[em tiragens esgotadas
[que deram muito dinheiro.

[Com aquele sentido humano
[da justiça e da harmonia,
[o repórter todo ufano,
[ganhou o prêmio do ano
[da melhor fotografia.

5 351 7
Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta

As nádegas

Porque das nádegas
a curva
sempre oferece
a fenda
o rio
o fundo do buraco

Para esconso uso do corpo
nunca o fraco
poder do corpo em torno desse vaso

Ambiguo modo
de ser usado
e visto

De todo o corpo
aquele
menos dado

preso que está já
do próprio vicio
e mais não é que o limiar de um acto

5 870 7
Jorge de Lima

Jorge de Lima

O Grande Desastre Aéreo de Ontem

Para Cândido Portinari

Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o paraquedas, e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.

LIMA, Jorge de. Poesia completa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980, 2 v, v. 1, p. 237).

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