Escritas

Corpo

Poemas neste tema

Amparo Jimenez

Amparo Jimenez

Encuentro

Besos, caricias, encuentros
mujeres a flor de piel.
Cuerpos desnudos
almas vestidas de amor
listas para danzar
en la fiesta de la unión.
Lucha, discurso, revuelta
intensidad que nos confronta
crecemos con energía, vitalidad y miedos.
Máscaras que caen al suelo
rodando a los pies del imperio.
Música
Alegría
Poesía
erotismo por siglos retenido
despertando hoy, para sentirnos,
bugas, lesbianas, dudosas
rompiendo cadenas
bailando al ritmo de la vida.
Brujas, magas, curanderas
entregándonos con fuerza
destruyendo esquemas.
Amigas nuevas y viejas conocidas
parejas
novias
compañeras
unidas al fin en el espacio.
Lágrimas
risas
promesas
deseo cumplidos y anhelos
volando por el tiempo
desencuentros que se quedan en el camino,
recuerdos del futuro que presiento.

990
Octavio Paz

Octavio Paz

Tu Nombre

Tu Nombre

Nace de mí,de mi sombra,
amanece por mi piel,
alba de luz somnolienta.

Paloma brava tu nombre,
tímida sobre mi hombro.

1 602
Vicente Franz Cecim

Vicente Franz Cecim

Àquele que dorme sem sono

Os teus corpos, Um de Carne e Outro de Sombra,

envolve em óleos

pois são dois, e o segundo é mais real

É preciso ver num sonho

a paisagem das verdades

onde insetos vêm pousar em nossas mãos

Há palavras que os homens não dizem

Há águas tão amargas,

filho,

que se recusam a devolver às fontes

as antigas possibilidades musicais da espécie

Mas as luas da febre

estão passando

sobre os lugares onde a sombra humana ainda irá passar

Um longo caminho não é sinal de eternidade

Ninguém ainda foi ouvir o silêncio das estrelas

E não ter colhido o mel,

a um murmúrio de distância dos teus lábios,

salgou ainda mais as colméias eternas

É lenta a economia daqueles que aqui esquecem o sabor do sal

E há uns que temem a queda das unhas no inverno,

e há outros que pararam a vida

numa estação vazia

É preciso ir à paisagem das verdades: Insetos

pousariam

em nossas mãos: Os ouvidos humanos

são cavernas escuras

Agora nascerão raízes,

quando esperavas asas

E quem sabe um dia virão frutos

para te dar ao leite coagulado,

suficiente é ter nascido

Suficiente é ser a sede, pois só por isso se obteve

a dádiva

dos lagos e da gota de veneno

e um oceano de lágrimas

para encher os olhos de ternura

O que tu sabes de ti?

Somente que já vai começando a desaceleração do vento

em teus cabelos

A menos que desças no caminho, para colher as

imagens

que foram caindo da nossa memória,

estás perdido

A menos que subas, ao avistar uma montanha de

homens

que foram virados do avesso, os ossos por fora,

a carne por dentro,

e te prostres em adoração ao pó,
v
em que esses homens se tornarão?

Chama o vento com o ar dos teus pulmões

por amor às cinzas

Estas perdido

Entre a festa para receber,

com festa humana,

e uma esperança de ferrugens

Sob os sons das estrelas,

uma esperança de ferrugens

é o que te fere a sombra

e estás perdido

A melhor coisa que fazes

e a pior, será parar a circulação contínua da máquina

Prova uma gota do nosso sangue,

e aceita, sorrindo,

que isso aconteceu,

que foram caindo da nossa memória

a polpa e a seiva, tingidas de vermelho

Um futuro de rodas que já não rodarão

para as colheitas do destino

Entrega o nosso trem ao delírio de uma floresta

virgem a cada dia

E a voz que te diz isso:

ao menos uma vez

teremos o ferro do nosso dispensável coração

Então, por que não semear de mãos vazias?

1 224
E. M. de Melo e Castro

E. M. de Melo e Castro

Colhe os colhões a boca

colhe os colhões a boca
o barco a flor o mastro
a língua louca louca
o astro glande monstro

que a água que mostro
laiva o sabor do ouro
álcool que vem do mosto
leite que sabe a louro

pêlo de pele colhida
jeito informe que pica
alga onda comprida
que treme e foge e fica

colhe no ar e foge
a árvore da vida

1 428
Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos

Depois da orgia

O prazer que na orgia a hetaíra goza
Produz no meu sensorium de bacante
O efeito de uma túnica brilhante
Cobrindo ampla apostema escrofulosa!

Troveja! E anelo ter, sôfrega e ansiosa,
O sistema nervoso de um gigante
Para sofrer na minha carne estuante
A dor da força cósmica furiosa.

Apraz-me, enfim, despindo a última alfaia
Que ao comércio dos homens me traz presa,
Livre deste cadeado de peçonha,

Semelhante a um cachorro de atalaia
Às decomposições da Natureza,
Ficar latindo minha dor medonha!

2 550
E. M. de Melo e Castro

E. M. de Melo e Castro

De redondo cu

de redondo cu
eu cúbica te quero
como cólera química ou paz comum
que nada tão navega
a tua nádega núbica
de redondo nenúfar
nu furioso.

no volume do cu
velo o teu lume
ocioso cio de culher
nos colhões que te encosto
pelas costas
no cu que te descubro
pelo olho
no volume que rasgo
pela vela
do duro coração na cumoção
de ter-te pelas tetas
culocada na posição
decúbita
culada
da comunicação.

1 747
Luís Miguel Nava

Luís Miguel Nava

O céu

O céu

Assoam-se-me à alma,quem

como eu traz desfraldado o coração sabe o que querem

dizer estas palavras.

A pele serve de céu ao coração.

2 156
Luís Miguel Nava

Luís Miguel Nava

Sem outro intuito

Atirávamos pedras

à água para o silêncio vir à tona.

O mundo, que os sentidos tonificam,

surgia-nos então todo enterrado

na nossa própria carne, envolto

por vezes em ferozes transparências

que as pedras acirravam

sem outro intuito além do de extraírem

às águas o silêncio que as unia.

1 682
Murillo Mendes

Murillo Mendes

Cantiga de Malazarte

Cantiga de Malazarte

Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo.

ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.

Não desprezo nada que tenha visto,

todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.

Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,

destelho as casa penduradas na terra,

tiro o cheiro dos corpos das meninas sonhando.

Desloco as consciências.

a rua estala com meus passos,

e ando nos quatro cantos da vida.

Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido.

não posso amar ninguém porque sou o amor,

tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos

e a pedir desculpas ao mendigo.

Sou o espírito que assiste à Criação

e que bole todas as almas que encontra.

Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo,

nada me fixa nos caminhos do mundo.

762
José Augusto Seabra

José Augusto Seabra

Sístole

"Cerra,coração,as pálpebras!" (Lucian Blaga)

Entreabres as pálpebras quando o sangue já gela na última diástole do coração que cega e sossega,
sem lágrimas, na luz que se descerra
1 153
Luiza Neto Jorge

Luiza Neto Jorge

E do Espanto II

consagraram-me

ao espanto

que de minúsculo há

no mar

e ímpar sobre a pele

criança

circuncidada a fogo e morte

(no céu da boca a memória absurda

das abóbadas)

mais
que na cidade

a matriz

dos arranha-céus líquidos

muito mais

que nos cartões

as clandestinas chagas

digitais

o espanto permanece

por frestas e

por ombros

qualquer

onde e

quando

de Quarta Dimensão

1 432
Luiza Neto Jorge

Luiza Neto Jorge

O Corpo Insurrecto

Sendo com o seu ouro,
aurífero, o corpo é insurrecto.Consome-se,
combustível,no sexo, boca e recto.Ainda antes que
pegueaos cinco sentidos a chama,por um aceso
acessoda imaginaçãoateiam-se à camaou a sítio
algures,terra de ninguém,(quem desliza é o espaçopara o
corpo que vem),labaredas taisque, lume,
crepitamnos ciclos mais extremos,nas résteas mais
íntimas,as glândulas, esponjasque os corpos
apoiam,zonas aquáticasonde os órgãos boiam.No
amor, dizendo acto de o sagrar,apertado o corpo do
recém-nascidono ovo solar,há ainda um outrocorpo
incluido,mas um corpo aquémde ser são ou podre,um
repuxo, um magma,substância solta,com
pulmões.Neste amor equívoco(ou respiração),sendo um
corpo humano,sendo outro mais alto,suspenso da
morte,mortalmente intenso,mais alto e mais denso,mais
talhado é o golpequando o põem em práticacom
desassossego na respiraçãoe o sossego cru de
quem,tendo o corpo nu,a carne ardida,lhe pede o
ladrãoa bolsa ou a vida.

de Terra Imóvel

1 705
Luiza Neto Jorge

Luiza Neto Jorge

Algo se me assemelha

Algo se me
assemelhae me quer para sime desembainhaquando
menos esperoDistorção do espíritopara a
mortecomo o corpo num
saltoirremediavelmentelentoe alto

de Terra Imóvel

1 344
Luís Filipe Castro Mendes

Luís Filipe Castro Mendes

Numa praia

Em cada corpo recomeça o mundo,
mas onde então acaba este começo?
Amor não sabe mais o que é profundo,
vem da pele e respira só no verso.

Passamos a toalha pelo corpo,
com o suor a enxugar a morte:
há gotas de água fria no teu rosto,
em ti meus dedos lêem sua sorte.

Um riso nos chamou,fulgor ou seta,
e o dia se refez sem mais promessa.
Nos meus dedos ficou a ferida aberta:
só no teu corpo o mundo recomeça.
1 723
Luís Miguel Nava

Luís Miguel Nava

Retrato

A pele era o que de mais solitário havia no seu corpo.

Há quem, tendo--a metida

num cofre até às mais fundas raízes,

simule não ter pele, quando

de facto ela não está

senão um pouco atrasada em relação ao coração.

Com ele porém não era assim.

A pele ia imitando o céu como podia.

Pequena, solitária, era uma pele metida

consigo mesma e que servia

de poço, onde além de água ele procurara protecção.

2 005
Murillo Mendes

Murillo Mendes

O Exilado

Meu corpo está cansado de suportar a máquina do mundo.
Os sentidos em alarme gritam:
O demônio tem mais poder que Deus.
Preciso vomitar a vida em sangue
Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.
Passam ao largo os navios celestes
E os lírios do campo têm veneno.
Nem Job na sua desgraça
Estava despido como eu.
Eu vi a criança negar a graça divina
Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos
E a multidão me apontando como o falso profeta.
Espero a tempestade de fogo
Mais do que um sinal de vida
2 109
José Augusto Seabra

José Augusto Seabra

Sangria

"Como grandes lágrimas de sangue escorrem folhas dos ramos" (George Bacovia)

A árvore dessangra, assim, lágrima a lágrima, crucificando os ramos entre as folhas,
tão magra como a neve pingando seus últimos coágulos
1 022
Luiza Neto Jorge

Luiza Neto Jorge

O Poema

I

Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem
falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta
e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme

II

Piso do poema
chão de areia
Digo na maneira
mais crua e mais
intensa
de medir o poema
pela medida inteira
o poema em milímetro
de madeira
ou apodrece o poema
ou se alteia
ou se despedaça
a mão ateia
ou cinco seis astros
se percorre
antes que o deserto
mate a fome
de Terra Imóvel
3 983
Juan-Eduardo

Juan-Eduardo

Canto de

la vida muerta

Atado a mi temblor,alto cultivo,
huésped amargo de mi sol furioso,
caí de mis glaciares interiores
a las rosas praderasque lamento.
Resido en estos campos encendidos
y toco con mis dedos de paloma
el tibio corazón del horizonte.

Desnudos arrasados,blancos valles
desdicen el celeste clamor.Altos
árboles que soportan mi esperanza
demoran su cristal de fiel ceniza
y,altares de este fuego momentáneo,
invaden el espacio con sus himnos.

Crepúsculos inmensos,tristes pájaros
acuden a las costas derribadas.
El lirio y la violeta no repiten
ya sus rondas azules y dulcíssimas.
Arcángeles sin armas,sombras puras
recorren las veredas extinguidas.
Asciende por las blancas oquedades
un obscuro dolor.Van sin orillas
las músicas,las islas.Iniciales
suplicios cierran círculos,anillos,
ciñendo mi pasión con su secreto.

¡No es la muerte!La muerte era la vida.
La muerte era este beso exasperado,
la muerte era este muro deslumbrante,
la muerte era este almendro florecido,
la muerte era mi voz enamorada,
la muerte era el recuerdo,era la mano,
la muerte era mi verde golondrina,
no este cisne sin luz,deshabitado,
no este absorto fulgor que no varía,
no esta forma perpetuamente sola,
no este sangre sin sangre y sin latido.

Ruinas celestes cavan mi dulzura,
los pórticos del mundo están abiertos.
Nada espera al estéril infortunio
más allá de las rotas mansedumbres.
La noche es el esplejo tembloroso.
¡Qué pérdida parcila nos arrebata
gota a gota,solemnes,lejanísimos!
¡Qué espada indestructible,qué planeta
vigila nuestra sed y nuestro abrazo!

Surgen,arden,destruyen,se propagan
los órdenes profundos,los ocultos.
Una calma inmutable pace nubes,
islas,sienes eternamente aisladas.
Allá no se comprende la amapola,
los sollozos carecen de sentido.
Inútiles la flor y el pensamiento
un mar de lisa piedra los domina.

Sin tocar con los labios esta inmensa
ternura que traspasa mis estrañas
transito por los campos derramados.
Unas alas caídas,un paisaje
impasible,de cerca o de platino,
un grito sin final y sin comienzo
existen,sin saber,sin conocerse.

Astros negados;verdes esmeraldas,
grandes zafiros de luz transparente,
lentos invaden el jardin dormido.
El día era una senda repetida,
una rueda de lívidos metales,
sobre las blandas cúpulas del muerto
del desolado mundo compartido.
Rubís exasperados flotan,suben,
rosas naranjas de rumor caliente.
La noche ha terminado;no es la vida.
La vida era aquel raso desgarrado
aquella disonancia innumerable
era el árbol perdido en el océano.
La vida era aquel mármol corrompido,
aquel sistema intenso de cadenas,
aquel monte de sangre,aquellas dulces
columnas de luz dulce,ya reseca:
un ciego debatirse junto al río
infinito de soles cementerios.
La vida era como un pañuelo blanco
agitado entre cumbres y gemidos,
era como fragancia infranqueable,
como yerma doncella visitada.

¡Virginales batallas!¡Albas cimas!
Un éxtasis de rosa o de martirio
desciende a mi silencio arrodillado.
Circundado por horas absolutas,
por severas murallas desposadas,
caída rama,resplandor incólume,
insisto em mi oración sin esperanza.

Llueven plumas de fuego,nievan llamas
y pétalos que encienden mis cabellos,
mis hombros graves,mi vestido blanco.
Huésped amargo de este sol furioso,
del demente laurel de mi presencia,
resido en estos cantos.La palabra
abre vivas ventanas en mi frente.
Ave del Paraíso me visitan,
espumas me acarician.Esta tierra
que yo amo me contempla con mis ojos
que sólo durarán lo que el relámpago.
En sus labios yo entono este Misterio,
yo niego,yo sollozo,yo bendigo,
y muero cada instante mientras ardo,
vencido por un hierro irresistible,
atado a mi temblor,alto cautivo.

1 009
Josefina Plá

Josefina Plá

Soy

Soy

Carne transida, opaco ventanal de tristeza,

agua que huye del cielo en perpetuo temblor;

vaso que no ha sabido colmarse de pureza

ni abrirse ancho a los negros raudales del horror.

¡Ojos que no sirvieron para mirar la muerte,

boca que no ha rendido su gran beso de amor!

Manos como dos alas heridas: ¡diestra inerte

que no consigue alzarse a zona de fulgor!

Planta errátil e incierta, cobarde ante el abrojo,

reacia al duro viaje, esquiva al culto fiel;

¡rodillas que el placer no hincó ante su altar rojo,

mas que el remordimiento no ha logrado vencer!

Garganta temerosa del entrañable grito

que desnuda la carne del último dolor:

¡lengua que es como piedra al dulzor infinito

de la verdad postrera dormida en la pasión!

Haz de inútiles rosas, agostándose en sombra,

pozo oculto que nunca abrevó una gran sed;

prado que no ha podido amansarse en alfombra,

¡pedazo de la muerte, que no se sabe ver!

1 053
William Carlos Williams

William Carlos Williams

Danse Russe

If when my wife is sleeping

and the baby and Kathleen

are sleeping

and the sun is a flame-white disc

in silken mists

above shining trees,-

if I in my north room

dance naked, grotesquely

before my mirror

waving my shirt round my head

and singing softly to myself:

"I am lonely, lonely,

I was born to be lonely,

I am best so!"

If I admire my arms, my face,

my shoulders, flanks, buttocks

against the yellow drawn shades,-

Who shall say I am not

the happy genius of my household?

1 072
Jorge Melícias

Jorge Melícias

A mulher borda

violentamente

o ventre contra o chão.

É este o centro do círculo da loucura,

e a luz está toda nos dedos.

O crime tem a idade do mundo,diz,

e recomeça a coser os pulsos

filho a filho.

A loucura é agora uma mão

cheia de sal

voltada para dentro.

Nenhum vaso se entorna

já em seu nome,

e sobre a mesa

os frutos estão fechados como pedras.

de Iniciação ao Remorso(1998)

780
Jorge Melícias

Jorge Melícias

O poema são fogueiras levantadas na

gargantaou um sono inclinado sobre as facas.Alguém
diz,a prumotodos os nomes queimam,e há uma
deflagração assombrosa,a palavra acende-se com
uma àrvore de sangue ao centro.

de A Luz nos Pulmões(2000)

712
Antonin Artaud

Antonin Artaud

Qui suis-je?

Qui suis-je?

Doù je viens?

Je suis Antonin Artaud

et que je le dise

comme je sais le dire

immédiatement

vous verrez mon corps actuel

voler en éclats

et se ramasser

sous dix mille aspects

notoires

un corps neuf

où vous ne pourrez

plus jamais

moublier.

1 972