Corpo
Poemas neste tema
Anjo Hazel
Adoração
Como beato, ajoelho-me por teu corpo...
Perdoai-me porque te desejo tanto.
Temo em ver tua boca evocar anjos caindo sobre Gomorra...
Bem aventurados os que amam, porque o céu é o limite.
Transforme meu sangue em vinho
e nele te embriague.
Beija meu rosto perante àqueles que me perseguem.
Negue que me amas três vezes antes do amanhecer.
O Senhor é mais que meu Pastor.
Ele me crucifica...
Cometi um pecado nada original.
Ao fechar os olhos em prece me é revelado...
Não sou tua fé.
Não és minha Messias.
Perdoai-me porque te desejo tanto.
Temo em ver tua boca evocar anjos caindo sobre Gomorra...
Bem aventurados os que amam, porque o céu é o limite.
Transforme meu sangue em vinho
e nele te embriague.
Beija meu rosto perante àqueles que me perseguem.
Negue que me amas três vezes antes do amanhecer.
O Senhor é mais que meu Pastor.
Ele me crucifica...
Cometi um pecado nada original.
Ao fechar os olhos em prece me é revelado...
Não sou tua fé.
Não és minha Messias.
1 041
Maria Rachel Lopes
Compasso
Te quero aqui comigo
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã
728
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Fêmeas
Hora do fugaz,
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.
Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.
Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.
1 001
Maria Teresa Horta
Anjos da memória – V
Os anjos alados
da memória
com as suas asas
de pérgula
e medronho
a voarem noite dentro,
pelo sonho
Serás de branco
despojada de tudo
à cabeceira
por detrás do meu ombro
anjo mudo
Serás de branco
despojada de tudo,
asas supostas
de ti
à minha beira
O pássaro cintilante
da tua nudez
(uma matriz calada)
Da tua nudez
Com os teus seios
de anjo
sob as asas
A tomares conta
da memória
És um passaro – digo
És um pássaro
com penas
cintilantes
dos teus olhos
As tuas asas
de pétalas
tecidas com a luz
das penas
das asas que te crescem
Poisar um pouco
nos parapeitos
da memória
antes de recomeçar
o voo
de regresso a casa
Com as nossas asas
lúcidas:
translúcidas e pálidas
Deixa-me voar
por cima do teu
colo
até ir poisar
na tua alma
É a memória,
dos teus dedos pisados
nas asas dos meus ombros
Entrelaçados
Enlaçados
Como entranças
os sonhos
As tuas asas de prata
que atravessam a voar
o território
brando
das minhas lágrimas
Este
é o inconsciente
dos teus olhos
de águas postas – de águas sobrepostas
– rente
à meiga – à mansíssima
racha
do teu ventre
Em voo raso
perto da sua boca:
A ouvir a memória...
Há um ruido de
asas
que te é próximo
um odor a flor,
a framboeza
um sabor a leite
e a morango
numa uterina luz de penumbra acesa
Um pouco acima
dos teus olhos,
como um pássaro
a voar por dentro,
bem por dentro
do interior dos lábios...
do corpo
A parte que é
anjo
do teu corpo
e me procura a meio
da madrugada
Sobrevoando o lago
que é suposto
ser no meu sono
aquilo que calava
A parte que é
anjo
do teu corpo
e me visita
a meio da madrugada
descansando as asas
dos teus ombros,
a meu lado:
em cima da almofada
Voava,
com a memória
das asas
no sentido inverso
do silêncio
e do sono
Oiço atrás de mim,
o breve respirar
das tuas asas
– quase imperceptivel –
Um ligeiro arfar
Como a brisa a passar
por entre as casas
da memória
com as suas asas
de pérgula
e medronho
a voarem noite dentro,
pelo sonho
Serás de branco
despojada de tudo
à cabeceira
por detrás do meu ombro
anjo mudo
Serás de branco
despojada de tudo,
asas supostas
de ti
à minha beira
O pássaro cintilante
da tua nudez
(uma matriz calada)
Da tua nudez
Com os teus seios
de anjo
sob as asas
A tomares conta
da memória
És um passaro – digo
És um pássaro
com penas
cintilantes
dos teus olhos
As tuas asas
de pétalas
tecidas com a luz
das penas
das asas que te crescem
Poisar um pouco
nos parapeitos
da memória
antes de recomeçar
o voo
de regresso a casa
Com as nossas asas
lúcidas:
translúcidas e pálidas
Deixa-me voar
por cima do teu
colo
até ir poisar
na tua alma
É a memória,
dos teus dedos pisados
nas asas dos meus ombros
Entrelaçados
Enlaçados
Como entranças
os sonhos
As tuas asas de prata
que atravessam a voar
o território
brando
das minhas lágrimas
Este
é o inconsciente
dos teus olhos
de águas postas – de águas sobrepostas
– rente
à meiga – à mansíssima
racha
do teu ventre
Em voo raso
perto da sua boca:
A ouvir a memória...
Há um ruido de
asas
que te é próximo
um odor a flor,
a framboeza
um sabor a leite
e a morango
numa uterina luz de penumbra acesa
Um pouco acima
dos teus olhos,
como um pássaro
a voar por dentro,
bem por dentro
do interior dos lábios...
do corpo
A parte que é
anjo
do teu corpo
e me procura a meio
da madrugada
Sobrevoando o lago
que é suposto
ser no meu sono
aquilo que calava
A parte que é
anjo
do teu corpo
e me visita
a meio da madrugada
descansando as asas
dos teus ombros,
a meu lado:
em cima da almofada
Voava,
com a memória
das asas
no sentido inverso
do silêncio
e do sono
Oiço atrás de mim,
o breve respirar
das tuas asas
– quase imperceptivel –
Um ligeiro arfar
Como a brisa a passar
por entre as casas
4 347
Pedro Miguel S. Duarte
Amor
Quem ousará dizer que ele é só Alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar um puro grito
de orgasmo, num instante infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, estátuas
estátuas vestidas de suor, agradecendo
o que a um Deus acrescenta o amor terrestre.
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar um puro grito
de orgasmo, num instante infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, estátuas
estátuas vestidas de suor, agradecendo
o que a um Deus acrescenta o amor terrestre.
683
Camila Sintra
O mínimo de nós dois
No pequeno espaço
entre teu olhar e o meu
brilha a estrela do desejo
que nos guia um para o outro
Na ausente distância
entre teus lábios e os meus
brincam e fundem-se os hormônios
da nossa química mais secreta
No mínimo silêncio
onde somente nossos corpos falam
deslizam mãos em carícias
de tatos cegos que tudo dizem
No fugaz e eterno momento
da consumação de nosso amor
gritam gargantas no gozo do prazer
da quase dor desse explodir...
entre teu olhar e o meu
brilha a estrela do desejo
que nos guia um para o outro
Na ausente distância
entre teus lábios e os meus
brincam e fundem-se os hormônios
da nossa química mais secreta
No mínimo silêncio
onde somente nossos corpos falam
deslizam mãos em carícias
de tatos cegos que tudo dizem
No fugaz e eterno momento
da consumação de nosso amor
gritam gargantas no gozo do prazer
da quase dor desse explodir...
805
Théophile Gautier
Moralidade
Menina, sê ardente,
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.
2 169
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Sumo
tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
960
Stela Fonseca
Desejo
Diante de mim
o seu corpo
belo
firme
quase nu
com cheiro
de mar
e de amor.
Diante dele
o meu querer
o meu desejo
intenso
inteiro
integral
indescritível
de tocar
cheirar
sentir
aquele corpo
aquele homem
aquele amigo
desejo.
o seu corpo
belo
firme
quase nu
com cheiro
de mar
e de amor.
Diante dele
o meu querer
o meu desejo
intenso
inteiro
integral
indescritível
de tocar
cheirar
sentir
aquele corpo
aquele homem
aquele amigo
desejo.
705
Jorge Lúcio de Campos
A origem do mundo
(a Gustave Courbet)
Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros
ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos
Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda
sob a luz desenroscada
da manhã?
Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros
ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos
Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda
sob a luz desenroscada
da manhã?
887
Jorge Lúcio de Campos
Retrato de Regina num quimono preto
(a Steve Hawley)
Pouco a ver ou
a dizer daqueles
seios de Alechinsky –
as coisas do mundo
a argila quente do dia
Pouco a ver ou
a dizer daquele
queixo de Rodchenko
– um eu-te-amo de
delírio reencontrado
(um pouco a língua e
a nuca por completo)
Ao redor daquelas
patas de Tanguy
só cabeça, tronco
e membros
Pouco a ver ou
a dizer daqueles
seios de Alechinsky –
as coisas do mundo
a argila quente do dia
Pouco a ver ou
a dizer daquele
queixo de Rodchenko
– um eu-te-amo de
delírio reencontrado
(um pouco a língua e
a nuca por completo)
Ao redor daquelas
patas de Tanguy
só cabeça, tronco
e membros
774
Maria Teresa Horta
Anjos do amor – III
(à minha mãe)
Vens de um sonho
tomado
da infância
quando comigo deitada nos lençois
me abraçavas
E o orgasmo te transformava as asas
Que domínio
tenho
dos teus braços?
meu amor,
ao voares sobre o que eu faço
com teu corpo de cetim
nadando em nosso abraço?
Tu voas,
como as bruxas
e os anjos
Como os rios
por dentro das nuvens
e da vagina
És o anjo
tu
das minhas asas
sobre os seios...
Suposto é de ti
que tu tens asas
luzentes:
a tremerem-te
na fala
As laminas
de metal
das tuas asas?
A lembrar o sol
a bater
nas penas dos pássaros
Tu,
és o anjo negro
da boca...
do meu corpo
Vens de um sonho
tomado
da infância
quando comigo deitada nos lençois
me abraçavas
E o orgasmo te transformava as asas
Que domínio
tenho
dos teus braços?
meu amor,
ao voares sobre o que eu faço
com teu corpo de cetim
nadando em nosso abraço?
Tu voas,
como as bruxas
e os anjos
Como os rios
por dentro das nuvens
e da vagina
És o anjo
tu
das minhas asas
sobre os seios...
Suposto é de ti
que tu tens asas
luzentes:
a tremerem-te
na fala
As laminas
de metal
das tuas asas?
A lembrar o sol
a bater
nas penas dos pássaros
Tu,
és o anjo negro
da boca...
do meu corpo
3 991
Natália Correia
Mocinhas gráceis
Mocinhas gráceis, fungíveis
Mimosas de carne aérea
Que pela erecção dos centauros
Trepais como doida hera!
Por ardentes urdiduras
De Afrodite que abonais
Passais como queimaduras
E tudo em fogo deixais.
Ofegar de onda retida
Na ocupação epidérmica
De serdes a exactidão
Florida da primavera,
Todas de luz invadidas,
Soi, porém, as irreiais
Bonecas de sol sumidas
No fulgor com que alumbrais.
Lá no fundo dos desejos
Chegais macias e quentes
Com violas nos cabelos,
Nas ancas, quartos crescentes;
Nas pernas, esguios confeitos,
Na frescura o vermelhão
De uma alvorada que rompe
Em seios de requeijão.
Enleais, mas de enleadas,
Ó volúveis, ó felinas!
Saltais fazendo tinir
Risadas de turmalinas;
E com as asas do segredo
Que vos faz misteriosas
– Pois sendo divinas, sois
Do breve povo das rosas –,
Adejais de beijo em beijo
Já que para gerar assombros
Vicejam as folhas verdes
Que vos farfalham nos ombros.
Ó doçaria que em línguas
Acres sois torrões de mel,
Quando idoneamente ninfas
Vos vestis da vossa pele!
Se a olhares venéreos furtar-vos
Em roupas não vale a pena,
Pois mesmo vestidas estais
Nuinhas de graça plena,
De esbelta nudez plantai
Róseos calcanhares nos dias
Fugazes, não vá Vulcano
Levar-vos para sombras frias;
Não sequem os anos corpinhos
De aragem que os deuses sopram,
Que os anos são os malignos
Sinos que pela morte dobram.
Mocinhas fúteis que sois
Da vida as espumas altas
Leves de não vos pesar
O peso de terdes almas;
Que essa força de encantar,
Ó belas! cria, não pensa.
Ser perdidamente corpo
É a vossa transparência.
Mimosas de carne aérea
Que pela erecção dos centauros
Trepais como doida hera!
Por ardentes urdiduras
De Afrodite que abonais
Passais como queimaduras
E tudo em fogo deixais.
Ofegar de onda retida
Na ocupação epidérmica
De serdes a exactidão
Florida da primavera,
Todas de luz invadidas,
Soi, porém, as irreiais
Bonecas de sol sumidas
No fulgor com que alumbrais.
Lá no fundo dos desejos
Chegais macias e quentes
Com violas nos cabelos,
Nas ancas, quartos crescentes;
Nas pernas, esguios confeitos,
Na frescura o vermelhão
De uma alvorada que rompe
Em seios de requeijão.
Enleais, mas de enleadas,
Ó volúveis, ó felinas!
Saltais fazendo tinir
Risadas de turmalinas;
E com as asas do segredo
Que vos faz misteriosas
– Pois sendo divinas, sois
Do breve povo das rosas –,
Adejais de beijo em beijo
Já que para gerar assombros
Vicejam as folhas verdes
Que vos farfalham nos ombros.
Ó doçaria que em línguas
Acres sois torrões de mel,
Quando idoneamente ninfas
Vos vestis da vossa pele!
Se a olhares venéreos furtar-vos
Em roupas não vale a pena,
Pois mesmo vestidas estais
Nuinhas de graça plena,
De esbelta nudez plantai
Róseos calcanhares nos dias
Fugazes, não vá Vulcano
Levar-vos para sombras frias;
Não sequem os anos corpinhos
De aragem que os deuses sopram,
Que os anos são os malignos
Sinos que pela morte dobram.
Mocinhas fúteis que sois
Da vida as espumas altas
Leves de não vos pesar
O peso de terdes almas;
Que essa força de encantar,
Ó belas! cria, não pensa.
Ser perdidamente corpo
É a vossa transparência.
2 067
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Surrealista
cabelos escorridos
caprichar nos bicos
seios rijos
rechear as coxas
apetrechos
nos pêlos negros
encaracolar
desejos
escorrer uma fina
depressão
uma dala erótica
um rego
palavras
lavras e cheiros
de fêmea-faminta
lambuzada de um mel
selvagem
da abelha mais nobre
a queimar a língua
a criar um delírio-macho
caldo provado
tornar chamas caladas
derreter
em cinzas
sermos sulco-sumo
uno
fêmea-macho
sem artimanhas
procriadores de efêmeros
nadas
abraçados no pescoço
surrealista de minha poesia
caprichar nos bicos
seios rijos
rechear as coxas
apetrechos
nos pêlos negros
encaracolar
desejos
escorrer uma fina
depressão
uma dala erótica
um rego
palavras
lavras e cheiros
de fêmea-faminta
lambuzada de um mel
selvagem
da abelha mais nobre
a queimar a língua
a criar um delírio-macho
caldo provado
tornar chamas caladas
derreter
em cinzas
sermos sulco-sumo
uno
fêmea-macho
sem artimanhas
procriadores de efêmeros
nadas
abraçados no pescoço
surrealista de minha poesia
879
Jorge Lúcio de Campos
Teoria do belo
Desejo gesta
um tom siena
em tua pele
Eu, embaixo,
envergonhado
Tu, em cima,
seios cheios
de perdizes
um tom siena
em tua pele
Eu, embaixo,
envergonhado
Tu, em cima,
seios cheios
de perdizes
751
Paulo Netho
Olhos nus
Seu corpo nu
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.
1 023
Nálu Nogueira
A pele e o vento
Quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.
E se o Vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pêlos
a Pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.
(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a Pele
e suas mãos segura.)
então a Pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do Vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do Vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo
e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;
sente nas costas o peso
do Vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;
tem dentro de si o corpo
do Vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);
quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a Pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
diferente.
e o Vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.
E se o Vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pêlos
a Pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.
(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a Pele
e suas mãos segura.)
então a Pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do Vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do Vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo
e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;
sente nas costas o peso
do Vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;
tem dentro de si o corpo
do Vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);
quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a Pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
diferente.
2 449
Levi Bucalem Ferrari
Vagas estrelas do vídeo
Vera tira a blusa atira a tiara na cara vira abusa da bunda deveras abundante paraíso vem para isso virada vem sem anda devora vara vera de tantas taras odaras que adoras por isso para com isso deusmônio atômico me veja atônito vera tônico tonico apara os cabelos de vera viagem astronteante neón de galáxias sem órbitas senhora de oras bolas argolas colchões de molas viche viajantes nas eras errantes teus lábios teus dentes por lares nunca dantes novelados se eras distante hera do húmus do hímem da terra do homem navegante pelos pelos de vera gata vera mata maltrata na terra na mata no anúncio da lata vera deusa latejante de tantas e várias varas vorazes e vídeos cacetes e ais austrais ai de quem jaz atrás de retos atrozes elegantes retro escavadeiras elefantes toda tua nudez será lambida gigantemente lambuzada vai irmão toma esse avião no chão no meio do salão dentro do seu coração na mão na mente ilusão panta fatal fantasia ponta cruel de ir ou não ia ai nave do sonho vera fraulein antes que algum verdureiro alface faça na face da vera no meio do seio de fada faminta aventura vício ventura virtude fortuna delícia de cio ciciando eine kleine fishermusik de pé de ré sem dó vera devoramifasolasi.
783
Márcio Jacinto
Corpos
Entre o corpo de uma mulher
E o de um homem
Há mais mistérios do que
O céu, a terra
(E Shakespeare!)
Poderiam imaginar.
E o de um homem
Há mais mistérios do que
O céu, a terra
(E Shakespeare!)
Poderiam imaginar.
835
Lúcia Afonso
Não há partes prediletas
Não há partes prediletas de teu corpo
que me excitem os sentidos
e me façam
as pupilas e a vagina mais molhadas,
como pedaços de um ícone quebrado.
Te quero pleno, inteiro e articulado
se enroscando em meus pedaços, a dar-me
uma visão inteira de mim mesma,
no espelho abissal de teu abraço.
Não há partes prediletas de teu corpo,
pois o que seria de mim, sob teu peso,
ao sentir teu pênis meu e teso
sem, antes, um afago nos cabelos?
Não há partes no todo predileto
de teu corpo, lábios, nuca,
a pequena marca sobre o peito,
mamilos, calcanhares, a garganta.
Partes...
e inteiro
me ficas, predileto,
no teu cheiro espalhado sobre a cama.
que me excitem os sentidos
e me façam
as pupilas e a vagina mais molhadas,
como pedaços de um ícone quebrado.
Te quero pleno, inteiro e articulado
se enroscando em meus pedaços, a dar-me
uma visão inteira de mim mesma,
no espelho abissal de teu abraço.
Não há partes prediletas de teu corpo,
pois o que seria de mim, sob teu peso,
ao sentir teu pênis meu e teso
sem, antes, um afago nos cabelos?
Não há partes no todo predileto
de teu corpo, lábios, nuca,
a pequena marca sobre o peito,
mamilos, calcanhares, a garganta.
Partes...
e inteiro
me ficas, predileto,
no teu cheiro espalhado sobre a cama.
848
Anjo Hazel
Façamos um trato esta noite
Façamos um trato esta noite... não sejamos tão realistas.
Você geme e suspira, eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.
Façamos um trato esta noite... efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.
Façamos um trato esta noite... as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...
Façamos um trato esta noite... não adianta fugir da própria vida !
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.
Façamos um trato esta noite... prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude.
Você geme e suspira, eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.
Façamos um trato esta noite... efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.
Façamos um trato esta noite... as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...
Façamos um trato esta noite... não adianta fugir da própria vida !
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.
Façamos um trato esta noite... prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude.
1 347
Julio Ludemir
Escarpas
As minhas mãos escapam
pelas escarpas do seu corpo
e esculpem sensações indecifráveis
quando nos vemos nus em Vênus
ou nas vezes que navegamos até Veneza
descendo lentamente pelas correntezas do orgasmo.
pelas escarpas do seu corpo
e esculpem sensações indecifráveis
quando nos vemos nus em Vênus
ou nas vezes que navegamos até Veneza
descendo lentamente pelas correntezas do orgasmo.
1 055
Isabel Machado
Inevitável
Inevitável foi o toque
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no ato.
Inevitável foi o tato
e meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...
Inevitável
tatear-me em falso
pra sentir-te pleno
em mim...
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no ato.
Inevitável foi o tato
e meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...
Inevitável
tatear-me em falso
pra sentir-te pleno
em mim...
902
Djalma Filho
Ainda os lençóis
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas
Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.
Lençóis acima
Trocentas diversões
Meu traço risca teu
espaço em voz e direção
Meu corpo encurva
e te submete a mais
uma exploração...
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Perco o diapasão
Há um afinar de
corpos pelo ouvido
Quero te ouvir sempre
em movimentos entônicos
de orgasmos
Lençóis abaixo
Lençóis acima
Caio de quatro
Percebo no ato o
penetrar manso
Estou alucinado
pelos movimentos sutis
de descobertas
Lençóis abaixo
e acima...
estou em ti...
como voraz os pés
da cama...
e a teus pés eu
declamo
harmonias loucas
perdidas e lúcidas
já sem lençóis,
sanidade
ou sensatez.
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