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Poemas neste tema

Aleilton Fonseca

Aleilton Fonseca

nota sobre

teoria particular (mas nem tanto) do poema

a disposição dos versos em estrofes numeradas indica uma seqüência de leitura entre
outras, por exemplo:

1 123
Cláudio Alex

Cláudio Alex

Poesia Diária

- Um digest diário sobre poesia em português.

O que traz este digest:

- poesias de autores que escrevem na língua
portuguesa;

- poesias estrangeiras traduzidas para o
português;

- poesias inéditas e novos poetas;

- ensaios, críticas sobre poesia;

- textos em prosa poética;

- biografias;

- notícias sobre prêmios e concursos;

- dicas sobre novos lançamentos em poesia;

- dicas para quem está começando a escrever;

- dicas sobre a poesia na Internet.

Se você gosta de poesia terá sempre contato com
uma seleção criteriosa e bem cuidada...

Se você é poeta, já tem trabalhos reconhecidos,
o Poesia Diária traz a oportunidade de troca de
experiências e conhecer os novos rumos...

Se você está começando agora, está querendo mostrar
seus poemas, integrar-se em grupos de poesia, conhecer
o caminho da poesia...

Se você é crítico de literatura precisa estar em
contato com o meio veloz da poesia cibernética...

Se você é editor, não pode deixar de atentar para
os novos talentos...

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e juntar-se a um grupo de 500 assinantes situados
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1 064
André Ricardo Aguiar

André Ricardo Aguiar

Haicai

minúscula caixinha, amor,
- templo que não se escreve dó
mas a primeira nota

897
Cláudio Alex

Cláudio Alex

Para Ana

Conta-me o que houve...
Explica-me o cenário...
Onde você anda?
Como é que foi?

Sim, deve estar tudo escrito.
Devias ter um livro preto de anotações
com este meu.

É verdade, o infinito e violeta?

Como um mergulho direto ao espírito
que te tragou e levou para longe
e nos deixou sem palavras.

Não gosto demais do concreto.
Não saberia fazê-lo
na tua acidez sulfúrea,
teus dentes, teus óculos escuros.
E os dedos... o calo da escrita.
A caibra de horas insones,
redigindo textos diretos,
sem retoques, sem gavetas,
sem embalagem, diretos,
secos e sulfúreos.

Deixa-me escrever um epitáfio,
não morto, nem eterno.
Um epitáfio mudo,
uma lembrança apenas,
apenas aquilo de lembrar.
Apenas aquilo de lembrar
e que sempre me lembre,
para a minha vida e morte,
fora das espécies comuns,
e ao mesmo tempo com tudo,
como o ar que expande,
como a água que adapta.
E toda a umidade de ambos...
E toda a melancolia de ambos...
Ana Cristina César.

748
Adailton Medeiros

Adailton Medeiros

Pré-texto para Cassiano Ricardo

amanhã o bom dia
na difícil manhã
chão romã
clã reipã
no reVerSo SIGno
EU mEU poemachão
poemapa poemassa
fada fica
riso rico
falo fala
sobre / vivEntes e
ternos amigos do
peito ó Jeremias
sem choro
nem velas
canto RICo ARDOr
sabiá-do-rosa-mente

895
Arlete Nogueira da Cruz

Arlete Nogueira da Cruz

Rua dos Afogados

Rua de verdade e de sobrado
onde um sol lhe cai em vertical
onde um herói quer-se afogado
libertando sua ilha natural.
Rua que recolhe o moribundo
sacrifício de quem por ser mortal
mergulha e eleva-se num mundo
de mariscos, de algas e de sal,
Rua que sobre rumo ao porto
desta ilha que se quer liberta
rua que transformava o morto
silêncio da cidade — ó rua
de indormidas noites e aberta
para o poeta descer a sua lua.

1 329
Antero Coelho Neto

Antero Coelho Neto

Estou Velho

Eu procuro as palavras certas
dos meus versos e elas faltam...
Não consigo juntá-las
na idéia clara do que pretendo...
A fantasia é solta
e não consigo revê-la...
Ela vai e não volta mais
enquanto o tempo rápido passa...
E fico eternamente velho
trocando palavras e sonhos
que não tem mais qualquer sentido
que não tem mais nenhum valor...

1 276
Marcial

Marcial

VI, 8 - A SEVERO

Pretores dois, e mais tribunos quatro,
Advogados sete, e poetas dez,
Todos à mão da filha se fizeram
De certo velho. E ele ao pregoeiro
Eulogo foi que a mão da jovem deu.
Não foi, Severo, sábia a decisão?

497
Nicanor Parra

Nicanor Parra

JOVENS

Escrevam o que queiram.
No estilo que lhes pareça melhor.
Passou demasiado sangue sob as pontes
para continuar-se a crer
que possa seguir-se um só caminho.

Em poesia tudo é permitido.

Com a condição expressa
é evidente
de superar-se o papel em branco.

1 148
Antônio Brasileiro

Antônio Brasileiro

Os Instrumentos e Ofícios

Este poema talvez não seja feito
para seu ouvido
acostumado às delícias
do pôr-do-sol, dos botões de rosa,
das palavras flácidas.

Este poema anda descalço
veste farrapos
xinga nomes horríveis.
Talvez seu ouvido se recuse
a captar coisas
tão ríspidas, não importa.

Ele ecoará com seus trapos
sua rispidez sua
imundícia.
Ecoará bem alto
sobre as calçadas, os edifícios
sobre o mar —
e continuará ecoando em
cada onda nas praias
em cada pedra nas praças
em cada lâmina de faca.

868
Marcial

Marcial

III, 68--A UMA MATRONA PUDIBUNDA

Só até aqui, matrona, é para ti o livro.
O mais interno dele. para quem? Pra mim.
Ginásio, estádio, termas, deste lado: foge.
Aqui nos desnudamos. Homens nus não vejas.
Despojando entre rosas, ébria já, o pudor,
Terpsícore não cuida que palavras diz.
Sem véus e sem rodeios, dá seu nome àquele
Que Vénus em Agosto em si recebe impante,
Que como de espantalho o lavrador coloca
Em meio do seu horto. E que as virgens só olham
Por entre os dedos castos. Se bem te conheço,
ias pousar meu livro. Ah, ah... vais lê-lo agora...

836
Friedrich Hölderlin

Friedrich Hölderlin

Lembrança

Sopra o nordeste,
O mais grato dos ventos:
Grato a mim porque é cálido, e aos marujos
Porque promete fácil travessia.
Eia, saúda agora
O formoso Garona
E os jardins de Bordéus
Lá coleia na íngreme ribeira
A vereda, e no rio
Se despenha o regato; mas acima
Olha o par generoso
De álamos e carvalhos.

Ainda me lembro bem e como
As largas copas curva
O olmedo sobre o moinho.
No pátio há uma figueira.
E nos dias feriados,
Pisando o chão sedoso
Passeiam mulheres morenas
No mês de março
Quanto o dia é igual à noite
E nos lentos caminhos
De áureos sonhos pejados
Sopram brisas embaladoras.

Mas estenda-me alguém,
Da escura luz repleto
O aromado copo
Para que eu possa descansar; pois doce
Seria o sono à sombra.
Também não fora bem
Privar-se de mortais
Pensamentos, que bom
É conversar; dizer
O que se sente, ouvir falar de amores,
De coisas passadas.

Porém que é dos amigos? Belarmino
E o companheiro? Muitos
Têm medo de ir à fonte.
É que a riqueza principia
No mar. Ora, eles
Reúnem como pintores
As belezas da terra e não desprezam
A alada guerra não,
Nem desdenham morar anos a fio
Sob o mastro sem folhas, onde à noite
Não há as luminárias da cidade,
Nem dança e música nativa.

Mas hoje aos Índios
Foram-se os homens,
Ali, na extremidade

Das montanhas cobertas de vinhas
Donde baixa o Dordonha,
Acaba o rio no Garona
Largo como o Oceano. Todavia
O mar toma e devolve a lembrança.
O amor também demora a olhar debalde.
O que perdura porém, fundam-no os poetas.

(Tradução de Manuel Bandeira)

 

1 187
Heinrich Heine

Heinrich Heine

DOCH DIE KASTRATEN

Quando ensaiei minhas árias
Os castrados protestaram.
Que voz, que dicção, ordinárias
- Protestaram e clamaram.

E logo de cada qual
A vozinha delicada
Em trilos como cristal
Pura vibrou e afinada.

De desejos só cantavam,
E do amor e suas partes.
E as damas todas choravam
Comovidas com tais artes.

1 933
Cruz e Sousa

Cruz e Sousa

O ASSINALADO

Tu és o Louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tualma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco.

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!

1 852
Konstantínos Kaváfis

Konstantínos Kaváfis

NUM LIVRO VELHO

NUM LIVRO VELHO

Num livro velho - mais ou menos de há cem anos -
por entre as suas folhas esquecida,
encontrei uma aguarela sem assinatura.
Devia ser a obra de artista assaz forte.
Levava por título, «Apresentação do Amor».

Mas antes lhe convinha, «- do amor dos ultra estetas».

Pois era evidente quando se via a obra
(com facilidade se sentia a ideia do artista)
que para quantos amam um tanto higienicamente,
mantendo-se dentro do permitido de todas as maneiras,
não era destinado o adolescente
da pintura - com olhos castanhos de cor profunda;
com a beleza selecta do seu rosto,
a beleza das atracções perversas;
com os seus lábios ideais que levam
o prazer a um corpo amado;
com os seus membros ideais moldados para leitos
a que chama depravados a moral corrente.

1 364
Alfred Edward Housman

Alfred Edward Housman

THEY SAY MY VERSE

Dizem: meu verso é triste: não admira.
Abarca a estreita medida
Tristes lágrimas de ira:
Não minhas: da vida.

Isto se escreve para os não-nascidos.
Gerados em vão,
Lerem quando se virem consumidos,
E eu não.

988
Lope de Vega

Lope de Vega

SONETO DE REPENTE

Um soneto, que eu faça quer Violante:
nunca me vi na vida em tal espeto.
Catorze versos dizem que é o soneto:
brinca brincando vão já três adiante.

Pensava não achar mais consoante
e na metade estou de outro quarteto;
mas se me vejo dentro de um terceto
não há nestes quartetos que me espante.

No primeiro terceto vou entrando,
e parece que entrei com o pé direito,
pois fim com este verso lhe vou dando.

E já estou no segundo, e até suspeito
que vou uns treze versos acabando.
Conta! se são catorze, e eis que está feito.

3 634
Cruz e Sousa

Cruz e Sousa

A UMA ATRIZ

trechos do
poema O Botão de Rosa

Era um botão feliz,
Cuia roseira, impávida,
Ébria de aromas bons, ébria de orgulhos - ávida
De completa fragrância,
Palpitava com ânsia
Desde a própria raiz.

Tardes formosíssimas,
Ó grande livro aberto aos geniais artistas,
Como tanto alargais as crenças panteístas,
Como tanto esplendeis e como sois riquíssimas.

O cérebro em nevrose,
No pasmo que precede a augusta apoteose
De uma excelsa visão perfeitamente bela,
De uma excelsa visão em límpidos docéis,
Exaltava o acabado artístico da Tela
E o gosto dos pincéis.

A arte especialmente, esse prodígio, atriz,
Como o botão de rosa
Tão meigo e tão feliz,
Pode ser arrojada e brutalmente, ao pego,
Na treva silenciosa,
Onde o espírito vai, atordoado e cego,
Cair, entre soluços,
Como um colosso ideal tombado ao chão de bruços,
Ou pode equilibrar-se em admirável base
Estética e profunda,
Assim, bem como o outro, à mais radiosa altura.

Deves sondá-la bem nesta segunda fase.
Precisas para isso uma alma mais fecunda.
Precisas de sentir a artística loucura...

762
Liz Christine

Liz Christine

Romantismo

não desejo sua dor...
assistir o seu prazer
me faz descobrir...
você é meu amor
preciso te fazer...
e quero te ver
bem, alegre, satisfeito...
seu prazer me diz respeito
porque minha satisfação...
depende
da sua realização...
entende?

Meu romantismo
é o mais puro egoísmo...

Quero te ver realizado
Meu amor apaixonado
Não por você, mas por mim
Porque isso me dá prazer, só por isso... prazer,
prazer é o meu sentido! O que me guia, inspiração,
poesia, tesão, sexo... você é minha doce paixão!

999
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Tertúlia erótica

chula
boceta tem o clitóris no b
a uretra no c
e a vagina no a
não
solta nenhum rapé
mas é cheia
de pastilhas e docinhos literários
guloseimas
que somente um poeta aprendeu
a cultuar

937
Paulo Montalverne

Paulo Montalverne

Dança

Eu me lembro de teu corpo
Esgueirando-se sensual
Pela gula de meu olhar.
No compasso rítmico,
Sibilando,
Trazendo para mim
Tua arte feita de carne.
Degusto na memória,
Ansioso,
O arfar de teus seios
E o suor de tua face.
Que gozo escondia teu sorriso?

849
Eliana Mora

Eliana Mora

Ritmo desnudo

As pétalas de um corpo
são assim
Podem querer se dar
se desfolhar
De certo modo podem mesmo latejar
E ele vai ficando
um tanto mais safado
mais desnudo
E na vergonha
deixa de dizer que ainda fica
mudo
Por que ninguém queria ouvir
um grito seu
E vai perdendo aquele jeito
duro
um ar de estátua
sólido e salino
de planta seca mas vivaz
um certo ar mordaz
[ou ar divino]
De algo que encolheu
que foi fechando
que se rompeu num ritmo
perverso
escondendo de si mesmo
um próprio indesejado
verso
Que tocou desafinado
sem sentido
E assim permaneceu por muito
tempo
[um tempo infindo]
Sem ter pensado
ou procurado achar
perdão
Ou ainda tão somente ter
olhado
Se ainda tinha corda
aquele corpo
Solo virgem

[violão]

698
Maria Rachel Lopes

Maria Rachel Lopes

Compasso

Te quero aqui comigo
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã

729
Ricardo Kelmer

Ricardo Kelmer

Poemas de saliva

Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais

Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução

1 308