Sol, amanhecer e pôr do sol
Poemas neste tema
Eugénia Tabosa
Despertar
Do longe
ainda vinha
um som
longo
de luar
e senti
ainda viva
essa noite
a te sonhar
Na janela
que se abria
um pássaro
veio pousar
era hora
era dia
era sol
a despontar
À minha porta
batias
e corri nua
a te abraçar.
ainda vinha
um som
longo
de luar
e senti
ainda viva
essa noite
a te sonhar
Na janela
que se abria
um pássaro
veio pousar
era hora
era dia
era sol
a despontar
À minha porta
batias
e corri nua
a te abraçar.
1 181
Luiza Neto Jorge
Venho de dentro,abriu-se a porta
Venho
de dentro,abriu-se a porta:nem todas as horas do
dia e da noiteme darão para olhar de
nascentea poente e pelo meio as ilhas.Há um jogo de
relâmpagos sobre o mundode só imaginá-la a luz
fulmina-me,na outra face ainda é sombraBanhos de
solnas primeiras areias da manhãMansidões na pele e
do labirinto sóa convulsa circunvolução do
corpo.
de dentro,abriu-se a porta:nem todas as horas do
dia e da noiteme darão para olhar de
nascentea poente e pelo meio as ilhas.Há um jogo de
relâmpagos sobre o mundode só imaginá-la a luz
fulmina-me,na outra face ainda é sombraBanhos de
solnas primeiras areias da manhãMansidões na pele e
do labirinto sóa convulsa circunvolução do
corpo.
1 433
Ronaldo Bonfim
Haicai
Cachoeira
As pedras quebram
o espelho d’água e
refletem o sol.
O grilo imita
o som do atrito
carro de boi.
As pedras quebram
o espelho d’água e
refletem o sol.
O grilo imita
o som do atrito
carro de boi.
975
Ana Suzuki
Haicai
Noite na praia...
Os pescadores recolhem
a estrela cadente.
Crise
O sol esbraseia.
Um gato busca refúgio
na sombra do cão.
Os pescadores recolhem
a estrela cadente.
Crise
O sol esbraseia.
Um gato busca refúgio
na sombra do cão.
428
Fernando Pessoa
O sol que doura as neves afastadas
O sol que doura as neves afastadas
No inútil cume de altos montes quedos
Faz no vale luzir rios e estradas
E torna as verdes árvores brinquedos...
Tudo é pequeno, salvo o cume frio,
De onde quem pensa que do alto não vê
Vê tudo mínimo, num desvario
De quem da altura olhe quanto é.
22/08/1934
No inútil cume de altos montes quedos
Faz no vale luzir rios e estradas
E torna as verdes árvores brinquedos...
Tudo é pequeno, salvo o cume frio,
De onde quem pensa que do alto não vê
Vê tudo mínimo, num desvario
De quem da altura olhe quanto é.
22/08/1934
4 157
Fernando Pessoa
Começa, no ar da antemanhã,
Começa, no ar da antemanhã,
A haver o que vai ser o dia.
É uma sombra entre as sombras vã.
Mais tarde, quanto é a manhã
Agora é nada, noite fria.
É nada, mas é diferente
Da sombra em que a noite está;
E há nela já a nostalgia
Não do passado, mas do dia
Que é afinal o que será.
12/09/1934
A haver o que vai ser o dia.
É uma sombra entre as sombras vã.
Mais tarde, quanto é a manhã
Agora é nada, noite fria.
É nada, mas é diferente
Da sombra em que a noite está;
E há nela já a nostalgia
Não do passado, mas do dia
Que é afinal o que será.
12/09/1934
3 663
Fernando Pessoa
É inda quente o fim do dia...
É inda quente o fim do dia...
Meu coração tem tédio e nada...
Da vida sobe maresia...
Uma luz azulada e fria
Pára nas pedras da calçada...
Uma luz azulada e vaga
Um resto anónimo do dia...
Meu coração não se embriaga
Vejo como que em si o dia...
É uma luz azulada e fria.
13/07/1928
Meu coração tem tédio e nada...
Da vida sobe maresia...
Uma luz azulada e fria
Pára nas pedras da calçada...
Uma luz azulada e vaga
Um resto anónimo do dia...
Meu coração não se embriaga
Vejo como que em si o dia...
É uma luz azulada e fria.
13/07/1928
4 279
Fernando Pessoa
Nas entressombras de arvoredo
Nas entressombras de arvoredo
Onde mosqueia a incerta luz
E a noite ocupa a medo
O incerto espaço em que transluz...
1924
Onde mosqueia a incerta luz
E a noite ocupa a medo
O incerto espaço em que transluz...
1924
4 419
Fernando Pessoa
Ténue, como se de Éolo a esquecessem,
Ténue, como se de Éolo a esquecessem,
A brisa da manhã titila o campo,
E há começo do sol.
Não desejemos, Lídia, nesta hora
Mais sol do que ela, nem mais alta brisa
Que a que é pequena e existe.
13/06/1930 (Presença, nº 31/32, Março-Junho de 1931)
A brisa da manhã titila o campo,
E há começo do sol.
Não desejemos, Lídia, nesta hora
Mais sol do que ela, nem mais alta brisa
Que a que é pequena e existe.
13/06/1930 (Presença, nº 31/32, Março-Junho de 1931)
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