Infância

Poemas neste tema

Teruko Oda

Teruko Oda

Outono

Volto a ser criança
Em cada trouxinha de palha
Que esconde a pamonha!

No céu cristalino
A lua cheia de outono
parece sorrir.

1 175
Neusa Peçanha

Neusa Peçanha

Haicai

Começa a ventar:
o velho apanha o casaco,
o menino, a pipa.

O bonde da praça,
entre balanços vadios,
é brinquedo triste.

662
Manuel J. Reis

Manuel J. Reis

sem título

Havia
um menino
que procurava
a estrela
mais clara da noite.
E encontrou
na noite
a forma mais clara
da dor.

710
Micheliny Verunschk

Micheliny Verunschk

Feira

Me comove o apurado capricho
Dos meninos carroceiros da feira:
Arrumam da melhor maneira
A mercadoria nas suas
Mais possantes carroças.

985
Micheliny Verunschk

Micheliny Verunschk

Grindley

Os meninos
da rua velha
querem seda colorida
para povoar os azuis
da xícara clara
de pipas.

Também
balões multicores
e aladas traquinagens
querem os meninos tafuis
do pires
de bordas douradas

(Os meninos
da rua velha:
ladrões do tempo
— crianças —
senhores de prata e luz
gravados na porcelana).

1 038
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Alma de menino

Luzes brilham nesse labirinto
dizia o menino:
— Vês as estrelas?

E a noite sorria
vendo a alegria

Dizia o menino:
— Vês as estrelas?

Sim, eu via
dizia o menino
(eu não via)
logo é dia.

Vês as estrelas
e eu sorria
enquanto esperava
chegar outro dia.

867
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Hoje tem festa no céu

HOJE TEM FESTA NO CÉU
E OS HOMENS CHORAM NA TERRA

Morreu "mundinho"
filho de Izabel
que brincava às manhãs
com seu barco de papel

HOJE TEM FESTA NO CÉU
E OS HOMENS CHORAM NA TERRA

No céu preparam a chegada
do "mundinho de Izabel"
na terra ficou o barquinho
e o menino foi pro céu
HOJE TEM FESTA NO CÉU

1 071
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Menino de favela

Na favela
à favela
uma vela
vela o menino

pálido
frágil
sem vida

1 101
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

O natal de Raimundo

Raimundo ganhou
presente de Natal

Um incrível carro de bois
movido a pilhas

Leva a boiada Raimundo
Raimundo leva a boiada
E assim ele se diverte
num feliz faz de contas
empurrando um pedaço de madeira
na favela de São Leopoldo

851
Mário Donizete Massari

Mário Donizete Massari

Esperança

O menino
chupa laranjas
a dona de casa
sentada à varanda
contempla o fim de
mais um dia.

Um passarinho canta
no pomar
onde o menino
chupa laranja
às escondidas.

Fim de dia,
mas a esperança persiste
nos versos do poeta
no rosto do operário triste.

908
Marigê Quirino Marchini

Marigê Quirino Marchini

Os lírios azuis

Os lírios azuis
florescerão nas fendas dos luares
e seus perfis serão portas
onde os duendes chamarão
a ronda mágica
das clareiras cintilantes.

Hansel e Gretel passearão em minha infância.

812
Marta Gonçalves

Marta Gonçalves

Meninas de Tamancos

Cirandas jogando tempo
em calçadas antigas
Meninas de tamancos
rodando pião
Alecrim crescendo na janela
O estafeta visitando
velhas casas
Maria das Dores fugindo no sol

O barulho da memória acorda a alma.

1 094
Luiz Pimenta

Luiz Pimenta

Barcos e Sonhos

Barcos & Sonhos

Menino,
os barcos de papel
são como os sonhos:
uma vez naufragados
não podem mais
ser sonhados
ou navegados.

Por isso,
faça-os
fortes,
firmes,
ágeis e
livres.

Os barcos, menino,
são como os sonhos...

Ouro Preto, fevereiro de 89

961
Luiz Pimenta

Luiz Pimenta

Nós

Nós

à minha namorada
Quando eu te vejo criança
e me vejo-
também criança-
nós dois brincamos
de viver a vida.
Teus olhos brilham
e eu te beijo,
profundamente,
apaixonado.

Belo Horizonte, natal de 93

1 012
Jorge Lescano

Jorge Lescano

Verão

Estrelas cadentes?
Em torno do abajur
as mariposinhas.

Saudades da infância
nos longos dia de verão.
À noite, insônia.

905
Luiz Fernandes da Silva

Luiz Fernandes da Silva

Carrossel

Em cada rodada
o frio de lembrança
dos dias de infância.

Em cada cavalinho
as reminiscências da fantasia.

Em cada curva
novas ânsias e
enigma da sorte.

Em cada olhar
a liberdade e
o adeus aos sonhos.

Em cada salto,
o impacto, a queda

1 114
Cida Jappe

Cida Jappe

Poeminha de Raíssa

O meu primeiro dentinho caiu
você colocou lá na plantinha
Bem-vindo dentinho novo
ao castelihno dos dentes

733
Idalina de Carvalho

Idalina de Carvalho

Sem Título

Quando a tarde
caía sobre nós
enegrecendo o céu
era como se a vida
nos fosse tirada
por momentos
que a crueldade
fazia eternos.

Mas amanhecia
sempre
e tínhamos o sol
o quintal
recheado de cenouras
e o balanço
na goiabeira
insistentes em nos
fazer crer que
sobrevivíamos.

868
Iracema de Camargo Aranha

Iracema de Camargo Aranha

Primavera

Menino chora
Pipa sumiu no espaço
Linha partida.

Galhos curvados
como a pedir perdão
Nobre chorão.

Finados... Mortos
Presença dos ausentes
Quanta saudade...

922
Francisco Handa

Francisco Handa

Primavera

Pipa colorida
riscando o azul infinito.
Menino desenha.

Ao toque da fábrica
andorinhas fazem festa
no céu da cidade.

897
Fanny Luíza Dupré

Fanny Luíza Dupré

Inverno

Rua esburacada.
Brincando nas poças d’água.
O menino tosse.

960
Eunice Arruda

Eunice Arruda

Notícias

As crianças morrem

Em piscinas
lagoas
no centro da cidade

o corte na testa
barrigas inchadas
costas afundadas

As crianças
elas também nos abandonam

743
Emílio Burlamaqui

Emílio Burlamaqui

De uma Notícia de Jornal

Disseram à menininha de quatro anos,
Sobrevivente única de um desastre de avião
Em Detroit,
Que ela iria rever seus pais
Nunca mais.

E a menininha perguntava:
O que quer dizer "nunca mais"?

Infortunadamente, meu anjo,
É nunca jamais para todo o sempre,
É o nunca mais de corvo
Que Drumond, triste, lembrou,
Que Allan, trágico, criou.

706
Camilo Mota

Camilo Mota

Alegorias de roda

Olhos infantis
na roda gigante fitos
nada investigam:
quiçá uma vertigem sentem.

que mais sentiriam
se a orquestra em peso
derramasse giros coloridos
sobre a cidade em chamas?

o uivo da ex-secretária
desprende-se alado
sobre túmulos concêntricos.

854