Identidade
Poemas neste tema
Caio Valério Catulo
CARMEM 56
Mas que coisa mais ridícula e jocosa,
Digna, Catão, do teu riso e teus ouvidos.
Ri, pois, tanto quanto amas, Catão, Catulo,
Que a coisa é assaz ridícula e jocosa.
Há pouco vi um menino e uma meninaEngatados; e então nele, praza a Vênus,
De pronto engatei a minha vara rija.
(Tradução
de José Paulo Paes)
Digna, Catão, do teu riso e teus ouvidos.
Ri, pois, tanto quanto amas, Catão, Catulo,
Que a coisa é assaz ridícula e jocosa.
Há pouco vi um menino e uma meninaEngatados; e então nele, praza a Vênus,
De pronto engatei a minha vara rija.
(Tradução
de José Paulo Paes)
1 299
Liz Christine
Romantismo
não desejo sua dor...
assistir o seu prazer
me faz descobrir...
você é meu amor
preciso te fazer...
e quero te ver
bem, alegre, satisfeito...
seu prazer me diz respeito
porque minha satisfação...
depende
da sua realização...
entende?
Meu romantismo
é o mais puro egoísmo...
Quero te ver realizado
Meu amor apaixonado
Não por você, mas por mim
Porque isso me dá prazer, só por isso... prazer,
prazer é o meu sentido! O que me guia, inspiração,
poesia, tesão, sexo... você é minha doce paixão!
assistir o seu prazer
me faz descobrir...
você é meu amor
preciso te fazer...
e quero te ver
bem, alegre, satisfeito...
seu prazer me diz respeito
porque minha satisfação...
depende
da sua realização...
entende?
Meu romantismo
é o mais puro egoísmo...
Quero te ver realizado
Meu amor apaixonado
Não por você, mas por mim
Porque isso me dá prazer, só por isso... prazer,
prazer é o meu sentido! O que me guia, inspiração,
poesia, tesão, sexo... você é minha doce paixão!
1 001
W. H. Auden
BLUES FÚNEBRES
Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto - um laço no pescoço -
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz se engana.
É hora de apagar estrelas - são molestas -
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto - um laço no pescoço -
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz se engana.
É hora de apagar estrelas - são molestas -
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
1 968
Castro Alves
HINO AO SONO
Ó Sono! ó noivo pálido
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.
Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!
Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústia e dor não geme...
É tua mão que espreme
A dormideira ali.
Em tua branca túnica
Envolves meio mundo.
E teu seio fecundo
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!...
Da vida o sumo rúbido,
Do hatchiz a essência,
O ópio, que a indolência
Derrama em nosso ser,
Não valem, gênio mágico,
Teu seio, onde repousa
A placidez da lousa
E o gozo de viver...
Ó sono! Unge-me as pálpebras..
Entorna o esquecimento
Na luz do pensamento,
Que abrasa o crânio meu.
Como o pastor da Arcádia,
Que uma ave errante aninha...
Minhalma é uma andorinha...
Abre-lhe o seio teu.
Tu, que fechaste as pétalas
Do lírio, que pendia,
Chorando a luz do dia
E os raios do arrebol,
Também fecha-me as pálpebras...
Sem Ela o que é a vida?
Eu sou a flor pendida
Que espera a luz do sol.
O leite das eufórbias
Pra mim não é veneno...
Ouve-me, ó Deus sereno!
Ó Deus consolador!
Com teu divino bálsamo
Cala-me a ansiedade!
Mata-me esta saudade,
Apaga-me esta dor.
Mas quando, ao brilho rútilo
Do dia deslumbrante,
Vires a minha amante
Que volve para mim,
Então ergue-me súbito...
É minha aurora linda...
Meu anjo... mais ainda...
É minha amante enfim!
Ó sono! Ó Deus noctívago!
Doce influência amiga!
Gênio que a Grécia antiga
Chamava de Morfeu,
Ouve!... E se minhas súplicas
Em breve realizares...
Voto nos teus altares
Minha lira de Orfeu!
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.
Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!
Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústia e dor não geme...
É tua mão que espreme
A dormideira ali.
Em tua branca túnica
Envolves meio mundo.
E teu seio fecundo
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!...
Da vida o sumo rúbido,
Do hatchiz a essência,
O ópio, que a indolência
Derrama em nosso ser,
Não valem, gênio mágico,
Teu seio, onde repousa
A placidez da lousa
E o gozo de viver...
Ó sono! Unge-me as pálpebras..
Entorna o esquecimento
Na luz do pensamento,
Que abrasa o crânio meu.
Como o pastor da Arcádia,
Que uma ave errante aninha...
Minhalma é uma andorinha...
Abre-lhe o seio teu.
Tu, que fechaste as pétalas
Do lírio, que pendia,
Chorando a luz do dia
E os raios do arrebol,
Também fecha-me as pálpebras...
Sem Ela o que é a vida?
Eu sou a flor pendida
Que espera a luz do sol.
O leite das eufórbias
Pra mim não é veneno...
Ouve-me, ó Deus sereno!
Ó Deus consolador!
Com teu divino bálsamo
Cala-me a ansiedade!
Mata-me esta saudade,
Apaga-me esta dor.
Mas quando, ao brilho rútilo
Do dia deslumbrante,
Vires a minha amante
Que volve para mim,
Então ergue-me súbito...
É minha aurora linda...
Meu anjo... mais ainda...
É minha amante enfim!
Ó sono! Ó Deus noctívago!
Doce influência amiga!
Gênio que a Grécia antiga
Chamava de Morfeu,
Ouve!... E se minhas súplicas
Em breve realizares...
Voto nos teus altares
Minha lira de Orfeu!
1 631
Liz Christine
Orgia
Gemidos
Sussurro
Lábios, pele, beijo
Em seus ouvidos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver
Em meio a essa orgia
Nunca quis te pertencer
Tão livre, e você nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em si mesma, você
Minha nudez
Meu prazer
Você vê
Um engano? Talvez
Eu queira ser
Sua, talvez, eu nem sei
O que eu senti?
Ao te ver me olhando
Você beijando alguém
Uma pessoa gemendo
E eu gozando
Quero o seu beijo, vem
Estou dizendo
Sussurrando
Meus lábios te procurando
E outro corpo me domina
Outra língua me fascina
Vários corpos, sua mão
E eu tento dizer
Eu te amo
Amo sua mão
Mas você nem vai saber
Que era pra você que eu falei
E foi então
Nesse exato momento
Que escutei
Algum pensamento
Alguém pensando em voz alta
"aquela ali, a ruivinha
a ruivinha é a mais tarada"
Eu, tarada?
Nem vou responder
Te amo calada
E nem vou me arrepender
De estar te pervertendo
Você não era assim
Se liberte em mim
Amor, orgia
Talvez algum dia
Você saiba que eu sentia
Sussurro
Lábios, pele, beijo
Em seus ouvidos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver
Em meio a essa orgia
Nunca quis te pertencer
Tão livre, e você nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em si mesma, você
Minha nudez
Meu prazer
Você vê
Um engano? Talvez
Eu queira ser
Sua, talvez, eu nem sei
O que eu senti?
Ao te ver me olhando
Você beijando alguém
Uma pessoa gemendo
E eu gozando
Quero o seu beijo, vem
Estou dizendo
Sussurrando
Meus lábios te procurando
E outro corpo me domina
Outra língua me fascina
Vários corpos, sua mão
E eu tento dizer
Eu te amo
Amo sua mão
Mas você nem vai saber
Que era pra você que eu falei
E foi então
Nesse exato momento
Que escutei
Algum pensamento
Alguém pensando em voz alta
"aquela ali, a ruivinha
a ruivinha é a mais tarada"
Eu, tarada?
Nem vou responder
Te amo calada
E nem vou me arrepender
De estar te pervertendo
Você não era assim
Se liberte em mim
Amor, orgia
Talvez algum dia
Você saiba que eu sentia
925
Roy Campbell
O DOBRAR DO CABO
Rasante o sol, e pálido de chuva;
As longas vagas pardas vão lá onde
Adamastor, de seus marmóreos paços,
Ameaça os lusitanos como outrora.
Confusa no claror, eis a audaz forma,
Sombra de abismo à qual como que vamos,
Por sobre este convés, de acima da tormenta,
Abrindo em promontórios a bocarra.
Incautos, abatemos por trás dela
Florestas; sangue derramámos ímpios.
Ainda o trovão nos diz as profecias
Cumpridas em silêncio pelos séculos.
Adeus, sombra medonha! Livre sigo
Mas tu das trevas és Senhor ainda:
Vejo o fantasma mergulhar no mar
De tudo o que adorei ou detestei.
A proa sulca suave os mares submissos,
Mas onde o cabo extremo desce ao fundo,
A terra jaz escura à luz da lua,
E a Noite, a Negra, em sono murmura.
As longas vagas pardas vão lá onde
Adamastor, de seus marmóreos paços,
Ameaça os lusitanos como outrora.
Confusa no claror, eis a audaz forma,
Sombra de abismo à qual como que vamos,
Por sobre este convés, de acima da tormenta,
Abrindo em promontórios a bocarra.
Incautos, abatemos por trás dela
Florestas; sangue derramámos ímpios.
Ainda o trovão nos diz as profecias
Cumpridas em silêncio pelos séculos.
Adeus, sombra medonha! Livre sigo
Mas tu das trevas és Senhor ainda:
Vejo o fantasma mergulhar no mar
De tudo o que adorei ou detestei.
A proa sulca suave os mares submissos,
Mas onde o cabo extremo desce ao fundo,
A terra jaz escura à luz da lua,
E a Noite, a Negra, em sono murmura.
877
Camila Sintra
Tu e eu
eu entro
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
entro
entro
entro dentro
dentro
dentro
dentro de ti
de ti
ti ti ti ti ti
tiro
ponho
tiro ponho, ponho, ponho
ponho tudo
tudo, tudo, tudo,
em toda tu,
boca, boceta e cu,
olhos, nariz e alma,
coração, veias e vida
vida, minha vida,
não sei mais quem sou
nem quem és,
pois sou tu e sou eu
eu e tu
tu e eu
1 029
Levi Bucalem Ferrari
Centro expandido
no prédio in da faria lima
a senhora orienta a decoração do escritório
o executivo olha a secretária
como se pedisse desculpas
um office boy excitado
hesita
entre um par de coxas jovens e um decote finamente decorado
os ônibus transportam bundas discretamente acessíveis
a senhora orienta a decoração do escritório
o executivo olha a secretária
como se pedisse desculpas
um office boy excitado
hesita
entre um par de coxas jovens e um decote finamente decorado
os ônibus transportam bundas discretamente acessíveis
903
Fernando Correia Pina
Entardecer
Sentada na soleira do portado,
gozando a doce calma, estava a bela
com seu longo cabelo descuidado,
a saia recuada, a perna à vela.
O sol poente, viscoso e descarado,
pintou o fim da tarde em aguarela
e foi beijar-lhe a púbis, delicado,
qual brisa aflorando negra vela.
Cheio de tesão, ergui-me e avancei
feito a lançar a mão sobre o que olhei,
alinhavando umas desculpas toscas.
Porém, ao alcancar-lhe a poejeira,
lamentei amargamente aquela asneira
pois não eram pintelhos mas, sim, moscas.
gozando a doce calma, estava a bela
com seu longo cabelo descuidado,
a saia recuada, a perna à vela.
O sol poente, viscoso e descarado,
pintou o fim da tarde em aguarela
e foi beijar-lhe a púbis, delicado,
qual brisa aflorando negra vela.
Cheio de tesão, ergui-me e avancei
feito a lançar a mão sobre o que olhei,
alinhavando umas desculpas toscas.
Porém, ao alcancar-lhe a poejeira,
lamentei amargamente aquela asneira
pois não eram pintelhos mas, sim, moscas.
1 186
Cristiane Neder
Politicamente incorreta
Eu amo os gays,
por ter vários amigos gays.
Eu amo as putas
por elas estarem sempre nuas,
e saberem que na fragilidade do amor
se encontra a dor.
Eu gosto de política
mas sou politicamente incorreta,
sempre amei minha professora
por me ensinar as coisas mais belas
das quais não tinha em aula.
Amo o estado da vida
fora do lugar comum,
e por isso as coisas
se tornam tão interessantes
como a poesia
que nasce e morre
neste instante.
por ter vários amigos gays.
Eu amo as putas
por elas estarem sempre nuas,
e saberem que na fragilidade do amor
se encontra a dor.
Eu gosto de política
mas sou politicamente incorreta,
sempre amei minha professora
por me ensinar as coisas mais belas
das quais não tinha em aula.
Amo o estado da vida
fora do lugar comum,
e por isso as coisas
se tornam tão interessantes
como a poesia
que nasce e morre
neste instante.
858
Nelson Castelo Branco Eulálio
A cerimônia da insistência
Não consigo perdoar nem a ti nem a vida
Por negarem-me a oportunidade
De descobrir em teu corpo
Todo o mistério do universo...
Por que não pude beijar teus seios
Fontes de amor e vida?
Por que não pude beijar tua alma
Pela janela da tua feminilidade?
Por que não pude sentir por dentro
O mais recôndito do teu corpo
Mesmo que fosse por entre fios de látex?
Negar a realização do amor que nos bate à porta
É crime de lesa-natureza...
E tu serás cobrada por essa recusa
Quando perceberes que as efêmeras paixões
Que hoje te animam o ser
São apenas pálidos reflexos
Do que podias Ter e recusaste.
Por causa de tua negativa
As estrelas se quedaram silentes;
A lua ficou triste, encabulada;
O sol amanheceu constrangido.
Toda a natureza sentiu-se negada
Pela simples volição de uma mortal!
Que poder é esse que o Homem tem
De negar o Ser, de recusar-se a criar?
Que poder é esse que te foi dado
De negares a realização do amor?
Já pensaste que tu poderás querer
(e não Ter)
justamente o amor que te foi oferecido
e que tu simplesmente recusaste?
A tua recusa constrangeu todo o Olimpo
Aliás, dos deuses gregos aos romanos
De Eros a Afrodite...
Deixaste desconcertado o Cupido
Profanaste o altar de Vênus.
Mas podes crer que Zeus
Que jamais permitiu tanta soberba
De uma simples mortal (embora linda)
Vai cunhar em etéreas plagas
A sentença que encimará tua imagem de mulher
E a de todas iguais a ti:
"Aqui jaz, neste corpo de mulher
o amor estéril que não se pode realizar..."
E esta será tua sina: Ensinar a todas as mulheres
Que ao amor não se pode nada negar.
Por negarem-me a oportunidade
De descobrir em teu corpo
Todo o mistério do universo...
Por que não pude beijar teus seios
Fontes de amor e vida?
Por que não pude beijar tua alma
Pela janela da tua feminilidade?
Por que não pude sentir por dentro
O mais recôndito do teu corpo
Mesmo que fosse por entre fios de látex?
Negar a realização do amor que nos bate à porta
É crime de lesa-natureza...
E tu serás cobrada por essa recusa
Quando perceberes que as efêmeras paixões
Que hoje te animam o ser
São apenas pálidos reflexos
Do que podias Ter e recusaste.
Por causa de tua negativa
As estrelas se quedaram silentes;
A lua ficou triste, encabulada;
O sol amanheceu constrangido.
Toda a natureza sentiu-se negada
Pela simples volição de uma mortal!
Que poder é esse que o Homem tem
De negar o Ser, de recusar-se a criar?
Que poder é esse que te foi dado
De negares a realização do amor?
Já pensaste que tu poderás querer
(e não Ter)
justamente o amor que te foi oferecido
e que tu simplesmente recusaste?
A tua recusa constrangeu todo o Olimpo
Aliás, dos deuses gregos aos romanos
De Eros a Afrodite...
Deixaste desconcertado o Cupido
Profanaste o altar de Vênus.
Mas podes crer que Zeus
Que jamais permitiu tanta soberba
De uma simples mortal (embora linda)
Vai cunhar em etéreas plagas
A sentença que encimará tua imagem de mulher
E a de todas iguais a ti:
"Aqui jaz, neste corpo de mulher
o amor estéril que não se pode realizar..."
E esta será tua sina: Ensinar a todas as mulheres
Que ao amor não se pode nada negar.
890
Levi Bucalem Ferrari
Un séjour à Guarujá
(Madrigale a la moda dei maestri MariOswalDrumão, produção de Joãozinho Trinta, figurinos de Clodovil e direção variando entre Frederico Fellini e Zé do Caixão. Agradecemos ao indispensável apoio de nossos patrocinadores sem os quais este espetáculo seria impossível etc.)
Lua cheia... Minissaias, sorvetes, frivolidades.
Maduros casais idicham cotidianos milionários.
Ou galicizam lugares comuns: Mais non!
Um menino do Rio cinematografa-se.
Morte em Veneza, verão com vento.
Certas garotinhas... Âge du diable...
Une vague sensation dinceste.
De uma a língua circunda o sorvete
E outra o chupa, sorvendo-lhe o suco.
Alguém assobia bossas-novas...
"e quem sonhou, sonhou..."
Entre impertinentes cartazes de vende-se e aluga-se
O balneário se liquida
Num muro, toscas garatujas desafiam o frenesi imobiliário:
Volte minha nega, abaixo a psicanálise.
As ondas se fazem gigantescas lânguidas línguas
A lamber o traseiro da surfista sobre a prancha
Há espuma nas franjas
O mar saliva e ejacula.
Areias abundam bandos de madamas maquiadas.
O jogo da noite foi longe demais. Nunca mais.
Negócios em alta agitam conversas senhoriais
Saltos altos... modorras... uis e ais.
Alhures middle classes weekendizam
Vôlei, tênis, frescobol... guarda-sóis coloridos.
O executivo esteira-se. Ê vida boa!
Não volto mais prá São Paulo.
Crinaças areiam coxas de óleobronze...
Não enche o saco moleque!
Uma gorda de biquini...exigências do fellini
Ah, sim,
Entre tantas abandonadas bundas
Uma por ti suspira
Talvez aquela que retesou-te os glúteos
Mais ao fundo, negros caipiram
Cachaça ou vodka?
E espetinhos de camarão
Televivem-se anúncios de cigarro e coca-cola.
Figuração.
Às vezes penso que o Debret retratou o Brasil pro resto da vida.
Lua cheia... Minissaias, sorvetes, frivolidades.
Maduros casais idicham cotidianos milionários.
Ou galicizam lugares comuns: Mais non!
Um menino do Rio cinematografa-se.
Morte em Veneza, verão com vento.
Certas garotinhas... Âge du diable...
Une vague sensation dinceste.
De uma a língua circunda o sorvete
E outra o chupa, sorvendo-lhe o suco.
Alguém assobia bossas-novas...
"e quem sonhou, sonhou..."
Entre impertinentes cartazes de vende-se e aluga-se
O balneário se liquida
Num muro, toscas garatujas desafiam o frenesi imobiliário:
Volte minha nega, abaixo a psicanálise.
As ondas se fazem gigantescas lânguidas línguas
A lamber o traseiro da surfista sobre a prancha
Há espuma nas franjas
O mar saliva e ejacula.
Areias abundam bandos de madamas maquiadas.
O jogo da noite foi longe demais. Nunca mais.
Negócios em alta agitam conversas senhoriais
Saltos altos... modorras... uis e ais.
Alhures middle classes weekendizam
Vôlei, tênis, frescobol... guarda-sóis coloridos.
O executivo esteira-se. Ê vida boa!
Não volto mais prá São Paulo.
Crinaças areiam coxas de óleobronze...
Não enche o saco moleque!
Uma gorda de biquini...exigências do fellini
Ah, sim,
Entre tantas abandonadas bundas
Uma por ti suspira
Talvez aquela que retesou-te os glúteos
Mais ao fundo, negros caipiram
Cachaça ou vodka?
E espetinhos de camarão
Televivem-se anúncios de cigarro e coca-cola.
Figuração.
Às vezes penso que o Debret retratou o Brasil pro resto da vida.
838
Paulo Netho
Permuta
Você coloca
seu riso terno
na minha boca
enquanto eu coloco
nas suas coxas
meu gozo fraterno.
seu riso terno
na minha boca
enquanto eu coloco
nas suas coxas
meu gozo fraterno.
1 099
Isabel Machado
Baratas freudianas
Falo que barata não é falo
ouso discordar do Freud-Deus
ao gerar polêmica, me calo!
Quem, perante Freud-Deus, sou eu?
Devo ter então medo de sexo
preciso ficar a meditar
Penso na barata e não tem nexo
mas insisto e volto a repensar...
Não devo berrar mais quando a vejo
nem com meu chinelo destruí-la.
Se a barata é meu puro desejo
devo então amá-la ou possuí-la...
Acho que é melhor eu consultar
quem melhor entende desse tema.
Ou profundamente pesquisar
a resposta desse vil dilema...
A resposta está profundamente
nas entranhas do meu "eu" profundo
que faz da barata, inconsciente,
o falo que mais amo nesse mundo!
ouso discordar do Freud-Deus
ao gerar polêmica, me calo!
Quem, perante Freud-Deus, sou eu?
Devo ter então medo de sexo
preciso ficar a meditar
Penso na barata e não tem nexo
mas insisto e volto a repensar...
Não devo berrar mais quando a vejo
nem com meu chinelo destruí-la.
Se a barata é meu puro desejo
devo então amá-la ou possuí-la...
Acho que é melhor eu consultar
quem melhor entende desse tema.
Ou profundamente pesquisar
a resposta desse vil dilema...
A resposta está profundamente
nas entranhas do meu "eu" profundo
que faz da barata, inconsciente,
o falo que mais amo nesse mundo!
1 016
Dois Santos dos Santos
Mulher que ama fica úmida
Mulher que ama fica úmida
faz água
tem nos olhos um brilho molhado
de lágrima perdida
intenso como vidro lavado
No fundo da mulher que ama
há ternuras líquidas
desejos derretidos em doces resistências
afetos quentes escorrendo dentro
paredes meladas
rios invisíveis
que nascem da sensação de amar
Cristalizações se dissolvem
o que era duro passa a ser macio
o que era pesado leve
o áspero suave
Num certo ponto
mulher que ama arrebenta
vaza por tudo
faz água
tem nos olhos um brilho molhado
de lágrima perdida
intenso como vidro lavado
No fundo da mulher que ama
há ternuras líquidas
desejos derretidos em doces resistências
afetos quentes escorrendo dentro
paredes meladas
rios invisíveis
que nascem da sensação de amar
Cristalizações se dissolvem
o que era duro passa a ser macio
o que era pesado leve
o áspero suave
Num certo ponto
mulher que ama arrebenta
vaza por tudo
1 219
E. M. de Melo e Castro
Hermafrodita
De Hermes e de Afrodite o filho esbelto e amado,
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...
Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...
Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.
Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...
Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:
– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»
Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!
de Salmacis oscula o corpo melodioso,
e a ninfa treme e ondeia o moço deslumbrado,
com um prazer que chega até a ser doloroso...
Ela – dócil, a arfar, como, ao vento, as searas...
Ele – forte, a arquejar, como, com cio, um touro...
O cabelo da ninfa inunda as duas caras,
e há beijos musicais sob essa chuva de ouro...
Enleandos um ao outro, a asa de uma mosca
não caberia não! entre esses corpos belos,
que se enroscam, sensuais, febris, como se enrosca
no tronco a vide em flor, e a hera nos castelos.
Dos dois corpos a união, entre lascivos ais,
cada vez, cada vez se torna mais completa,
e aquelas coxas cada vez se agitam mais:
uma brancas, de luar, outras rijas, de atleta...
Num doido frenesi, entrar parecem querer
ela – no corpo dele, ele – no corpo dela!
Choram, gemem, dão ais... e no auge do prazer,
começam a gritar para o céu que se estrela:
– «Ó deuses! atendei esta súplica ardente:
se é verdade que ouvis as vozes que vos chamam,
os nossos corações, fundi-os num somente,
fundi num corpo só nossos corpos que se amam!»
Chegou ao vasto Olimpo a rogativa louca;
e Zeus, o grande Zeus, cuja força é infinita,
as duas bocas transformou numa só boca,
e dos dois corpos fez um só: HERMAFRODITA!
1 723
Fernando Correia Pina
Shemale
(para o Luís Meneses)
Essa mulher que olhei como os parolos,
em plena rua, descaradamente,
essa fonte de incontáveis torcicolos,
loira explosão de desejo urgente,
engatei-a com papas e com bolos
ou seja – notas, resumidamente,
e na cama a meti entre dois golos
de uma rara e velhíssima aguardente.
Despiu-se então ela à minha frente,
da cintura para cima e, de repente,
já não cabia em si meu duro malho.
Porém, logo murchou apavorado
ao ver sob as cuecas enrolado,
entre negros colhões, viril caralho.
Essa mulher que olhei como os parolos,
em plena rua, descaradamente,
essa fonte de incontáveis torcicolos,
loira explosão de desejo urgente,
engatei-a com papas e com bolos
ou seja – notas, resumidamente,
e na cama a meti entre dois golos
de uma rara e velhíssima aguardente.
Despiu-se então ela à minha frente,
da cintura para cima e, de repente,
já não cabia em si meu duro malho.
Porém, logo murchou apavorado
ao ver sob as cuecas enrolado,
entre negros colhões, viril caralho.
1 198
Calex Fagundes
Minha mulher
A minha mulher
tem mistério insondável,
recato impenetrável
aos olhos voyeurs.
A minha mulher,
tem uma nudez invisível
e um olhar transparente
só para o que quer.
A minha mulher
tem o encanto das fadas
e a magia das bruxas
quando estamos em nós.
Ela sabe fazer-se inteira
nunca está em pedaços
sabe todas perícias
atar e soltar nossos nós.
Nela, o meu corpo presente
é mais do que tudo,
do eterno, um estudo,
quando estamos a sós.
Ela tem a magia dos celtas,
obtém a têmpera correta,
de traz-nos o instante
de toda eternidade.
Ela tem o erotismo dos anjos
o silêncio dos sábios
ao dizer o que é
ser a minha mulher.
tem mistério insondável,
recato impenetrável
aos olhos voyeurs.
A minha mulher,
tem uma nudez invisível
e um olhar transparente
só para o que quer.
A minha mulher
tem o encanto das fadas
e a magia das bruxas
quando estamos em nós.
Ela sabe fazer-se inteira
nunca está em pedaços
sabe todas perícias
atar e soltar nossos nós.
Nela, o meu corpo presente
é mais do que tudo,
do eterno, um estudo,
quando estamos a sós.
Ela tem a magia dos celtas,
obtém a têmpera correta,
de traz-nos o instante
de toda eternidade.
Ela tem o erotismo dos anjos
o silêncio dos sábios
ao dizer o que é
ser a minha mulher.
1 250
Eugénia Tabosa
Sonhei comigo
Sonhei comigo
esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas
nos cabelos
em meus olhos
madrugadas
Sonhei comigo
esta noite
como queria
ser sonhada
Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De loge vinha um gemido
uma voz desabalada
Havia um campo
de trigo
um sol forte
me abrasava.
E acordei
meio sonhando
procurando
me encontrar
Quando me vi
ao espelho
era teu
o meu olhar.
esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas
nos cabelos
em meus olhos
madrugadas
Sonhei comigo
esta noite
como queria
ser sonhada
Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De loge vinha um gemido
uma voz desabalada
Havia um campo
de trigo
um sol forte
me abrasava.
E acordei
meio sonhando
procurando
me encontrar
Quando me vi
ao espelho
era teu
o meu olhar.
1 142
Cristiane Neder
Olhar consumista
Nestes nus
que tento seduzir
meus olhos ficam vazios
de tanto te invadir.
Os teus olhos
que saem da platéia
chegam a me contaminar
estragando
minhas idéias velhas,
que eu tinha no lugar
e pensava que eram valiosas
como um quadro de Picasso.
Todo amor
tem seu traço aberto
na hora ága de se apagar.
Minha vida consumista
faz do amor
um objeto vulgar,
cheio de coisas novas
numa vitrine sem par,
e meus olhos
cheios de desejo
querem te consumir
a qualquer preço.
que tento seduzir
meus olhos ficam vazios
de tanto te invadir.
Os teus olhos
que saem da platéia
chegam a me contaminar
estragando
minhas idéias velhas,
que eu tinha no lugar
e pensava que eram valiosas
como um quadro de Picasso.
Todo amor
tem seu traço aberto
na hora ága de se apagar.
Minha vida consumista
faz do amor
um objeto vulgar,
cheio de coisas novas
numa vitrine sem par,
e meus olhos
cheios de desejo
querem te consumir
a qualquer preço.
824
Helga Holtz
Ausente
Ele dorme ausente dos meus olhos abertos,
guarda para si paisagens que desejo sonhar.
Sob pálpebras alvas de tecido sonolento
percebo o claro volume genital do seu olhar.
Desejo amparo de algum sono, quero fugir
do olho molhado, vermelho, recém-acordado,
intumescido de sono e que me espia chorar.
guarda para si paisagens que desejo sonhar.
Sob pálpebras alvas de tecido sonolento
percebo o claro volume genital do seu olhar.
Desejo amparo de algum sono, quero fugir
do olho molhado, vermelho, recém-acordado,
intumescido de sono e que me espia chorar.
910
Ana C. Pozza
Inebriantes na dança do amor
Minha mente é só desejo:
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.
Eu sou,
inteiramente,
lua,
nua,
tua.
Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.
Tu
infinitamente
no meu
íntimo...
Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.
Eu sou,
inteiramente,
lua,
nua,
tua.
Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.
Tu
infinitamente
no meu
íntimo...
Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...
1 025
Patrícia Clemente
Luto
Você me ama mas nunca me disse
No tempo em que eu ainda te queria
Se agora eu me aconchego junto a outro
Me chama fria?
E fez que pelo meio eu me sentisse
Pediu-me mãe mas não tornou-me filha
Se agora ao ser completa me comovo
Me insulta, tia?
Mandou que à sua lente me despisse
Mas não desnuda sua alma à minha
Se vejo em meu espelho que sou ouro,
Me ofende.
Mas como eu poderia?
Diz: velha, fraca, feia, bruxa, puta.
Diz que sou falsa, acusa hipocrisia,
Mas não recuse ao morto amor seu luto
Posso ser tudo, mas por ser Sofia.
Porque o desejo seu me atormenta
Mas seu desejo é só me ver sentida
Se vivo ao sobressaltos seus quereres,
É vida?
E sei que o meu carinho só te tenta
Se nego-te favores, decidida.
E não me entrego à dor dos seus prazeres,
Vencida.
No tempo em que eu ainda te queria
Se agora eu me aconchego junto a outro
Me chama fria?
E fez que pelo meio eu me sentisse
Pediu-me mãe mas não tornou-me filha
Se agora ao ser completa me comovo
Me insulta, tia?
Mandou que à sua lente me despisse
Mas não desnuda sua alma à minha
Se vejo em meu espelho que sou ouro,
Me ofende.
Mas como eu poderia?
Diz: velha, fraca, feia, bruxa, puta.
Diz que sou falsa, acusa hipocrisia,
Mas não recuse ao morto amor seu luto
Posso ser tudo, mas por ser Sofia.
Porque o desejo seu me atormenta
Mas seu desejo é só me ver sentida
Se vivo ao sobressaltos seus quereres,
É vida?
E sei que o meu carinho só te tenta
Se nego-te favores, decidida.
E não me entrego à dor dos seus prazeres,
Vencida.
882
Armando Freitas Filho
Mademoiselle furta cor
Por esta fresta te espreito
Por esta fresta te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja,
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
ó seu corpo se entreabre:
porta e perna, caixa e coxa.
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze,
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma:
e espremo - te aperto - e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fresta me espreito
Por esta fenda me desvendo
Por esta fresta te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja,
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
ó seu corpo se entreabre:
porta e perna, caixa e coxa.
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze,
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma:
e espremo - te aperto - e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fresta me espreito
Por esta fenda me desvendo
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