Paixão

Poemas neste tema

Joaquim Pessoa

Joaquim Pessoa

Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo

Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.

Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.
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Giselle del Pino

Giselle del Pino

Definitivamente

II

Âncora
dos meus delírios
Lábios que me calam quando
Vou dormir.
Ainda ontem não sonhava tuas mãos.
E agora?
Definitivamente infinita,
Atordoada pela vontade de ser tua,
Reescrevo o que foi quase verdadeiro.
Palavras, frases
Que guardei secreta,
Mas revelando imediata,
Meu definitivo amor.

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Herberto Sales

Herberto Sales

Bruma Rubra

Na bruma rubra
busco teu corpo,
na fome da indermida nudez de tuas formas,
que em seus túmidos relevos
são meu repasto e minha bilha.

Na bruma rubra,
buscando teu corpo
em ti me encontro.
E contigo parto em noturna cavalgada,
num dorcel de linho e plumas.

Na bruma rubra
busco teu corpo,
na fome de tua alma.

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José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

Nossa Atração

Não sei se é cósmica,
Ou é química.
Não sei se é admiração
Ou compreensão.
Não sei se é afinidade
Ou é continuidade.
Não sei se é ternura
Ou é loucura.
Sinto até que é tesão
Temperada de paixão.

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Diamond

Diamond

Lábios

Róseas mucosas,
Favos de mel.
Beijando seus lábios,
Me sinto no céu!

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João de Deus de Nogueira Ramos

João de Deus de Nogueira Ramos

Sempre

Nem te vejo por entre a gelosia;
Nunca no teu olhar o meu repousa;
Nunca te posso ver, e todavia,
Eu não vejo outra cousa!

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Carlos Dantas

Carlos Dantas

Ofertório

DAR-TE-EI
o sol vermelho pulsante
que em meu cerne habita,
qual riacho de luz
a procura de um mar-de-prata !

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Adélia Prado

Adélia Prado

Pranto Para Comover Jonathan

Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.
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Julieta Lima

Julieta Lima

Ele

Ele
Agarra-me os cabelos
Morde-me os braços
Beija-me os dedos
E não me diz nada
Não me toca sequer.
Mas para eu me sentir amada
E me sentir mulher
Bastam-me os seus olhos...

Até que eu solte de mim
O cio da fera
Que ando a mascarar de branca asa
E o arraste por fim
Sem pudor sem roupa
Para a minha casa!

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Regina Bello

Regina Bello

Fêmea

Formas curvas
Carne quente
Sedutora
Misteriosa mulher

Aconchegante
encontra cara a cara
o menino homem
Indefeso
Embriagado
Subjugado
pelos múltiplos lábios
da volúpia

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Ademir Antônio Bacca

Ademir Antônio Bacca

Insensatez

eu navego
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.

nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.

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António Aragão

António Aragão

A virgem

um avião em teus seios desocupados
um guindaste em tua boca alerta

um passo de arco-íris corre
teu pulso – dá-me teu bilhete
oh como voo te gosto de viajar!
um motor faz entre tuas coxas
hossana! é sangue o côncavo do teu lugar

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Rômulo do Amaral Filho

Rômulo do Amaral Filho

Sibilo

Sibilo me lembra serpente
Serpente me lembra bote
Bote me lembra picada
Picada me lembra veneno
Veneno me lembra teu beijo
Teu beijo me lembra desejo
Desejo me lembra amor
Amor me lembra prazer
Prazer me lembra teu corpo
Teu corpo me lembra sonhar
Sonhar me lembra te amar
Te amar lembra
Morrer de paixão

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José Félix

José Félix

Os teus seios

Os teus seios na palma da mão
são duas laranjas novembrinas
como aromáticas concubinas
a mentir desejos e amor não.

Sorvo o sumo doce e laranjeiro,
prostituido, sim, mas com paixão
os frutos rijos do pomareiro.

Os teus seios na palma da mão.

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Léa Waider

Léa Waider

Lua

Meia noite
enlouqueço
e uivo pra lua;
perco o controle
e me preparo
pra ser tua.

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Liz Christine

Liz Christine

Orgasmo

Sexo
adorável
palavra
Ato
delicioso
incansável
Corpo
curvas derrapantes
maravilhoso
Você
estou condenada
você é a culpada
De desejos ardentes
Noite gelada
Inverno na madrugada
Parece verão
Corpo febril
Culpa da paixão
Seu rosto infantil
Sorrindo
Não pare...
Estou quase atingindo.

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Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta

Gozo V

Vigilante a crueldade
no meu ventre

A fenda atenta
e voraz
que devora o que é
dormente

a febre que a boca
empresta
a vela que empurra o vento

a vara que fende
a carne

a crueldade que entende
o grito sobre o orgasmo
que me prende e me desprende

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Kátia Cerbino

Kátia Cerbino

Um olhar

Um olhar...
tudo foi fotografado.
Trago ainda na pele
o rastro do teu afago.
Meu seio,
qual monte de feno,
onde deitavas
a sonhar sereno.
Guardo nas entranhas
tuas impressões digitais.
Esquecê-las? Jamais...
Nos lábios,
o calor de uma febre terçã,
como o derradeiro beijo
de Camille em seu Rodin.

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Liz Christine

Liz Christine

Trufas

Amanhecendo Clareando

E eu aqui vagando
Trufas devorando
Em você pensando

Se escolher
possível fosse
Não seria exatamente

Trufa a ser devorada
Seria claro
Você a ser beijada

Agarrada Mastigada
Amassada
Coitada!

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Liz Christine

Liz Christine

Hímem

Era uma vez um hímem...
Que não sangrou
Ao ser rompido
Inocência perdida
Adorei ser corrompida
Era uma vez um hímem...
Um hímem rompido
Seu desejo atendido
Em mim nada mudou
Meu hímem que se foi
E nada levou
Foi uma dorzinha desagradável
(mas não insuportável)
Fortalecendo a relação
Ficando intacta nossa paixão

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Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta

Gozo III

Põe meu amor
teu preceito

teu pénis
meu pão tão cedo
de vestir e de enfeitar
espasmos tomados por dentro

e guarnecer o deitar
daquilo que vou gemendo

Meu amor
por me habitares
com jeito de teu
invento

ou com raiva
de gritares
quando te monto e me fendo

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Astrid Cabral

Astrid Cabral

Bainha aberta

Crava em meu corpo essa espada crua.
Quero o ardor e o êxtase da luta
em que me rendo voluntária e nua.
Meu temor é a paz pós-união:
desenlace derrota solidão.

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Regina de Fontenelle

Regina de Fontenelle

A cor da paixão

Em desejo possuída
se joga,
se rasga,
se estraga
contra os móveis,
sobre as plantas,
entremuros,
se vê fera,
se faz cadela,
se morde serpente,
ferida em seu desvario
no mais escondido recanto do seu bem-querer,
no seu coração perple o e ávido
que ela desfibra devagar.

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Amparo Jimenez

Amparo Jimenez

Entrega

Una ola rompe violenta
en la playa de nuestros cuerpos
nos inunda un rugido de mar
contra las rocas.
Al retirarse,
lenta,
nos deja una brisa erótica
que nos envuelve
uniéndonos
para siempre
en un beso.

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