Mar, Rios e Oceanos

Poemas neste tema

João Augusto Sampaio

João Augusto Sampaio

Gaia

Três seios tem Gaia no Morro de São Paulo

Seno/cosseno: Primeira Praia
Seno/cosseno: Segunda Praia
Seno/cosseno: Terceira Praia

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Maria do Carmo Verza Sartori

Maria do Carmo Verza Sartori

Mar em Mim

O mar conta histórias do infinito
respirar do mundo.

Cadências, sons e melodias
luz e sabor...

Tenho-te oh! mar
dentro de mim no ritmo do sangue
percorrendo, nutrindo e esculpindo-me.

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Luís Marcelino

Luís Marcelino

Sol Português

Tardes frias
Noites quentes
Ondas do mar turbulentas
Tantos dias
Sempre ausentes
Histórias de vida cinzentas

Luzes caladas
Estrelas sem vida
Num acordar tempestade
Bocas beijadas
Noite perdida
Neste mar sem idade

Os ventos do norte
Voaram p’ra sul
E eu aqui já nascido
Pintei a minha sorte
No ouro sobre azul
Deste mundo fingido.

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Hélio Pellegrino

Hélio Pellegrino

Plenitude

A pedra, o vento, a luz alteada,
o salso mar eterno, o grito
do mergulhão, sob o infinito
azul:

— Deus não me deve nada.

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Deborah Goulart Visnadi

Deborah Goulart Visnadi

Barquinho de Papel

Vela azul da cor do céu,
Vou com você velejar.
Sentir a brisa branda,
E sobre as ondas bailar!

A gaivota, ouvir cantar,
Depois, na areia ardente,
Entre as conchinhas do mar,
Parar muda, indiferente,
Para um descansar !

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António Arnaut

António Arnaut

Portucale

As montanhas abrem alas. Vai passar
o rio douro da lusa madrugada.
Ansias em socalcos sobre o vale
a saudar
o começo da vida:
Portucale
não é porto de chegada,
é o sal
e a fome aventurosa da partida.

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António Arnaut

António Arnaut

Geografia de Portugal

Noventa mil quilómetros quadrados
de ousadia e sofrimento:

A oriente, a Espanha,
A norte, a terra galega.
A sul e ocidente, a dor tamanha
Do mar que já não chega,

Mas onde ainda ficaram,
Talhadas em rocha dura,
As ilhas que semearam
as pégadas da aventura.

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Ademir Antônio Bacca

Ademir Antônio Bacca

Insensatez

eu navego
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.

nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.

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Rafael Alberti

Rafael Alberti

Si mi voz muriera en tierra

Si mi voz muriera en tierra

llevadla al nivel del mar

y dejadla en la ribera.

Llevadla al nivel del mar

y nombardla capitana

de un blanco bajel de guerra.

¡Oh mi voz condecorada

con la insignia marinera:

sobre el corazón un ancla

y sobre el ancla una estrella

y sobre la estrella el viento

y sobre el viento la vela!

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Miguel de Unamuno

Miguel de Unamuno

El cuerpo canta

El cuerpo canta

El cuerpo canta;

la sangre aúlla;

la tierra charla;

la mar murmura;

el cielo calla

y el hombre escucha.

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Gil Nunesmaia

Gil Nunesmaia

Haicai

Regresso de pescadores

Desmaia o poente,
e sobre as ondas dançando
velas negrejando

Depois da chuva

O sol surge pálido,
e lágrimas de alegria
caem da folhagem

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Daniel Faria

Daniel Faria

Sobre a água

Sobre a água estarei solto de caminhos
Dos que vierem nenhum barco é para ti
Não deixes a candeia acesa
Dorme:basta-me essa luz

de Explicação das Árvores e de Outros Animais(1998)
2 009 1
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Vejo passar os barcos pelo mar,

Vejo passar os barcos pelo mar,
As velas, como asas do que vejo
Trazem-me um vago e íntimo desejo
De ser quem fui, sem eu saber que foi.
Por isso tudo lembra o meu ser lar,
E, porque o lembra, quanto sou me dói.


1932
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Herberto Helder

Herberto Helder

4P

Mergulhador na radiografia de brancura escarpada.
Arboreamente explosiva.
Busca na constelação salina a flor
que traga na boca
de bailarino. Uma bolha árdua, estelar, à tona
do corpo e da onda.
A morte confundida fora e dentro.
Quando não há palavra que se diga e apenas uma imagem
mostre em cima
os trabalhos e os dias submarinos.
520
Herberto Helder

Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - a Barca

Lá vem a barca como um nadador de pernas rígidas, rápida como um falcão
que se abate sobre um peixe-voador.

Parece também uma pupila que contempla o ar, as pálpebras cercadas pelas
pestanas dos remos.
954
Herberto Helder

Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - Rio Azul

Murmuro, um rio de pérolas corre transparentemente.

Grandes árvores o cobrem de sombra ao meio-dia, e a flor das águas é cor
de ferrugem.

Guerreiro com loriga, envolto em sua túnica de brocado, estendido à
sombra da bandeira.
528
Herberto Helder

Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - Rosas

Desfolharam-se as rosas sobre o rio e, passando, espalharam-nas os
ventos.

como se o rio fosse a couraça de um guerreiro rasgada pelas lanças, por
onde corresse o sangue das feridas.
898
Herberto Helder

Herberto Helder

Poemas Arabico-Andaluzes - o Nadador Negro

Nadava um negro num lago, através de cujas límpidas águas se viam as
pedras do fundo.

Tinha o lago a forma de uma íris azul de que o negro era a pupila.
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Herberto Helder

Herberto Helder

Iv J

Arquipélago:
ar que o habita, movimento, sal, abalo.
O barulho, o verbo.
Arqueja a folha onde se funda escrito.
Na linha dos trópicos arqueja de calor e velocidades de água:
e nas frias braças da natação a pique, a morte
submarina.
543
Martim Codax

Martim Codax

Ai Ondas Que Eu Vim Veer

Ai ondas que eu vim veer,
se me saberedes dizer
       por que tarda meu amigo sem mim?

Ai ondas que eu vim mirar,
se me saberedes contar
       por que tarda meu amigo sem mim?
1 322
Sérgio Medeiros

Sérgio Medeiros

Tudo para atiçar o riso dos…

Coça-se o passarinho num fio diante do mar
Enquanto avançam recrutas correndo e vociferando
Pela praia iluminada
— o passarinho decerto compara o pelotão que se aproxima com as ondas do mar; e o vê afastar-se
— só diante do mar ele bica com determinação os seus piolhos
714
Renato Rezende

Renato Rezende

À Beira do Mar, Esta Manhã

À beira do mar, esta manhã
eu fui um homem
à beira do mar.

Apenas um homem,
sem nome, sem memória:

Deus
à beira do seu mar.


Rio de Janeiro, 23 de novembro 1994
934
Renato Rezende

Renato Rezende

Sobre o Mar

Lixo; gato morto, jornal velho
tudo isso encontramos
misturados à areia
da praia onde pensamos
seria fácil nos amar

Apesar da sujeira
nos deitamos
(como se flutuássemos
sobre o mar)


Boston, setembro 1990
720
Renato Rezende

Renato Rezende

Dentro do Mar

Dentro do mar
nós quatro
em silêncio

Onda vem e vai
dentro do mar
em silêncio

Um vem e vai
dentro do mar
em silêncio

Nós quatro
cada um quatro
cada quatro mil

em silêncio
lavando nossos passados
dentro do mar

infinito --
e o céu infinito


Cidade dos Arrecifes (Recife), 16 de novembro 1994
961