Música
Poemas neste tema
Barroso Gomes
Réquiem
A cigarra enquanto
fenece a mortalha tece
com os fios do canto.
fenece a mortalha tece
com os fios do canto.
933
Anízio Vianna
leitmotiv
a seda do luar na veia
o sedativo
onde pousei meu desejo
tua mão varreu o piso
deixo
no AR
como
que por alívio
o perfume desse filme
não cessa de passar
lento
na tela
da música
meu leitmotiv
falo:
- é feminino cantar
o sedativo
onde pousei meu desejo
tua mão varreu o piso
deixo
no AR
como
que por alívio
o perfume desse filme
não cessa de passar
lento
na tela
da música
meu leitmotiv
falo:
- é feminino cantar
1 120
Heinrich Heine
DOCH DIE KASTRATEN
Quando ensaiei minhas árias
Os castrados protestaram.
Que voz, que dicção, ordinárias
- Protestaram e clamaram.
E logo de cada qual
A vozinha delicada
Em trilos como cristal
Pura vibrou e afinada.
De desejos só cantavam,
E do amor e suas partes.
E as damas todas choravam
Comovidas com tais artes.
Os castrados protestaram.
Que voz, que dicção, ordinárias
- Protestaram e clamaram.
E logo de cada qual
A vozinha delicada
Em trilos como cristal
Pura vibrou e afinada.
De desejos só cantavam,
E do amor e suas partes.
E as damas todas choravam
Comovidas com tais artes.
1 940
António de Navarro
Poema XVI
Uma nota solta
De não sei que música
Vagueia flor em flor
Como abelha de som.
Não lhe sei a cor,
Não lhe sei o tom,
— Deve ser esquiva e nívea
E faltar com certeza
Ao compositor e poeta
Que sonhou a perfeição
E a beleza
Sem mácula, que lhe adoece
De a buscar o coração
Ah, se ela quisesse
Aninhar-se na minha alma!...
De não sei que música
Vagueia flor em flor
Como abelha de som.
Não lhe sei a cor,
Não lhe sei o tom,
— Deve ser esquiva e nívea
E faltar com certeza
Ao compositor e poeta
Que sonhou a perfeição
E a beleza
Sem mácula, que lhe adoece
De a buscar o coração
Ah, se ela quisesse
Aninhar-se na minha alma!...
1 184
Fernando Pessoa
Sim, vem um canto na noite.
Sim, vem um canto na noite.
Não lhe conheço a intenção,
Não sei que palavras são.
É um canto desligado
De tudo que o canto tem.
É algum canto de alguém.
Vem na noite independente
Do que diz bem ou mal.
Vem absurdo e natural.
Já não me lembro que penso.
Outro; é um canto a pairar
Como o vento sobre o mar.
05/09/1934
Não lhe conheço a intenção,
Não sei que palavras são.
É um canto desligado
De tudo que o canto tem.
É algum canto de alguém.
Vem na noite independente
Do que diz bem ou mal.
Vem absurdo e natural.
Já não me lembro que penso.
Outro; é um canto a pairar
Como o vento sobre o mar.
05/09/1934
4 493
Fernando Pessoa
Ah, toca suavemente
Ah, toca suavemente
Como a quem vai chorar
Qualquer canção tecida
De artifício e de luar –
Nada que faça lembrar
A vida.
Prelúdio de cortesias,
Ou sorriso que passou...
Jardim longínquo e frio...
E na alma de quem o achou
Só o eco absurdo do voo
Vazio.
08/11/1922
Como a quem vai chorar
Qualquer canção tecida
De artifício e de luar –
Nada que faça lembrar
A vida.
Prelúdio de cortesias,
Ou sorriso que passou...
Jardim longínquo e frio...
E na alma de quem o achou
Só o eco absurdo do voo
Vazio.
08/11/1922
3 748
Fernando Pessoa
11 - Aquela senhora tem um piano
Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E ouvir bem os sons que nascem.
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E ouvir bem os sons que nascem.
3 970
Anterior
Página 4
Português
English
Español