Humanidade e Solidariedade
Poemas neste tema
Inge Müller
Quem ajuda a mim
Quem ajuda a mim
Ajudo eu a quem?
Assim e de novo assim.
Eu nós
A vida
Nossos rostos
Solo fezes sol
:
Wer hilft mir
Wem helf ich?
So und immer wieder so.
Ich wir
Das Leben
Unser Gesicht
Erde Kot Licht
.
.
.
Ajudo eu a quem?
Assim e de novo assim.
Eu nós
A vida
Nossos rostos
Solo fezes sol
:
Wer hilft mir
Wem helf ich?
So und immer wieder so.
Ich wir
Das Leben
Unser Gesicht
Erde Kot Licht
.
.
.
785
Abul ʿAla Al-Maʿarri
Erram todos – judeus, cristãos,
Erram todos – judeus, cristãos,
muçulmanos e masdeístas:
A humanidade segue duas seitas:
Uma: pensadores sem religião,
Outra: religiosos sem cabeça.
680
Abul ʿAla Al-Maʿarri
Agora imperam esta fé e esta crença
Agora imperam esta fé e esta crença
Até que por outras sejam vencidas.
Homem, temes só com homens vivas,
Dessarte escolhes viver com lendas.
578
Mário Dionísio
O maior poema
Como os outros
como os outros
sem nada mais que os outros
sentindo como os outros
pensando como os outros
e sofrendo e lutando
e morrendo
como os outros
como os outros
sem nada mais que os outros
sentindo como os outros
pensando como os outros
e sofrendo e lutando
e morrendo
como os outros
1 764
Juan Gelman
Limites
Quem disse alguma vez: até aqui a sede,
até aqui a água?
Quem disse alguma vez: até aqui o ar,
até aqui o fogo?
Quem disse alguma vez: até aqui o amor,
até aqui o ódio?
Quem disse alguma vez: até aqui o homem,
até aqui não?
Somente a esperança tem joelhos nítidos.
Sangram.
até aqui a água?
Quem disse alguma vez: até aqui o ar,
até aqui o fogo?
Quem disse alguma vez: até aqui o amor,
até aqui o ódio?
Quem disse alguma vez: até aqui o homem,
até aqui não?
Somente a esperança tem joelhos nítidos.
Sangram.
1 292
Ulisses Tavares
Conteúdo
No toque, a troca.
No ato, o salto.
No esfrega, a entrega.
Na mão, o coração.
No rir, o repartir.
No sangue, o bumerangue.
Na ida, a vida.
In: TAVARES, Ulisses. Pega gente. 2.ed. São Paulo: Núcleo Pindaíba Edições e Debates, 1978. p.71. (Coleção PF
No ato, o salto.
No esfrega, a entrega.
Na mão, o coração.
No rir, o repartir.
No sangue, o bumerangue.
Na ida, a vida.
In: TAVARES, Ulisses. Pega gente. 2.ed. São Paulo: Núcleo Pindaíba Edições e Debates, 1978. p.71. (Coleção PF
1 804
Ilka Brunhilde Laurito
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Proibido colocar cartazes:
em chão
parede
poste.
(Em homem:
pode.)
1963
Poema integrante da série Inéditos, 1971/1977.
In: LAURITO, Ilka Brunhilde. Sal do lírico: antologia poética. São Paulo: Quíron, 1978. p.31. (Sélesis, 13
em chão
parede
poste.
(Em homem:
pode.)
1963
Poema integrante da série Inéditos, 1971/1977.
In: LAURITO, Ilka Brunhilde. Sal do lírico: antologia poética. São Paulo: Quíron, 1978. p.31. (Sélesis, 13
1 572
Eugénia Tabosa
Esse olhar
Esse olhar parado
sem hoje nem passado
Esse olhar sem espera
como canto preso
em boca entreaberta
Esse olhar cansado
desfeito
sem jeito
não grita
não chora
Esse olhar desarmado
como barco sem leme
Existe
Não posso ignorá-lo!
sem hoje nem passado
Esse olhar sem espera
como canto preso
em boca entreaberta
Esse olhar cansado
desfeito
sem jeito
não grita
não chora
Esse olhar desarmado
como barco sem leme
Existe
Não posso ignorá-lo!
972
Angela Santos
O Apocalipse, é agora!
De Thanatos é a voz que ressoa
e irrompe no muro dos lamentos...
cada grito, cada estilhaço vivo
Abel e Caim, outra vez e outra
na voragem das entranhas
De ódio as pedras
de ódio os tanques
de ódio as mitras,
de ódio os homens
de morte cada
esquina que os abriga
O Amor que se fez lei
quem de entre vós
lembra ainda?
e irrompe no muro dos lamentos...
cada grito, cada estilhaço vivo
Abel e Caim, outra vez e outra
na voragem das entranhas
De ódio as pedras
de ódio os tanques
de ódio as mitras,
de ódio os homens
de morte cada
esquina que os abriga
O Amor que se fez lei
quem de entre vós
lembra ainda?
1 008
Cristiane Neder
Em Uma Só Unidade
Bis,
heteros,
homos,
todos nós somos
nos dias de cio.
Animais
todos sexuais.
Raça pura
destilada em outras misturas.
Animais
pensantes,
fabricantes,
da origem dos habitantes.
Bis,
heteros,
homos,
é o que somos
em uma só unidade.
heteros,
homos,
todos nós somos
nos dias de cio.
Animais
todos sexuais.
Raça pura
destilada em outras misturas.
Animais
pensantes,
fabricantes,
da origem dos habitantes.
Bis,
heteros,
homos,
é o que somos
em uma só unidade.
858
Eduardo Valente da Fonseca
Ó vagarosa noite
Ó vagarosa noite a vir de manso
profunda e densa pela cidade toda.
A estas horas onde em outros lados
floresce amoroso o sol por sobre terras?
Ó alegria de me ser em tudo.
ó humildes irmãos do grande mundo
deitados sobre o sonho como quem
aguarda o belo tempo de haver tudo!
profunda e densa pela cidade toda.
A estas horas onde em outros lados
floresce amoroso o sol por sobre terras?
Ó alegria de me ser em tudo.
ó humildes irmãos do grande mundo
deitados sobre o sonho como quem
aguarda o belo tempo de haver tudo!
961
Angela Santos
Mundo
Tudo
me lembra o imundo
e de beleza é a sede
dos meus olhos
de cada fibra do meu corpo
de cada nervo que me percorre
Tudo me lembra o imundo
e cada gesto, cada rosto
cada palavra
renova a lembrança da náusea
Sacode o meu corpo um leve estertor
e numa sonata de luz
lavo os resquícios
da sujidade humana que trago em mim.
me lembra o imundo
e de beleza é a sede
dos meus olhos
de cada fibra do meu corpo
de cada nervo que me percorre
Tudo me lembra o imundo
e cada gesto, cada rosto
cada palavra
renova a lembrança da náusea
Sacode o meu corpo um leve estertor
e numa sonata de luz
lavo os resquícios
da sujidade humana que trago em mim.
1 043
Angela Santos
Humanum
Nada
mais,
além deste humano sentir…
à força de quê
calar a mágoa que nos afoga ?
Humano querer,
simples traço da humanidade,
indelével marca impressa
na verdade de humano
ser.
mais,
além deste humano sentir…
à força de quê
calar a mágoa que nos afoga ?
Humano querer,
simples traço da humanidade,
indelével marca impressa
na verdade de humano
ser.
640
Adélia Prado
Homilia
Quem dentre vós
dirá convictamente:
os alquimistas morreram
— aqueles simples —,
morreram os conquistadores,
os reis,
os tocadores de alaúde,
os mágicos.
Oh, engano!
A vida é eterna, irmãos,
aquietai-vos, pois, em vossas lidas,
louvai a Deus e reparti a côdea,
o boi, vosso marido e esposa
e sobretudo
e mais que tudo
a palavra sem fel.
dirá convictamente:
os alquimistas morreram
— aqueles simples —,
morreram os conquistadores,
os reis,
os tocadores de alaúde,
os mágicos.
Oh, engano!
A vida é eterna, irmãos,
aquietai-vos, pois, em vossas lidas,
louvai a Deus e reparti a côdea,
o boi, vosso marido e esposa
e sobretudo
e mais que tudo
a palavra sem fel.
3 101
Terezinha Rezende Moreira
Semear
Semeia,
o que importa é semear
pouco, muito, tudo,
a semente da esperança.
Semeia
tuas energias para poderes
enfrentar as lutas
Semeia tua coragem
para poderes encorajar
o outro.
Semeia teu entusiasmo,
tua fé, o teu amor.
Semeia coisas pequeninas,
Insignificantes
semeia e confia
Cada semente
há de enriquecer,
um pedaço de chão.
o que importa é semear
pouco, muito, tudo,
a semente da esperança.
Semeia
tuas energias para poderes
enfrentar as lutas
Semeia tua coragem
para poderes encorajar
o outro.
Semeia teu entusiasmo,
tua fé, o teu amor.
Semeia coisas pequeninas,
Insignificantes
semeia e confia
Cada semente
há de enriquecer,
um pedaço de chão.
2 405
Reinaldo Ferreira
Timbre
EU,
Morreu.
Só há ideal
No plural.
Tecidos
Como os fios que há nos linhos,
Parecidos
Entre nós como dois olhos,
Somos do tempo de viver aos molhos
Para morrer sòzinhos.
Morreu.
Só há ideal
No plural.
Tecidos
Como os fios que há nos linhos,
Parecidos
Entre nós como dois olhos,
Somos do tempo de viver aos molhos
Para morrer sòzinhos.
2 046
Francisco Tribuzi
Sina
A gente grita, corre, sufoca e morre.
A gente canta, encanta, explode e pára.
A gente avança, recua, esbarra na rua.
A gente ama, trai, reclama e cai.
A gente come, some, chora a fome.
A gente ganha, sonha, acorda, esvai.
A gente cala, fala, escala e crê.
A gente reza, preza, é preso. E a fé?
A gente é medo doente da própria gente.
A gente canta, encanta, explode e pára.
A gente avança, recua, esbarra na rua.
A gente ama, trai, reclama e cai.
A gente come, some, chora a fome.
A gente ganha, sonha, acorda, esvai.
A gente cala, fala, escala e crê.
A gente reza, preza, é preso. E a fé?
A gente é medo doente da própria gente.
883
Viviane Gehlen
Olhares se cruzam
Olhares se cruzam
Olhares se cruzam,Olhares de medo, pavorolhares ansiosos. Angustiadosolhares que buscamcertezaspaztranqüilidade
Um Novo Ano Começa
Que o nosso olhartransmitaSegurançapazcompaixão
Que o nosso seja umOLHAR DE AMOR
Olhares se cruzam,Olhares de medo, pavorolhares ansiosos. Angustiadosolhares que buscamcertezaspaztranqüilidade
Um Novo Ano Começa
Que o nosso olhartransmitaSegurançapazcompaixão
Que o nosso seja umOLHAR DE AMOR
869
João Augusto Sampaio
De Civitate Dei
Quié que o Povo pode e os arquitetos não sabem?
Fazer cidades:
Brasília, Pilar, Stevenage...
Cidade não se faz,
Planta-se.
O Povo rega e aduba.
Fazer cidades:
Brasília, Pilar, Stevenage...
Cidade não se faz,
Planta-se.
O Povo rega e aduba.
730
Paulo Augusto Rodrigues
Será
Será que não se vêem,
Não se olham ou não se contemplam,
Não são eus,
Não se admiram ou se ressentem?
Será que não se ouvem,
Não se falam ou se tocam,
Não são outros?
Será que não se amam,
Aos outros nem tanto,
Mas um pouco a si próprios?
Será que vivem...
Será que inventaram Deus?
Não se olham ou não se contemplam,
Não são eus,
Não se admiram ou se ressentem?
Será que não se ouvem,
Não se falam ou se tocam,
Não são outros?
Será que não se amam,
Aos outros nem tanto,
Mas um pouco a si próprios?
Será que vivem...
Será que inventaram Deus?
947
Ona Gaia
Guerreiro
O verdadeiro guerreiro
é aquele que destrói o ódio
no coração dos homens.
é aquele que destrói o ódio
no coração dos homens.
833
Mário Donizete Massari
Poesia louca
A ave voa
e pousa
sobre o ovo
e o povo?
o povo é o ovo.
És poeta,
pois se rimas?
Não. Sou uma rosa ferida
um sonho desfeito
um dia de fadiga,
e olho o povo
e sua vida.
e pousa
sobre o ovo
e o povo?
o povo é o ovo.
És poeta,
pois se rimas?
Não. Sou uma rosa ferida
um sonho desfeito
um dia de fadiga,
e olho o povo
e sua vida.
1 024
Mário Donizete Massari
Muro
No povo
vejo o mundo
Vejo o mundo
como um muro,
que separa o homem
do próprio homem.
O operário faz greve
a vida breve
o sonho pausa leve,
no viver.
Vejo o mundo
como um muro
de oprimidos
vejo o mundo
Vejo o mundo
como um muro,
que separa o homem
do próprio homem.
O operário faz greve
a vida breve
o sonho pausa leve,
no viver.
Vejo o mundo
como um muro
de oprimidos
1 057
Marta Gonçalves
Água da Chuva
Muitos homens rastejam como a serpente
envenenam a água da chuva
esquecem que existe um rosto no cosmo.
envenenam a água da chuva
esquecem que existe um rosto no cosmo.
1 022
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