Guerra e Paz

Poemas neste tema

Gabriela Guglielmo

Gabriela Guglielmo

A caixa

Na caixa tem
tudo: tem
comida, tem
banheiro,
tem cama

Na caixa
há brigas
há discussões
há choros

Na caixa
tem arrependimento
tem medo
tem agonia

A caixa
tem cheiro
de salvação

Gabriela Guglielmo, aluna da 6ª Série do Colégio Bialik dedicou esta poesia a
Anne Frank (foto).

1 231
Henriqueta Lisboa

Henriqueta Lisboa

Um poeta esteve na guerra

Um poeta esteve na guerra
dia a dia longos anos.
Participou do caos,
da astúcia, da fome.

Um poeta esteve na guerra.
Por entre a neve e a metralha
conheceu mundos e homens.
Homens que matavam e homens
que somente morriam.

Um poeta esteve na guerra
como qualquer, matando.
Para falar da guerra
tem apenas o pranto.

1 687
Angela Santos

Angela Santos

O Apocalipse, é agora!

De Thanatos é a voz que ressoa
e irrompe no muro dos lamentos...
cada grito, cada estilhaço vivo
Abel e Caim, outra vez e outra
na voragem das entranhas

De ódio as pedras
de ódio os tanques
de ódio as mitras,
de ódio os homens
de morte cada
esquina que os abriga

O Amor que se fez lei
quem de entre vós
lembra ainda?
1 008
Carlos Pinhão

Carlos Pinhão

A Guerra

Carlos Pinhão é português e contemporêneo

Num ano qualquer,
houve uma batalha qualquer,
numa terra qualquer,
entre um rei qualquer e outro rei
qualquer.
No fim, um anjo qualquer
desceu no campo de batalha,
pegou nos cadáveres do rei qualquer
e do rei qualquer
e perguntou
para um deus qualquer:
- Qual quer?

1 185
Ona Gaia

Ona Gaia

Evolução

As armas sangram açaí
de risos ariscos e roxos
mas na décima parte
de toda a vida
a ida não encontrará fim
porque se num dia foram muitos
na eterna abóbada celeste sim
pras estrelas só haverá um
mais poderoso que todos eles
quando tudo parecer perdido
quando tudo parecer nenhum.

804
Ona Gaia

Ona Gaia

Guerreiro

O verdadeiro guerreiro
é aquele que destrói o ódio
no coração dos homens.

833
J. B. Sayeg

J. B. Sayeg

Clangor

Mundo em guerra
poesia quieta.
Os poetas andam
de bicicleta
não em suas pode
rosas máquinas
voadoras.

Vida inquieta
com sider
al all dreams
without lider.

A ciber (n) ética
ser / vindo
o homem a ser.

Vil medo a dúvida
do viver.
Para onde dirigir
o raio do laser?

(de Permissivo Amor, 1978)

1 022
Goulart Gomes

Goulart Gomes

Mariniello

agosto seis
havia um cogumelo na história
mega-tons de Hiroxima:
um talo, a rosa

caído de joelhos
e o corpo
numa curva
para traz
teus ais

tudo era tão justo
que o mais
nobre
dos mortais
se renderia
às tuas ancas
brancas
frias; quadris
chuva ácida asperjada

e um clarão
denovo
dia
no espírito
paz...

834
Eunice Arruda

Eunice Arruda

Tema para a Abertura de um Novo Sentimento

Agora

a morte

da paz.

612
Dimas Macedo

Dimas Macedo

Subitamente

Subitamente
é preciso que os relógios parem,
porque tudo será pedra sobre pedra,
e tudo.
Não mais restarão
as tuas mãos que necessito,
as tuas palavras sem gestos
que eu procuro...
não mais restará o teu silêncio
que o meu silêncio pede,
pois as armas e os brasões
hão de florir por sobre a infância,
e tudo será rocha.

886
Casimiro de Brito

Casimiro de Brito

46

A guerra dos homens não inibiu
As cores do arco-íris: O mundo está pois
No seu caminho, no campo raso onde respiram
Os insetos silenciosos da morte. Os homens
Deslizam insaciáveis com o desejo
Virado para o céu. O corpo está pois
No bom caminho: A boca na terra
De quem vive apenas
Este momento.

1 635
Amândio César

Amândio César

Par ou Pernão

Lançaram-se os dados
no par ou pernão
e uns foram
outros não.

E houve saudades nos que foram
e revolta nos que não:
os que foram não voltaram
os que ficaram cá estão...

Jogaram-se vidas,
como se jogam dados:
olhos sem luz,
membros amputados
e uns foram outros não...

Vida?... Amor?...
Lançaram-se os dados: Par ou Pernão?

971
Augusto de Campos

Augusto de Campos

Soldado

I
O sol poente desatava, longa,
a sua sombra pelo chão
e
protegido por ela -
braços longamente abertos,
face volvida para os céus -
- um soldado descansava.
Descansava...
havia três meses.

II
- braços longamente abertos,
rosto voltado para os céus,
para os sóis ardentes,
para os luares claros,
para as estrelas fulgurantes...

1 581
Alfred Edward Housman

Alfred Edward Housman

EPITÁFIO PARA UM EXÉRCITO DE MERCENÁRIOS

Estes, no dia em qual o céu tombava,
E os pedestais do mundo se perderam,
O serem mercenários os chamava,
Receberam seus soldos e morreram.

Por seus ombros, os céus se suspendiam;
Firmes, e firme o pedestral inteiro;
Quão Deus abandonava, defendiam-
E salvaram as Coisas por dinheiro.

1 369
Alfred Edward Housman

Alfred Edward Housman

FAREWELL TO A NAME

Adeus a um número e um nome
Que foi chamado
À treva, silêncio e sono
Do sangue derramado.

Assim cessa em acto
E volta ao fim.
Soldado à pátria barato
E caro para mim.

Assim em sangue se afoga
O chamejante açoite
De uma verdade que volta
Ao pó e à noite.

1 187
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

XI - I for my city's want fought far and fell.

I for my city's want fought far and fell.
I could not tell
What she did want, that knew she wanted me.
Her walls be free,
Her speech keep such as I spoke, and men die,
That she die not, as I.
4 305
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