Cultura e Tradição

Poemas neste tema

Sílvio Romero

Sílvio Romero

Pirolito que bate, que bate

Pirolito que bate, que bate,
Pirolito que já bateu;
Quem gosta de mim é ela,
Quem gosta dela sou eu.


In: ROMERO, Sílvio. Folclore brasileiro: cantos populares do Brasil. Pref. Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. p.247. (Reconquista do Brasil. Nova série, 86
1 689
Cacaso

Cacaso

O Que É o Que É

Descoberto pelo português
emancipado pelo inglês
educado pelo francês
sócio menor do americano
mas o modelo é japonês...


In: CACASO. Grupo Escolar. Fotos de Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro. Rio de Janeiro: Mapa Filmes, 1974. (Frenesi). Poema integrante da série 3a. Lição: Dever de Caça
4 592
Gilberto Mendonça Teles

Gilberto Mendonça Teles

Descrição

o sarro do saci
a farra do saci
o berro do saci
a guerra do saci
o birro do saci
a birra do saci
o gorro do saci
a p. do saci
o pulo do saci
a gula do saci


In: TELES, Gilberto Mendonça. Saciologia goiana. 3. ed. Goiânia: Cerne, 1986. p. 38. Poema integrante da série Sombras da Terra
1 435
Reinaldo Ferreira

Reinaldo Ferreira

Oh! tarde de sábado britânica

Oh! tarde de sábado britânica,
Poema da rotina,
Prodígio do bem-estar...
Eu, que donde vou, latino e desgrenhado,
Intenso, irregular,
Apenas sei a vibração e o desânimo
(O sol excessivo e a sombra opaca),
Olho-te no deslumbramento
De quem se banha
E se deslumbra
Em penumbra.

1 865
Antônio Rogério de Lima

Antônio Rogério de Lima

Inverno

Saudando a manhã
cunhantã colhe no campo
a flor da suinã.

Menino solta o balão
Iansã leva sua esperança
pra Xangô São João

909
Oswald de Andrade

Oswald de Andrade

O Gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

5 786
Marcelo Almeida de Oliveira

Marcelo Almeida de Oliveira

Vomitei as trufas de chef Clement

Nomes estranhos
temperos esdrúxulos
talheres de prata
pra quê?
(pouco no prato!)
pato
(de nome estranho)
gesto
(mão na barriga)
indigesto...
Cadê o feijão de Dona Maria?
O acarajé da baiana?
O pastel com caldo de cana?
Pão para quem come com a mão,
e tem fome!

661
Jorge Lauten

Jorge Lauten

Não Mais Sob a Árvore de Bô

Não mais a pureza de Ramahyana
o incenso e o sândalo
os pés nus nas pedras do templo

enquanto eles comerem na minha mesa
na velha casa de Dili
não mais me sentarei sob a árvore de Bô

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José Eustáquio da Silva

José Eustáquio da Silva

Belos

cesta nba
violência aparthaid
um grito haiti
liberdade zumbi

tambores jamaicanos
oloduns brasil baiano
stevie wonder reluziu
tropicalizando gilberto gil

viva áfrica americana
viva o toque do pandeiro
cor não tem cor quando se ama
sou neguinho brasileiro

806
Jeremias Brasileiro

Jeremias Brasileiro

NZAMBIAMÍ!

Depois dos Orins e Adurás
Névoa Amarela toda Ebla e Alápéré
sentada em banco de praça
conversa com Òtólúbájés
tão segura de si que desestrutura Ekwensús.

Notas: NZambIamí! = Meu Deus!
Orins e Adurás = Cânticos e Rezas
Ebla e Alápéré = Graça e Bondade
Òtólúbájés = Pessoas que gostam das negatividades
Ekwensús = Espíritos Malígnos

949
Eolo Yberê Líbera

Eolo Yberê Líbera

Barroco de Minas

O espírito de Bach sobre Ouro Preto

Vivaldi pairando sobre o portal do Carmo

(os três anjos do Aleijadinho saem correndo

chamando o mestre)

902
Eliane Pantoja Vaidya

Eliane Pantoja Vaidya

Amo estes gregos pagãos

Amo estes gregos pagãos
que amavam a vida
a partir de um céu azul
e um mar violeta.
Amo estas montanhas cabritas
onde Safo e companhia
a de belos tornozelos
galgavam o dia.

811
Donizete Galvão

Donizete Galvão

Almanaque da Pedra

Roupa branca no quarador:
enxágue-a com pedra anil.

Afta no canto da boca:
mate-a com pedra-ume.

Água de bica na talha:
jogue-lhe pedra de enxofre.

Faca com corte cego:
amole-a com pedra branca.

Dedo de prosa com craca:
raspe-o com pedra-pomes.

1 244
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Primeiro: O BANDARRA

OS AVISOS


PRIMEIRO

O BANDARRA

Sonhava, anónimo e disperso,
O Império por Deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E plebeu como Jesus Cristo.

Não foi nem santo nem herói,
Mas Deus sagrou com Seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português mas Portugal.


28/03/1930
4 766
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Noite de S. João para além do muro do meu quintal.

Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.


12/04/1919 (Athena, nº 5, Fevereiro de 1925)
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