Vento e Ar
Poemas neste tema
Teruko Oda
Inverno
Silêncio profundo
Soba luz da eterna aurora
Dorme o campo seco.
Mugido sedento
Gado magro em pasto seco
Coqueiros ao vento.
Soba luz da eterna aurora
Dorme o campo seco.
Mugido sedento
Gado magro em pasto seco
Coqueiros ao vento.
1 046
Moacir Amâncio
Beduíno
esses olhos nunca viram a chuva
eles navegam o vento
devassam o absoluto
- a ausência de portos -
de dentro de um sopro
eles navegam o vento
devassam o absoluto
- a ausência de portos -
de dentro de um sopro
1 044
Maria do Carmo Volpi de Freitas
Libertação
Itinerário de nuvens
azulescendo
a estrada-sonho
do peregrino.
Hastes ao alto
beijos de brisa
e asas
para o encontro
possível.
in No Remanso das Horas - Achiamê - RJ
azulescendo
a estrada-sonho
do peregrino.
Hastes ao alto
beijos de brisa
e asas
para o encontro
possível.
in No Remanso das Horas - Achiamê - RJ
802
Jorge Lescano
Outono
Brisa de abril.
No ar se misturam
folhas e pardais.
No ar se misturam
folhas e pardais.
1 022
José Eduardo Mendes Camargo
O Vento
Passageiro livre e intrépido da natureza
Veículo do perfume das flores
Música e ritmo das palmeiras
Escultor mutante das nuvens
Semeador sábio da terra
Alma crepitante do fogo
Amante carinhoso das águas
és, a um tempo, a ira do demônio
e, de outro, sopro divino dos deuses.
Veículo do perfume das flores
Música e ritmo das palmeiras
Escultor mutante das nuvens
Semeador sábio da terra
Alma crepitante do fogo
Amante carinhoso das águas
és, a um tempo, a ira do demônio
e, de outro, sopro divino dos deuses.
610
Geir Campos
Haicai
Vento da manhã
varre as folhas pelo chão
do dia que nasce.
Olhos de afogado:
são de ver coisas terríveis
no fundo do mar.
varre as folhas pelo chão
do dia que nasce.
Olhos de afogado:
são de ver coisas terríveis
no fundo do mar.
1 219
Fernanda Benevides
Eu e Brisa
Eis que o ciciar da brisa matinal
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
865
Débora Novaes de Castro
Haicai
concha perolada
descoberta pelos ventos
soprar das areias
varando nuvens,
levando sonhos d’ouro
cavalo alado
descoberta pelos ventos
soprar das areias
varando nuvens,
levando sonhos d’ouro
cavalo alado
886
Deborah Brennand
Sempre Algumas Léguas Restam
Em todos os sítios
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
o vento arranca as folhas secas.
Assim, também é certo
a cerca, mesmo caindo, seguir a terra.
Só o rio desata nós de água
em ramalhetes de pedra.
E sempre algumas léguas restam
para chegar ou partir
na claridade dispersa.
1 094
Carlos Nóbrega
O Mar
Oh grande falta de sombra
incendiada
Azul que arde.
Só sal e
vento e sol e
coisa infinda.
Eterna tarde.
incendiada
Azul que arde.
Só sal e
vento e sol e
coisa infinda.
Eterna tarde.
579
Áurea de Arruda Féres
Primavera
O vento acalanta
o inconsolável chorão
no seu desalento...
o inconsolável chorão
no seu desalento...
906
Fernando Pessoa
O vento sopra lá fora.
O vento sopra lá fora.
Faz-me mais sozinho, e agora
Porque não choro, ele chora.
É um som abstracto e fundo.
Vem do fim vago do mundo.
Seu sentido é ser profundo.
Diz-me que nada há em tudo.
Que a virtude não é escudo
E que o melhor é ser mudo.
27/12/1933
Faz-me mais sozinho, e agora
Porque não choro, ele chora.
É um som abstracto e fundo.
Vem do fim vago do mundo.
Seu sentido é ser profundo.
Diz-me que nada há em tudo.
Que a virtude não é escudo
E que o melhor é ser mudo.
27/12/1933
5 132
Fernando Pessoa
E, ó vento vago
E, ó vento vago
Das solidões,
Minha alma é um lago
De indecisões.
Ergue-a em ondas
De iras ou de ais,
Vento que rondas
Os pinheirais!
1928
Das solidões,
Minha alma é um lago
De indecisões.
Ergue-a em ondas
De iras ou de ais,
Vento que rondas
Os pinheirais!
1928
4 530
Fernando Pessoa
Vento que passas
Vento que passas
Nos pinheirais,
Quantas desgraças
Lembram teus ais.
Quanta tristeza,
Sem o perdão
De chorar, pesa
No coração.
E ó vento vago
Das solidões
Traz um afago
Aos corações.
À dor que ignoras
Presta os teus ais,
Vento que choras
Nos pinheirais.
21/08/1921
Nos pinheirais,
Quantas desgraças
Lembram teus ais.
Quanta tristeza,
Sem o perdão
De chorar, pesa
No coração.
E ó vento vago
Das solidões
Traz um afago
Aos corações.
À dor que ignoras
Presta os teus ais,
Vento que choras
Nos pinheirais.
21/08/1921
4 628
Fernando Pessoa
13 - Leve, leve, muito leve,
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.
(Athena, nº 4, Janeiro de 1925)
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.
(Athena, nº 4, Janeiro de 1925)
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