Sol, amanhecer e pôr do sol
Poemas neste tema
António Ramos Rosa
Pedra de Sol Na Boca
Pedra de sol na boca
língua verde
ombros no horizonte
próximos
língua verde
ombros no horizonte
próximos
942
António Ramos Rosa
Feliz Fusão de Sol Parede E Água, Sol…
Feliz fusão de sol parede e água, sol — mancha entre lábios e olhos, sol de água, pedra que toco no ar, no princípio do ar.
1 465
António Ramos Rosa
Alto Campo o Dia
Alto campo o dia, para as mãos do rosto.
Sala aberta ao céu.
No extremo da linha o sol
para o cimo declina.
Um sóbrio caminho que trepida.
Motor suave, o sol, à beira de água.
Sala aberta ao céu.
No extremo da linha o sol
para o cimo declina.
Um sóbrio caminho que trepida.
Motor suave, o sol, à beira de água.
994
António Ramos Rosa
O Sol da Casa
Sou o que veio por um momento
de sol.
Vim até à beira da janela
até ao hálito da casa.
Venho até ver com o sol
o ouro do campo
da casa.
Uma boca lenta que percorre
o sabor dos quartos
desta casa de terra quente.
Venho até quase à boca desta casa
silenciosa de sol.
de sol.
Vim até à beira da janela
até ao hálito da casa.
Venho até ver com o sol
o ouro do campo
da casa.
Uma boca lenta que percorre
o sabor dos quartos
desta casa de terra quente.
Venho até quase à boca desta casa
silenciosa de sol.
1 046
António Ramos Rosa
Imagens
O fogo que aparece
por cima do horizonte
A vela deslizando sobre a terra
papéis que estalam brancos
um punhado de sol no ar
por cima do horizonte
A vela deslizando sobre a terra
papéis que estalam brancos
um punhado de sol no ar
990
Ruy Belo
Percurso diário
Eu vou por este sol além
e ele é quotidiano até ao fim
como se até hoje ninguém
tivesse no sol e fora do sol também
morrido a morte por mim
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 50 | Editorial Presença Lda., 1984
e ele é quotidiano até ao fim
como se até hoje ninguém
tivesse no sol e fora do sol também
morrido a morte por mim
Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 50 | Editorial Presença Lda., 1984
1 463
Sophia de Mello Breyner Andresen
E Só Então Saí Das Minhas Trevas
E só então saí das minhas trevas:
Abri as minhas mãos como folhagens,
Intacta a luz brotava das paisagens,
Mas na doçura fantástica das coisas
As minhas mãos queimavam-se e morriam.
Dia perfeito, inteiro e luminoso,
Dia presente como a morte — luz
Trespassando os meus olhos de cegueira.
Cada voz, cada gesto, cada imagem
Na exaltação do sol se consumia.
Abri as minhas mãos como folhagens,
Intacta a luz brotava das paisagens,
Mas na doçura fantástica das coisas
As minhas mãos queimavam-se e morriam.
Dia perfeito, inteiro e luminoso,
Dia presente como a morte — luz
Trespassando os meus olhos de cegueira.
Cada voz, cada gesto, cada imagem
Na exaltação do sol se consumia.
2 095
Sophia de Mello Breyner Andresen
Jardim Verde E Em Flor, Jardim de Buxo
Jardim verde e em flor, jardim de buxo
Onde o poente interminável arde
Enquanto bailam lentas as horas da tarde.
Os narcisos ondulam e o repuxo,
Voz onde o silêncio se embala,
Canta, murmura e fala
Dos paraísos desejados,
Cuja lembrança enche de bailados
A clara solidão das tuas ruas.
Onde o poente interminável arde
Enquanto bailam lentas as horas da tarde.
Os narcisos ondulam e o repuxo,
Voz onde o silêncio se embala,
Canta, murmura e fala
Dos paraísos desejados,
Cuja lembrança enche de bailados
A clara solidão das tuas ruas.
2 066
Sophia de Mello Breyner Andresen
As Cidades
Estavam no poente luzidias,
Acesas e magnéticas chamando
Sob o infinito céu das tardes frias.
Acesas e magnéticas chamando
Sob o infinito céu das tardes frias.
1 900
Sophia de Mello Breyner Andresen
Barcelona
Luz e sol e pintura
Sobre o telhado à noite a lua cresce
Abro os olhos como um barco pelas ruas
No entanto outonece
Sobre o telhado à noite a lua cresce
Abro os olhos como um barco pelas ruas
No entanto outonece
2 730
Fernando Pessoa
O sorriso triste do ante-dia que começou
O sorriso triste do ante-dia que começou
Platina fria no engaste de negro azulando-se escuramente.
Platina fria no engaste de negro azulando-se escuramente.
924
Fernando Pessoa
Pouco a pouco o campo se alarga e se doura.
Pouco a pouco o campo se alarga e se doura.
A manhã extravia-se pelos irregulares da planície.
Sou alheio ao espectáculo que vejo: vejo-o.
E exterior a mim. Nenhum sentimento me liga a ele,
E é esse o sentimento que me liga à manhã que aparece.
A manhã extravia-se pelos irregulares da planície.
Sou alheio ao espectáculo que vejo: vejo-o.
E exterior a mim. Nenhum sentimento me liga a ele,
E é esse o sentimento que me liga à manhã que aparece.
1 366
Fernando Pessoa
O dia esta a intentar raiar. As estrelas cosmopolitas
O dia esta a intentar raiar. As estrelas cosmopolitas
Fecham-se para nada no céu [solene?]
Numa grande premeditação de raiar o dia
O céu empalidece no oriente...
É quase azul negro o escuro claro onde estão semeadas as estrelas.
Ergo a cabeça da orgia dos astros.
Raça contraditória do abismo.
Começamos a esfinges.
Fecham-se para nada no céu [solene?]
Numa grande premeditação de raiar o dia
O céu empalidece no oriente...
É quase azul negro o escuro claro onde estão semeadas as estrelas.
Ergo a cabeça da orgia dos astros.
Raça contraditória do abismo.
Começamos a esfinges.
1 300
Giuseppe Ungaretti
Manhã
Manhã
Ilumino-me
de imenso
Tradução de Sérgio Wax
Mattina
M'illumino
d'immenso
3 645
Pedro Xisto
abro após as sombras
abro após as sombras
de par em par as vidraças:
alçam vôo as pombas
807
Juan Gelman
Poema XXXIII
Basta
Não quero mais morte
Não quero mais dor ou sombras basta
Meu coração é esplêndido como a palavra
Meu coração tornou-se belo como o sol
Que sai voa canta meu coração
De manhã cedo é um passarinho
E depois é teu nome
Teu nome sobe todas as manhãs
Aquece o mundo e se põe
Só em meu coração
Sol em meu coração
Amor que serena, termina?
Não quero mais morte
Não quero mais dor ou sombras basta
Meu coração é esplêndido como a palavra
Meu coração tornou-se belo como o sol
Que sai voa canta meu coração
De manhã cedo é um passarinho
E depois é teu nome
Teu nome sobe todas as manhãs
Aquece o mundo e se põe
Só em meu coração
Sol em meu coração
Amor que serena, termina?
1 358
Mafalda Veiga
Procura por mim
Quando for já logo à noite na praia
Com o sol a derreter-se enfim
Procura por mim
Com o vento por saia
E em lugar de suor o sargaço.
Eu estarei quieto e assim sozinho
Cheio das dúvidas do universo
À tua espera
A desenhar o caminho
Para te escrever em verso
No meu regaço.
O abraço.
Com o sol a derreter-se enfim
Procura por mim
Com o vento por saia
E em lugar de suor o sargaço.
Eu estarei quieto e assim sozinho
Cheio das dúvidas do universo
À tua espera
A desenhar o caminho
Para te escrever em verso
No meu regaço.
O abraço.
1 266
Rafael Alberti
Pregão
Vendo nuvens de cores!
as redondas, vermelhas,
para suavizar os calores!
Vendo os cirros arroxeados
e rosas, as alvoradas,
os crepúsculos dourados!
O amarelo astro,
colhido o verde ramo
do celeste pessegueiro!
Vendo a neve, a chama
e o canto do pregoeiro!
as redondas, vermelhas,
para suavizar os calores!
Vendo os cirros arroxeados
e rosas, as alvoradas,
os crepúsculos dourados!
O amarelo astro,
colhido o verde ramo
do celeste pessegueiro!
Vendo a neve, a chama
e o canto do pregoeiro!
1 286
Lenilde Freitas
A Alfonsina Storni
O bulício do amanhecer
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
destranca as portas da sabedoria.
É o mesmo e não é o mesmo
o destino dos homens.
Com a chuva vigorosa,
as enredadeiras se desvencilham
dos muros os ventos recuam e
poucas cigarras sobrevivem.
Assim, agora.
A mulher
– passante -
se desveste da cor cambiante do sonho.
865
Angela Santos
Serenidade
Sobre
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
areias finas
a deusa adormecida
lembra uma esfinge viva
serenamente abandonada
em seu sono
Indiferente
às tempestades de luz
que o seu sonho assaltam
a deusa toda se ilumina
com as odes de sol que
da alma emanam
E deitada
sobre areias brancas
serena, despertará
iluminada
1 281
Rogério Bessa
Do Canto IX:
O Mundo Encontrado:
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
Inércia Calada e Mudez Falante do Sol
no impacto do cacto intacto,
o olho de intáctil tacto,
viaduto da em sol ação;
no pacto do cacto intacto,
o sol de olho por olho
no tacto incacto da mão.
no pacto, o cacto e o tacto
contrátil do contratante,
chão por chantão malsão.
896
Edigar de Alencar
Cidade-Sol
Cidade pequena, lavada de sol,
de ruas que não têm fim,
alinhadas como os versos de um soneto.
Para tua iluminação diurna
devem trabalhar
todas as usinas do universo.
Fortaleza,
espelho fiel de nossa gente:
esbanjas tanta luz durante o dia
que à noite ficas no escuro...
de ruas que não têm fim,
alinhadas como os versos de um soneto.
Para tua iluminação diurna
devem trabalhar
todas as usinas do universo.
Fortaleza,
espelho fiel de nossa gente:
esbanjas tanta luz durante o dia
que à noite ficas no escuro...
1 018
Zuleika dos Reis
Outono
Gotas de orvalho
molhando a flor e a avezinha.
Fresca madrugada.
Gotas de orvalho.
Sobre a folha escorregadia
saltita o grilo.
Horizonte rubro.
Ave branca atravessando
branco do luar.
molhando a flor e a avezinha.
Fresca madrugada.
Gotas de orvalho.
Sobre a folha escorregadia
saltita o grilo.
Horizonte rubro.
Ave branca atravessando
branco do luar.
977
Waldemar Zweiter
Vida
A luz do sol
é forte
e brilhante
como a vida
Porém, cuidado:
pode apagar-se
com o passar de
uma simples nuvem.
é forte
e brilhante
como a vida
Porém, cuidado:
pode apagar-se
com o passar de
uma simples nuvem.
750
Português
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