Música
Poemas neste tema
Carlos Drummond de Andrade
Artistas Adolescentes
O piano de Mário,
o violoncelo de Luís Eduardo,
o violino de Clibas,
quem, entre Grandes, Médios e Menores,
suplantará?
O piano, talvez, de Luís Cintra?
O violoncelo de Henrique?
O violino de Vítor Saraiva?
Alguém, ainda, que vai nascer?
Empate. Empate. Empate. O jeito
é fazer com que toquem sempre aos pares,
imbatíveis.
o violoncelo de Luís Eduardo,
o violino de Clibas,
quem, entre Grandes, Médios e Menores,
suplantará?
O piano, talvez, de Luís Cintra?
O violoncelo de Henrique?
O violino de Vítor Saraiva?
Alguém, ainda, que vai nascer?
Empate. Empate. Empate. O jeito
é fazer com que toquem sempre aos pares,
imbatíveis.
1 058
António Ramos Rosa
Em Todo o Corpo Lúcido
Em todo o corpo lúcido
a luz e a música
com o brilho da brisa
e os véus vegetais.
a luz e a música
com o brilho da brisa
e os véus vegetais.
851
António Ramos Rosa
Tenaz Tambor
Tenaz tambor
através de fibras e veias
como uma fonte absoluta.
através de fibras e veias
como uma fonte absoluta.
1 040
António Ramos Rosa
Na Seiva do Ar
Na seiva do ar
uma palavra que é rosto ou melodia.
uma palavra que é rosto ou melodia.
1 100
Sophia de Mello Breyner Andresen
Guitarra
Na voz de oiro e de sombra da guitarra
Algo de mim a si próprio renuncia
Algo de mim a si próprio renuncia
1 929
Fernando Pessoa
CEIFEIRA
Mas não, é abstracta, é uma ave
De som volteando no ar do ar,
E a alma canta sem entrave
Pois que o canto é que faz cantar.
De som volteando no ar do ar,
E a alma canta sem entrave
Pois que o canto é que faz cantar.
1 192
Fernando Pessoa
My soul is like a painted boat
My soul is like a painted boat
That like a sleeping swan doth float
Upon the silver waves of thy sweet
singing.
That like a sleeping swan doth float
Upon the silver waves of thy sweet
singing.
1 189
Fernando Pessoa
Bailaste de noite ao som
Bailaste de noite ao som
De uma música estragada.
Bailar assim só é bom
Quando a alegria é de nada.
De uma música estragada.
Bailar assim só é bom
Quando a alegria é de nada.
849
Fernando Pessoa
Vem Orfeu, uma sombra
Vem Orpheu, uma sombra
Que traz nas mãos um vago filho — a lira.
Que traz nas mãos um vago filho — a lira.
1 504
Fernando Pessoa
Vem de lá do monte verde
Vem de lá do monte verde
A trova que não entendo.
É um som bom que se perde
Enquanto se vai vivendo.
A trova que não entendo.
É um som bom que se perde
Enquanto se vai vivendo.
1 621
Fernando Pessoa
Quando há música, parece
Quando há música, parece
Que dormes, e assim te calas,
Mas se a música falece
Acordo, e não me falas.
Que dormes, e assim te calas,
Mas se a música falece
Acordo, e não me falas.
1 471
Fernando Pessoa
Com bandas militares
Com bandas militares à frente, compostas de volantes e hélices,
Com uma vanguarda sonora de sereia de automóvel e de barco
Com um estardalhaço longínquo, com saltos e alardes
De bombos e pratos, com (...)
Desencadeio-me a saudar-te. Pum!
Pum, pum, pum...
Pu-u-u-u-u-m!
Com uma vanguarda sonora de sereia de automóvel e de barco
Com um estardalhaço longínquo, com saltos e alardes
De bombos e pratos, com (...)
Desencadeio-me a saudar-te. Pum!
Pum, pum, pum...
Pu-u-u-u-u-m!
1 005
Fernando Pessoa
UMA VOZ NA ESCURIDÃO: Melodia vaga,
Melodia vaga,
Para ti se eleva
E chorando, leva
O teu coração,
Já de dor exausto,
E sonhando o afaga.
Os teus olhos, Fausto,
Não mais chorarão.
Para ti se eleva
E chorando, leva
O teu coração,
Já de dor exausto,
E sonhando o afaga.
Os teus olhos, Fausto,
Não mais chorarão.
1 544
Moacy Cirne
A praça
joão da paraíba oferece a alguém,
com
muito
amor
e carinho,
"lábios que beijei", na voz de orlando silva
(in Cinema Pax, 1983)
1 143
Carlos Felipe Moisés
Capibaribe
Capibaribe não é um rio,
Capibaribe: enredo musical
Melodia, Manuel Bandeira.
Texto e coreografia, João Cabral.
(Recife 1977)
Poema integrante da série I. Natural.
In: MOISÉS, Carlos Felipe. Círculo imperfeito: poemas. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1978. (Coleção Ilha de Maré, 2)
Capibaribe: enredo musical
Melodia, Manuel Bandeira.
Texto e coreografia, João Cabral.
(Recife 1977)
Poema integrante da série I. Natural.
In: MOISÉS, Carlos Felipe. Círculo imperfeito: poemas. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1978. (Coleção Ilha de Maré, 2)
920
Nelson Ascher
Voz
Ninguém jamais
regeu tão extra-
(pois sem rivais)
vagante orquestra
como a que destra-
vando os umbrais
com chave-mestra
— cordas vocais —
propõe que além da
canção, com elas,
a mente aprenda
(mais do que vê-las
sem qualquer venda)
a ouvir estrelas.
In: ASCHER, Nelson. O sonho da razão. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. p. 47
regeu tão extra-
(pois sem rivais)
vagante orquestra
como a que destra-
vando os umbrais
com chave-mestra
— cordas vocais —
propõe que além da
canção, com elas,
a mente aprenda
(mais do que vê-las
sem qualquer venda)
a ouvir estrelas.
In: ASCHER, Nelson. O sonho da razão. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. p. 47
1 011
Felipe Vianna
INVEJA
Poesia de uma nota só
Para a inveja.
Dó!
18/11/1997
Para a inveja.
Dó!
18/11/1997
757
Luiz de Aquino
Clave de Lua
Clave de Lua
Cantar é tão longe
como o encontro efêmero
num verso travesso
acontecido infeliz.
Cantar é tão doce
como o encontro esperado
e demorado
num pentagrama, dois por dois.
Cantar é a clave
de sol crescente
em fundo de lua
cheia de amor
perfeito pra nós.
Cantar é te ver
cantando esperanças
pros meus sentidos.
Cantar é tão longe
como o encontro efêmero
num verso travesso
acontecido infeliz.
Cantar é tão doce
como o encontro esperado
e demorado
num pentagrama, dois por dois.
Cantar é a clave
de sol crescente
em fundo de lua
cheia de amor
perfeito pra nós.
Cantar é te ver
cantando esperanças
pros meus sentidos.
1 175
José de Oliveira Falcon
Sonata Urbana
a flauta mesmo em silêncio
fabrica seu mel de fábula;
o míssil mamom e a massa
carvão diurno de praga
modula a flauta no asfalto
onde um bêbado declama
seu lirismo contra a lama
e esse luar contra o salto
ou se achas mais sensato
e tua raiva reclama
cospe o lirismo na lama
atira a flauta no asfalto
fabrica seu mel de fábula;
o míssil mamom e a massa
carvão diurno de praga
modula a flauta no asfalto
onde um bêbado declama
seu lirismo contra a lama
e esse luar contra o salto
ou se achas mais sensato
e tua raiva reclama
cospe o lirismo na lama
atira a flauta no asfalto
1 020
José Eustáquio da Silva
Confidente
dedos à deriva
navegando entre cordas
nau sem direção
neste mar meu violão
toada dissonante
mar revolto intrigante
maremoto de saudade
avesso de realidade
desafino de coração
geme violão
confidente dos meus ais
não quero mais
navegar assim
geme violão
confidente dos meus ais
não quero mais
me afogar assim
navegando entre cordas
nau sem direção
neste mar meu violão
toada dissonante
mar revolto intrigante
maremoto de saudade
avesso de realidade
desafino de coração
geme violão
confidente dos meus ais
não quero mais
navegar assim
geme violão
confidente dos meus ais
não quero mais
me afogar assim
1 012
José Eustáquio da Silva
Belos
cesta nba
violência aparthaid
um grito haiti
liberdade zumbi
tambores jamaicanos
oloduns brasil baiano
stevie wonder reluziu
tropicalizando gilberto gil
viva áfrica americana
viva o toque do pandeiro
cor não tem cor quando se ama
sou neguinho brasileiro
violência aparthaid
um grito haiti
liberdade zumbi
tambores jamaicanos
oloduns brasil baiano
stevie wonder reluziu
tropicalizando gilberto gil
viva áfrica americana
viva o toque do pandeiro
cor não tem cor quando se ama
sou neguinho brasileiro
806
José Eustáquio da Silva
Querer
luz pálida
sinal fechado
solidão me toque não
no outdoor vejo você
encanto de alquimista
qualquer coisa, qualquer vista
mar à vista
meu porto é você
meu olho chove
seu rosto jovem
meu grito mudo
sua boca morde
não me incomode
deixe-me amar
abraça-me em lá maior
me transe em música
e me deixe só...
sinal fechado
solidão me toque não
no outdoor vejo você
encanto de alquimista
qualquer coisa, qualquer vista
mar à vista
meu porto é você
meu olho chove
seu rosto jovem
meu grito mudo
sua boca morde
não me incomode
deixe-me amar
abraça-me em lá maior
me transe em música
e me deixe só...
739
Fernanda Benevides
Eu e Brisa
Eis que o ciciar da brisa matinal
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
acariciou-me o ouvido
- acordou em mim uma melodia.
Ecos vibrantes eclodiram,
plenetraram-me,
invadiram-me...
Ah! Essa brisa matinal
me trouxe um viço,
uma inquietação,
um rebuliço!...
865
Eolo Yberê Líbera
Barroco de Minas
O espírito de Bach sobre Ouro Preto
Vivaldi pairando sobre o portal do Carmo
(os três anjos do Aleijadinho saem correndo
chamando o mestre)
Vivaldi pairando sobre o portal do Carmo
(os três anjos do Aleijadinho saem correndo
chamando o mestre)
902
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