Desejo

Poemas neste tema

António Botto

António Botto

Inédito

Nunca te foram ao cu
Nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
Lavadinho , todo nu, gosto!

Sem ter pentelho nenhum
com certeza, não desgosto,
Até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos.

Vou-lhes ao cu
Dou-lhes conselhos,
Enfim... gosto!

11 400
Amparo Jimenez

Amparo Jimenez

Obsequio

(A Rosamaría)

Este orgasmo,
tan celosamente
guardado
para tí,
hoy,
amorosa,
lo entregué a mi mano.

1 188
Amparo Jimenez

Amparo Jimenez

Ilusión Marina

(A Rosamaría)

Tu lengua,
pececillo inquieto en mi rostro.
Tu boca,
ostra que juega con mis labios.
Tu piel,
arena ardiente sobre mi cuerpo todo.
Tu voz,
canto de sirena que me llama y espera.
Mi piel y mi alma responden
pero tú, sirena mía,
te esfumas con el sol
al bajar la marea.

989
E. M. de Melo e Castro

E. M. de Melo e Castro

Os erros de Eros

Eros olha o espelho e vê narciso arder
nas tetas insufladas um diabo qualquer
prolonga a se fusão do orgasmo

meus erros são meus erros
aqui presentes todos
nesta escrita de pernas
os penetro de fodas
circulares

que inadequados ais
ou dúvidas se alinham
nas sevícias venais
dos polícias que tinham

1 107
E. M. de Melo e Castro

E. M. de Melo e Castro

Enquanto um dedo esmaga

enquanto um dedo esmaga
uma curva ou um aro
outros dedos distendem
os tendões que entendem

no súbito na água
a luz vértice faro
os membros que se fendem
lábios que dizem rendem

quem diz cu diz a cona
em masculino estilo
as procuradas fendas afluentes

que no homem se excluem
na fêmea se completam
delta logo de lagos mijo nilo

1 027
Gloria Sartore

Gloria Sartore

Cio

Entre as pernas te prendo
serpente e presa em duelo

Instintivos golpes
em oscena estratégia
– despudorada arma

Vitoriosa
bebo em teu cálice
o sêmen

...chove sobre o cio.

1 157
Almeida Garrett

Almeida Garrett

Não te amo

Não te amo, quero-te: o amor vem dalma.
E eu nalma tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai! Não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! Não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

3 119
Ruy Cinatti

Ruy Cinatti

Entrei pelo mar

Entrei pelo mar mulher
açodado, a colher algas
Esqueci-me do meu mister
embalado pelas ondas.

O mar homem não se esquece
embalado pelas ondas.

2 379
Giselda Medeiros

Giselda Medeiros

Foz

Faze-me a embocadura
da turbulência de tuas águas
de semeadura,
que eu te mostrarei
onde se escondem
gritos e sussurros,
gestos e ânsias
à espera da correnteza.

1 018
Aldir Blanc

Aldir Blanc

Clima-X

Quando, agonizantes, gozamos,

transcendemos

essa históriade ser mulher
ou ser marido:

É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.

1 210
Abrahão Cost'Andrade

Abrahão Cost'Andrade

Gertrudes

Folhas de romance
, esquiva papelaria:
seios na janela.

865
Carlos Figueiredo

Carlos Figueiredo

Cais é oferta da alma

Cais é oferta da alma
na noite.
Busca
ao estertor cavo
de navio
em ânsia de atracação.

1 026
Noel Ferreira

Noel Ferreira

ABC erótico

Abre-te!
Beija-me!
Cobre-me!

Amar-te é volúpia
Brincar é malicia
Carícia é pingo de mel.

Ai!
Basta!
Cala-te!

Abraço-te, queres?
Belisco-te, gostas?
Colo-me a ti, einh?

Ah!
Biscoito
Crocante!

Às nuvens subi
Bebendo o teu néctar
Crescendo-me em ti!

Ata-me!
Bebe-me!
Come-me!

Agora imparável
Brutalmente bom
Cada vez melhor!

1 308
Levi Bucalem Ferrari

Levi Bucalem Ferrari

Erótica

Viajo pelas galáxias
Num col(chão) voador
Sonho com grutas úmidas
Repletas de tesouros

Orvalho sobre musgo sobre pedra
Calma e cheiro de mato

Obeliscos!

Menino
(Re)nasce
De homem
Dentro
De mulher

Tudo é
(M)eu, abrangido
Pelo teu abrangente
Infinito

897
Noel Ferreira

Noel Ferreira

Nossos corpos

Nossos corpos
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.

Há gemidos delirantes
há percussões arrítmicas
respirações ofegantes
empastadas em suor
até ao êxtase
e ao torpor.

Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfónica.

1 159
Orlando Neves

Orlando Neves

E o desejo de amar

E o desejo de amar e o desejo de mar
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.

1 266
Orlando Neves

Orlando Neves

Ser a pomba

Ser a pomba ou o cavalo no bosque
de macieiras onde espera e anoitece
o teu terso corpo de deusa rara.

1 242
Ana Paula Ribeiro Tavares

Ana Paula Ribeiro Tavares

A Abóbora Menina

Tão gentil de distante, tão macia aos olhos
vacuda, gordinha,
de segredos bem escondidos
estende-se à distância
procurando ser terra
quem sabe possa
acontecer o milagre:
folhinhas verdes
flor amarela
ventre redondo
depois é só esperar
nela desaguam todos os rapazes.

Benguela, 83

2 854
Albano Dias Martins

Albano Dias Martins

Entras

em mim descalça, vulnerável
como um alvo próximo, ferida
nos joelhos e nas coxas. Pelo tacto
nos conhecemos, é essa luz
oblíqua que nos cega. E te pertenço
e me pertences como
a lâmina
à bainha, a chama
ao pavio.
1 351
Albano Dias Martins

Albano Dias Martins

Folheamos

agora dicionários
cada vez mais breves.
De noite,
os teus cabelos emigram
como espigas de incenso. Há gerânios
pisados entre os dedos, dálias
virgens sufocadas
na epiderme.
As palavras
só conhecem o limbo, a rigorosa
película da sede.

in:Uma colina
para os lábios(1993)
1 110
Albano Dias Martins

Albano Dias Martins

Horizontal

o mar, a mor
te. Vertical
o desejo.
1 094
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

X - Now is she issued. List how all speech pines

Now is she issued. List how all speech pines
Then bursts into a wave of speech again!
Now is she issued out to where the guests
Look on her daring not to look at them.
The hot sun outside shines.
A sweaty oiliness of hot life rests
On the day's face this hour.
A mad joy's pent in each warm thing's hushed power.
3 949
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Tudo foi dito antes que se dissesse.

Tudo foi dito antes que se dissesse.
O vento aflora vagamente a messe,
E deixa-a porque breve se apagou.
Assim é tudo-nada. Bebe e esquece.

Na eterna sesta de não desejar
Deixa-te, bêbado e asceta, estar.
Lega o amor aos outros, que a beleza
Foi feita só para se contemplar.


24/02/1933
3 810
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O que o seu jeito revela

O que o seu jeito revela
Sabe à vista como um gomo,
E a vida tem fome dela
Nos dentes do seu assomo.

E nele mesmo, vibrante
A esse corpo de amor,
Espreita, próximo e distante,
O seu tigre interior.


1932
4 216