Literatura e Palavras
Poemas neste tema
Diamond
Mosaico
Cada uma em seu lugar
Como cores, mil palavras
O ladrilheiro dos poemas
E seu trabalho para acomodar
Em forma de verso e prosa
Há um verbo para sonhar
A mensagem corajosa
Dizendo que vou amar
Você por toda minha vida
Enquanto a vida durar
Para amigos muito especiais.
Para o dia dezenove e
Para toda a vida
Como cores, mil palavras
O ladrilheiro dos poemas
E seu trabalho para acomodar
Em forma de verso e prosa
Há um verbo para sonhar
A mensagem corajosa
Dizendo que vou amar
Você por toda minha vida
Enquanto a vida durar
Para amigos muito especiais.
Para o dia dezenove e
Para toda a vida
1 094
Claudius Portugal
Pelo Amor
pelo amor
palavra
que diga
sim
palavra
que diga
não
pelo amor
palavra
:
o amor
em si
jamais
cilada
nenhuma
pergunta
palavra
que diga
sim
palavra
que diga
não
pelo amor
palavra
:
o amor
em si
jamais
cilada
nenhuma
pergunta
1 233
Pe. Osvaldo Chaves
Culto de Ricardo Reis
A um infiel
Horácio é um rio...
Batiza-te, infiel, nas santas águas,
Receberás o espírito!
Mergulha de uma vez,
Terás em plenitude
A graça e a saúde
Para entender e amar Ricardo Reis.
Horácio é um rio...
Batiza-te, infiel, nas santas águas,
Receberás o espírito!
Mergulha de uma vez,
Terás em plenitude
A graça e a saúde
Para entender e amar Ricardo Reis.
891
Geraldo Carneiro
neoplatônica
a boca é o lugar onde se engendra
o silêncio e se proferem sentenças
de morte e colhem blasfêmias
e serpenteiam sortilégios
e se enfunam as flores da fala
até forjar a ficção de outra boca
de onde se extrai a idéia do beijo
o silêncio e se proferem sentenças
de morte e colhem blasfêmias
e serpenteiam sortilégios
e se enfunam as flores da fala
até forjar a ficção de outra boca
de onde se extrai a idéia do beijo
983
Geraldo Carneiro
romântica
o poeta se enfastia da lua
e a compara à amada
depois se enfastia da amada
e vice-versa
e a compara à amada
depois se enfastia da amada
e vice-versa
1 223
Beatriz Azevedo
Eu sou a Beatriz
eu sou a beatriz
sem dentes
eu sou a beatriz
dândi abundante
eu sou a beatriz
estridente gigante
eu não sou mais
a beatriz de Dante
sem dentes
eu sou a beatriz
dândi abundante
eu sou a beatriz
estridente gigante
eu não sou mais
a beatriz de Dante
894
Antônio de Oliveira
Décima
Tanto Pirene chorou
Que em fonte se converteu:
Mas Diana que a ofendeu
Por que em fonte a transformou?
Porque como desejou
Ter uma fonte perene
(Qual a famosa Hipocrene)
De Pirene a fonte faz:
Porque no nome já traz
O ser perene Pirene.
Que em fonte se converteu:
Mas Diana que a ofendeu
Por que em fonte a transformou?
Porque como desejou
Ter uma fonte perene
(Qual a famosa Hipocrene)
De Pirene a fonte faz:
Porque no nome já traz
O ser perene Pirene.
1 228
Antônio Massa
Gozo
o poetasonhaabsorveamadespeama de novoadornae eterniza a palavra com o suor do seu íntimo
1 006
André Ricardo Aguiar
Revisão
uma mão sempre escreve
o ofício das letras:
a Eternidade
urge reformas
o ofício das letras:
a Eternidade
urge reformas
826
Aleilton Fonseca
nota sobre
teoria particular (mas nem tanto) do poema
a disposição dos versos em estrofes numeradas indica uma seqüência de leitura entre
outras, por exemplo:
a disposição dos versos em estrofes numeradas indica uma seqüência de leitura entre
outras, por exemplo:
1 134
André Ricardo Aguiar
Ancoradouros
lembrança boa
um mar maior
maior que um oceano
vou lendo ilhas
frequentemente distantes;
Kafka, Borges, Pessoa...
um mar maior
maior que um oceano
vou lendo ilhas
frequentemente distantes;
Kafka, Borges, Pessoa...
903
Adailton Medeiros
Pré-texto para Cassiano Ricardo
amanhã o bom dia
na difícil manhã
chão romã
clã reipã
no reVerSo SIGno
EU mEU poemachão
poemapa poemassa
fada fica
riso rico
falo fala
sobre / vivEntes e
ternos amigos do
peito ó Jeremias
sem choro
nem velas
canto RICo ARDOr
sabiá-do-rosa-mente
na difícil manhã
chão romã
clã reipã
no reVerSo SIGno
EU mEU poemachão
poemapa poemassa
fada fica
riso rico
falo fala
sobre / vivEntes e
ternos amigos do
peito ó Jeremias
sem choro
nem velas
canto RICo ARDOr
sabiá-do-rosa-mente
904
Antero Coelho Neto
Palavras a um Amigo Triste
Meu querido amigo triste,
eu nunca encontrei as palavras.
Digo, as palavras certas e verdadeiras,
porque as outras são ditas fáceis
e logo, sempre esquecidas.
Eu falo daquelas palavras amigas,
justamente significativas para o pranto
da dor maior quando sofrida.
Essas eu acho que não existem,
pois jamais puderam dizer-me.
eu nunca encontrei as palavras.
Digo, as palavras certas e verdadeiras,
porque as outras são ditas fáceis
e logo, sempre esquecidas.
Eu falo daquelas palavras amigas,
justamente significativas para o pranto
da dor maior quando sofrida.
Essas eu acho que não existem,
pois jamais puderam dizer-me.
1 335
Nicanor Parra
JOVENS
Escrevam o que queiram.
No estilo que lhes pareça melhor.
Passou demasiado sangue sob as pontes
para continuar-se a crer
que possa seguir-se um só caminho.
Em poesia tudo é permitido.
Com a condição expressa
é evidente
de superar-se o papel em branco.
No estilo que lhes pareça melhor.
Passou demasiado sangue sob as pontes
para continuar-se a crer
que possa seguir-se um só caminho.
Em poesia tudo é permitido.
Com a condição expressa
é evidente
de superar-se o papel em branco.
1 165
Augusto de Campos
Canudos-Iduméia
"Je tapporte lenfant dune nuit dIdumé." Mallarmé
Era uma evocação.
Como se a terra se ataviasse em dados trechos
para idênticos dramas,
tinha-se, ali, o que quer que era
recordando um recanto de Iduméia,
na paragem lendária que perlonga as
ribas meridionais do Asfaltite,
esterilizada para todo o sempre
Era uma evocação.
Como se a terra se ataviasse em dados trechos
para idênticos dramas,
tinha-se, ali, o que quer que era
recordando um recanto de Iduméia,
na paragem lendária que perlonga as
ribas meridionais do Asfaltite,
esterilizada para todo o sempre
1 081
Alfred Edward Housman
THEY SAY MY VERSE
Dizem: meu verso é triste: não admira.
Abarca a estreita medida
Tristes lágrimas de ira:
Não minhas: da vida.
Isto se escreve para os não-nascidos.
Gerados em vão,
Lerem quando se virem consumidos,
E eu não.
Abarca a estreita medida
Tristes lágrimas de ira:
Não minhas: da vida.
Isto se escreve para os não-nascidos.
Gerados em vão,
Lerem quando se virem consumidos,
E eu não.
998
Gottfried Benn
EIN WORT
Uma palavra vem - dos signos brota
apercebida vida, abrupto senso,
o sol detem-se, esferas são silentes,
e tudo se concentra à sua volta
Uma palavra - brilho, voo, fogo,
língua de chama, estrela cadente
- e a treva monstruosa que regressa
no vácuo espaço entre mim e o mundo.
apercebida vida, abrupto senso,
o sol detem-se, esferas são silentes,
e tudo se concentra à sua volta
Uma palavra - brilho, voo, fogo,
língua de chama, estrela cadente
- e a treva monstruosa que regressa
no vácuo espaço entre mim e o mundo.
1 483
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Tertúlia erótica
chula
boceta tem o clitóris no b
a uretra no c
e a vagina no a
não
solta nenhum rapé
mas é cheia
de pastilhas e docinhos literários
guloseimas
que somente um poeta aprendeu
a cultuar
boceta tem o clitóris no b
a uretra no c
e a vagina no a
não
solta nenhum rapé
mas é cheia
de pastilhas e docinhos literários
guloseimas
que somente um poeta aprendeu
a cultuar
948
Ricardo Kelmer
Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
1 319
Maria Carlos Loureiro
Primeiro foram os dedos
Primeiro foram os dedos
que travaram conhecimento.
Depois os olhos pousaram-me
na mão e levaram-na a percorrer
a curva da cintura. E a sua boca
procurou a minha boca
sem sobressaltos e deixou-a depois
para percorrer o meu corpo.
É assim a descoberta do poeta,
apesar de tudo se passar na sua cabeça,
dando origem a mais um poema.
que travaram conhecimento.
Depois os olhos pousaram-me
na mão e levaram-na a percorrer
a curva da cintura. E a sua boca
procurou a minha boca
sem sobressaltos e deixou-a depois
para percorrer o meu corpo.
É assim a descoberta do poeta,
apesar de tudo se passar na sua cabeça,
dando origem a mais um poema.
738
Alice Ruiz
Quem ri quando goza
quem ri quando goza
é poesia
até quando é prosa
é poesia
até quando é prosa
2 417
Anibal Beça
A genealogia do amor
E assim se fez verbo
o dom da palavra
para repartir-se
porque ele era só.
Da vértebra curva
veio para ouvir
aquela que se houve
para ser ouvida
na aventura a dois:
chamada Mulher
a chamado do Homem.
O primeiro grito
– parto da palavra –
se faz em sussurro
macio de gozo
veludo de ventos.
o dom da palavra
para repartir-se
porque ele era só.
Da vértebra curva
veio para ouvir
aquela que se houve
para ser ouvida
na aventura a dois:
chamada Mulher
a chamado do Homem.
O primeiro grito
– parto da palavra –
se faz em sussurro
macio de gozo
veludo de ventos.
1 116
Leila Mícollis
Amante das letras
Não te importas com os homens que dormem comigo;
mas morres de ciúme
dos versos que faço pra eles...
mas morres de ciúme
dos versos que faço pra eles...
1 143
Luiza Neto Jorge
Encantatória
Custa é saber
como se invoca o ser
que assiste à escrita,
como se afina a má-
quina que a dita,
como no cárcere
nu se evita,
emparedado,a lá-
grima soltar.
Custa é saber
como se emenda morte,
ou se a desvia,
como a tecla certa arreda
do branco suporte
a porcaria.
de A Lume
como se invoca o ser
que assiste à escrita,
como se afina a má-
quina que a dita,
como no cárcere
nu se evita,
emparedado,a lá-
grima soltar.
Custa é saber
como se emenda morte,
ou se a desvia,
como a tecla certa arreda
do branco suporte
a porcaria.
de A Lume
2 199
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