Desejo
Poemas neste tema
Rogério Viana
Haikais
Gula. Ensandecida. Louca
Ela engoliu-me todo
com sua faminta boca.
Ninfomaníaca.
Sua demoníaca mania
me levou do céu ao inferno.
É devassa essa mulher
que seu sonhos expõem
quando abre a vidraça?
Ela engoliu-me todo
com sua faminta boca.
Ninfomaníaca.
Sua demoníaca mania
me levou do céu ao inferno.
É devassa essa mulher
que seu sonhos expõem
quando abre a vidraça?
1 511
Débora Duarte
Um susto de homem me atropelou
Um susto de homem me atropelou.
Que surpresa!
Tinha no peito um ninho
Gosto de canela e vinho
E eu tive até pudor!
Príncipe encantado tarado
Mais calor que um reator.
Profético trepântico,
Libertou minha energia
Foi em cósmica orgia
Que a gente namorou.
Que surpresa!
Tinha no peito um ninho
Gosto de canela e vinho
E eu tive até pudor!
Príncipe encantado tarado
Mais calor que um reator.
Profético trepântico,
Libertou minha energia
Foi em cósmica orgia
Que a gente namorou.
913
Levi Bucalem Ferrari
Centro expandido
no prédio in da faria lima
a senhora orienta a decoração do escritório
o executivo olha a secretária
como se pedisse desculpas
um office boy excitado
hesita
entre um par de coxas jovens e um decote finamente decorado
os ônibus transportam bundas discretamente acessíveis
a senhora orienta a decoração do escritório
o executivo olha a secretária
como se pedisse desculpas
um office boy excitado
hesita
entre um par de coxas jovens e um decote finamente decorado
os ônibus transportam bundas discretamente acessíveis
909
Ricardo Kelmer
Licor
O teu corpo é um bombom em minha boca
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
Um som que se quebra em minha língua
Um licor que escorre sensual
Não há nada igual
Minha língua do teu corpo inquilina
Teu licor que minha boca indisciplina
Nada igual
Tua dor, teu louco riso
Teu pouco juízo
Final.
991
Eliana Mora
Prece
Preciso do veludo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia
do
teu cheiro
da embriaguez
que vem
da tua
boca
Preciso te tocar
Preciso voltar
a ouvir
o som
do teu
corpo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia
do
teu cheiro
da embriaguez
que vem
da tua
boca
Preciso te tocar
Preciso voltar
a ouvir
o som
do teu
corpo
882
Patrícia Clemente
Máquina
o ronco de seus motores
me acende
te sinto aquecer a pele
nos dentes
chama
quem chama
a máquina de chama
a máquina me acende
máquina do gozo.
nos dentes.
me acende
te sinto aquecer a pele
nos dentes
chama
quem chama
a máquina de chama
a máquina me acende
máquina do gozo.
nos dentes.
930
Ademir Antônio Bacca
Das viagens
viajo
no teu corpo
caminhos
nunca imaginados
delírios
de náufrago à deriva
em noite de temporal.
viajo em ti
sonhos de uma ternura
nunca sentida.
no teu corpo
caminhos
nunca imaginados
delírios
de náufrago à deriva
em noite de temporal.
viajo em ti
sonhos de uma ternura
nunca sentida.
1 419
Antônio Mariano Lima
Buceta
Doce a palavra
buceta
doce o sal
de seu formato
doce se dócil
o seu cheiro
doce tão doce
o falá-la
doce o só
poder vê-la
doce melhor
o tocá-la
doce o mágico
realejo
doce o som
que dele arranca-se
doce a palavra
buceta
doce o sal
de seu formato.
buceta
doce o sal
de seu formato
doce se dócil
o seu cheiro
doce tão doce
o falá-la
doce o só
poder vê-la
doce melhor
o tocá-la
doce o mágico
realejo
doce o som
que dele arranca-se
doce a palavra
buceta
doce o sal
de seu formato.
2 034
Pedro Miranda
Paraíso
(Dedicado a minha mulher, Inês)
Como é lindo o Paraíso
melhor apreciado
de olhos fechados
cheira a flor
sabor de néctar
brisa quente corpo ardente
parece que vôo
parece que sonho.
Sossegai minha doce Inês
este lindo Paraíso não é a morte que me trás
sou eu a lamber-te por trás.
Como é lindo o Paraíso
melhor apreciado
de olhos fechados
cheira a flor
sabor de néctar
brisa quente corpo ardente
parece que vôo
parece que sonho.
Sossegai minha doce Inês
este lindo Paraíso não é a morte que me trás
sou eu a lamber-te por trás.
1 016
Maria Rachel Lopes
Compasso
Te quero aqui comigo
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã
Agora
Sem medo de mim
Ou da hora
Quero teu corpo
No meu corpo
Meus cabelos
No teu rosto
E no abraço
O compasso
Curto
Urgente
Pra gente ser verso
Até amanhã
Até de manhã
737
Ricardo Kelmer
Poemas de saliva
Deslizo poemas de saliva
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
No rascunho da tua pele
Rimas profanas, estrofes abissais
O sentido profundo de um verso
Fala a língua dos teus gestos
Em convulsões gramaticais
Poemas recatados na tua pele sem pecado
Poemas de navalha no teu corpo sem perdão
A figura de linguagem do desejo
Fala a língua do meu beijo
Sem tradução
1 319
Liz Christine
Meu chocolate
Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia
911
Geraldo Ângelo Rasputim
Púbis carente
Púbis carente
Saudades
Momentos contentes
gozo,
êxtases
suspiros
Gemidos
Gritos.
Pecado
Volúpia
Boca molhada
Pêlos molhados
Suor
pecados
Líquido salgado
Saudades
Púbis carente
Saudades
Momentos contentes
gozo,
êxtases
suspiros
Gemidos
Gritos.
Pecado
Volúpia
Boca molhada
Pêlos molhados
Suor
pecados
Líquido salgado
Saudades
Púbis carente
871
Débora Duarte
Fada safada
Ai! Essa fada é safada
Quando afaga, afoga
Maga do tesão
Nem em Deus acredita, Deusa maldita
Tua sina ela dita, tua rendição
Ela é à-toa, tua perdição
Vem, pomba-gira
Pira tua ira
Me vira em tua ação
Amada maga, safada fada
Afoga afaga
Sou teu cão
Quando afaga, afoga
Maga do tesão
Nem em Deus acredita, Deusa maldita
Tua sina ela dita, tua rendição
Ela é à-toa, tua perdição
Vem, pomba-gira
Pira tua ira
Me vira em tua ação
Amada maga, safada fada
Afoga afaga
Sou teu cão
1 777
Maria Carlos Loureiro
O amor em linguagem de computador (versão 2)
Percorro com os dedos o teclado
e acaricio nele a tua pele
que imagino morena e macia.
Envolvo com o olhar o monitor aceso
e aprocuro aí os teus olhos
que suponho escuros e ardentes.
Passeio com o rato no tapete
e sinto os teus lábios no meu corpo,
vagarosamente deslizando
e deixando nele o sabor que imagino em ti.
e acaricio nele a tua pele
que imagino morena e macia.
Envolvo com o olhar o monitor aceso
e aprocuro aí os teus olhos
que suponho escuros e ardentes.
Passeio com o rato no tapete
e sinto os teus lábios no meu corpo,
vagarosamente deslizando
e deixando nele o sabor que imagino em ti.
1 043
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Animal
seu perfume
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal
sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
irresponsavelmente...
animal.
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal
sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
irresponsavelmente...
animal.
854
Mariana Ferreira
Bom de
Amor macio
bom de se querer
mãos se enrolando
dia nascendo...
Amor gostoso
bom de se sentir
pernas estiradas
vidro refletido...
Amor sincero
bom de se ouvir
braços em desalinho
espelho sem brilho...
bom de se querer
mãos se enrolando
dia nascendo...
Amor gostoso
bom de se sentir
pernas estiradas
vidro refletido...
Amor sincero
bom de se ouvir
braços em desalinho
espelho sem brilho...
1 020
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Sumo
tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.
em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.
e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.
972
Cláudio de F. Barbosa
Sem título
Suspiros.
Duas vontades
a quatro mãos
e pernas.
Um olhar
um pedido.
Um não.
Um sim.
para o corpo que estremeceu
o corpo que mereceu
o corpo que perdeu...
... o fôlego
e me deu
se dando
tanto prazer.
Duas vontades
a quatro mãos
e pernas.
Um olhar
um pedido.
Um não.
Um sim.
para o corpo que estremeceu
o corpo que mereceu
o corpo que perdeu...
... o fôlego
e me deu
se dando
tanto prazer.
838
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Fêmeas
Hora do fugaz,
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.
Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.
Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.
1 016
Pedro Miranda
Corpo memória
(Dedicado a Inês Mendes)
Teu corpo é cobra quando enrolas no meu,
teus lábios mel tocando os meus,
tua pele brasa, teus seios carne, pecado, desejo.
Teu sexo fonte,
de onde vou beber,
me molhar, me limpar, me enlouquecer,
teu corpo é desejo, volúpia,
memória
que nunca vou esquecer.
Teu corpo é cobra quando enrolas no meu,
teus lábios mel tocando os meus,
tua pele brasa, teus seios carne, pecado, desejo.
Teu sexo fonte,
de onde vou beber,
me molhar, me limpar, me enlouquecer,
teu corpo é desejo, volúpia,
memória
que nunca vou esquecer.
935
Virgínia Schall
Beijo
sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras
983
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Maçã-do-amor
abrir pétalas com
a língua
explorar
seus cheiros e sabores
levar seu néctar
para além desse momento
para colmeias
perdidas no inconsciente
nos momentos em que
nada valer a pena
ou quando você não estiver
mais presente
minha língua
lamberá a lembrança
como lambemos aquela
maçã-do-amor
lembra-se?
a língua
explorar
seus cheiros e sabores
levar seu néctar
para além desse momento
para colmeias
perdidas no inconsciente
nos momentos em que
nada valer a pena
ou quando você não estiver
mais presente
minha língua
lamberá a lembrança
como lambemos aquela
maçã-do-amor
lembra-se?
1 014
Jorge Lúcio de Campos
A origem do mundo
(a Gustave Courbet)
Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros
ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos
Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda
sob a luz desenroscada
da manhã?
Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros
ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos
Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda
sob a luz desenroscada
da manhã?
896
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