Corpo

Poemas neste tema

Pedro Miranda

Pedro Miranda

Paraíso

(Dedicado a minha mulher, Inês)

Como é lindo o Paraíso
melhor apreciado
de olhos fechados
cheira a flor
sabor de néctar
brisa quente corpo ardente
parece que vôo
parece que sonho.

Sossegai minha doce Inês
este lindo Paraíso não é a morte que me trás
sou eu a lamber-te por trás.

1 017
Patrícia Clemente

Patrícia Clemente

Máquina

o ronco de seus motores
me acende
te sinto aquecer a pele
nos dentes
chama
quem chama
a máquina de chama
a máquina me acende
máquina do gozo.
nos dentes.

930
Camila Sintra

Camila Sintra

Arrepios

o beijo nos lábios
arrepia o pescoço

a mão nas tetas
arrepia os mamilos

a língua no grelo
arrepia a espinha

o dedo no cu
arrepia o ventre

o pau na boceta
arrepia até a alma

e teu olhar no meu
arrepia-me como mais nada...

994
Pedro Miranda

Pedro Miranda

Corpo memória

(Dedicado a Inês Mendes)

Teu corpo é cobra quando enrolas no meu,
teus lábios mel tocando os meus,
tua pele brasa, teus seios carne, pecado, desejo.
Teu sexo fonte,
de onde vou beber,
me molhar, me limpar, me enlouquecer,
teu corpo é desejo, volúpia,
memória
que nunca vou esquecer.

935
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Animal

seu perfume
acende todas as vielas
esquinas e avenidas
de meu instinto animal

sem camisa
deitado sobre a vida
a espera
de um incidente qualquer
convulsiono...
irresponsavelmente...
animal.

854
Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos

A origem do mundo

(a Gustave Courbet)

Há uma doença qualquer tagarela
nesse buço de quasares negros

ao meu lado; aqui comigo a carne
ferve aos poucos – cortes lentos

Mas por que não regurgita agora
a vulva cáqui linguaruda

sob a luz desenroscada
da manhã?

896
Théophile Gautier

Théophile Gautier

Moralidade

Menina, sê ardente,
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores
Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.

2 184
Stela Fonseca

Stela Fonseca

Desejo

Diante de mim
o seu corpo
belo
firme
quase nu
com cheiro
de mar
e de amor.
Diante dele
o meu querer
o meu desejo
intenso
inteiro
integral
indescritível
de tocar
cheirar
sentir
aquele corpo
aquele homem
aquele amigo
desejo.

714
Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos

Retrato de Regina num quimono preto

(a Steve Hawley)

Pouco a ver ou
a dizer daqueles

seios de Alechinsky –
as coisas do mundo

a argila quente do dia

Pouco a ver ou
a dizer daquele

queixo de Rodchenko
– um eu-te-amo de

delírio reencontrado

(um pouco a língua e
a nuca por completo)

Ao redor daquelas
patas de Tanguy

só cabeça, tronco
e membros

792
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Maçã-do-amor

abrir pétalas com
a língua
explorar
seus cheiros e sabores

levar seu néctar
para além desse momento
para colmeias
perdidas no inconsciente

nos momentos em que
nada valer a pena
ou quando você não estiver
mais presente
minha língua
lamberá a lembrança
como lambemos aquela
maçã-do-amor

lembra-se?

1 014
Eliana Mora

Eliana Mora

Prece

Preciso do veludo
dos teus cílios
da maciez
e da audácia do
teu cheiro
da embriaguez
que vem da
tua boca

Preciso te tocar
preciso voltar
a ouvir
o som
do teu corpo

816
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Sumo

tê-la inteira
na sensação palmar
dos seus seios;
deixar eriçados
os desejos,
borbulhante a paixão.

em seu suculento
momento
sou suco-sumo,
um corpo friável,
deslizante sensual.

e você
folheia Joyce
na manhã em que
escuros
deixam claros
gozos,
ecoados na
escuridão do quarto.

972
Stela Fonseca

Stela Fonseca

Deleite

Doce homem
meu amado
meu amor.
Que êxtase
ver seus olhos
se abrirem em
raios de luz
seu corpo
desmanchar-se
em iluminado prazer
e seu sexo alçar vôo
nas vezes em que
minha boca viaja
na sua anatomia.

1 010
Mariana Ferreira

Mariana Ferreira

Bom de

Amor macio
bom de se querer
mãos se enrolando
dia nascendo...

Amor gostoso
bom de se sentir
pernas estiradas
vidro refletido...

Amor sincero
bom de se ouvir
braços em desalinho
espelho sem brilho...

1 020
Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos

Poema paralelo às coxas

(a Regis Bonvicino)

de bruços
a penetro

casto
custo

1 007
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Queda

bailar em nuvens
névoas
despencar em tênues
fios de linha

teias-de-vida

tecer em seda
em algum cotovelo do mundo
um tapete
mosaico de vazios
e abismos
um nada quase tudo
meu hábitat

de palpável:

sua tosse
seu corpo
queda-
livre

1 021
Ildásio Tavares

Ildásio Tavares

Sonetinho de amor

Teu mamilo erecto
penetra-me a boca,
chupo, sorvo, mordo
e tu gozas louca.

Teu mamilo é um pênis,
minha boca vulva
onde escorre o leite
que tu me ejaculas.

Dá, minha senhora,
tua rija teta,
teu poeta implora
com a boca seca
a boca boceta
doida de Pandora.

1 086
Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos

Teoria do belo

Desejo gesta
um tom siena
em tua pele

Eu, embaixo,
envergonhado

Tu, em cima,
seios cheios
de perdizes

762
Virgínia Schall

Virgínia Schall

Beijo

sua boca
uva rubra
roça meus lábios
e por segundos
somos murmúrios úmidos
seiva cósmica
de línguas
púrpuras

983
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Seda

enquanto nascem
pêlos
mulheres tecem a lã
e cabelos

disfarce táctil
fácil
escondem gozos

uma tênue como seda
esconde o pecado.

844
Aléxandros Papadópoulos Evremídis

Aléxandros Papadópoulos Evremídis

Sinal de vida

De costas
Deitada
E entreaberta
Fantasia a fluir
Dedo no
Grelo e lábios
A bulir

Até ...

Muco produzir

Depois ...

Dedo na boca introduzir
Para o sabor sentir
Bem
Que gosto muco tem?
Suco
De fruta do Além...

951
Cláudio de F. Barbosa

Cláudio de F. Barbosa

Sem título

Suspiros.
Duas vontades
a quatro mãos
e pernas.
Um olhar
um pedido.
Um não.
Um sim.
para o corpo que estremeceu
o corpo que mereceu
o corpo que perdeu...
... o fôlego
e me deu
se dando
tanto prazer.

838
Carlos Alberto Pessoa Rosa

Carlos Alberto Pessoa Rosa

Raízes

enfio
meu pau em sua vagina
enraízo
sou falo
és a terra de minhas raízes
a nutrir o gozo
sou tronco
enfiado na terra de seu corpo
sou raiz
és o solo
eu apenas o agregado
és chupa
onde deposito minhas sementes
vestígios
que escoam na geratriz

905
Jorge Lúcio de Campos

Jorge Lúcio de Campos

Construção para damas nobres

(a Kurt Schwitters)

É um lábio o que
o espelho anuncia?

Uma fissura que
aos poucos, se

distende num
buraco pueril?

Bizarro seu intento
Aceso seu conduto

de veias e nervuras
Duas pregas que

se embolam, novo
ânus que alicia

– gulosa boca
entre as demais

880