Sexualidade
Poemas neste tema
E. M. de Melo e Castro
Orgassema
de semântica sêmea
se insinua o sêmen
na lacona lagoa lacunar
e da sádica sede se ressente
o sentido
no sentido cunar.
se sádica ou sábia
quem o saberá?
Se salubre salgado
o teu sabor a odre
é a onda do útero
é terra que remorde
a espera de esperma
nas ásperas paredes.
e o significado vem
da fricção rítmica e formal
entre as mucosas rubras
do pênis, da vulva, da boca
ou da anal.
se insinua o sêmen
na lacona lagoa lacunar
e da sádica sede se ressente
o sentido
no sentido cunar.
se sádica ou sábia
quem o saberá?
Se salubre salgado
o teu sabor a odre
é a onda do útero
é terra que remorde
a espera de esperma
nas ásperas paredes.
e o significado vem
da fricção rítmica e formal
entre as mucosas rubras
do pênis, da vulva, da boca
ou da anal.
1 253
Amparo Jimenez
Obsequio
(A Rosamaría)
Este orgasmo,
tan celosamente
guardado
para tí,
hoy,
amorosa,
lo entregué a mi mano.
Este orgasmo,
tan celosamente
guardado
para tí,
hoy,
amorosa,
lo entregué a mi mano.
1 171
Octavio Paz
Deja que una vez más te nombre,tierra
Deja que una vez más te nombre,tierra.
Mi tacto se prolonga
en el tuyo sediento,
largo,vibrante río
que no termina nunca,
navegado por hojas digitales,
lentas bajo tu espeso sueño verde.
Tibia mujer de somnolientos ríos,
mi pabellón de pájaros y peces,
mi paloma de tierra,
de leche endurecida,
mi pan,mi sal,mi muerte,
mi almohada de sangre:
en um amor más vasto te sepulto.
Mi tacto se prolonga
en el tuyo sediento,
largo,vibrante río
que no termina nunca,
navegado por hojas digitales,
lentas bajo tu espeso sueño verde.
Tibia mujer de somnolientos ríos,
mi pabellón de pájaros y peces,
mi paloma de tierra,
de leche endurecida,
mi pan,mi sal,mi muerte,
mi almohada de sangre:
en um amor más vasto te sepulto.
1 337
Amparo Jimenez
Encuentro
Besos, caricias, encuentros
mujeres a flor de piel.
Cuerpos desnudos
almas vestidas de amor
listas para danzar
en la fiesta de la unión.
Lucha, discurso, revuelta
intensidad que nos confronta
crecemos con energía, vitalidad y miedos.
Máscaras que caen al suelo
rodando a los pies del imperio.
Música
Alegría
Poesía
erotismo por siglos retenido
despertando hoy, para sentirnos,
bugas, lesbianas, dudosas
rompiendo cadenas
bailando al ritmo de la vida.
Brujas, magas, curanderas
entregándonos con fuerza
destruyendo esquemas.
Amigas nuevas y viejas conocidas
parejas
novias
compañeras
unidas al fin en el espacio.
Lágrimas
risas
promesas
deseo cumplidos y anhelos
volando por el tiempo
desencuentros que se quedan en el camino,
recuerdos del futuro que presiento.
mujeres a flor de piel.
Cuerpos desnudos
almas vestidas de amor
listas para danzar
en la fiesta de la unión.
Lucha, discurso, revuelta
intensidad que nos confronta
crecemos con energía, vitalidad y miedos.
Máscaras que caen al suelo
rodando a los pies del imperio.
Música
Alegría
Poesía
erotismo por siglos retenido
despertando hoy, para sentirnos,
bugas, lesbianas, dudosas
rompiendo cadenas
bailando al ritmo de la vida.
Brujas, magas, curanderas
entregándonos con fuerza
destruyendo esquemas.
Amigas nuevas y viejas conocidas
parejas
novias
compañeras
unidas al fin en el espacio.
Lágrimas
risas
promesas
deseo cumplidos y anhelos
volando por el tiempo
desencuentros que se quedan en el camino,
recuerdos del futuro que presiento.
986
Luiza Neto Jorge
O Corpo Insurrecto
Sendo com o seu ouro,
aurífero, o corpo é insurrecto.Consome-se,
combustível,no sexo, boca e recto.Ainda antes que
pegueaos cinco sentidos a chama,por um aceso
acessoda imaginaçãoateiam-se à camaou a sítio
algures,terra de ninguém,(quem desliza é o espaçopara o
corpo que vem),labaredas taisque, lume,
crepitamnos ciclos mais extremos,nas résteas mais
íntimas,as glândulas, esponjasque os corpos
apoiam,zonas aquáticasonde os órgãos boiam.No
amor, dizendo acto de o sagrar,apertado o corpo do
recém-nascidono ovo solar,há ainda um outrocorpo
incluido,mas um corpo aquémde ser são ou podre,um
repuxo, um magma,substância solta,com
pulmões.Neste amor equívoco(ou respiração),sendo um
corpo humano,sendo outro mais alto,suspenso da
morte,mortalmente intenso,mais alto e mais denso,mais
talhado é o golpequando o põem em práticacom
desassossego na respiraçãoe o sossego cru de
quem,tendo o corpo nu,a carne ardida,lhe pede o
ladrãoa bolsa ou a vida.
de Terra Imóvel
aurífero, o corpo é insurrecto.Consome-se,
combustível,no sexo, boca e recto.Ainda antes que
pegueaos cinco sentidos a chama,por um aceso
acessoda imaginaçãoateiam-se à camaou a sítio
algures,terra de ninguém,(quem desliza é o espaçopara o
corpo que vem),labaredas taisque, lume,
crepitamnos ciclos mais extremos,nas résteas mais
íntimas,as glândulas, esponjasque os corpos
apoiam,zonas aquáticasonde os órgãos boiam.No
amor, dizendo acto de o sagrar,apertado o corpo do
recém-nascidono ovo solar,há ainda um outrocorpo
incluido,mas um corpo aquémde ser são ou podre,um
repuxo, um magma,substância solta,com
pulmões.Neste amor equívoco(ou respiração),sendo um
corpo humano,sendo outro mais alto,suspenso da
morte,mortalmente intenso,mais alto e mais denso,mais
talhado é o golpequando o põem em práticacom
desassossego na respiraçãoe o sossego cru de
quem,tendo o corpo nu,a carne ardida,lhe pede o
ladrãoa bolsa ou a vida.
de Terra Imóvel
1 690
Gonzaga Leão
Soneto de Mar e vôo quase pássaro
Possuis provavelmente repetido
da ave o vôo nas mãos e nos cabelos;
nos teus lábios maduros e vermelhos
há certamente um pássaro ferido
que se refaz, de vôo prometido;
são de asas silenciosas teus artelhos:
e há também um mar que em teus joelhos
repousa, um mar na cor do teu vestido
transparente, finíssimo, de gaze,
quase desfeito ao vento, voando quase:
um mar pousado em ti, calado e breve.
Digo eu que sei que me perdi no mar
que em ti descansa e que aprendi a voar
sem consequências com teu corpo leve.
da ave o vôo nas mãos e nos cabelos;
nos teus lábios maduros e vermelhos
há certamente um pássaro ferido
que se refaz, de vôo prometido;
são de asas silenciosas teus artelhos:
e há também um mar que em teus joelhos
repousa, um mar na cor do teu vestido
transparente, finíssimo, de gaze,
quase desfeito ao vento, voando quase:
um mar pousado em ti, calado e breve.
Digo eu que sei que me perdi no mar
que em ti descansa e que aprendi a voar
sem consequências com teu corpo leve.
1 160
Abrahão Cost'Andrade
Gertrudes
Folhas de romance
, esquiva papelaria:
seios na janela.
, esquiva papelaria:
seios na janela.
855
Adriana Sampaio
Rebelião
Rebelião
Se existem outras dimensões
Por que não em mim?
Absorventes, inerentes
Sem nenhuma proporção.
Não há dicotomia
Entre o fogo que sufoca
E o ar que oxigena
Quando um se espraia
Através da existência do outro.
Convivência,
Nem sempre tão passiva
Entre beatitude e depravação
Contradições complemmentares
De sentimento e razão.
Sintagmas e paradigmas
Tesão e tédio
Tudo passando por portas de comunicação,
Pelos dez por cento de mente
Que ansiando pela lógica
Permitem-nos transpassar desordenadamente
Ao menos três dimensões.
Se existem outras dimensões
Por que não em mim?
Absorventes, inerentes
Sem nenhuma proporção.
Não há dicotomia
Entre o fogo que sufoca
E o ar que oxigena
Quando um se espraia
Através da existência do outro.
Convivência,
Nem sempre tão passiva
Entre beatitude e depravação
Contradições complemmentares
De sentimento e razão.
Sintagmas e paradigmas
Tesão e tédio
Tudo passando por portas de comunicação,
Pelos dez por cento de mente
Que ansiando pela lógica
Permitem-nos transpassar desordenadamente
Ao menos três dimensões.
911
Anízio Vianna
Aviso na entrada do cinema
não nos responsabilizamos por objetos perdidos na sala
não nos responsabilizamos por perdidos na sala
não nos responsabilizamos pelo escuro da sala
não nos responsabilizamos pela sala
não nos responsabilizamos pela prática de atividades
escusas no escuro da sala não nos responsabilizamos
pela venda de objetos estranhos na sala não nos
responsabilizamos por vendidos na sala
não nos responsabilizamos pelo sexo na sala não nos
responsabilizamos por estranhos não identificados
no escuro da sala não nos responsabilizamos por
objetos de estranhos que voam pela sala
não nos responsabilizamos por objetos voadores
não identificados escusos
e perdidos na sala
não nos responsabilizamos por perdidos na sala
não nos responsabilizamos pelo escuro da sala
não nos responsabilizamos pela sala
não nos responsabilizamos pela prática de atividades
escusas no escuro da sala não nos responsabilizamos
pela venda de objetos estranhos na sala não nos
responsabilizamos por vendidos na sala
não nos responsabilizamos pelo sexo na sala não nos
responsabilizamos por estranhos não identificados
no escuro da sala não nos responsabilizamos por
objetos de estranhos que voam pela sala
não nos responsabilizamos por objetos voadores
não identificados escusos
e perdidos na sala
1 261
Alexandre S. Santos
Carne e Alma
Contrai o espaço informe
ante o encontrar de vistas;
desperta aquela que dorme,
indica o vero e dá pistas.
Reprimida por vãos simulacros
ruge ferina a paixão liberta;
estertora contra motivos sacros;
transpõe altiva a jaula aberta.
Urge ao abraço do gozo insano,
Reclamando o que se perdeu outrora.
Quer o desfrute do que é humano;
exige a nudez da alma, agora!
E chega o desejo ao cúmulo:
O que brota borbulha, extrapola;
vasa em força que abate o êmulo;
permanece o fruto que não se imola.
ante o encontrar de vistas;
desperta aquela que dorme,
indica o vero e dá pistas.
Reprimida por vãos simulacros
ruge ferina a paixão liberta;
estertora contra motivos sacros;
transpõe altiva a jaula aberta.
Urge ao abraço do gozo insano,
Reclamando o que se perdeu outrora.
Quer o desfrute do que é humano;
exige a nudez da alma, agora!
E chega o desejo ao cúmulo:
O que brota borbulha, extrapola;
vasa em força que abate o êmulo;
permanece o fruto que não se imola.
927
Geraldo Pinto Rodrigues
Pélvicas angras
Pélvicas angras
aonde veleja
meu barco ébrio
entre suores.
Meu barco púbico
roçando o porto
de tuas ancas,
nos desesperos.
Se a quilha agito
qual um corcel,
nos descampados
já faço água
neste batel
desgovernado
nos teus desmandos.
Só sigo a viagem,
mais confortado,
quando fundeio
nos teus abraços.
Enfim, assédios
de muitos frêmitos
me desintegram
nos teus penhascos!
aonde veleja
meu barco ébrio
entre suores.
Meu barco púbico
roçando o porto
de tuas ancas,
nos desesperos.
Se a quilha agito
qual um corcel,
nos descampados
já faço água
neste batel
desgovernado
nos teus desmandos.
Só sigo a viagem,
mais confortado,
quando fundeio
nos teus abraços.
Enfim, assédios
de muitos frêmitos
me desintegram
nos teus penhascos!
1 039
Noel Ferreira
Cio
Frenético
ofegante
me contorço
na ânsia duma explosão
orgásmica.
Dói-me tudo
e o calor abrasa.
Lambo o suor
que me banha
e escorre
de cada poro aberto.
Puxo os cabelos
enraivecido.
Reteso a musculatura
em erecção.
Rebolo pelo chão
dentes cerrados.
Arrasto-me no lodo
mas não desisto.
Conseguirei.
Conseguirei
ainda que me rasgue todo!
ofegante
me contorço
na ânsia duma explosão
orgásmica.
Dói-me tudo
e o calor abrasa.
Lambo o suor
que me banha
e escorre
de cada poro aberto.
Puxo os cabelos
enraivecido.
Reteso a musculatura
em erecção.
Rebolo pelo chão
dentes cerrados.
Arrasto-me no lodo
mas não desisto.
Conseguirei.
Conseguirei
ainda que me rasgue todo!
1 068
Gilka Machado
Particularidades 1
Na plena solidão de um amplo descampado,
penso em ti e que tu pensas em mim suponho;
tenho toda afeição de um arbusto isolado,
abstrato o olhar, entregue à delícia de um sonho.
O Vento, sob o céu de brumas carregado,
passa, ora langoroso, ora forte, medonho!
e tanto penso em ti, ó meu ausente amado!
que te sinto no Vento e a ele, feliz, me exponho.
Com carícias brutais e com carícias mansas,
cuido que tu me vens, julgo-me toda nua...
– sou árvore a oscilar, meus cabelos são franças...
E não podes saber do meu gozo violento,
quando me fico assim, neste ermo, toda nua,
completa-te exposta à Volúpia do Vento!
penso em ti e que tu pensas em mim suponho;
tenho toda afeição de um arbusto isolado,
abstrato o olhar, entregue à delícia de um sonho.
O Vento, sob o céu de brumas carregado,
passa, ora langoroso, ora forte, medonho!
e tanto penso em ti, ó meu ausente amado!
que te sinto no Vento e a ele, feliz, me exponho.
Com carícias brutais e com carícias mansas,
cuido que tu me vens, julgo-me toda nua...
– sou árvore a oscilar, meus cabelos são franças...
E não podes saber do meu gozo violento,
quando me fico assim, neste ermo, toda nua,
completa-te exposta à Volúpia do Vento!
2 282
Emiliano Perneta
Súcubo
Desde que te amo, vê, quase infalivelmente,
Todas as noites vens aqui. E às minhas cegas
Paixões, e ao teu furor, ninfa concupiscente,
Como um súcubo, assim, de fato, tu te entregas...
Longe que estejas, pois, tenho-te aqui presente.
Como tu vens, não sei. Eu te invoco e tu chegas.
Trazes sobre a nudez, flutuando docemente,
Uma túnica azul, como as túnicas gregas...
E de leve, em redor do meu leito flutuas,
Ó Demônio ideal, de uma beleza louca,
De umas palpitações radiantemente nuas!
Até, até que enfim, em carícias felinas,
O teu busto gentil ligeiramente inclinas,
E te enrolas em mim, e me mordes a boca!
Todas as noites vens aqui. E às minhas cegas
Paixões, e ao teu furor, ninfa concupiscente,
Como um súcubo, assim, de fato, tu te entregas...
Longe que estejas, pois, tenho-te aqui presente.
Como tu vens, não sei. Eu te invoco e tu chegas.
Trazes sobre a nudez, flutuando docemente,
Uma túnica azul, como as túnicas gregas...
E de leve, em redor do meu leito flutuas,
Ó Demônio ideal, de uma beleza louca,
De umas palpitações radiantemente nuas!
Até, até que enfim, em carícias felinas,
O teu busto gentil ligeiramente inclinas,
E te enrolas em mim, e me mordes a boca!
2 319
Noel Ferreira
Nossos corpos
Nossos corpos
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.
Há gemidos delirantes
há percussões arrítmicas
respirações ofegantes
empastadas em suor
até ao êxtase
e ao torpor.
Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfónica.
se cruzam e descruzam
como serpentes
cálidas
se enroscam
e se apertam
atarracham
num crescendo
sem limite.
Há gemidos delirantes
há percussões arrítmicas
respirações ofegantes
empastadas em suor
até ao êxtase
e ao torpor.
Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfónica.
1 148
Joél Gallinati Heim
Olhos cor de mel
(Para os olhos de Ana Beatriz)
Teus olhos cor de mel
Brilhando de luz delicada
Senti teu desejo por mim
Provei dos teus lábios
Sabor de pecado e prazer
Devagar fui te descobrindo
Na maciez de tua pele
Passeei por seus belos seios
Senti tuas coxas e pernas
De encontro às minhas
Com carícias tensas
Aos poucos fui te descobrindo
Teu sexo úmido procurado
Por meu sexo duro de desejo
E no abismo entre tuas coxas
Quente a deslizar enfiei
Minha lança dura de prazer
Gemias sob os beijos gemias
E a me espremer ias mexendo
Quadris e sexo em ritmo lento
Minha lança agora prisioneira
O gozo pleno, veio em ondas
Senti teu grito no meu sexo
Explodi em jorros de prazer
Inundando tuas entranhas
Eu esvaído em gozo lá no fundo
Meu doce leite inundava
Tua fenda rósea, escorrendo-te
Entre as coxas, branco sêmen.
Teus olhos cor de mel
Brilhando de luz delicada
Senti teu desejo por mim
Provei dos teus lábios
Sabor de pecado e prazer
Devagar fui te descobrindo
Na maciez de tua pele
Passeei por seus belos seios
Senti tuas coxas e pernas
De encontro às minhas
Com carícias tensas
Aos poucos fui te descobrindo
Teu sexo úmido procurado
Por meu sexo duro de desejo
E no abismo entre tuas coxas
Quente a deslizar enfiei
Minha lança dura de prazer
Gemias sob os beijos gemias
E a me espremer ias mexendo
Quadris e sexo em ritmo lento
Minha lança agora prisioneira
O gozo pleno, veio em ondas
Senti teu grito no meu sexo
Explodi em jorros de prazer
Inundando tuas entranhas
Eu esvaído em gozo lá no fundo
Meu doce leite inundava
Tua fenda rósea, escorrendo-te
Entre as coxas, branco sêmen.
1 391
Natália Correia
Poema II
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
1 374
Katherine Stone
Mine
Mine to hold,
To feel,
To breathe in,
To delve into artificial machinations,
Taste the salty oil of the body
My body
His body
Her body
Look at the curl of her lobe
Her ear
Pink and flustered
Disappearing into his mouth
Red and puckered
Invisible to the face
Only to the eyes
Their eyes
Let me feel
Find new places for me to explore
For you all to find
Discover
Pleasure
Annihilate
Be mine
Mine alone
To feel,
To breathe in,
To delve into artificial machinations,
Taste the salty oil of the body
My body
His body
Her body
Look at the curl of her lobe
Her ear
Pink and flustered
Disappearing into his mouth
Red and puckered
Invisible to the face
Only to the eyes
Their eyes
Let me feel
Find new places for me to explore
For you all to find
Discover
Pleasure
Annihilate
Be mine
Mine alone
989
Nuno Guimarães
Um Fruto Anunciado
Um fruto anunciado
numa operária que trabalha no amor.
Um que rompe a terra após a chuva
e de novo lhe cai. Amargo arado.
Fruto solar. De sol e cálcio.
alcalino até ao coração.
O tanque resumido. Ou corpo húmido.
Toda a luz que cabe numa boca
De limos de volume. Espaço claro
e habitado em rio na garganta.
Um fruto, um claustro anunciado
num corpo de operário em combustão.
numa operária que trabalha no amor.
Um que rompe a terra após a chuva
e de novo lhe cai. Amargo arado.
Fruto solar. De sol e cálcio.
alcalino até ao coração.
O tanque resumido. Ou corpo húmido.
Toda a luz que cabe numa boca
De limos de volume. Espaço claro
e habitado em rio na garganta.
Um fruto, um claustro anunciado
num corpo de operário em combustão.
1 043
Cirstina Areias
A Mulher e a Lua
A lua está cheia esta noite
Absoluta ela
Me enche, clareia, consome
Meus poros suam o luar cheio
Molho lençóis
Ouço músicas mágicas
E tenho em minha cama mais que a mim
Gozo amores arqueados
Memórias em transe
Incêndio
Olhos vadios
E a lua algema a mim e a ele
E ilumina, nele, meu desvario
Ele não sabe
Ele não sabe que dentro desta mesma noite
De luz cheia, o meu desejo
Galopa.
Absoluta ela
Me enche, clareia, consome
Meus poros suam o luar cheio
Molho lençóis
Ouço músicas mágicas
E tenho em minha cama mais que a mim
Gozo amores arqueados
Memórias em transe
Incêndio
Olhos vadios
E a lua algema a mim e a ele
E ilumina, nele, meu desvario
Ele não sabe
Ele não sabe que dentro desta mesma noite
De luz cheia, o meu desejo
Galopa.
1 038
Bocage
Invocação à Noite
Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:
Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem damor os sôfregos instantes:
Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!
Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto.
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:
Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem damor os sôfregos instantes:
Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!
Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto.
2 328
Fernando Pessoa
III - Open the windows and thee doors all wide
Open the windows and the doors all wide
Lest aught of night abide,
Or, like a ship's trail in the sea, survive
What made it there to live!
She lies in bed half waiting that her wish
Grow bolder or more rich
To make her rise, or poorer, to oust fear,
And she rise as a common day were here.
That she would be a bride in bed with man
The parts where she is woman do insist
And send up messages that shame doth ban
From being dreamed but in a shapeless mist.
She opes her eyes, the ceiling sees above
Shutting the small alcove,
And thinks, till she must shut her eyes again,
Another ceiling she this night will know,
Another house, another bed, she lain
In a way she half guesses; so
She shuts her eyes to see not the room she
Soon will no longer see.
Lest aught of night abide,
Or, like a ship's trail in the sea, survive
What made it there to live!
She lies in bed half waiting that her wish
Grow bolder or more rich
To make her rise, or poorer, to oust fear,
And she rise as a common day were here.
That she would be a bride in bed with man
The parts where she is woman do insist
And send up messages that shame doth ban
From being dreamed but in a shapeless mist.
She opes her eyes, the ceiling sees above
Shutting the small alcove,
And thinks, till she must shut her eyes again,
Another ceiling she this night will know,
Another house, another bed, she lain
In a way she half guesses; so
She shuts her eyes to see not the room she
Soon will no longer see.
4 069
Fernando Pessoa
VI - Sing at her window, ye heard early wings
Sing at her window, ye heard early wings
In whose song joy's self sings!
Buzz in her room along her loss of sleep,
O small flies, tumble and creep
Along the counterpane and on her fingers
In mating pairs. She lingers.
Along her joined-felt legs a prophecy
Creeps like an inward hand.
Look bow she tarries! Tell her: fear not glee!
Come up! Awake! Dress for undressing! Stand!
Look how the sun is altogether all!
Life hums around her senses petalled close.
Come up! Come up! Pleasure must thee befall!
Joy to be plucked, O yet ungathered rose!
In whose song joy's self sings!
Buzz in her room along her loss of sleep,
O small flies, tumble and creep
Along the counterpane and on her fingers
In mating pairs. She lingers.
Along her joined-felt legs a prophecy
Creeps like an inward hand.
Look bow she tarries! Tell her: fear not glee!
Come up! Awake! Dress for undressing! Stand!
Look how the sun is altogether all!
Life hums around her senses petalled close.
Come up! Come up! Pleasure must thee befall!
Joy to be plucked, O yet ungathered rose!
4 180
Fernando Pessoa
XIII - The work is done. The hammer is laid down.
The work is done. The hammer is laid down.
The artisans, that built the slow-grown town,
Have been succeeded by those who still built.
All this is something lack-of-something screening.
The thought whole has no meaning
But lies by Time's wall like a pitcher spilt.
The artisans, that built the slow-grown town,
Have been succeeded by those who still built.
All this is something lack-of-something screening.
The thought whole has no meaning
But lies by Time's wall like a pitcher spilt.
4 258
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