Corpo

Poemas neste tema

Luciano Matheus Tamiozzo

Luciano Matheus Tamiozzo

Deixo-me Perder

Deixo-me perder
No azul de teus olhos,
Na tua pele rosada,
Nos teus cabelos aloirados.

Deixo-me perder
Nos teus lábios rubros,
Nas tuas mãos macias,
No calor de teu abraço.

Deixo-me perder
Em pensamentos
E palavras.

Deixo-me perder
Num olhar
Até ti.

942
Lúcio José Gusman

Lúcio José Gusman

Sabor

E depois do amor,
muito tempo depois do amor,
não sinto apenas a saudade,
nem lembro apenas o teu perfume,
nem sigo ouvindo apenas a tua voz,
e os teus ais, e os meus te-amo.
Continuo sentindo o teu sabor,
depois do amor,
muito tempo depois do amor...

816
José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

Estrelas

Acariciemos com as
Mãos os seus corpos,
Se não os alcançarmos,
Vamos sussurrar-lhes lindas
Canções aos ouvidos.
Se não se fizerem ouvir,
Vamos mirar-lhes na face e piscar,
E o universo todo piscará para nós.

920
José Eduardo Mendes Camargo

José Eduardo Mendes Camargo

Leitura

Eu li em teus olhos as palavras
Que teus lábios não ousaram pronunciar

Eu vi em teu corpo o amor
que teus braços temeram aceitar

Eu senti no arrepio de minha pele
O arrepio de tua alma

Eu provei em tuas mãos o desejo
Que nossos corpos não conseguem dissimular.

802
J.Cardia

J.Cardia

Bailarinos

Bailarinos
rodopiam
nus,
à brisa do lago
Nenúfares

923
Hélio Pellegrino

Hélio Pellegrino

Catacumbas

Somos argila, noite
onde os dedos se afundam,
hemorragia de espantoso silêncio
nas galerias do corpo.

O resto,
o resto é pura perda
e transitória insônia.

1 294
Helena Parente Cunha

Helena Parente Cunha

Geometria

paralela ao espelho
avanço
nos pontos
e nas linhas
que me traçam

as côncavas mãos
onde
me elipso

no riso horizontal
meu rosto
vertical ao
pranto

1 255
Truck Tumleh

Truck Tumleh

Mar

Sinto dentro do corpo
Um mar de sentimentos.
Tenho canalizá-lo
E expressá-lo em palavras.

Não consigo.
É muita água...
É muito sentimento..

Peço que entenda mais,
Do que possa perdoar...

Você não imagina...
O que sinto
Quando o mar
Que carrego
Entra em ressaca.

779
Goulart Gomes

Goulart Gomes

Mariniello

agosto seis
havia um cogumelo na história
mega-tons de Hiroxima:
um talo, a rosa

caído de joelhos
e o corpo
numa curva
para traz
teus ais

tudo era tão justo
que o mais
nobre
dos mortais
se renderia
às tuas ancas
brancas
frias; quadris
chuva ácida asperjada

e um clarão
denovo
dia
no espírito
paz...

834
Fernando Fábio Fiorese Furtado

Fernando Fábio Fiorese Furtado

Mulher Dormindo

apenas a alma dorme
o corpo insone
trabalha
os minérios do sono
sustenta o pânico
o naufrágio
na penumbra
fogo e relva
os músculos dançam
debruçados sobre o nada

os olhos não
os olhos sonham
à sombra da alma
- e sobrevivem
ao dilúvio

958
Fernando Cereja

Fernando Cereja

Cheiros de Flores

os cheiros de flores
confundem meu nariz
e boca
queria comer a
primavera
mastigar flor por flor
e ver se o verão
nasceria em mim.

888
Fernando Batinga de Mendonça

Fernando Batinga de Mendonça

Poema do Homem Latino-Americano

Para Diego de Rivera,


em cima dos ombros
tens uma pedra:
pedra sem rosto
enorme incerta.

teu corpo de fome
de ossos de pele
trabalha na mina
na lavra da terra.

estendes as mãos
sem forma incertas
nos calos nos cortes
nos dedos nos ferros.

um corpo de fome
vestido de pele
carregas as mãos
um rosto de pedra.
1 096
David Mestre

David Mestre

Ngaieta de beiço

Cantarei
as tuas coxas
entre (o pano) abertas, o clamor
da

minha língua (em guarda).

O oiro
o mel
o silêncio cúmplice

a arca da tua boca
magra.

Por que ardem as fontes
no auge
da alegria?

Eros (em chamas) ousasse
gota
a
gota
um rumor
de cal
aflita.

Tu tem ngaieta de beiço
morro damor lá

994
Dilercy Adler

Dilercy Adler

Mulher

Corpo desnudo
sob os lençóis
de cetim
pele sedosa
e incandescente
contornos perfeitos
sob medida
para a gratificação
de olhos ávidos
braços vigorosos
e boca sedenta
de paixão!

930
Dimas Macedo

Dimas Macedo

Espelho

O corpo avança
apalpo a busca
tateio o labirinto.

Em mim
a dor lacera,
dói a solidão.

Em tudo o ser
reage aos passos
pousados no silêncio:
concluo a exatidão
da minha ausência.

No espelho
a meta se assemelha,
reajo à magia, ao perfil,
afasto a sombra.

903
Dilercy Adler

Dilercy Adler

Homem

Massa de músculos
e força
quanta potência
emana do teu corpo
teu corpo
que me entontece
estremece
enlouquece
mas também
enternece
com teu doce jeito de ser
menino

889
Claudia Moraes Rego

Claudia Moraes Rego

No seu colo

Cabeça no seu colo
orelha colada em sua perna
ouvindo
palavras fiadas em conversa
conduzidas, transmitidas
através
de carnes e ossos
com ecos e reverberações
intrigantes:
orelha colada na pele
friinha (mistério!)
macia e perambulante.

Hoje
minha mãe
é a lembrança de um corpo
--- auscultado ---
ontem.

989
Carla Bianca

Carla Bianca

Alheio

Sofro,
por não ter
o que é teu.
O corpo,
boca,
pernas,
e dorso.
Contemplo o alheio,
sou do outro
e assim
faço-me companhia.

900
Geraldo Carneiro

Geraldo Carneiro

neoplatônica

a boca é o lugar onde se engendra
o silêncio e se proferem sentenças
de morte e colhem blasfêmias
e serpenteiam sortilégios
e se enfunam as flores da fala
até forjar a ficção de outra boca
de onde se extrai a idéia do beijo

983
Antônio Massa

Antônio Massa

Garimpo

As palmas da face
exibem o peito
calejado
da machada espalmada
no rosto das mãos

e o corpo
estampilha
guarda em si o túnel
sem teto e luz
no final dos porquês

a face quilate
cala-se
ante outra face
a face mate
do tesouro comum

busca infindável
da verdade sempre preciosa
e semi-verdadeira
do garimpo interior

1 010
Cláudio Alex

Cláudio Alex

Repouso em ti

Tu és meu leito.

A satisfação de um desejo realizado
Abraço teu corpo amado.

De novo um olhar ("te quero").

Torno a crescer dentro de ti

A magia do recomeço.

A orgia revisitada.

857
Marcial

Marcial

VI, 36-A PAPILO

Tanto nariz, tão grande o membro teu:
Bem podes, quando erecto, farejá-lo.

912
Marcial

Marcial

VI, 23 - CONTRA LÉSBIA

Que eu esteja sempre de pau feito queres,
Lésbia, mas crê que membro não é dedo.
Coa mão, coa voz, tu docemente insistes,
E contra ti teu rosto não perdoa.

904
Poemas Sânscritos

Poemas Sânscritos

A UMA FINA CINTURA

1

Que atrevimento! Como é que ela quer
a passear levar-te?
Não sabe então que o peso de seus seios
basta para quebrar-te?

955