Céu Estrelas e Universo

Poemas neste tema

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

IX - Meu coração é um pórtico partido

IX

Meu coração é um pórtico partido
Dando excessivamente sobre o mar
Vejo em minha alma as velas vãs passar
E cada vela passa num sentido.

Um soslaio de sombras e ruído
Na transparente solidão do ar
Evoca estrelas sobre a noite estar
Em afastados céus o pórtico ido...

E em palmares de Antilhas entrevistas
Através de, com mãos eis apartados
Os sonhos, cortinados de ametistas,

Imperfeito o sabor de compensando
O grande espaço entre os troféus alçados
Ao centro do triunfo em ruído e bando...
1 614
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Última estrela a desaparecer antes do dia,

Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim,
Alegre pela vitória que tenho em poder ver-te,
Sem «estado de alma» nenhum, senão ver-te.
A tua beleza para mim está em existires.
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
1 230
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O segredo da Busca é que não se acha.

O segredo da Busca é que não se acha.
Eternos mundos infinitamente,
Uns dentro de outros, sem cessar decorrem
Inúteis; Sóis, Deuses, Deus dos Deuses,
Neles intercalados e perdidos
Nem a nós encontramos no infinito.
Tudo é sempre diverso, e sempre adiante
De [Deus] e deuses vai a luz incerta
Da suprema verdade.
1 411
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Crucificado, / Não como Cristo numa mera cruz,

Crucificado,
Não como Cristo numa mera cruz,
Mas no mistério do universo. (Sempre
Me foi a alma, ao ver a exterior
Vaidade monótona do mundo
Para ver em cada cousa e abstracto objecto
No seu misterioso ali-local de ser,
Sempre os meus pensamentos supervistos
Como coisas alheias me eram pontes
Donde eu partia para perguntar-me
Generalidades.)
1 203
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

V - HIEMAL

V

HIEMAL

Baladas de uma outra terra, aliadas
Às saudades das fadas, amadas por gnomos idos,
Retinem lívidas ainda aos ouvidos

Dos luares das altas noites aladas...
Pelos canais barcas erradas
Segredam-se rumos descridos...

E tresloucadas ou casadas com o som das baladas,
As fadas são belas, e as estrelas
São delas... Ei-las alheadas...

E são fumos os rumos das barcas sonhadas,
Nos canais fatais iguais de erradas,
As barcas parcas das fadas,
Das fadas aladas e hiemais
E caladas...

Toadas afastadas, irreais, de baladas...
Ais...
1 303
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Maior é quem a passo e passo avança

Maior é quem a passo e passo avança
Na sua consciência do Universo
        E palmo a palmo ganha
        O domínio dos deuses.
Porque quanto mais certas vê as cousas
Mais por seu par os deuses o consentem
        Até sentir seu corpo
        Roçar corpos eternos.
Deixa, (...) meu, a ambição tua
De entre os homens por duque seres tido:
        Deixa luzir p'ra outros
        As lanças e as espadas
De pelo gládio à glória e à (...) vires .
E a confiança em (...)
        A glória onde te leva
        Mais que a onde não há glória?
935
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

2 - THE ISLAND

Weep, violin and viol,
        Low flute and fine bassoon.
Lo, an enchanted isle
        Moon‑bound beneath the moon!
My dream‑feet rustle through it
        Chequered by shade and beam.
Oh, could my soul but woo it
        From being but a dream!

Violin, viol and flute.
        Lo, the isle hangs in air!
Through it I wander, mute
        With too much loss of care.
And the air where't doth float
        No air's, but light of moon.
Its paths are known to each note
        Of viol and bassoon.

Yet is it real, that isle,
        As our clear islands mortal?
Do flute, bassoon and viol
        But ope with sound a portal,
And show, somehow, somewhere,
        To what looks out from me
That pendulous island rare
        In a moon‑woven sea?

Maybe 'tis truer than ours.
        How true are these? But lo!
That isle that knows no hours
        Nor needeth hours to know,
And that hath truth and root
        Somewhere known of the moon,
Fades in the fading of flute,
        Violin and bassoon.
1 451
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Vou dormir, dormir, dormir,

Nirvana

Vou dormir, dormir, dormir,
Vou dormir sem despertar,
Mas não dormir sem sentir
Que estou dormindo a sonhar.

Não insciência e só treva
Mas também estrelas a abrir
Olhos cujo olhar me enleva,
Que estou sonhando a dormir.

Constelada inexistência
Em que subsiste de meu
Só uma abstracta insciência
Una com estrelas e céu.
1 837
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O mistério supremo do Universo

O mistério supremo do Universo
O único mistério, tudo e em tudo
É haver um mistério do universo,
É haver o universo, qualquer cousa,
É haver haver. Ó forma abstracta e vaga
Que tão corrente haver em mim demora
Que pensar isto é-me no corpo um frio
Que sopra d'além terra e d'além-túmulo
E vai da alma a Deus.
1 229
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

OH, SOLITARY STAR

Oh, solitary star, that with bright ray
Lookst from the bosom of envolving night,
Loveliest that none contests thy spaceful way
Now when with rivals is the sky not dight.

Vouch safe on me to keep thy tiny stare
Blinking at night as if in sleepy joy,
Or as the sleepy eyes of some young fair
Who chides their closing to her thought's warm toy.

That there are other stars I well do know
And others that may shine more bright and true;
And yet I wish them not, for one doth so
Outwit decision and attention sue.

And if from this thou can no lesson learn.
Much hast thou spurned that Goodness may not spurn
1 480
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Was it the lyrical nightingale

Was it the lyrical nightingale
Forgot this music or told this tale?
A murmur of sorrow within me moves
Among the ghosts of unfound loves,
A breath of loss; like a lily faded,
By nought but the spell of that music aided.

I dream, and the sadness of being alive
Is like a mist round the things that strive
For an uttered word or a sense of being.
What sickness of having no seeing but seeing
Haunts with a murmur, thrills with a fear
The unnatural sense of my being here?

Nothing: the moonlight. Nothing: the breeze.
For sure there are, on remoter seas
Than mere containing of thoughts and dreams,
More earthless sorrows, less lucid gleams.
Care, and the fret of not having aught
If there, yet weigh not on life and thought.

Was it the music that came or ended?
Was it that it lost me or that it blended
With that of me that was born to hear it?
A voiceless sighing incarnate spirit,
A murmur of waters that somewhere shine,
A moonlight of dreaming it, a curious wine,

A splendour of opening vision to stars
No separateness from seeing them mars,
A clarion of moon-morn issuing from
The earliest place before love and home —
This, and the music I scarce can hear …
Lie still, my heart! be a dream, my fear!
1 389
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Out of a great nebula of Night and Storm

Out of a great nebula of Night and Storm
Borne upon a great void within our Space,
My soul was formed and stares God in the face
Out of that silence where there is no Form.

The empty carcase of Place
The silent ecstasy of Hours,
Life, like abandoned flowers,
Thought, like a forlorn grace.
1 249
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

I have outwatched the Lesser Wain, and seen

I have outwatched the Lesser Wain, and seen
The remnant stars grow pale; but the used night
Has to the thought that used it sterile been,
Nor lost that use by pressure of delight.

My fixed, impatient thought no reason read;
What I scarce read my unthought thought made stray;
My soul between the living and the dead
Was a blown vapour, without place or way.

What the morn brought or took I cannot tell,
That had no use to bring or use to find.
All night I lay under the barren spell.
The day cannot dispel what the void wind

Ruinous built in the shorn night: its glow
Can but the night's made desert brightly show.
1 362
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Desperto de sonhar-te

Desperto de sonhar-te
Quando inda a noite é funda,
E um céu estelar faz parte
Do silêncio que inunda.
Perdi poder amar-te
E a treva me circunda.

Talvez que relembrasse,
Sonhando-te, outro ser,
E aquilo que sonhasse
Fosse tornar a ter.
Mas despertei, e faz-se
Claro em meu quarto a ver.

Insónia de perder-te!
Quem foste já não sei.
Pela janela verte
Cada astro a sua lei.
Como, sem sonhar ter-te?...
Porque não dormirei?
1 333
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

O melodioso sistema do Universo,

O melodioso sistema do Universo,
O grande festival pagão de haver o sol e a lua
E a titânica dança das estações
E o ritmo plácido das eclípticas
Mandando tudo estar calado.
E atender apenas ao brilho exterior do universo.
1 458
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Não fales alto que isto aqui é vida —

Não fales alto que isto aqui é vida —
Vida e consciência dela,
Porque a noite avança, estou cansado, não durmo,
E, se chego à janela
Vejo, de sob as pálpebras da besta, os muitos lugares das estrelas...
Cansei o dia com esperanças de dormir de noite,
É noite quase outro dia. Tenho sono. Não durmo.
Sinto-me toda a humanidade através do cansaço —
Um cansaço que quase me faz carne os ossos...
Somos todos aquilo...
Bamboleamos, moscas, com asas presas,
No mundo, teia de aranha sobre o abismo.
1 402
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Hé-lá que eu vou chamar

Hé-lá que eu vou chamar
Ao privilégio ruidoso e ensurdecedor de saudar-te
Todo o formilhamento humano do Universo,
Todos os modos de todas as emoções,
Todos os feitios de todos pensamentos,
Todas as rodas, todos os volantes, todos os êmbolos da alma.
Heia que eu grito
E num cortejo de Mim até ti estardalhaçam
Com uma algaravia metafísica e real,
Com um chinfrim de coisas passado por dentro sem nexo,
(...)

Ave, salve, viva, ó grande bastardo de Apolo,
Amante impotente e fogoso das nove musas e das graças,
Funicular do Olimpo até nós e de nós ao Olimpo,
Fúria do moderno concretado em mim,
Espasmo translúcido de ser,
Flor de agirem os outros,
Festa porque há a Vida,
Loucura porque não há vida bastante em um p'ra ser todos
Porque ser é ser bastardo e só Deus nos servia.

Ah, tu que cantaste tudo, deixaste tudo por cantar.
Quem pode vibrar mais que o seu corpo em seu corpo,
Quem tem mais sensações que as sensações por ter?
Quem é bastante quando nada basta?
Quem fica completo quando um só [vinco?] de erva
Fica com a raiz fora do seu coração?
947
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

No meu verso canto comboios

No meu verso canto comboios, canto automóveis, canto vapores,
Mas no meu verso, por mais que o ice, ha só ritmos e ideias,
Não há ferro, aço, rodas, não há madeiras, nem cordas,
Não há a realidade da pedra mais nula da rua,
Da pedra que por acaso ninguém olha ao pisar
Mas que pode ser olhada, pegada na mão, pisada,
E os meus versos são como ideias que podem não ser compreendidas.

O que eu quero não é cantar o ferro: é o ferro.
O que eu penso é dar só a vida do aço — e não o aço —
O que me enfurece em todas as emoções da inteligência
É não trocar o meu ritmo que imita a água cantante
Pelo frescor real da água tocando-me nas mãos,
Pelo som visível do rio onde posso entrar e molhar-me,
Que pode deixar o meu fato a escorrer,
Onde me posso afogar, se quiser,
Que tem a divindade natural de estar ali sem literatura.
Merda! Mil vezes merda para tudo o que eu não posso fazer.
Que tudo, Walt — [...] ? — que é tudo, tudo, tudo?

Todos os raios partam a falta que nos faz não ser Deus
Para ter poemas escritos a Universo e a Realidades por nossa carne
E ter ideias-coisas e o pensamento Infinito!
Para ter estrelas reais dentro do meu pensamento-ser
Nomes-números nos confins da minha emoção-a-Terra.
1 060
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Chove fogo — ouro de barulho estruge...

Chove fogo — ouro de barulho estruge...
"Hela-hohô-ô (ô)...

Z — zz Sher Rr to go. Shabababulá...

[...]
ESPAÇO...

Tudo se apaga como uma grande lâmpada eléctrica que se funde...

Vem do fundo do mundo
Vem do horizonte mudo, confuso do mundo,
Sussurro surdo, escuro, murmúrio
De uma cavalgada que dura, que dura furiosa no ouvido,
Inúmera cavalgada vem...

Vêm do fundo do mundo confuso
Vêm do abismo do espaço nocturno...
À pressa, negros, rápidos, de repente surdem...
Súbito outra vez tremem...
Oscilam no ruído que tem rasto no escuro...
Inúmera cavalgada... Quem?

Vem apertada nos passos confusos
Vem apertada nos ruídos dispersos,
Vem aclamada nos ruídos mudos
Vem apertada nos ruídos confusos,
Vem apertada, vem apertada, vem apertada

Todo o horizonte está cheio por dentro de um grito absurdo
Helahôhô...
Helahôhô...
805
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A DAY OF SUN

I love the things that children love
        Yet with a comprehension deep
That lifts my pining soul above
        Those in which life as yet doth sleep.

All things that simple are and bright,
        Unnoticed unto keen‑worn wit,
With a child's natural delight
        That makes me proudly weep at it.

I love the sun with personal glee,
        The air as if I could embrace
Its wideness with my soul and be
        A drunkard by expense of gaze.

I love the heavens with a joy
        That makes me wonder at my soul,
It is a pleasure nought can cloy,
        A thrilling I cannot control.

So stretched out here let me lie
        Before the sun that soaks me up,
And let me gloriously die
        Drinking too deep of living's cup;

Be swallowed of the sun and spread
        Over the infinite expanse,
Dissolved, like a drop of dew dead
        Lost in a super‑normal trance;

Lost in impersonal consciousness
        And mingling in all life become
A selfless part of Force and Stress
        And have a universal home;

And in a strange way undefined
Lose in the one and living Whole
The limit that I call my mind,
The bounded thing I call my soul.
1 678
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

II - PASSOU

II

PASSOU

Passou, fora de Quando,
De Porquê, e de Passando...,

Turbilhão de Ignorado,
Sem ter turbilhonado...,

Vasto por fora do Vasto
Sem ser, que a si se assombra...,

O universo é o seu rasto...
Deus é a sua sombra.
1 386
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

THE DEATH OF THE TITAN

EPICUREAN

From night's great womb with pain the horrid morn hao broke,
Far o'er the throbbing earth the clattering thunders roar,
The Titan wakes at last, his front begrimed with gore,
His brutal gasp abrupt uproots the rugged oak.

In mortal throes he raves, and with his stertorous croak
The birds are struck, the streams with terror dried, the shore
Caves into sea, mounts break down to their horrid core,
The tottering crags are rent, is rent the cloud’s gray cloak.

The lightning shrinks, the seas in roaring clangor splash,
The giant sways and now, with sudden thunderous crash,
Falls, and the throned stars from glittering seats are torn.

He fell; the startl'd earth, with frantic fury stung,
Split, burst, and broke; the air with rankling curses rung
But in the sky the sun still smiled as in scorn.
1 410
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A noite desce, o calor soçobra um pouco.

A noite desce, o calor soçobra um pouco.
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação directa com a terra
Não esta espécie de ligação do sentido secundário chamado a vista,
A vista por onde me separo das coisas,
E m'aproximo das estrelas e de coisas distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-se.
1 390
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

FAUSTO: - Não descreio de Deus, passei p'ra além...

Não descreio de Deus, passei p'ra além...
Um dia, meditando
Uma ideia espontânea e horrorosa
Como um vulto supremo sem ter vulto,
Surgiu no fundo do meu pensamento...
Como a noite corporizada, e o medo
Vestindo-a, e (...)
Apareceu-me Deus em esqueleto...
Tudo despira do seu corpo ideal
Não de infinito só, de inatingível,
Mas mesmo de mais do que inatingível.
Até ao fundo do seu ser abstracto
O meu ser despi, e eu vi o (...)
Esqueleto (...) do Mistério...
O informe tomou forma dentro em mim...
Ah inda hoje, se relembro, sinto
Como um medo no longe, um pavor negro
Não em mim, mas em todo o Universo,
Um arrepio pelas estrelas fora
E um grande horror arrepanhando os céus
Como à humana pele que tem medo...
                         (treme)
— Isso é um pensamento...
                FAUSTO:
                                Se eu pensei
Isto, se isto me foi possível
É crível que a verdade seja
Mais profunda que o meu pensamento.
Como pensei eu cousas mais profundas
Do que a verdade em si?
Apareceu-me o Universo íntimo
Do misterioso avesso... E eu vi, (...)
O outro lado das cousas, não das cousas
Aparentes apenas, mas o outro
Lado até do Essencial, do Inaparente,
Do além-divino e do Divino em Deus...
Tinha a forma, sensível aos meus olhos
Do espírito, dum imenso céu estrelado.
Mas eu, com nítida visão de dentro,
Via que era infinito, como se visse
Em corpo e forma (...) [...]
E sob o meu olhar apavorado
Vi o nosso sistema do universo
Mais perto... A ideia abstracta e nua,
A vida extrema e última de nós.
O Ser, o ser abstracto e (...)
Era um sol — sol de (...) e seguia
Como da circunferência para o centro
(Não como nós que vemos sempre — e em sonho
É o mesmo (do centro sempre p'ra o espaço,
Real ou suposto nessa circunferência) —
Eu vi, e cada sol e seu sistema
Ia em outros sóis e outros sistemas
Na órbita de sóis mais interiores
(O centro de cuja circunferência
Eu via em infinito para dentro,
Não para fora como infinito mesmo)
E o nosso mundo como um deus nele
Era um mero satélite
De um sol do só primeiro sistema
Raiando a ideia sobre o seu mundo.

Infinito interior ao interior!
Pavorosa agonia do Profundo!
Vacuidade e realidade negra
De tudo!
1 246