Orgulho

Poemas neste tema

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Para quê te falar? Ninguém me irmana

Para quê te falar? Ninguém me irmana
Os pensamentos na compreensão.
Sou só por ser supremo, e tudo em mim
É maior.
1 215
Vladimir Maiakovski

Vladimir Maiakovski

ESCÁRNIOS

(tradução: Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)

Desatarei a fantasia em cauda de pavão num ciclo de matizes, entregarei a alma ao poder do enxame das rimas imprevistas.
Ânsia de ouvir de novo como me calarão das colunas das revistas esses que sob a árvore nutriz es-
cavam com seus focinhos as raízes.

2 025
Alfonsina Storni

Alfonsina Storni

Sabeis algo

Subi, subi, subi. Já estava bem em cima
quando senti um murmuro, era desafio, diatribe?
Escutei: gargalhadas, ironias, insultos.
o que vos pareço uma símia? Oh meus bons estultos:
sabeis de coisas belas?
Eu, fazem séculos que vivo trança que trança estrelas.

1 069
Reinaldo Ferreira

Reinaldo Ferreira

Nasci poeta abstruso

Nasci poeta abstruso.
Amo as palavras que estão
Entre o arcaico e o difuso
No cerne da indecisão.

Prefiro adrede e gomil.
Digo delíquo e fanal.
E só descrevo um funil
Em termos-vaso-de-graal.

Mas nesta minha importância,
Neste sol que me irradia,
Nem Deus preenche a distância
Que vai de mim à Poesia.

1 839
Cleómenes Campos

Cleómenes Campos

Fábula

No começo do mundo,
quando tudo falava, um Monte, certo dia,
interrogou a um Vale, a quem mal conhecia:
— "Quem é mais alto de nós dois?"

O Vale respondeu-lhe admirado, depois:
— "Eu só te sei dizer quem é o mais profundo. . .

1 009
Lêdo Ivo

Lêdo Ivo

Oiço, como se o cheiro

The Literary Narcissus

Único! Original!
A ninguém me assemelho,
nem mesmo à minha imagem
refletida no espelho.

Unique! Original!
I resemble no one,
not even my image
in the mirror.

1 620
José Eustáquio da Silva

José Eustáquio da Silva

Belos

cesta nba
violência aparthaid
um grito haiti
liberdade zumbi

tambores jamaicanos
oloduns brasil baiano
stevie wonder reluziu
tropicalizando gilberto gil

viva áfrica americana
viva o toque do pandeiro
cor não tem cor quando se ama
sou neguinho brasileiro

806
João Fortunato

João Fortunato

Estela

Para Manuel Ribeiro de Paiva

Orgulho natural,
Integridade,
Um corpo que não se vende,
Humilha, ou trai.

Só agora,
Toda claridade,
Sua alma a nós se rende
E não se retrai.

E alva,frágil,
Agreste como flor de esteva,
Acima do turbilhão
Da cidade que a colheu,
Liberta, se eleva…

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