Desejo

Poemas neste tema

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

FLASHES OF MADNESS — I

I.

Thy hand with its lovely fingers
        And the heavy rings on them!
How my soul over them lingers
Each finger with a heavy gem,
Each ring like a small diadem!

When thou and I are alone,
One only wish my soul stings —
Holding thy hand in my own,
All night, while the night-bird sings,
To take off and replace thy rings.
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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

«Vou trabalhando a peneira

«Vou trabalhando a peneira
E pensando assim assim.
Eu não nasci para freira.
Gosto que gostem de mim.»
1 293
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

APOLLO UNTO NEPTUNE

Apollo unto Neptune said:
        «Come, I shall drink the sea!»
But Neptune laughed out like a lad
        In his boyish jollity,
And cried: «You would drink the earth, if you could,
        And infinity.»
And the poet the symbol who understood
        Felt his misery.
1 390
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Cada momento que a um prazer não voto

Cada momento que a um prazer não voto
Perco, nem curo se o prazer me é dado;
        Porque o sonho de um gozo
        No gozo não é sonho.
1 385
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A tua saia, que é curta,

A tua saia, que é curta,
Deixa-te a perna a mostrar:
Meu coração já se furta
A sentir sem eu pensar.
1 294
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Me concedam os deuses lá do alto

Me concedam os deuses lá do alto
Da sua calma que não custa ou serve
        Ter uma vida tal qual eles
        Se fossem homens a teriam...
Dominando desejos e esperanças
Não para ser comprado pelas ínguas
        A maldizer da (...)…
1 321
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Frescura do que é regado,

Frescura do que é regado,
Por onde a água inda verte...
Quero dizer-te um bocado
Do que não ouso dizer-te.
1 272
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Só com um jeito do corpo

Só com um jeito do corpo
Feito sem dares por isso
Fazes mais mal que o demónio
Em dias de grande enguiço.
1 402
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Vai longe, na serra alta,

Vai longe, na serra alta,
A nuvem que nela toca...
Dá-me aquilo que me falta —
Os beijos da tua boca.
878
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Quando apertaste o teu cinto

Quando apertaste o teu cinto
Puseste o cravo na boca.
Não sei dizer o que sinto
Quando o que sinto me toca.
1 466
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Ai, os pratos de arroz-doce

Ai, os pratos de arroz-doce
Com as linhas de canela!
Ai a mão branca que os trouxe!
Ai essa mão ser a dela!
1 623
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Vem cá dizer-me que sim.

Vem cá dizer-me que sim.
Ou vem dizer-me que não.
Porque sempre vens assim
P’ra ao pé do meu coração.
1 378
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Rezas a Deus ao deitar-te

Rezas a Deus ao deitar-te
Pedindo não sei o quê.
Se rezasses ao demónio,
Eu saberia o que é.
1 255
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A tua irmã é pequena,

A tua irmã é pequena,
Quando tiver tua idade,
Transferirei minha pena
Ou fico só com metade?
1 663
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Bem sei que ela era a Rainha.

Bem sei que ela era a Rainha.
Tantas vezes a sonhei
Que julguei até que a tinha
Com quanto a imaginei…

Porque a gente, por pensar,
Talvez que pode querer,
Até sentir que sonhar
É pensar sem poder ter.

Bem sei. Mas era a Rainha
E não abdico encontrá-la.
Faltam-me o ser ela minha
E as condições e a sala.
1 703
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Há dois dias que não vejo

Há dois dias que não vejo
Modo de tornar-te a ver.
Se outros também te não vissem,
Desejava sem sofrer.
1 217
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

...e desse referver me veio

...e desse referver me veio
Mudo aniquilamento da vontade
Paralisada pelo (...) excesso
Do poder do desejo, mesmo sobre
A imaginada força do poder.
1 095
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

SUNSET SONG

Leaning my chin on my hands,
        I looked far away to sea
Where the dying sunset a sense commands
        Of half‑mystical majesty.
And I felt a strange sorrow, a fear,
        A desire like a sudden love
        For something that is not here
        And that I can never have.
2 005
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Eu quisera poder abrir a mão

Eu quisera poder abrir a mão
E deixar-te cair. Atrais-me estranho
E vago horror, tu líquido que podes
Adormecer-me na loucura e (...)
1 407
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Onde, em jardins exaustos

Onde, em jardins exaustos
Nada já tenha fim,
Forma teus fúteis faustos
De tédio e de cetim.
Meus sonhos são exaustos,
Dorme comigo e em mim.
991
Florbela Espanca

Florbela Espanca

Súplica

Digo pra mim
Quando ele passa:
Ave-Maria
Cheia de graça!

E quando ainda
Mal posso vê-lo:
Bendito Deus
Como ele é belo!

Embalada num sonho aurifulgente
Sei apenas que sonho vagamente,
Ao avistar, amor, teus olhos belos,

Em castelãs altivas, medievais,
Que choram às janelas ogivais,
Perdidas em românticos castelos!
2 222
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Boca com olhos por cima

Boca com olhos por cima
Ambos a estar a sorrir...
Já sei onde está a rima
Do que não ouso pedir.
1 321
Florbela Espanca

Florbela Espanca

Liberta!

Eu ponho-me a sonhar transmigrações
Impossíveis, longínquas, milagrosas,
Voos amplos, céus distantes, migrações
Longe... noutras esferas luminosas!

E pelo meu olhar passam visões:
Ilhas de bruma e nácar, d’oiro e rosas...
E eu penso que, liberta de grilhões,
Hei-de aportar as Ilhas misteriosas!

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Jalāl ad-Dīn Muḥammad Balkhī, Rūmī

Jalāl ad-Dīn Muḥammad Balkhī, Rūmī

Vem ao pomar

Vem ao pomar, é chegada a primavera.
Há vinho, luz e namorados na romãzeira.
Se não vieres, estes não têm importância.
Se tu vieres, estes não têm importância.
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